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Começa agora o Jornal das 10, edição do jornalista Luís Soares. E Luís, começamos com o ministro da Presidência, que afasta o atual governo de responsabilidades pelos problemas do INEM. Para António Leitão Amaro, a culpa é do anterior executivo socialista.

É a reação do ministro à saída de Vítor Almeida do Instituto Nacional de Emergência Médica, apenas uma semana depois de ter sido nomeado. Com a saída de Vítor Almeida, as críticas à esquerda não se fizeram esperar, com o secretário-geral do PS a acusar o executivo da AD de promover uma grande trapalhada. A resposta surgiu ontem à noite em declarações à RTP. António Leitão Amaro devolve as críticas e diz que os socialistas deixaram o INEM num estado preocupante.

O Instituto Nacional de Emergência Médica, o estado em que foi deixado pelo governo anterior é um estado dramático, de falta de recursos, de falta de condições legais e contratuais para meios essenciais operarem. Eu acho que aquilo que é recomendado a alguns agentes políticos que estiveram no governo 3050 dias é, talvez, um bocadinho mais de moderação e cuidado e algum exercício de autocrítica.

António Leitão Amaro diz também que a decisão de Vítor Almeida em recusar a presidência do INEM foi livre, mas deixa também algumas farpas.

Houve uma pessoa escolhida que nunca chegou a ser nomeada. Quando iria, entendeu que não tinha condições, porque a situação era tão grave, se quisermos, achou que era melhor não assumir esta função. Nós queremos, sobretudo, à frente de funções públicas, quem as quer enfrentar de braço dado conosco e com os portugueses. Quem não quer enfrentar as dificuldades é livre.

António Leitão Amaro, entrevistado ontem na RTP, a reagir à saída de Vítor Almeida da presidência do INEM, apenas uma semana depois de ter sido, como escutamos, escolhido e não ainda nomeado. Vítor Almeida vai ser substituído por Sérgio Dias de Janeiro, o atual diretor de Medicina Interna do Hospital das Forças Armadas. O militar vai exercer em regime de substituição durante 60 dias, até porque a CReSAP ainda tem que proceder à abertura de um novo concurso.

E a partir do último trimestre do ano, o governo vai passar a atribuir um cartão social que substitui o atual cabaz alimentar. É uma medida que vai atingir 120 mil pessoas.

O objetivo, diz o Ministério da Solidariedade, é dar maior liberdade e dignidade às famílias mais carenciadas. Este cartão social será carregado com o valor do apoio aos destinatários finais do programa. Vão ser atribuídos quase 51 € ao responsável pelo agregado, a que acresce 70% deste valor, pouco mais de 35 €, por cada um dos restantes membros do agregado familiar, incluindo menores de idade. De acordo com o Ministério da Solidariedade, o titular pode adquirir os bens alimentares de que necessita na rede de estabelecimentos comerciais aderentes ao programa existente em todo o território continental português. Junta-se em direto a este Jornal das 10 a vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Madalena Ramalho. Bem-vinda, Madalena. Já vamos falar da campanha de recolha que a Cruz Vermelha tem no terreno este fim de semana, mas antes gostaria de saber também que comentário tem a fazer a esta medida do governo. Faz mais sentido a lógica do subsídio ou a lógica do cabaz, ou as duas em conjunto?

Muito bom dia, muito obrigada pela oportunidade, pela vossa gentileza. Nós, Cruz Vermelha Portuguesa, desde os tempos da pandemia, aderimos ao cartão Dá, porque tornava-se difícil a deslocação das famílias aos espaços comerciais. Nós defendemos que o cartão Dá tem vantagens quer para as instituições da Cruz Vermelha, quer para o governo, por questões de natureza logística, quer também para as famílias, porque às famílias dá uma maior dignidade no ato da compra dos produtos, porque podem comprar, nomeadamente, produtos frescos, produtos perecíveis para as crianças, para os bebês e até ir um bocadinho ao encontro dos seus gostos e das suas etnias. Portanto, o cartão Dá ajusta-se melhor ao contexto familiar e à instituição também, pelas razões que acabei de referir.

Madalena, sabemos que a inflação tem vindo a abrandar, os juros também têm vindo a descer. No entanto, aquilo que eu lhe queria perguntar é se, apesar desta eventual melhoria da situação económica, continuam a ser muitos os pedidos de ajuda que vão chegando à Cruz Vermelha Portuguesa.

Não obstante todos os fatores que referiu, e que são verdadeiros, continuam a aumentar o número de pedidos de ajuda. Tem a ver também com muitas famílias que não conseguem, mesmo trabalhando, pagar a sua renda de casa, as despesas da água, da luz e do gás e fazer face às despesas alimentares. Portanto, nós apoiamos também nas ajudas à casa, à renda da casa e o pagamento das despesas, quer através também do aumento das necessidades por força do aumento dos fluxos migratórios. E, portanto, o pedido de ajuda tem aumentado consideravelmente.

E o perfil das pessoas que pedem ajuda também continua a mudar?

O perfil das pessoas que pedem ajuda, o paradigma está a mudar e está a atingir mais as classes médias também. Pessoas que até há algum tempo não tinham sinais de fragilidade e de vulnerabilidade, como hoje está a acontecer, e que recorrem à Cruz Vermelha Portuguesa.

E nesse sentido, Madalena Ramalho, este fim de semana e no próximo também, a Cruz Vermelha Portuguesa tem uma nova campanha de recolha em vários supermercados do país. Quer explicar-nos também um pouco do que é esta campanha?

Nós vamos estar em mais de 500 espaços comerciais, 597 grandes superfícies no país, do dia 12 até o dia 26 de julho. Sendo que durante os fins de semana teremos uma recolha de alimentos com a participação dos nossos voluntários e nos restantes dias temos a campanha dos vales, que serão vales adquiridos na caixa ou vales monetários ou vales de alimentos. Os vales de alimentos correspondem a um pacote de cinco produtos alimentares que as pessoas compram na caixa e que será entregue depois a cada família. Portanto, é isso que se vai basear a nossa campanha até 26 de julho. Na última que realizamos, apoiamos cerca de 150 mil refeições. Gostaríamos que nesta campanha esse número aumentasse.

Madeleine Ramalho, muito obrigado por ter estado em direto conosco neste jornal das 10 da Rádio Observador. Madeleine Ramalho, que é vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, que tem este fim de semana, e no próximo também, uma nova campanha de recolha de bens em vários supermercados do país.

Seguimos com as notícias. A Bastonária da Ordem dos Advogados rejeita que os gabinetes se recusem a receber recém-licenciados para não terem de pagar os estágios, mas sim por falta de capacidade financeira.

É a resposta de Fernanda Almeida Pinheiro, que contraria o artigo publicado hoje no Jornal de Notícias. Esse artigo dá conta de que os advogados recusam pagar salários a novos estagiários. Em declarações esta manhã à Rádio Observador, a Bastonária diz que isso é mentira.

Não há aqui recusa nenhuma. O que há é a não capacidade para pagar alguém que recebemos no nosso escritório para ensinar a profissão. E é dever do advogado, se não tem essa capacidade, pode não ter capacidade física para receber o estagiário no seu escritório, pode não ter tempo para receber o seu escritório, e aquilo que acontece é que o senhor advogado, se vier a ser nomeado pela Ordem, porque não aceita voluntariamente ministrar esse estágio, por estas razões que eu estou aqui a dizer, vai formular um pedido de escusa. Isso só é novidade para quem anda muito distraído.

Fernanda Almeida Pinheiro explica que o valor que está estipulado para remunerar estagiários é de 1120 € durante um ano. Para a Bastonária, o caminho do pagamento de estágios passa pelo investimento do Estado, caso contrário, os recém-licenciados podem ver dificultado o acesso à profissão.

No final do ano, vamos convocar, naturalmente, uma assembleia geral para aprovar uma proposta de alteração do estatuto, que passa naturalmente para dizer ao governo isto mesmo: ou propõem um estágio financiado ou não têm os senhores estagiários e as senhoras estagiárias como garantir a sua formação. E é essencial que essa formação seja feita nos escritórios. E portanto, as sociedades de advogados recebem muitos estagiários e sempre remuneraram muito bem até os seus estagiários. A prática individual, em regra, não tem essa capacidade.

A Bastonária da Ordem dos Advogados, nestas declarações à Rádio Observador, atira para o Estado a responsabilidade de remunerar os estagiários. Para a Bastonária, não podem ser os privados a retirar dinheiro dos respectivos rendimentos para suportar os encargos referentes aos estágios.

Olhamos ainda para a atualidade internacional. Joe Biden insiste. O presidente norte-americano não atira a toalha ao chão e garante que vai manter-se na corrida à Casa Branca.

Biden, que esteve esta noite em Detroit, no estado do Michigan, onde durante mais de meia hora discursou num comício do Partido Democrata. O atual chefe de Estado lembra que foi o único candidato que conseguiu vencer Trump numas eleições. Assegura que vai voltar a fazê-lo nas presidenciais de novembro, numa altura em que a saúde de Biden continua a ser tema de discussão nos Estados Unidos. O democrata acredita que é o candidato mais apto para bater os republicanos.

Tem havido muita especulação. O que vai fazer Joe Biden? Continua? Vai desistir? Eu vou continuar na corrida e nós vamos ganhar. A mais recente sondagem nacional mostra que eu estou à frente por dois pontos. Eu sou o único que já conseguiu ganhar umas eleições a Donald Trump e vou fazê-lo outra vez. Eu conheço. O Donald Trump é um perdedor.

Joe Biden deixa ainda outras acusações a Donald Trump. O chefe de Estado norte-americano alerta para os perigos de ter o republicano na liderança dos Estados Unidos.

O Donald Trump é uma ameaça para este país. Liderou uma multidão a 6 de janeiro contra o Capitólio para tentar inverter o resultado de umas eleições que eu ganhei por sete milhões de votos. O Donald Trump está mais perigoso agora, está tresloucado. Continua sem dizer se vai aceitar os resultados das eleições e que se perder, vai haver um banho de sangue. Também disse que vai ser um ditador a partir do primeiro dia, se ganhar. Nós não vamos permitir que isso aconteça, só por cima do meu cadáver.

O ataque de Joe Biden a Donald Trump. Estas declarações surgem em resposta ao candidato republicano, que apelou ontem ao chefe de Estado para que prove, através de exames médicos, que tem condições para se manter na corrida à Casa Branca. Donald Trump lançou este desafio a Joe Biden depois do presidente norte-americano ter cometido várias gafes, nomeadamente durante a Cimeira da NATO, onde trocou o nome de Zelensky pelo de Putin e o nome de Kamala Harris pelo próprio nome de Donald Trump.

Entretanto, a Ucrânia está a considerar se Joe Biden deveria desistir da corrida às presidenciais.

Depois dessas gafes, vários militares ucranianos manifestaram-se favoráveis à substituição do presidente norte-americano na corrida à Casa Branca. O jornal Kyiv Independent adianta que as Forças Armadas consideram que Joe Biden deve retirar-se urgentemente, dando lugar a outro democrata. As forças de segurança ucranianas temem que face à polêmica em torno das condições cognitivas de Biden, Donald Trump acabe por vencer as eleições, o que pode, dizem, resultar numa redução dos apoios à Ucrânia.

E agora, com 13 minutos para lá das 10h, Luís Soares, que outras notícias estão a marcar este sábado?

Na Faixa de Gaza, mais de 70 mil pessoas estão infectadas com hepatite. É uma notícia avançada pela Al Jazeera, que cita os dados divulgados pelo governo palestiniano. Entre os principais motivos, está a dificuldade nas condições de deslocamento dos refugiados dentro do enclave e ainda a proibição da entrada de medicamentos na Faixa de Gaza por parte do exército israelita. Em Israel, precisamente, estão marcadas para hoje novas manifestações. Os israelitas vão concentrar-se em Tel Aviv para exigir a libertação dos reféns do Hamas. É um protesto que acontece precisamente uma semana depois dos israelitas terem sido à rua pedir a queda do governo de Netanyahu e eleições antecipadas. A manifestação de hoje está marcada para às 20h30, hora local, serão 18h30, hora de Portugal continental. O presidente eleito do Irão diz que está pronto para um diálogo construtivo com a União Europeia. Em declarações à imprensa local, o chefe de Estado iraniano afirma que quer colocar as relações com o Ocidente no caminho certo, afirma também que quer tirar o país do isolamento e cooperar especialmente com os países europeus. A China anunciou hoje o lançamento de uma campanha online contra as aplicações de partilha de vídeos e as redes sociais que difundem conteúdos considerados perigosos para as crianças. O programa tem como objetivo reforçar a proteção de menores na internet e criar um ambiente digital mais saudável e seguro. É o que adianta em comunicado a administração do ciberespaço da China, que pretende assim combater a partilha de vídeos que promovam o bullying nas escolas, assim como conteúdos violentos em desenhos animados ou a utilização de imagens de crianças para gerar receita. E hoje, Rita, o Passeio Marítimo de Algés vai estar cheio, lotado, para receber no NOS Alive estes senhores.

Por falar em Alive. Pearl Jam, claro. Aqui a música com o mesmo nome, Alive, música que dá nome também ao festival.

Exatamente.

A banda de Eddie Vedder vai atuar perante uma lotação esgotadíssima.

É, o grupo de Seattle encerra a 16ª edição do festival. O Observador também vai lá estar em reportagem. Isto depois de ter havido alguns problemas de alguns concertos dos Pearl Jam que foram adiados. Agora sabe-se que por alguns motivos de saúde de Eddie Vedder, mas pelos vistos aqui em Portugal vai acontecer tudo como está previsto e vão mesmo atuar. São os cabeças de cartaz do Alive de hoje. As portas abrem às 15h.

E hoje sobem também ao palco artistas como Alec Benjamin, Sam41 e Blessed Mechanism. São esperadas no Passeio Marítimo de Algés 55 mil pessoas. E é assim mesmo, com Pearl Jam, com Alive, que fechamos aqui o Jornal das 10, edição do jornalista Luís Soares. Até já, Luís.

Até já!