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11. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O movimento Vida Justa acusa o partido de André Ventura de querer incentivar os desacatos e admite alterar o trajeto da manifestação prevista para amanhã, isto para evitar confrontos. Estão marcadas para amanhã duas manifestações em Lisboa, uma contra a violência policial, promovida pelo movimento Vida Justa, e outra organizada pelo Chega, em defesa da polícia. As duas vão terminar em frente à Assembleia da República e surgem depois dos desacatos dos últimos dias na Grande Lisboa. Convidado esta manhã do Explicador, Nuno Ramos Almeida, um dos organizadores do movimento Vida Justa, lembra que o anúncio do protesto do Chega chegou já fora dos prazos previstos pela lei e considera que a coincidência no trajeto das manifestações não é inocente.
O que não me parece normal, me parece irresponsável e parece pretender que haja, de facto, desacatos, é fazer com que a manifestação deles, marcada depois da nossa, vá parar ao mesmo sítio onde vai parar a nossa. Isso é que não me parece normal. Alguém que pretende fazer um discurso que é preciso haver paz social, é preciso haver bom comportamento, não vai colocar uma manifestação, que é contrária à outra, a terminar no mesmo sítio. Portanto, acho que o Chega está interessado em que haja incidentes.
Nuno Ramos de Almeida garante que a manifestação contra a violência policial vai ser pacífica. Explica que alertou as autoridades para o potencial perigo de ter dois protestos na mesma zona e que, se for preciso, o movimento Vida Justa altera o trajeto.
Alertámos a polícia que duas manifestações não podem existir no mesmo espaço. Mesmo que fosse uma manifestação que fosse próxima, não pode existir no mesmo espaço. E, portanto, estamos à espera que a polícia nos responda o que está a fazer. Uma coisa lhe posso garantir: nós não vamos acabar no sítio que o Chega acaba. Não vamos, porque nós somos responsáveis.
Garantia deixada por Nuno Ramos de Almeida, membro da coordenação do movimento Vida Justa, aqui na Rádio Observador. Amanhã estão marcadas duas manifestações contrárias, uma contra a violência policial, convocada depois da morte de Odair Muniz, outra de apoio às forças de segurança, promovida pelo Chega. Entretanto, a ministra da Administração Interna deve falar aos jornalistas nos próximos minutos. É uma declaração que, naturalmente, vamos acompanhar aqui na Rádio Observador. Carla, esta noite houve menos incidentes na Grande Lisboa. A PSP fala num cenário muito mais tranquilo. Houve alguns desacatos. Em Benfica, no bairro da Boa Vista, um autocarro foi apedrejado, sem registro de feridos. No Seixal, um carro foi incendiado dentro de uma moradia e em vários concelhos houve caixotes do lixo e ecopontos incendiados, sobretudo na margem sul. A PSP fala assim numa situação mais calma, isto numa noite em que reforçou o policiamento em toda a Grande Lisboa, incluindo no centro da capital. Para evitar que os desacatos se alastrem, a PSP montou esta madrugada uma operação na baixa. Foi, sobretudo, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores. O Observador sabe que estiveram nesta zona equipas de intervenção rápida, o corpo de intervenção e equipas de investigação criminal. O reforço policial contou até com o apoio de drones e de outros meios que a PSP descreve como encobertos, não avançando mais detalhes para além desta designação. O Presidente da República diz que o confronto político é legítimo. É a reação de Marcelo Rebelo de Sousa às trocas de acusações entre os partidos depois da morte de Odair Muniz. E, sobretudo, depois das declarações do líder parlamentar do Chega. Disse ele que se as forças de segurança disparassem mais a matar, o país estava em ordem. É uma expressão que foi repudiada no Parlamento pelos outros partidos. Marcelo Rebelo de Sousa fala num confronto político que considera, no entanto, ser normal.
Sim, eu não quero entrar nessa luta política, que é legítima. Os protagonistas políticos têm direito a dizer: "Isto é negativo, isto é positivo, eu penso isto, eu penso aquilo. Eu manifesto-me num sentido, manifesto-me noutro sentido". É a democracia. Agora, eu penso que, como a maioria esmagadora dos lisboetas e dos portugueses, eu estou mais ocupado com qual é o estado de espírito que se vai afirmando nos próximos dias. Por isso é que eu acho que só faz sentido o Presidente da República lá ir quando ficar claro que há um conjunto de problemas que estão a ser tratados pelos autarcas.
O Presidente da República, em declarações ontem à noite, Marcelo Rebelo de Sousa diz ainda que é prematuro visitar os bairros afetados pelos tumultos dos últimos dias. Isto numa altura em que esses mesmos tumultos já são notícia lá fora. Já são. Espanha, França, Reino Unido, Estados Unidos, alguns dos países que estão a dar destaque aos desacatos na Grande Lisboa. O Vasco Maldonado Correia esteve a olhar para os jornais destes países e Vasco, por exemplo, do Reino Unido, chega a ter um aviso para potenciais turistas.
Um alerta do Daily Express, um dos jornais mais lidos do país, onde se pode ler este aviso a quem esteja a planear viajar para Portugal. Diz o jornal que Lisboa está a ser abalada por um cenário de violência cruel. O Daily Express, que descreve a capital portuguesa como um destino adorado pelos britânicos para uma escapadela de verão, mas que agora parece estar transformada numa zona de guerra assolada por noites de agitação. E na edição on-line do jornal são ilustradas as cenas horríveis que se têm verificado com vídeos de vários incidentes vindos das redes sociais.
E a morte de Odair Muniz e as suas consequências despertou o interesse de várias publicações. Vamos até aos Estados Unidos.
A resposta violenta à morte de Odair Muniz chamou a atenção, por exemplo, da ABC Que faz notar que esta reação que se tem verificado é pouco comum em Portugal. Aqui mais bem perto, o espanhol "El País" descreve a morte de um imigrante africano que tinha deixado a vida de crime para trás e estava reintegrado na sociedade, é o que escreve o jornal espanhol. Em França, o Le Monde dá destaque às várias detenções que se têm registado nas últimas noites e a agência Reuters sublinha a agitação que se tem vivido depois da morte de um homem negro às mãos da polícia.
Vasco Maldonado Correia, a ler a comunicação social estrangeira depois dos desacatos em Lisboa. Desacatos que vão ser o tema do contracorrente de hoje, para ouvir depois deste jornal das 10:00. A greve dos funcionários públicos está a levar ao fecho de escolas em todo o país. Os diretores escolares falam numa forte adesão à greve. A greve foi convocada pela Frente Comum, pede aumentos de salários, de pensões e o reforço dos serviços públicos. À Rádio Observador, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas explica que o impacto se faz sentir em todo o território, mas sobretudo nas escolas do primeiro ciclo, que estão a ser as mais afetadas.
Percebe-se que há várias escolas fechadas ao longo do país, mais a penalizar, entre aspas, as escolas do primeiro ciclo, porque são escolas que normalmente têm sempre número reduzido de funcionários e faltando um ou dois, as escolas, de facto, não podem abrir as suas portas. Das escolas do quinto ano até ao ensino secundário, até ao 12º ano, a situação poderá ser diferente, porque as escolas poderão ter necessidade, e isso está a acontecer em algumas delas, de fechar, por exemplo, a biblioteca, de fechar o pavilhão gimno-desportivo, mas as outras aulas decorrem num ritmo normal. Agora, estou convencido, parece, até ao momento, que a greve tem bastante adesão.
Filipe Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas. O protesto convocado pela Frente Comum deve ainda cancelar consultas médicas. Para esta tarde está marcada uma manifestação. Vai partir do Marquês de Pombal às 15:00, segue depois para a Assembleia da República. O ministro das Finanças pede aos partidos que deixem o governo implementar o seu programa para que a economia portuguesa cresça. Joaquim Miranda Sarmento falava no Parlamento num debate de urgência pedido pelo PS sobre o plano orçamental estrutural de médio prazo 2025/28, entregue a Bruxelas. O ministro considera que o crescimento previsto no orçamento é cauteloso, mas pede que os partidos deixem o governo trabalhar.
Para 25, é o crescimento que o governo prevê no Orçamento de Estado, que é cauteloso, mas que várias instituições independentes, nacionais e internacionais, aproximam-se já da meta de 2,5, que o governo tinha colocado no seu programa eleitoral. E depois, 26, 27 e 28 é um cenário em que nenhuma das reformas ou nenhuma das medidas que está a ser tomada ou que venha a ser tomada nos próximos anos é contabilizada, com exceção das mexidas fiscais, que sabemos que têm a oposição do Partido Socialista. E, por isso, se nos deixarem executar o nosso programa de reformas estruturais, incluindo a parte fiscal, a economia portuguesa vai crescer mais. Deixem-nos executá-lo e verão a economia portuguesa a crescer.
O apelo deixado por Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, há pouco no Parlamento. O PS acusa o governo de dissimulação ao comprometer-se no plano orçamental entregue em Bruxelas com resultados diferentes dos que são apresentados em Portugal. E Aníbal Cavaco Silva rejeita que as medidas apresentadas por Luís Montenegro no Congresso do PSD sejam de extrema-direita. O antigo presidente fala antes numa social-democracia europeia moderna. O primeiro-ministro apresentou medidas para a imigração, a segurança e a educação no Congresso do PSD do último fim de semana, medidas que foram criticadas pelos partidos da oposição. Ora, agora, num artigo de opinião no jornal Público, Aníbal Cavaco Silva afirma que é muito simplista dividir a política atual entre esquerda e direita. Critica a forma como se tentou classificar ideologicamente as medidas. Escreve que são movidas pela preocupação em responder às aspirações dos portugueses, num quadro partidário que descreve como extremamente difícil. Lembra também que a social-democracia moderna inova para dar resposta a problemas novos e dá vários exemplos: os movimentos migratórios, as alterações demográficas, as narrativas populistas, a criminalidade violenta ou as ameaças de terrorismo. São agora 10:11, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora. Até às 09:00, 59 comboios urbanos de Lisboa foram suprimidos por causa da greve parcial dos revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP. O balanço deste segundo dia de paralisação foi feito à Agência Lusa por fonte da empresa. A greve prolonga-se até 3 de novembro. Especial destaque para o dia 31 de outubro, em que a paralisação será total. O Líbano afirma que a morte de três jornalistas no ataque de Israel é crime de guerra. Estes profissionais morreram depois do exército israelita ter atingido um hotel nas últimas horas no sul do país. Na reação, o governo libanês fala agora em crime de guerra. Em Moçambique, o candidato presidencial da oposição, Venâncio Mondlane, rejeita os resultados das eleições gerais. Os resultados oficiais atribuem à Frelimo e ao candidato Daniel Chapo a vitória, mas Venâncio Mondlane considera que estes resultados não refletem a vontade do povo e pede a divulgação dos dados. Os resultados têm, de resto, levado a protestos em várias cidades em Moçambique. Temos falado de recordes muito especiais, muito particulares. Este é seguramente inédito. Uma mulher usou pauzinhos para comer grãos de arroz um a um e bateu um recorde mundial. Podia dar para pior. Isso parece a nossa comilança. Quantos grãos de arroz comeu esta mulher no minuto? Preciso de ajuda. 10, 37, 50. 37. Os outros foi só para enganar. 10 e 50. Será que fez alguma coisa? Vamos perceber como é que isto aconteceu. Foi tão rápido. Trinta e sete é um número impressionante. Num minuto. Eu estava um minuto para apanhar um grãozinho. É muito bom. O número 37 foi gritado neste vídeo que é divulgado pela Blogueness nas redes sociais. Claro que a mulher ficou muito feliz e explica: "Isto é muito ano a comer as refeições com pauzinhos, já tenho muita técnica". Não tenho agora o nome na cabeça. E a fifa ou à mão.