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As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Chegaram há instantes a Portugal os dois ativistas portugueses que tinham sido detidos por Israel. Já lá vamos. Primeiro, o processo de repatriamento das crianças abandonadas em Alcácer do Sal deverá ser iniciado pelas autoridades francesas. A Justiça portuguesa ainda não recebeu qualquer pedido.

É o que faz saber o juiz presidente do Tribunal da Comarca de Setúbal, através de um comunicado divulgado hoje, dia em que a mãe e o padrasto vão ser ouvidos em tribunal. O juiz do Tribunal da Comarca de Setúbal esclarece que as autoridades portuguesas ainda não receberam o pedido de repatriamento e que esse pedido cabe às autoridades francesas. A Justiça francesa vai também determinar a guarda dos menores. Atualmente, os dois irmãos, de três e de cinco anos, estão a cargo de uma família de acolhimento provisório. O comunicado do juiz presidente do tribunal sublinha que os pais das crianças estão separados e que o pai biológico tinha direito de visita limitado e supervisionado em França.

Carla, aos poucos vamos sabendo mais pormenores deste caso. A mãe, por exemplo, está a ser investigada em França depois de desaparecer com as crianças e o padrasto dos menores já estava sinalizado por problemas psiquiátricos.

São informações que estão a ser avançadas pela imprensa francesa nas últimas horas. A mãe não tinha antecedentes criminais, mas está agora a ser investigada em França depois de desaparecer juntamente com as crianças. Isto foi no dia 11 de maio. A mulher, de 41 anos, tinha a guarda das crianças. Deixou um outro filho de 16 anos em casa. Veio de França para Portugal. Já o companheiro, de 55 anos, era conhecido das autoridades francesas por problemas psiquiátricos e já estava sinalizado. O casal francês foi localizado e detido ontem à tarde pela GNR, em Fátima. Eles foram encontrados numa esplanada. Tinham sido identificados por populares. Ricardo Lopes.

São cerca de 140 km que separam Alcácer do Sal de Casa Velha, uma pacata localidade na freguesia de Fátima, conselho de Ourém. Foi aqui que os suspeitos tiveram toda a manhã, no Snack Bar O Vasco, de forma serena, sentados na esplanada, iam fazendo alguns pedidos, como nos explica o proprietário, Jorge Lopes.

Consumir pequeno-almoço, bolos, galões e cafés.

Até que, numa mesa vizinha, com algumas senhoras na casa dos 80 anos, uma delas, desconfiada, perguntou aos suspeitos onde moravam. Eles responderam que moravam pelo mundo.

E então aí é que ela ficou assim com a pulga atrás da orelha e que informou a GNR.

Esta mulher lembrou-se da notícia que tinha ouvido na televisão sobre o abandono das crianças. Tirou a matrícula do carro que os acompanhava e ligou de imediato para a GNR, que não demorou a chegar.

Isso foi rápido. Isso foi mais ou menos a hora que eu saí daqui, fui tomar banho. Entretanto, estava aí. Isso foi rápido.

E mal chegaram, abordaram-os de imediato.

Mal viram-nos. Também não havia cá outra gente. Só cá estava eu e mais eles dois.

Chegaram cinco elementos da GNR, à paisana. Quatro foram de imediato abordar o casal, enquanto o outro foi explicar a Carlos, mesmo sem dizer o motivo, que tinham de levar aqueles dois clientes.

Perguntaram-me se estava há muito tempo ou não. Eu disse: "Não, o que consumiram está pago, está tudo arrumado, está tudo ok". E depois: "Olha, então não se admire se a gente os levar".

E assim foi. Algemaram-nos e seguiram para o posto da GNR de Fátima, onde mantiveram os suspeitos sob custódia.

A reportagem do jornalista Ricardo Lopes em Fátima. Como dizíamos, o casal vai ser hoje presente a juiz de instrução criminal no Tribunal de Setúbal. Os dois são suspeitos da prática dos crimes de violência doméstica e de exposição e abandono. No Explicador desta manhã, tivemos como convidado Vítor Alexandre, antigo coordenador superior da Polícia Judiciária. Ele explica o porquê de a investigação estar a cargo da GNR.

Tanto quanto é do meu conhecimento, a investigação está confiada pelo Ministério Público à Guarda Nacional Republicana. Não se trata de uma matéria de investigação exclusiva da Polícia Judiciária e, portanto, o Ministério Público poderia inclusive fazer a investigação por si ou delegá-la a outro órgão de polícia criminal, no caso concreto, creio ter sido a Guarda Nacional Republicana.

Também foi convidado do Explicador o advogado Rogério Alves. Diz que o cenário mais provável para as crianças que foram abandonadas é agora serem entregues ao pai e regressarem a França.

O pai agora vai ter um fundamento para pedir, em França, que a guarda das crianças lhe seja atribuída, em função desta atitude que indicia uma prática criminosa grave por parte da mãe e, neste caso, do padrasto, seu companheiro, e vai junto dos tribunais portugueses competentes dizer: "Eu sou o pai das crianças, eu tenho o suporte da lei francesa", porque ele, obviamente, estará a tentar ou terá já obtido a autorização para levar as crianças com ele e o tribunal em Portugal conferirá todos estes aspetos. As crianças serão entregues ao pai, previsivelmente, claro.

O advogado Rogério Alves, que esteve no Explicador juntamente com o antigo coordenador superior da Polícia Judiciária, Vítor Alexandre.

E agora sim, a chegada dos ativistas portugueses detidos por Israel, chegada a Portugal. Vamos já em direto até ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.

Foi lá que aterraram nos últimos minutos e é lá que está também a repórter do Observador, Maria Rego. Maria, os ativistas já falaram há pouco aos jornalistas, o que disseram?

Precisamente. Chegaram há pouco também e falaram há poucos minutos. Beatriz Matos, uma das jovens, explicou alguma da violência que foi alvo. Explicou que pelo menos 35 pessoas foram violentadas no barco onde se encontravam. Este valor foi apenas o que conseguiram contar. Foi um testemunho muito emotivo desta jovem portuguesa. E neste momento vemos também os dois jovens a serem abraçados pelas famílias. Como dizia, foi um testemunho emotivo, mas também Gonçalo Dias, uma outra pessoa que também circulava neste barco e que chegou aqui, falou há poucos momentos também

Com um relato forte e vamos tentar escutar, neste momento, essa parte do relato que conta o Luís Gonçalves Dias.

O que eles filmam é a parte boa, digamos assim. Foi horrível, a violência foi muito gratuita. Nós tivemos presos alguns dias num barco. Havia dois barcos. No nosso barco houve duas pessoas que foram baleadas, uma na perna, a outra no braço. Não sei como é que esse rapaz está. Batiam-nos, havia muita violência psicológica também.

Ficamos com a ligação da reportagem da Maria Rio, que acompanhou a chegada dos dois portugueses ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Como víamos, estavam a ser recebidos por muitas pessoas que os tentavam apoiar, depois das queixas que surgiram e da divulgação das imagens pelo ministro israelita. Muita gente à espera dos ativistas portugueses que vieram da Turquia. A partir de agora, os profissionais do Hospital de São João, no Porto, podem pedir ajuda imediata a partir do computador, caso se sintam ameaçados. Passam a ter um botão de pânico virtual para combater os casos de violência contra profissionais de saúde. É o sistema Stop Panic, uma medida destinada a reforçar a segurança dos profissionais, através destes botões de pânico nos postos de trabalho. Um projeto que tem vindo a ser testado no hospital e que está a ser alargado aos centros de saúde. O diretor dos Serviços de Tecnologias de Informação e Comunicação da ULS de São João, Carlos Ribeiro, explica de que forma funciona este sistema.

Que está nos computadores dos gabinetes de consulta, nomeadamente, de forma discreta, mas sempre visível, permite ao profissional, quando se sente ameaçado, acionar esse botão. O que é que acontece? Imagine um corredor de consultas com 20 ou 30 gabinetes. O que nós montámos foi um mecanismo que permite que um profissional acione o botão e seja gerado um alerta nos gabinetes que estão ao lado. Qual é o intuito? É que as pessoas que estão no gabinete quatro e no gabinete dois vejam que o colega que está no três se sente ameaçado. A lógica é esta. Alguém que está na proximidade aparecer e com isso esvaziar ou insuflar a tensão que estava naquele momento.

Carlos Ribeiro, diretor dos Serviços de Tecnologias de Informação e Comunicação da Unidade Local de Saúde de São João, em declarações à Agência Lusa. O Stop Panic começou a ser testado no ano passado nestes serviços. Foi este mês estendido aos cuidados de saúde primários. Carlos Ribeiro revela também que, desde o início deste ano, o botão de pânico virtual já foi utilizado cinco vezes, mas nenhuma das situações se revelou complicada. A DGS e a Direção Executiva do SNS contaram, no ano passado, mais de 3 mil episódios de violência contra profissionais. São 10h11, já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de sexta-feira? Ainda na saúde, os centros de saúde fizeram no ano passado menos 700 mil consultas médicas presenciais do que em 2024. Os dados são da Entidade Reguladora da Saúde, que realizou um relatório de acompanhamento. Das 39 unidades locais de saúde portuguesas, 35 apresentam esta redução. As maiores quedas foram registadas nas ULS da região de Aveiro, Médio Ave e de São João. As únicas subidas registaram-se em Coimbra, Entre Douro e Vouga, Nordeste e Baixo Mondego. O PS surge em primeiro lugar nas intenções de voto dos portugueses. A AD cai para a terceira força política. É o resultado do mais recente barómetro da Aximage para o Diário de Notícias, um ano depois das últimas eleições legislativas. O PS surge destacado, tem 33,4% das intenções de voto, enquanto que PSD e CDS têm 23,2. A reforma laboral pode estar em risco de chumbo no Parlamento. O Conselho Nacional do Chega é unânime ao propor a rejeição da proposta. Antes, o PS confirmou também que vai votar contra o pacote laboral do Governo e avançar com uma proposta alternativa. Se Chega e PS votarem contra, o diploma é rejeitado no Parlamento. O secretário-geral da NATO saúda o envio de 5 mil soldados norte-americanos para a Polónia. O anúncio foi feito ontem à noite pelo presidente dos Estados Unidos. Um anúncio já elogiado esta manhã por Mark Rutte, que ainda assim avisa que a Europa deve continuar a reforçar a defesa dos 27 para reduzir dependências.