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Jornal da meia-noite com a Laura Figueiredo. E Laura, o líder do grupo parlamentar do PSD considera a moção de censura apresentada pelo Chega ridícula. Diz também não acreditar que o Presidente da República envie recados por amigos.
Hugo Soares desconfia das intenções do partido de André Ventura ao apresentar a iniciativa, considera que a moção de censura é apenas mais um episódio da chamada silly season política.
Qual é o objetivo de uma moção de censura? O objetivo de uma moção de censura é derrubar o governo e provocar eleições. Esta não é uma moção de censura contra Luís Neves, não é uma moção de censura contra este ou aquele aspecto, ou contra aquela circunstância. É uma moção de censura contra um governo e por isso é que ela é ridícula. Por isso é que ela é mais um epílogo, um terminar da silly season, em que todos, ou quase todos, vamos alimentando, especulando e comentando aquilo que o deputado André Ventura quer, e vamos todos no engodo.
E perante os alertas do conselheiro do Presidente da República, de Alberto Campos Fernandes, que fala em sinais muito preocupantes e num possível funcionamento irregular das instituições, o líder parlamentar do PSD desvaloriza. Hugo Soares garante que António José Seguro não manda recados através de terceiros.
Alberto Campo Fernandes é visto como uma personagem próxima do Presidente da República e podia ser algum recado. Que país é este? Quem somos nós, e quem é, já agora, o mais alto magistrado da nação, quando manda recados ao governo por um amigo, numa televisão? Eu garanto aqui, convictamente, que tenho a certeza que não. O que conheço da persona política, cívica e estadista do doutor António José Seguro, eu não acredito nisso.
Hugo Soares admite, ainda assim, não saber se o Presidente da República deu, de facto, um prazo ao Primeiro-Ministro para resolver a situação do ministro da Administração Interna. Quanto a Luís Neves, Hugo Soares garante que o ministro está muito longe de ser arguido. Sublinha que é preciso uma acusação definitiva para que possa existir um juízo político sobre a continuidade do governante.
Esta quinta-feira há conferência de líderes. O presidente do Parlamento propõe votar a moção de censura apresentada pelo Chega no dia 10 ou 17 de setembro.
Os líderes parlamentares decidem esta quinta-feira a data para discutir e votar a moção de censura ao governo. As duas datas em cima da mesa foram reveladas esta noite através de um despacho do presidente do Parlamento. O despacho de Aguiar Branco foi enviado a todos os partidos com assento parlamentar e confirma a convocação de uma conferência de líderes extraordinária para as 15h30 de quinta-feira. Antes disso, o presidente da Assembleia da República tinha já anunciado de viva voz a reunião de amanhã.
Aquilo que terá que ser agora decidido é, em relação à data em que ocorrerá a discussão, a partir do momento em que se conta essa data para a discussão, porque estamos num período de interrupção dos trabalhos parlamentares. Eu vou convocar uma conferência de líderes para amanhã, em que participarei de forma remota, para precisamente em conferência de líderes, nós podermos definir a data a partir da qual o prazo se conta para a discussão da moção que foi apresentada.
José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República, em declarações aos jornalistas nos Açores.
E Laura, o Chega confirmou esta tarde que vai mesmo avançar com a moção de censura ao governo.
André Ventura avisa que Luís Montenegro pode perder a autoridade política. O líder do Chega critica a falta de esclarecimentos dados pelo ministro Luís Neves e procura colar António José Seguro à rejeição do titular da pasta da Administração Interna. Depois de dias de reflexão, confirmação de censura ao governo foi dada esta tarde, Martim Madeira.
O Chega deu entrada hoje no Parlamento de uma moção de censura com o objetivo claro: censurar o Primeiro-Ministro e o governo.
Foi a razão principal desta conferência de imprensa convocada por André Ventura, apresentar uma moção de censura ao governo, uma moção por parte do Chega, que apenas tem um culpado.
Deixámos de ter um governo liderado por Luís Montenegro e temos um governo liderado por Luís Neves. Se continuarmos a ter Luís Neves como ministro, sabemos que a autoridade do Primeiro-Ministro, não para prejuízo do PSD, mas para prejuízo de todos, está irremediavelmente colocada em causa.
O líder do Chega justifica a razão desta moção. Deixa o aviso de que a retórica de Luís Neves é um perigo para a democracia, principalmente a atitude que Ventura diz ser de rockstar.
O senhor ministro entendeu que não devia responder a nada e que não tinha que responder a nada, porque, lá está, vinha com a estrela de rockstar de ministro do governo. A lógica e linguagem, ninguém me afasta deste cargo, quer queira ou quer não, é um perigo para a nossa democracia.
E na sede do Chega, a mensagem de Ventura é clara: apresenta esta moção para mostrar que ninguém o intimida.
Quando há suspeitas de falta de integridade, onde há suspeitas de uso indevido de poder público ou de corrupção, a nós ninguém nos intimida. A mim, ninguém me intimida.
Por fim, depois de vincar que a moção é para avançar e após ser questionado várias vezes, Ventura finalmente diz o que é preciso por parte do Primeiro-Ministro, para o Chega recuar na decisão.
Nós não pactuamos com autoritarismo, nós não pactuamos com a falta de integridade.
Certo, mas o que o Luís Montenegro pode fazer?
E, portanto, o que pode fazer é substituir o seu ministro da Administração Interna.
É a única alternativa possível?
É a alternativa que neste momento a democracia e a integridade exigem.
O líder do Chega deixa ainda claro que se o PS votar contra esta moção, está do lado da continuidade.
Jornalista Martim Madeira, com os destaques da intervenção de André Ventura na apresentação desta iniciativa de censura ao executivo de Luís Montenegro. E o PCP defende que o Executivo liderado por Luís Montenegro merece censura, mas não se compromete com o sentido de voto.
O dirigente dos comunistas, Vladimir Vaz, explica que os casos que envolvem o ministro da Administração Interna exigem esclarecimentos que até o momento não foram prestados. Ainda assim, acusa o Chega de tentar fazer malabarismos políticos e de não querer, de fato, esclarecimentos. Também à esquerda, o Bloco considera que a moção apresentada pelo Chega é motivada pelas razões erradas. O líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, admite que Luís Neves se tornou um agente de confusão, mas sublinha que há motivos maiores para censurar o Executivo de Luís Montenegro.
O governo merece censura por ter deixado aumentar o preço das rendas e das prestações ao banco. O governo merece censura porque a conta do supermercado é cada vez menos sustentável. O governo merece censura pelo caos criado nos exames nacionais. O governo merece censura porque não há professores. Sim, merece censura. Mas André Ventura não censura o governo por isso. Luís Montenegro agradece e as pessoas continuam com as contas por pagar. Isso é que é o drama deste momento em Portugal.
José Manuel Pureza, o coordenador do Bloco de Esquerda, em declarações recolhidas esta tarde em Coimbra. Vamos olhar também para o conflito na Ucrânia. A especialista em Relações Internacionais, Ana Cavalieri, afirma que a alegada tentativa de ataque russo no aeroporto de Leipzig demonstra que o Kremlin quer colocar à prova o compromisso da NATO com a Ucrânia. Em causa a alegada tentativa de ataque russo com drones no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. A especialista em Relações Internacionais fala em táticas de guerra híbrida. Considera que têm como objetivo testar o nível de compromisso dos países da NATO com o apoio à Ucrânia.
Estas táticas de guerras híbridas é uma constante imposição por parte dos russos de testes àquilo que verdadeiramente, até que ponto é que nós estamos dispostos a sacrificar-nos e através das nossas respostas, para continuar a nossa ajuda à Ucrânia. E esse teste incessante, ou esses testes que são incessantes, ocorrem até ao momento em que, do nosso lado, da NATO, começamos a impor medidas que sejam tão custosas aos russos que então passem a ficar dissuadidos de continuar a fazer esses atos de sabotagem.
Declarações da especialista em Relações Internacionais, Ana Cavalieri, no programa Gabinete de Guerra da Rádio Observador.
A fechar, Laura, vamos a outras notícias em destaque.
Nos Estados Unidos, um tiroteio em Minneapolis causou várias vítimas, entre elas dois agentes da polícia. A informação foi avançada pela conta oficial da cidade numa publicação na rede social X. Para já, não foram adiantados mais detalhes quanto a suspeitos ou vítimas deste incidente. Os aeroportos de Moscovo mantêm-se fechados pela segunda noite consecutiva. Os dois aeroportos na capital russa mantêm a suspensão das operações, na sequência do anúncio da ameaça do presidente ucraniano, que avisou que o espaço aéreo russo deixou de ser seguro. No desporto, o Futebol Clube do Porto contratou o extremo brasileiro de 18 anos, Gabriel Meca, ao Grêmio, por 11 milhões de euros. A oficialização foi anunciada hoje pelos Dragões. No comunicado publicado pelo Futebol Clube do Porto, os portistas adiantam que o contrato é válido por cinco temporadas, até 31 de julho de 2031.
Desporto a fechar o Jornal da Meia-Noite.