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Começa agora o Jornal das 10, edição de Carla Jorge Carvalho e Carla Luís Montenegro apela aos manifestantes pela habitação no Porto para que não sejam egoístas e deixa um aviso aos partidos para que não importem para Portugal climas de instabilidade e contestação.

Cenários que o primeiro-ministro considera que não existem em Portugal. É a reação de Luís Montenegro à intervenção policial desta madrugada na Praça Dom João I, no Porto. Os manifestantes acusam a PSP de avançar com uma carga policial violenta. Afirmam que há registro de 37 feridos, dois deles em estado grave. À Rádio Observador, a PSP confirma que foi obrigada a intervir devido a uma alteração da ordem pública, mas não confirma os feridos. Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, o primeiro-ministro deixa um apelo para que este tipo de situações não se repita.

Espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de fato, respaldo na sociedade portuguesa.

Declarações esta manhã de Luís Montenegro à entrada para a reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas. O repórter Miguel Pinheiro Correia está no Porto, no local onde os protestos duram desde sábado. Miguel, que mais informações tens neste momento?

Para já, Carla, e ainda longe dos quase 40 feridos de que fala o movimento que organizou este protesto, há a confirmação por parte dos Bombeiros Voluntários do Porto de que foram assistidas oito pessoas. É, para já, o único número oficial, neste caso, avançado, como dizia, pelos Bombeiros Voluntários, que têm o quartel aqui muito perto, na Rua de Rodrigues Sampaio, a um minuto, se tanto, da Praça Dom João I e, por isso, eles dizem que apesar de não terem sido acionados, assistiram sete pessoas nas instalações dos Bombeiros Voluntários. Por uma das pessoas que foi até ao quartel, foi pedido aos bombeiros que viessem até à Praça Dom João I e assistiram então outra pessoa. Dizem os bombeiros que duas pessoas com ferimentos leves foram levadas para o Hospital de Santo António. São informações confirmadas há pouco por Henrique Oliveira, o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários, que falou há poucos instantes com os jornalistas e confirmou esta informação.

As pessoas vieram aqui pedir socorro às nossas instalações, foram sete vítimas. Vítimas ligeiras, recusaram o transporte até ao hospital, foram tratadas pelas nossas equipes pré-hospitalar e a outra foi pedida por um popular para ir lá buscá-la à praça e foi transportada da praça diretamente para o Hospital Santo António. Aparentemente, o reporte das equipes pré-hospitalar, elas apresentavam ferimentos ligeiros, nada de ferimentos graves, e a outra que foi transportada ao hospital, com uma lesão no membro superior.

Ora, importa esclarecer que estes são os números dos Bombeiros Voluntários. Entretanto, temos tentado confirmar ainda com a polícia e com os sapadores se há outros números que possam explicar esta diferença entre os oito que os Bombeiros Voluntários já confirmaram e os 37 a que o movimento se refere. Claro que dentro destes poderão não ter ido todos para o hospital. Para já, só esta confirmação dos dois que foram e estão no Hospital de Santo António. Para já, aqui na praça, o movimento é muito calmo. Vão passando por aqui alguns turistas. A praça ainda está molhada da limpeza que estiveram a fazer até há pouco os serviços municipais. Claro está, e também da parte da Câmara Municipal, assim como da polícia, esperamos ainda um esclarecimento oficial sobre o episódio da última noite, sobre essa carga violenta, cujas imagens já têm sido amplamente partilhadas nas redes sociais. O cenário aqui é contrastante. Há uma calma que contrasta com o que se viveu nos últimos dias, sendo que hoje, às 19h, está marcada nova manifestação ou, pelo menos, nova reunião aqui na Praça Dom João I. Vamos ver também o que acontecerá depois desse encontro.

Para já, Miguel Pinheiro Correia, tudo vazio na Praça Dom João I e estas versões muito diferentes sobre o número de feridos resultante da ação da polícia esta madrugada, com os bombeiros a falarem em oito feridos, os manifestantes a falarem em 37, dois sendo graves. A Rádio Observador tem estado a tentar contactar a PSP do Porto, que remete para mais tarde novas informações sobre a intervenção policial.

Entrou hoje em vigor o tarifário fixo dos táxis que saem do Aeroporto de Lisboa, mas, Carla, os taxistas têm dúvidas sobre a medida e há um problema com as credenciais.

O tarifário passa a ser de €16 ou de €19, consoante a zona, mas não há um controle de acesso aos taxistas credenciados. Esta medida surge depois de sucessivas queixas de passageiros, sobretudo turistas, relacionadas com cobranças excessivas e recusas de destino. A repórter Rita Lourenço está no Aeroporto Humberto Delgado. Rita, o que se passa exatamente com as credenciais?

Bom dia, Carla. Através da informação oficial obtida no site da Federação Portuguesa dos Táxis, as credenciais passam a poder ser pedidas a partir de hoje, às 11h da manhã, no portal disponível no site. Porém, há muitos taxistas ainda que não sabem ao certo estas informações. Nós falamos com Carlos Silva, presidente da Federação Portuguesa de Táxis, que nos explicou que as tarifas entram efetivamente hoje em vigor, mas numa primeira fase, uma vez que as acreditações só vão começar às 11h da manhã de hoje e não se sabe se pode haver alguma perturbação ou não. Nesta primeira fase, então, todos os taxistas da Táxis de Lisboa têm livre acesso à praça de táxis do aeroporto, porém, têm efetivamente que praticar já as tarifas tabeladas. Quando estiver concluída a fase da acreditação, que se espera que seja em meados de novembro, vai passar a estar limitado o acesso à praça de táxis, através de uma cancela que apenas vai abrir, efetivamente, para os taxistas credenciados. O acordo prevê ainda advertências e possíveis impedimento Impedimentos de acesso aos taxistas que não cumprem as normas estabelecidas, que para além das tarifas de preço, incluem também normas de vestuário e normas do estado do veículo. Mais cedo falámos com alguns taxistas que falam efetivamente na falta de informação, tanto por parte das empresas como das entidades oficiais. Ruben Coelho, um dos taxistas aqui presentes, disse-nos que tanto ele como os colegas pouco ou nada sabem sobre esta medida e que não foi sequer disponibilizada uma tabela oficial para os taxistas.

Supostamente, a informação que nós temos é para fazer as inscrições dos carros e dos motoristas às 11h num formulário, num portal, que é para os carros poderem depois começar a abrir a cancela. Está ali uma cancela que vai abrir e fechar lender matrícula e provavelmente, se calhar, algum cartão do motorista e ninguém sabe também. Então isto vai ser tudo novo para nós. Ninguém sabe nada. Era bom que o senhor Carlos Silva, não o senhor Frois, porque ainda deve estar internado, nos viesse aqui dizer alguma coisa antes das 11h, porque a gente não sabe como proceder. A realidade é essa.

Taxista Ruben Coelho a apelar às entidades competentes para darem informações tanto à população como aos trabalhadores. Quanto a esta desinformação detalhada pelos taxistas, Carlos Silva, da Federação Portuguesa de Táxi, acrescenta que todos os detalhes decididos até agora pelo acordo estão disponíveis nas páginas oficiais e foram também enviados às associações, pelo que também cabe aos taxistas que não estejam ligados a nenhuma associação, a procurarem estas informações. São muitos os aviões a chegar ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, desde as primeiras horas da manhã, por isso também muitos passageiros a procurarem este serviço de táxi. Porém, os taxistas ainda não sabem se devem ou não aplicar já as tarifas que, de acordo com a Federação Portuguesa de Táxi, devem, sim, aplicar a partir de hoje. Existe também ainda um serviço de táxi voucher, que está disponível no posto de informações, porém, a informação recolhida lá é que também só estará disponível perto de novembro.

A reportagem da Rita Lourenço está no Aeroporto de Lisboa a dar conta das preocupações e dúvidas dos taxistas com este novo tarifário fixo.

E Carla, o secretário de Estado das Infraestruturas garante que o governo quer manter uma posição estratégica no futuro da TAP.

Hugo Espírito Santo esteve esta manhã no Explicador depois de ser anunciado que o governo escolheu a proposta da Lufthansa para a compra parcial da transportadora. Questionado sobre se ficou assinado algum compromisso com a Lufthansa para avançar com uma data para a privatização total, Hugo Espírito Santo assegura que não e explica que mesmo que o governo avance para uma segunda fase da privatização total da TAP, o executivo vai ter um papel naquilo que é o futuro da empresa.

Esta ideia de manter a 100%, aquilo que foi a sugestão, é também uma ideia de alinhamento, porque reparem, muitas vezes falamos daquilo que pode ser o potencial upside deste negócio para a Lufthansa. Se tivermos os 5% da entidade conjunta, somos também coparticipantes e vamos beneficiar simultaneamente desse upside. Essa é a lógica. É termos uma voz nos temas que nos preocupam: hub, marca, sede, rota-chave, diáspora, enfim, já falámos muito disso. E também manter uma parte do upside sobre esta operação.

São declarações do secretário de Estado das Infraestruturas há instantes aqui na Rádio Observador. O ministro das Infraestruturas afirmou ontem que o governo procura um consenso para privatizar a totalidade da TAP e o ministro das Finanças avisa que seria um erro histórico não avançar já com a venda a 100%.

E voltamos a ouvir Luís Montenegro, que pede uma resposta concertada da União Europeia à subida dos preços dos combustíveis.

O primeiro-ministro insiste que é preciso uma união por parte dos 27 para responder a esta crise que, avisa, pode prolongar-se.

É uma intervenção diplomática da União Europeia, uma contribuição para que as partes possam aproximar posições e se possa estabelecer não apenas um cessar das hostilidades, mas de condições de navegabilidade, sobretudo no estreito de Ormuz, que permitam o restabelecimento e a estabilização do funcionamento dos mercados.

Ainda assim, defende que a compra conjunta de combustíveis ao gás natural não é a solução para o problema. São declarações à entrada para a reunião do Conselho Europeu que decorre em Bruxelas.

E já a seguir o Contracorrente. Primeiro, que outras notícias estão a marcar a atualidade, Carla?

O presidente da Ucrânia anuncia que vai retomar os ataques contra refinarias russas, apesar do cessar-fogo energético entre Kiev e Moscovo, anunciado este fim de semana por Donald Trump, numa entrevista ao jornal britânico Financial Times. Volodymyr Zelensky afirma que apenas se comprometeu com os Estados Unidos para uma pausa de três dias e não definitiva. Diz ainda não esconder a irritação com o presidente norte-americano pelo distanciamento que Trump adotou recentemente em relação a Kiev. Zelensky, que numa outra entrevista ao britânico Piers Morgan, disse sentir-se pessoalmente traído por Donald Trump ao fim de quatro anos de guerra. Declarações que acontecem numa altura em que pelo menos cinco pessoas morreram e nove ficaram feridas esta madrugada em ataques russos na Ucrânia. Há relatos de vários incêndios em áreas residenciais. E vamos agora ouvir esta senhora.

Estava aqui a pensar: quem é que está a fazer a segunda voz? É a Bruna Vieira Amaral.

Back in vocals.

E por que estamos a ouvir Celine Dion? Porque agora é uma Barbie. A boneca fez uma homenagem à cantora.

Até que enfim!

Querias muito, não era?

Queria muito.

Já tens presente de Natal para a tua filha. O lançamento celebra o percurso e o legado daquilo que é descrito como um ícone mundial da música e também da moda.

E Carla, não é uma boneca qualquer. Esta Barbie recria um dos momentos mais emblemáticos do percurso da cantora na música e na moda, o visual usado numa cerimônia de entrega de prêmios em 1998, durante a interpretação de My Heart Will Go On, que estamos a ouvir agora.

Falamos daquele vestido azul-escuro, longo. A Barbie também vai ter o colar com o diamante azul em forma de coração do filme Titanic.

Grande pinta.

O que eu chorei. Vi mais de oito vezes, chorei todas as vezes. E hoje em dia se o vejo, o Titanic, volto a chorar.

Voltas.

Sempre. Não consigo ultrapassar.

Choras por teres chorado. Como é que eu chorei por causa de um desgosto?

Mas não sabias como é que o filme ia acabar.

Existe sempre alguma vontade que aquilo não acabe dessa forma, mas acaba sempre mal.

Fica com a Barbie, da Celine Dion.

Bom, e é assim que fechamos o jornal das 10, edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Já a seguir temos Contracorrente. Nós já voltamos para nos despedirmos.