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São 10:02. As notícias com o jornalista Rui Casanova. Começamos com os acampamentos contra a crise na habitação. Os manifestantes do movimento Acampada estão dispostos a prolongar os protestos até o fim do ano. A noite foi calma, sem intervenção policial.
Dezenas de manifestantes voltaram a passar a noite em tendas montadas tanto no Rossio, em Lisboa, como na Praça Dom João I, no Porto. A organização entregou, entretanto, um pré-aviso a dar conta de que o prolongamento das manifestações vai acontecer até, pelo menos, 31 de dezembro. Como dissemos, a noite foi calma, sem intervenção policial. As tendas continuaram montadas, apesar de os agentes da PSP terem apelado a uma desmobilização voluntária. Os jovens recusaram e avisam que estão dispostos a prolongar a manifestação até as reivindicações serem atendidas. Vamos à reportagem em direto. O Carlos Pedro está desde bem cedo no Rossio. Carlos, alguns manifestantes deixaram as tendas esta manhã para irem para a escola, para a universidade ou trabalhar, mas prometem voltar mais tarde, sendo que a polícia avisa que eventualmente vai ter de intervir.
É, mas isso não parece afastar estas pessoas que aqui vão continuar até, pelo menos, existir uma resposta do governo às reivindicações destes manifestantes que nas últimas duas noites, em assembleias populares, aprovaram algumas exigências, entre as quais a reversão da lei do arrendamento e a aplicação de tetos de rendas acessíveis. São reivindicações centradas, sobretudo, no tema da habitação, o que leva a esta acampada na Praça do Rossio, mas há também vozes contra o aumento do custo de vida, por exemplo. As últimas horas foram marcadas pelo acordar destes manifestantes que, em regra geral, mostram-se muito cansados em conversa conosco, jornalistas, mas dizem também que passaram bem a noite. Apesar deste cansaço, há outra coisa que fica evidente, é que estas pessoas querem continuar o protesto. Haverá atividades de tarde também para que quem cá vai ficar durante toda a tarde possa ter algo com que se entreter. Isto até mais ao final da tarde, por volta das 18h, 17h, altura em que voltarão a juntar-se estes manifestantes para decidir, mais uma vez, o rumo deste protesto e desta acampada. As autoridades não têm impedido a permanência destes jovens na Praça do Rossio, mas ontem, pela primeira vez, houve diálogo entre manifestantes e autoridades, com a polícia a dizer que mais tarde ou mais cedo terá mesmo de intervir.
Esta situação não se vai poder manter, porque vai conflituar com outras atividades da própria cidade. Nós vamos ter que atuar. Pode não ser hoje, mas peço-vos isto, porque não é interesse de ninguém que haja esse tipo de atuação.
O superintendente Resende Silva e os apelos à desmobilização autônoma destes manifestantes que não cumpriram com o pedido, permaneceram no local. E a verdade é que passaram uma noite tranquila. Garantiu também o superintendente Resende Silva que quando for preciso intervir, a PSP não terá uma ação de repressão.
Reportagem do Carlos Pedro, em direto do Rossio, em Lisboa. No Porto, está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Miguel, por aí a situação é semelhante. Os manifestantes garantem que não vão desmobilizar, mas há quem admita que teme uma nova carga policial.
Há esse receio, Rui, dessa carga policial, como aliás se verificou na madrugada de quinta-feira. Hoje, nesta manhã, os receios que temos ouvido por parte dos manifestantes, além dessa carga policial, falam mesmo em um terror psicológico, porque dormem aqui, os que vão conseguindo dormir, com esse receio presente de que haja uma carga policial. Mas além dessa presença da polícia, falam também no frio que complicou a última noite. Hoje, ainda se nota de manhã o frio, a presença policial não tanto. Vemos neste momento apenas dois carros da Polícia Municipal e, curiosamente, além desta presença policial, há aqui uma presença militar que passou aqui há pouco, mas com um contexto um bocado diferente. Passaram aqui, ainda há poucos instantes, dois veículos do exército, como aliás já tinham passado no fim de semana, até tanques, mas a explicação é outra, porque esta semana celebram-se aqui no Porto, terão lugar aqui no Porto, aliás, as comemorações oficiais do exército, entre 20 e 25 de outubro, e por isso daí esta mobilização de artilharia pesada, digamos assim, para a cidade, que não terá, naturalmente, nada a ver com esta acampada na Praça Dom João I, onde, por agora, com mais sol, vão continuando a aquecer os manifestantes, já vão acordando alguns e vão se dirigindo para a cantina popular, uma mesa que está aqui montada num dos cantos da praça, onde há muita comida, há sumos, café, pão, bolachas, fruta. É para lá que se vão dirigindo muito destes manifestantes, numa altura também em que, por conta do vento, há algumas tendas, acho que já não tem ninguém lá dentro, porque já têm saído muitos destes manifestantes que aqui passaram a noite, têm saído ou para ir para o trabalho ou alguns para ir à casa. Algumas tendas vão voando, não muito, mas continua o frio e por isso há essa indicação de que muitos destes manifestantes vão procurando aquecer-se aqui na praça e os outros que também já vão saindo. A maioria ou alguns deles continuarão aqui até a assembleia, porque hoje novamente às 19h há essa assembleia para decidir os próximos passos e perceber se vão continuar aqui na praça a dormir.
Reportagem de Miguel Pinheiro Correia no Porto, a acompanhar o movimento Acampada na Cidade Invicta. Destaque também para as reações políticas. O secretário-geral do PS garante hoje, num artigo de opinião no jornal Público, que vai propor ao governo que dada aí mais medidas para a habitação. José Luís Carneiro dá como exemplo a isenção de mais-valias na venda de casas já existentes até €300.000 para habitação própria. Lembra, o líder do PS, que já tinha enviado uma carta ao primeiro-ministro no ano passado a apelar a um diálogo sobre a crise na habitação e lembra também que não teve resposta a essa mesma carta.
O antigo presidente da TAP, Miguel Frasquilho, considera que a venda da companhia aérea é positiva, fala numa medida que traz vantagens e Rui acredita que também deverá ser bem vista por Bruxelas.
Miguel Frasquilho foi o convidado do Explicador da Rádio Observador desta manhã sobre a privatização da TAP. Miguel Frasquilho diz não ter sido surpreendido com o valor que a Lufthansa se dispôs a pagar pela companhia aérea portuguesa. Reconhece também o valor da empresa, considera que há vantagens para a própria TAP e para a Lufthansa, que passa a ter uma quota de mercado muito superior, vantagens também para o Estado português assumir no grau de importância e responsabilidade.
Vejo também como um peso acrescido que o país terá, através da participação acionista no quarto maior grupo de aviação mundial, como uma forma de poder ter uma importância acrescida e de poder ter um capital estratégico naquilo que nos interessa. Ao fim ao cabo, é isto. Ou seja, ganhamos uma posição, país e TAP, que não tínhamos até hoje na aviação mundial.
Miguel Frasquilho, antigo presidente da TAP no Explicador da Rádio Observador desta manhã, aponta a responsabilidade do Estado como acionista com 5% da empresa. Esta é uma proposta que carece agora de aprovação de Bruxelas, mas o antigo secretário de Estado do Tesouro e Finanças acredita que não há motivos para que a decisão não seja favorável.
Acho que tem tudo para ser aceite em Bruxelas. Acho que é uma boa solução. Acho que é uma solução que muitos, se calhar, não anteviam. Eu sempre achei que a TAP tinha muito mais valor do que aquilo que as avaliações anteriores, que eu acho que ficavam muito por baixo em relação àquilo que se está a ver agora. Acho que faz todo o sentido. A TAP tem este valor, que é um valor extraordinário para Portugal e, portanto, acho que é uma operação que tem tudo para ser bem-sucedida e acho que é muito importante para o futuro do nosso país.
Miguel Frasquilho, antigo presidente da TAP, também ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças, esta manhã no Explicador da Rádio Observador, esteve em debate e análise a privatização parcial da companhia aérea nacional.
A greve dos trabalhadores não docentes fechou escolas básicas e secundárias em vários distritos do país.
Uma greve de 24 horas convocada pelo Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação, que reivindica melhores salários e condições de trabalho para estes profissionais. Ora, o presidente da Associação Nacional dos Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas dá conta de uma greve menos expressiva face a outras paralisações que têm acontecido nos últimos tempos. Filinto Lima diz que ainda não há números oficiais, mas fala num dia já com muitos constrangimentos.
Nós não temos números, mas sabemos que há escolas de alguns concelhos do país que não abriram portas. É uma greve muito menor do que a greve do dia 2 de outubro, naturalmente, mas é uma greve que está a causar, portanto, alguma mossa na vida diária, quer dos nossos alunos, quer dos encarregados de educação, sobretudo dos alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo, mas na maior parte das escolas, eu diria, no grosso das escolas, é um dia normalíssimo, mas ainda há situações em que as escolas não abriram e não irão abrir durante o dia de hoje.
O presidente da Associação Nacional dos Diretores de Escolas Públicas, ouvido há pouco pela Rádio Observador, Filinto Lima, sublinha também que é preciso ouvir os trabalhadores da carreira não docente.
Nós cada vez temos menos funcionários. A portaria dos rácios, nós temos pedido que seja atualizada. É uma portaria que já não é revista há mais de quatro anos. Em quatro anos, de facto, a educação mudou de forma abismal. E são funcionários que ganham pouco mais do que o salário mínimo nacional. Ou seja, fazem um trabalho de excelência, um trabalho de grande relevo, mas nem por isso são de facto gratificados como deviam de ser, tendo em conta a responsabilidade enorme que têm às suas costas.
A greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação começou à meia-noite, dura 24 horas e esta manhã fechou a porta de várias escolas um pouco por todo o país.
Destaque também para as manifestações em França, marcadas por violência. O ministro da Justiça admite que as autoridades falharam na gestão dos protestos deste fim de semana.
E pela segunda noite consecutiva, Paris voltou a ser alvo de protestos violentos, com registo de uma nova onda de assaltos. Os saqueadores, como são descritos pela imprensa francesa, atacaram pequenos comércios, centros comerciais e lojas de luxo. Manifestações violentas que duram há várias semanas, mas que se intensificaram este fim de semana. O ministro da Justiça admite, na reação, que as autoridades podiam ter feito mais e dá também conta de falhas nos serviços de informação. Citado pelo jornal francês Le Monde, o governante adianta que mais de 2 mil pessoas foram detidas durante este fim de semana.
E Rui, na sequência desta onda de protestos violentos, o ministro do Interior pediu a demissão, mas Emmanuel Macron recusou.
O ministro do Interior, Laurent Núñez, pediu a demissão ontem, mas de acordo com um comunicado do Palácio do Eliseu divulgado já esta manhã, o presidente francês recusou. Emmanuel Macron pediu ao governante para que continue em funções e tome medidas para travar os manifestantes. É também neste contexto que o governo francês se reúne hoje de emergência para discutir, sobretudo, medidas de apoio aos comerciantes afetados por esta onda de violência em França, sendo que ontem Emmanuel Macron falou ao país para garantir que vai estar ao lado das vítimas desta onda de protestos e também ser implacável com os saqueadores. Na análise, a Rádio Observador ouviu o diretor do Lusa Jornal, Carlos Pereira, explica que a população francesa não está a levar a sério estas declarações de Emmanuel Macron.
É um discurso que já ninguém espera. A justiça não é célere, a justiça não funciona bem e o Estado foi completamente ultrapassado durante este último fim de semana
O que se veio a passar, a violência que aconteceu, mostra que o Estado não estava preparado, a polícia não tinha antecipado esta situação, ou pelo menos antecipou mal, e ficou surpreendida com o que aconteceu.
A expectativa recai agora, sobretudo, sobre os possíveis apoios que o governo poderá vir a decretar para os comerciantes que temem mesmo ter de fechar lojas, apoios que são hoje decididos, como dissemos, numa reunião de emergência do governo francês, liderado por Sébastien Lecornu.
São agora 10h14. Já há Ciro contra o corrente sobre as eleições no Brasil. Mas, André Casa Nova, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
O julgamento de José Sócrates e de Carlos Santos Silva, no chamado caso secundário da Operação Marquês, foi suspenso. Uma informação conhecida há pouco. Os trabalhos foram adiados para 30 de outubro. O julgamento começou esta manhã no Campus de Justiça, em Lisboa, mas foi suspenso cerca de cinco minutos depois de ter começado. A decisão foi anunciada pelo vice-presidente do coletivo, Ruben Vieira, na sequência de dois requerimentos apresentados ainda na sexta-feira pela defesa de José Sócrates, sobre os quais o Ministério Público pediu um prazo de três dias para se pronunciar. José Sócrates reagiu há pouco em declarações aos jornalistas junto ao Campus de Justiça. Fala num teatro do absurdo. São declarações que haveremos de escutar aqui na Rádio Observador nos próximos jornais. Na atualidade internacional, os Estados Unidos garantem que não houve nenhuma pausa na partilha de informações de inteligência com a Ucrânia. A Casa Branca volta também a pedir a Volodymyr Zelensky para que acabe com a guerra contra a Rússia. O presidente da Ucrânia afirmou ontem que a partilha de informações de segurança norte-americanas esteve bloqueada durante três dias, durante os ataques da Rússia. Ora, na reação, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, desmente Zelensky e diz que não percebe por que o líder ucraniano torna públicas estas declarações. E agora, a fechar, uma pergunta: quem é que nunca aqui cometeu uma loucura por amor?
O que tu queres partilhar conosco? Esta é a altura certa. Abre o coração.
Da minha parte, não quero partilhar nada, mas posso partilhar aqui a história de um homem brasileiro chamado Edimar, que levou isto à letra. Gastou as poupanças todas de uma vida para fazer uma viagem de 2 mil km para conhecer a mulher dos sonhos dele. Esta mulher chamava-se Jéssica, morava noutra parte do Brasil.
Noutro ponto.
E o Brasil é grande, nós sabemos.
Eles conheceram-se pelo Instagram, onde ela tinha 300 mil seguidores, e combinaram encontrar-se.
A Helena Matos já esfrega a cabeça, dizendo: "Isto não parece que vai ter um final feliz". Não correu bem, pois não, Rui?
Mesmo à escala do Brasil, ainda é um pouco.
É uma influencer.
Correu ou não correu bem?
Não correu bem. Quando o Edimar lá chegou, não encontrou a Jéssica. Tudo isto porque ela não existia. Era um perfil gerado por inteligência artificial. Ele foi enganado. Caiu que nem um patinho nesta burla.
Coitado do Edimar.
Depois de perceber que tinha sido enganado, o homem teve de pedir ajuda às autoridades para o levarem de volta à casa e de coração partido.
E de coração partido, ainda por cima. Coitadinho, ninguém merece.
Tecnologia. Casar com o servidor também não é a solução.
Já há umas histórias assim.
A sério?