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São 11h. Jornal das 11 com Miguel Cordeiro. Já se vota em Portugal para eleger o próximo presidente do Brasil. Há mais de 130 mil brasileiros inscritos em território nacional. As urnas, Miguel, estão abertas até às 17h.
Em Portugal é possível votar em Lisboa, Porto e Faro. Todos os cidadãos brasileiros alfabetizados entre os 18 e os 70 anos são obrigados a votar. Fora do país, é apenas possível votar para presidente e para vice-presidente. Portanto, em Portugal, os cidadãos brasileiros que vão votar só podem votar para presidente e vice-presidente. Os 27 governadores, os dois terços do Senado e toda a Câmara de Deputados são decisões para quem vive no Brasil. Há nesta eleição 12 candidatos, sendo que as sondagens dão uma clara vantagem a dois desses candidatos: Lula da Silva, o atual presidente, e Flávio Bolsonaro, filho do antigo presidente Jair Bolsonaro. As sondagens dizem também que é muito provável que exista uma segunda volta, que está agendada para o dia 25 deste mês. Cada coisa a seu tempo. Agora corre a primeira volta. Em Portugal, já se vota desde às 08h. Portugal é o país da Europa onde há mais brasileiros a votar, é o segundo país do mundo onde há mais brasileiros a votar, fica apenas atrás dos Estados Unidos da América e é possível votar nestas três cidades: Lisboa, Porto e Faro, sendo que em Lisboa há votações a decorrer na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É lá que está o repórter David Bileu. Em direto, David, que relatos tens recolhido desta manhã e destas primeiras horas de votação entre os brasileiros?
Relatos bastante diferentes, Miguel. De facto, as sondagens apontam para uma grande polarização na sociedade brasileira, com os dois principais candidatos, o atual presidente Lula da Silva e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, a terem as principais intenções de voto. Os eleitores brasileiros que aqui se encontram não escondem muitas vezes as suas opiniões políticas e temos assistido aqui a muitas camisolas verdes e amarelas, e também muitas camisolas vermelhas, mais associada ao Partido dos Trabalhadores. Encontro-me agora aqui no jardim, que é comum a todos os prédios da Universidade de Lisboa, à Faculdade de Direito, de Letras e à Reitoria da Universidade Nova. Tenho comigo um casal que vive em Portugal há cerca de sete anos e meio, se não me engano. Pergunto-lhe muito diretamente: partilha da mesma opinião aqui manifestada por muitas pessoas de que esta eleição deveria, para o bem do Brasil, ficar resolvida no primeiro turno?
Sim, mas ainda que seja um desejo, eu acho pouco provável, porque há diversidade, enfim, opiniões diferentes e provavelmente, sim, a gente vai ter o segundo turno.
E como é que vê um segundo turno entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro? Acha que é benéfico para o Brasil estes dois candidatos?
Eu acho que são os únicos candidatos, na verdade. Um representa a extrema-direita, a direita, e o outro, a democracia. Eu acho que é uma decisão bem fácil, na verdade. Então, é aguardar o segundo turno, aguardar a segunda volta.
Partilha da mesma opinião de que, de facto, esta eleição devia, apesar de não ser muito provável, mas seria benéfico que ficasse resolvida já neste primeiro turno?
Sim, com certeza. Se fosse resolvido no primeiro turno, seria incrível, mas como o Brasil tem uma dimensão continental e muita diversidade, é pouco provável. Também compartilho dessa opinião.
E considera que as circunstâncias atuais favorecem o atual presidente ou o líder da oposição, neste caso, o Flávio Bolsonaro?
Eu acho que o presidente está num ótimo momento, o presidente atual, e o Flávio Bolsonaro está envolvido em imensos escândalos que estão se levantando agora no país e não vejo honestidade desse lado.
Ok, muito obrigado pelo testemunho. Aqui ficamos com um testemunho de um casal que manifesta a sua opinião política. Vamos aqui procurar também mais pessoas. Temos aqui também junto conosco uma família. Faço-lhe uma pergunta: partilha da preocupação manifestada pelas pessoas de que um segundo turno não seria benéfico para o Brasil?
Sim. Pronto, gostaríamos de decidir agora no primeiro turno, não é? Isso é uma festa da democracia brasileira e acho que votar não é só um dever, é um direito, um direito que nós temos de escolher. E pronto, a nossa escolha foi feita.
E considera que uma segunda volta a envolver os dois candidatos principais, Flávio Bolsonaro e Lula da Silva, é benéfico para o Brasil?
Sim, é benéfico, com certeza, se der o Lula. Com certeza que vai dar Lula. Esperamos.
Estamos aqui torcendo para o nosso candidato, mas eu gostaria que ficasse resolvido agora na primeira volta.
Muito obrigado. Mais aqui um testemunho. Mais pessoas esperam-se chegar aqui até às 17h, hora em que fecham as urnas, Miguel.
David Bileu, em direto da Faculdade de Direito, em Lisboa, onde decorre esta votação para as eleições do Brasil. Ora, temos agora a oportunidade de escutar também Alexandro Candez, é o cônsul-geral do Brasil em Lisboa. Vamos escutar.
Nós temos aqui em Lisboa 79 mil eleitores, em todo Portugal são 135 mil eleitores e pela primeira vez em Lisboa, dado o grande número de votantes, nós distribuímos em três locais de votação: Reitoria, Faculdade de Direito, Faculdade de Letras. As filas começaram a se formar, na verdade, perto das 06:00, 06:30 da manhã. Já havia gente na fila. Às 08h se abriram as urnas e graças a Deus, felizmente, tudo fluindo dentro da normalidade. Como podem ver do lado de fora, ainda há muito público que percorre O horário pico, como dizemos, é entre 10h e 14h, mas está fluindo bem, visivelmente. É possível ver do lado de fora e do lado de dentro, com todas as prioridades, evidentemente, os idosos, as gestantes, pessoas com dificuldade de mobilidade, mas sem nenhuma intercorrência. Eu quero realmente agradecer e destacar a colaboração da Câmara Municipal de Lisboa, da PSP, dos bombeiros, ou seja, uma série de entidades portuguesas que estão colaborando com o Consulado do Brasil e com a Embaixada do Brasil para o sucesso, a tranquilidade e a segurança.
Alexandre Candeias, o Cônsul-Geral do Brasil em Lisboa, a responder aos jornalistas e a garantir que tudo está a correr bem nesta eleição. Agradecer também às autoridades portuguesas que estão a colaborar, a apontar que houve pessoas na fila desde 06:30 da manhã. As urnas abriram às 08h, vão encerrar às 17h. Em Lisboa, decorre em três edifícios. Há também votação a decorrer no Porto e em Faro. Repito, Portugal é o país da Europa com mais eleitores brasileiros nesta eleição presidencial.
Por cá, a presidente do Tribunal de Contas admite recorrer da reforma na instituição para o Tribunal Constitucional.
Em causa a reforma da Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas, levada a cabo pelo governo. No programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, Filipa Urbano Galvão diz que há razões para o Presidente da República levar o diploma ao Tribunal Constitucional. Mas, apesar deste aviso deixado a António José Seguro, a responsável pelo Tribunal de Contas assume que se o Presidente da República pensar de outra forma, nesse caso, vai ponderar não aplicar as normas que considera inconstitucionais. E depois vai pedir a apreciação dessas mesmas normas em sede de fiscalização concreta junto do Tribunal Constitucional. Já sobre o fim do visto prévio do Tribunal de Contas, a presidente deste tribunal considera que a ideia de que uma administração pública mais ágil garante mais eficácia na gestão das finanças é algo que está por demonstrar.
Paulo Raimundo acusa o Partido Socialista de ter libertado o CHEGA da responsabilidade de viabilizar o próximo orçamento do Estado.
O líder comunista diz que assim o partido de André Ventura poderá manter a hipocrisia e a máscara em relação ao governo. Ontem, de visita à Feira de Outubro, o secretário-geral do PCP deixou críticas ao bónus nas pensões anunciado pelo primeiro-ministro. Paulo Raimundo diz que os mais €50 atribuídos pelo executivo não respondem ao aumento do custo de vida. Os comunistas defendem um aumento intercalar das pensões.
11:08, a seguir a português suave com o linguista Marco Neves. Para já, Miguel, vamos a outras notícias em destaque a esta hora.
António Salvador, presidente do Sporting Clube de Braga, diz que Cristiano Ronaldo não teve a melhor atitude ao abandonar o estágio da Seleção Portuguesa de Futebol e acredita que se fosse hoje, Cristiano Ronaldo não teria feito o mesmo. O líder do Sporting Braga, ainda assim, considera que Cristiano Ronaldo é um nome incontornável do futebol português e diz que neste momento o importante é a seleção estar concentrada nos próximos desafios. Neste caso, o próximo desafio é já hoje, às 19:45, frente à Noruega, no Estádio do Dragão. Um jogo para ouvir com relato em direto aqui na Rádio Observador. Para além de Cristiano Ronaldo fora da ficha de jogo, também Gonçalo Inácio não faz parte das opções, vai para a bancada. Destaque também para o Grande Prêmio do Bahrein, que está a decorrer nesta altura. Fórmula 1, vamos com 50 voltas, estamos a cinco da última volta, são 55 voltas e nesta altura Verstappen lidera com Antonelli e Al-Dhaen a completarem o pódio nesta fase. Estamos nas últimas voltas deste grande prêmio. Para já, é Verstappen que está a liderar.