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Para as 10 da manhã. As notícias na sua rádio com o jornalista Luís Soares. A PSP atualizou o número de manifestantes detidos do movimento Acampada em Lisboa, foram ao todo 55. Luís, há também registro de dois feridos ligeiros. São números oficiais da polícia.

Anunciados em comunicado pela PSP, os 55 manifestantes foram detidos pelo crime de desobediência. Quanto aos feridos, um foi assistido no local, outro foi levado para o hospital. A PSP divulgou em comunicado o balanço da intervenção desta manhã na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto, para acabar com os acampamentos que duravam já há vários dias. A polícia sublinha que as manifestações não cumpriam a lei e que, por isso, obrigaram a uma intervenção devidamente coordenada. A PSP garante que desenvolveu ações de diálogo, mediação e sensibilização junto dos participantes, no sentido de promover a desmobilização voluntária das tendas. Sublinha também que pouco antes das 6h emituiu vários avisos para garantir isso mesmo. Em Lisboa, os manifestantes resistiram e por isso a polícia avançou para a retirada das tendas. Houve 55 detenções, dois feridos ligeiros. Já no Porto, o cenário foi diferente, mais calmo, com os manifestantes do movimento Acampada a acatarem as ordens e abandonarem a Praça Dom João I, sem registro de detenções. A PSP remete para daqui a meia hora mais esclarecimentos na Direção Nacional, em Lisboa.

O ministro da Administração Interna elogia o profissionalismo demonstrado pela PSP nestas operações.

É também num comunicado que acaba de ser divulgado. O ministério de Luís Neves destaca o empenho dos profissionais da Polícia de Segurança Pública em privilegiar, até ao limite, o diálogo e a persuasão, procurando evitar o recurso à força. A tutela lembra que o direito de manifestação está consagrado na Constituição e deve ser plenamente respeitado. No entanto, sublinha que este direito não dispensa o cumprimento da lei. O ministro da Administração Interna já tinha deixado também esse mesmo aviso de que a lei é para cumprir. Luís Neves também garantiu que a PSP iria evitar excessos numa eventual intervenção.

Luís, importa agora voltarmos ao local onde tudo aconteceu. A PSP continua atenta aos manifestantes que não foram detidos e que se mantêm junto ao Rossio, em Lisboa.

Mais concretamente na Praça da Figueira, logo ali ao lado, onde continua o Miguel Pina Andrade. Miguel, com os ânimos mais calmos por agora, mas também com os manifestantes a garantir que vão continuar os protestos sob olhar atento à polícia.

Sim, Luís, já são muito poucos os manifestantes que agora estão aqui na Praça da Figueira. A última hora foi de muita expectativa. As pessoas que aqui ficaram estavam muito nervosas, notava-se pela expressão, que estavam sempre em chamadas. E há poucos minutos, o advogado aqui presente, que entretanto abandonou a praça, disse à Rádio Observador que os manifestantes estão a coordenar com todos os advogados para visitar e perceber o paradeiro dos detidos, que entretanto foram levados para a esquadra da Rua da Palma, no Intendente e em Campo de Ourique. Depois dos manifestantes desmobilizarem do local, onde estiveram mais de hora e meia e de se reunirem numa assembleia popular improvisada na Praça da Figueira, os jornalistas ouviram a Priscila Valadão, que nos últimos dias foi responsável por moderar as assembleias populares que aconteceram na Acampada, no Rossio. Esta manifestante denunciou aos jornalistas cenas de violência policial durante a operação da PSP.

Eu ouvi várias pessoas aqui que estavam ali sendo detidas pela polícia, reclamando que precisavam de cuidados médicos e foi negado cuidado médico, porque a carga policial foi muito agressiva. O que os companheiros contam é que as tendas foram praticamente arrastadas com pessoas dormindo e as pessoas tiveram que se segurar para não cair. E depois, o cordão humano foi tão bonito e tão forte que a polícia demorou bastante tempo para conseguir dispersar o cordão humano.

O relato de Priscila Valadão durante este ponto de situação aos jornalistas há um par de horas, com a garantia também de que os manifestantes vão voltar mais logo, às 19h, ao Rossio, local onde estiveram nas últimas duas noites. Vai seguir depois uma votação para saber se os manifestantes vão ou não pernoitar no Rossio. A praça, entretanto, já está a ser limpa. A PSP retirou mais de 200 tendas do local. A vida, entretanto, continua. As ruas já estão abertas. Como disseste, Luís, há apenas uma vigilância da PSP. São dois agentes que estão a vigiar os poucos manifestantes. Olho aqui à volta e vejo apenas um par de manifestantes, um deles a ser até entrevistado por um canal de televisão. O metrô também, entretanto, já abriu. Como disse, Luís, a vida lisboeta já decorre com alguma normalidade.

Miguel Pina Andrade, aqui em direto, que acompanhou ao longo de toda a manhã os desenvolvimentos desta intervenção da PSP para desmontar o acampamento da Praça do Rossio, em Lisboa.

O autarca Pedro Duarte afirma que a normalidade foi reposta na cidade do Porto e mantém a disponibilidade para uma reunião de trabalho com os manifestantes.

O presidente da Câmara do Porto falou esta manhã com jornalistas, já depois de todos os manifestantes e tendas terem sido retirados da Praça Dom João I. A esta hora a praça está interdita porque já estão a ser feitos trabalhos de limpeza, mas Pedro Duarte fala no regresso à normalidade.

A informação que tenho é que, de facto, correu tudo dentro de uma normalidade que deve ser saudada. Portanto, eu enalteço esse facto. Julgo que a normalidade democrática, digamos assim, está reposta na cidade do Porto e significa que o direito à manifestação mantém-se intacto, como sempre esteve.

O autarca do Porto diz que o direito à manifestação deve ser preservado, desde que os protestos aconteçam dentro do quadro legal. Reconhece as preocupações legítimas dos manifestantes da Acampada do Porto. Diz também que quer continuar a resolver os problemas da habitação no Conselho. Por isso mesmo, Pedro Duarte volta a dizer que não fecha as portas ao diálogo, falta apenas luz verde do outro lado.

Nós não recebemos ainda nenhuma resposta do movimento à nossa sugestão de uma reunião Eu estou com seriedade a querer resolver o problema da habitação. É para isso apenas que quero ouvir os manifestantes, é para olharmos para o problema concreto da habitação ou outros que queiram trazer, nomeadamente o custo de vida, aquilo que lhes parecer adequado. Isso há de ser feito com seriedade. Eu não contribuo para circos mediáticos, nem para manobras de diversão que alguns extremistas mais radicais, que eventualmente possam estar a liderar esse movimento, queiram deturpar aquilo que é uma causa justa e que eu sinto que é defendida por muita gente na cidade e no país.

Pedro Duarte foi também questionado sobre se a carga policial desta manhã foi uma espécie de emboscada aos manifestantes. Sem adiantar grandes detalhes, o autarca do Porto reitera apenas a confiança que tem nas autoridades.

Isso eu não sei avaliar. Eu tenho a minha perceção como os senhores têm. Como sabem, não tutelo a PSP, não estava presente. Tenho confiança nas autoridades policiais, não haja qualquer dúvida quanto a isso, mas felizmente há inquéritos a decorrer e há um escrutínio que vai ser feito. A polícia tem que sujeitar a isso, como é evidente, e tudo será esclarecido.

Pedro Duarte, em declarações aos jornalistas, junto à Câmara Municipal do Porto. Vamos agora, em direto, ao encontro do repórter Miguel Pinheiro Correia, que continua na Praça Dom João I, que continua interdita para trabalhos de limpeza e já sem a presença de manifestantes.

Já sem a presença de manifestantes, Luís, e também já sem a presença das equipes de limpeza que estiveram aqui nos últimos minutos ou nas últimas horas, pelo menos, desde que aconteceu essa intervenção da polícia. Limparam aqui a Praça Dom João I. Depois dessa intervenção, a praça também foi encerrada, foi vedada com gradeamento colocado a todo o redor da Praça Dom João I e, neste momento, na praça continuam apenas dois carros da Polícia Municipal e também uns agentes da Polícia Municipal. A PSP já não está por aqui. A PSP que chegou aqui antes das 6 AM, que manifestou essa intenção de tirar ou acabar o acampamento. Fê-lo por mais do que uma vez através dos megafones. Os manifestantes acabaram por sair depois do segundo aviso. Criticaram aqui a rapidez da polícia. Disseram que não tiveram assim muito tempo para conseguir tirar as coisas, mas a verdade é que outros manifestantes elogiam ou, pelo menos, reconhecem que, ao contrário do que aconteceu na madrugada de quinta-feira, houve essa tentativa de diálogo entre polícia e manifestantes. Por isso, conseguiram retirar o material todo. As equipes de limpeza, quando chegaram, já não estiveram a pegar nesses cartazes ou nessas tendas, estiveram simplesmente a limpar o local, porque os manifestantes conseguiram levar tudo para a Avenida dos Aliados, retiraram tudo daqui, organizaram-se primeiro na Avenida dos Aliados, onde então conseguiram carregar o material para os carros, que entretanto foram levando daqui, havendo também essa indicação, dos manifestantes com quem conseguimos falar esta manhã, de que pretendem regressar, pretendem manter este protesto. A verdade é que, como damos conta, a praça está vedada, ou seja, é impossível, neste momento, eles conseguirem entrar na Praça Dom João I. Questionamos o advogado do movimento sobre essa intenção. Ele disse que haverá outras soluções, que não quererão fazer uso da força para entrar aqui na Praça Dom João I. Estão ainda a estudar essa hipótese, a perceber o que é que poderão fazer para continuar este protesto pela habitação, sabendo que há essa hipótese de haver uma reunião com o presidente da Câmara. Ontem, a autarquia confirmou ao Observador que foi feito esse novo convite formal, sendo que os manifestantes, por outro lado, dizem que este é o primeiro convite formal e não o primeiro. Dizem que esse primeiro a que a Câmara se refere foi feito por via telefônica e que não seria formal. Fonte da Câmara Municipal garante-nos que, não sendo uma associação formalmente constituída como tal, que o telefonema que foi feito para uma das assinantes desta manifestação é formalidade suficiente para que haja essa reunião. Houve essa reação, entretanto, do presidente da Câmara. Vamos então também esperar para ver quais serão os próximos passos, se haverá fumo branco para essas negociações, que agora poderão já não acontecer aqui na Praça Dom João I, esse encontro. Não havia também essa intenção da Câmara Municipal, que está agora reunida em reunião de executivo, por isso também com vereadores do PS e do Chega sem pelouro. E nessa reunião, que começou há instantes, começou às 9h30, um dos temas em destaque, levado pelo PS e por Manuel Pizarro, era precisamente a intervenção policial, não a de hoje, mas a da madrugada de quinta-feira. E reconhece aqui o vereador do PS que houve excesso de violência e diz que isso é factual. Portanto, acompanharemos também essa reunião, onde será discutida, certamente também a ação de hoje e as possíveis consequências.

Miguel Pinheiro Correia, aqui em direto do Porto, nomeadamente na Praça Dom João I, onde o cenário é mais calmo já a esta hora, sem tendas, mas com a praça ainda vedada.

Luís, horas antes desta intervenção da PSP, o presidente da República apelou a um entendimento entre o governo e partido da oposição para resolver o problema da habitação.

António José Seguro diz que é a altura de transformar as propostas em soluções e, Vasco Maldonado Correia, este apelo foi deixado em plena sede do governo.

Ao lado do ministro da Presidência, no edifício que alberga grande parte do governo, e coincidência ou não, às 8 PM em ponto. O apelo de António José Seguro é claro: entendam-se.

Há, de facto, um problema de habitação no país e, portanto, ele precisa ser resolvido. E se há contributos de todos, governo, partidos da oposição, então é útil que todos se entendam para encontrarem as melhores soluções para resolverem os problemas.

O presidente quer medidas para o curto e para o longo prazo.

Agora é necessário dar o passo seguinte: entenderem-se sobre essas propostas. Umas através de políticas duradouras, é esse o entendimento que eu tenho apelado, e outras com medidas urgentes.

E lembra que o problema é transversal, dos mais novos aos mais velhos.

Por exemplo, de estudantes que têm dificuldades em pagar o quarto quando estão deslocados, de pessoas que mesmo tendo trabalho, têm dificuldades em pagar a renda, porque elas têm subido.

Seguro volta a sublinhar o apelo à responsabilidade.

Os preços das casas têm aumentado, portanto, é necessário olhar para esse problema com seriedade e com o contributo de todos. É esse o meu apelo.

E se o argumento de autoridade não for suficiente.

É fundamental ouvir Álvaro Siza Vieira quando dizia ter dúvidas sobre a expressão "habitação social", porque toda a habitação é social. Ora, a habitação é uma das preocupações centrais do nosso tempo e do nosso país. É aqui que a dignidade humana e casa se encontram.

Por uma questão de dignidade humana, fica o aviso do presidente da República: o problema da habitação precisa de respostas e precisa delas para o imediato.

Os apelos do presidente da República ontem na apresentação do livro de Fátima Campos Ferreira sobre o arquiteto Álvaro Siza Vieira, uma apresentação que aconteceu no Campus XXI, em Lisboa.