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Vamos às notícias. Começa agora o Jornal das 11, com edição de Luís Soares. Luís, o dia amanheceu com tendas montadas em Lisboa e no Porto, em protesto contra os preços da habitação. Nesta altura, os manifestantes continuam acampados no Rossio e na Praça Dom João I.

Depois de uma noite calma, sem incidentes, nem confrontos com a polícia, o dia começou com várias pessoas acampadas em duas praças das duas maiores cidades do país. Pedem habitação digna e fazem críticas às políticas do governo de Luís Montenegro. Damos só uma ronda pelos repórteres do Observador que estão precisamente em Lisboa e no Porto. Começando por Lisboa, na Praça do Rossio, onde está o repórter Carlos Pedro. Carlos, num amanhecer tranquilo, com muitas tendas montadas por aí.

Precisamente, Luís. Muitas tendas, com muitos manifestantes que prometem ficar aqui até serem ouvidos pelo governo. Aliás, já se têm feito ouvir aqui na Praça do Rossio esta manhã. São os primeiros momentos do que se espera mais um dia de protestos aqui na capital, com várias atividades e ações já marcadas pela organização desta acampada, entre elas uma assembleia dos grupos de trabalho desta manifestação, mas também momentos de atividade física antes de, ao 12h30, ser aberta, digamos assim, uma cantina popular para que os manifestantes se possam alimentar, até porque não há, como disse, perspectiva de que os manifestantes arredem pé tão cedo. Para às 19h está marcada mais uma assembleia popular e comigo tenho precisamente aqui João Veloso, que participou na assembleia de ontem. João, ontem a assembleia terminou com a aprovação de seis exigências. O que é que vai ser discutido hoje?

Hoje vamos, essencialmente, fazer um balanço do dia de ontem, ver o que as pessoas acham que podemos alterar, que podemos melhorar, e essencialmente também ver a disposição das pessoas para continuar.

E a ideia é precisamente essa, apelar a que as pessoas continuem aqui durante mais tempo.

Sim, ou seja, neste momento, na verdade, isto já está a ir muito para além da acampada. As pessoas têm mostrado vontade de continuar por aqui, então continuam aqui com as suas tendas.

Quanto a esta noite que se passou, a polícia disse-vos alguma coisa sobre a acampada?

Pelo que sei, eles falaram com uma companheira da organização da acampada, mas creio que foi muito pouco. Essencialmente, o que estiveram foi constantemente a andar com carros aqui à volta da acampada, depois retiravam, depois voltavam com carros e, por exemplo, às 6h houve o que nos pareceu ser a troca de turnos, por parte da PSP. Houve algum receio da nossa parte, mas não aconteceu nada.

João, tu és um dos organizadores desta acampada. Já alguém da Câmara Municipal de Lisboa tentou entrar em contato com vocês para saber ou para ter noção do que é que pode acontecer daqui para frente nesta manifestação?

Não, que eu saiba, não.

E se a polícia, eventualmente, nesta noite, nas próximas noites, até quando vocês decidirem ficar aqui, decidir que já não há espaço, já não há tempo, já não se pode ter tendas aqui, o que é que vão fazer?

A vontade que existe é de permanecer. Então, a mim parece-me que, à partida, as pessoas irão resistir nesse sentido de impedir que as tendas sejam retiradas e que as pessoas sejam daqui retiradas.

Portanto, a ideia é mesmo continuar aqui até o governo vos ouvir, mas de que maneira?

Isso é uma questão que as próprias pessoas também têm que decidir, também é algo a falarmos melhor, a aprofundar melhor, mas essencialmente nós achamos que é essencial voltar atrás na nova lei do arrendamento, ou seja, que não faz sentido nenhum, no momento em que temos uma crise da habitação gigante, a resposta que o governo Montenegro dá é precarizar ainda mais o acesso à habitação, retirou o aumento de rendas apenas de 2% de um ano para outro em novos contratos, precarizando ainda mais e transferindo para as mãos do senhorio quanto é que vai ser aumentado, sem nenhum teto. E depois, para além disso, a questão de ter passado de duas para três cauções, sem um limite também de teto para essas cauções. Então, para nós, isso é inaceitável. Precisamos de habitação pública, precisamos da expropriação de imóveis devolutos, que pode ser feito pela Câmara Municipal de Lisboa. Precisamos de teto às rendas, precisamos de rendas acessíveis para toda a gente.

Muito bem, obrigado, João Veloso, um dos organizadores desta acampada, que conta ainda com dezenas de tendas montadas aqui na Praça do Rossio. Quanto à presença da polícia, olho à minha volta, vejo apenas um carro, mas não há, de fato, muitos agentes aqui nesta altura, Luís.

Carlos Pedro, em direto da Praça do Rossio, em Lisboa. Vamos agora também ao Porto, onde está o Miguel Pinheiro Correia, na Praça Dom João I, onde, Miguel, é a altura de limpeza do espaço onde muitas pessoas pernoitaram esta noite.

Para fazer essa comparação com Lisboa, dizia o Carlos que também se via pouca polícia. Aqui ouvia-se agora umas sirenes, mas eram dos bombeiros, não da polícia. Sobre a limpeza, está a decorrer agora com esfregonas, com vassouras e também alguns jovens têm apanhado o pequeno lixo do chão, algumas beatas. Sendo que, e para recordar, nesta manhã ventosa e fria, começou cedo para os manifestantes aqui do Porto, que estiveram reunidos em assembleia e dessa assembleia surgiu a decisão de que não iriam permitir a entrada ou eventual entrada, os serviços municipais aqui não chegaram, mas iriam impedir essa entrada dos serviços municipais, que poderiam vir para fazer a limpeza da praça. E por isso mesmo, tenho aqui comigo a Diana, que até há pouco estava a limpar vigorosamente o chão com uma esfregona. Diana, por que tomaram esta decisão de impedir a eventual, que acabou por não acontecer, entrada dos serviços municipais?

O nosso movimento, a nossa manifestação, o nosso protesto inclui as tendas. As tendas são um símbolo e tornaram-se um símbolo muito importante. Portanto, ao deixar a câmara vir e limpar o chão, também incluía tirar as tendas. Decidimos não deixar passar. Eventualmente, não passaram de todo. Não sei se houve alguma decisão por parte deles ou simplesmente não decidiram vir. Decidimos também limpar a praça, porque se não vêm limpar, nós também temos a responsabilidade de cuidar da praça onde estamos aqui a acampar já há alguns dias.

E como é que se organizaram? A partir do momento em que decidiram que não iriam entrar esses serviços de limpeza, até que começaram vocês a atuar, no caso, estás com uma pequena equipa de três esfregonas, há pessoas com vassouras e pessoas também a apanhar lixo do chão. Como é que foi essa organização?

Isto também já tem a ver com os grupos que nós temos organizados. Nós temos grupo de limpeza, segurança, também da comida e a comida, às vezes, também assegura um pouco a limpeza de algumas coisas. Eu, por exemplo, de manhã estive no pequeno-almoço a ajudar também a montar e depois eventualmente limpar, e surgiu a ideia de: "Ok, agora temos a praça com menos pessoas, as pessoas estão a recuar com as tendas, vamos limpar o chão." Temos também donativos, aproveitámos os donativos, comprámos esfregonas e as pessoas pegaram em luvas de doações também, começaram a apanhar lixo do chão e nós a lavar o chão enquanto conseguimos.

E é um trabalho que ainda demorará algum tempo. Sobre esta noite, passaste aqui esta noite, como é que foi? Havia algum receio pela atuação das autoridades? É isso que temos ouvido de várias pessoas com quem temos falado. Sentiste isso? Conseguiste dormir aqui ou estiveste só a passar aqui a noite?

A noite também não foi só isso, foi o fato de estar muito frio, muito vento. Ou seja, foi o frio, foi o vento, foi a ansiedade de não sabermos se a polícia ia atuar ou não ia atuar. Sabíamos que os carros tinham ido embora até certa hora, mas depois havia uma certa ânsia de todas as pessoas que estavam aqui, até porque temos muitas pessoas novas que também vieram agora ao nosso acampamento e que estão um bocado ansiosas e sem perceber como é que isto funciona. Havia este medo constante de e se a polícia aparecer. Há pessoas que estavam nas tendas, mas passaram noites em branco.

Muito bem, obrigado, Diana. Aqui o relato desta noite, o relato também desta limpeza que está a ser feita na praça. Há pouco era anunciada uma assembleia para o meio-dia. Teremos oportunidade, entretanto, para perceber o que será discutido. A verdade é que os manifestantes aqui permanecem e aqui continuarão na Praça Dom João I.

E também o Miguel Pinheiro Correia vai continuar por lá com os manifestantes que continuam acampados no Porto e também em Lisboa. O Ministério da Habitação já fez saber que vê os protestos com preocupação, mas também diz que o atual governo não pode ser responsabilizado pela crise no setor.

E agora com nove minutos para lá das 11h da manhã, que outras notícias marcam esta manhã de domingo, Luís?

O governo francês diz que mais de 1200 pessoas foram detidas nos protestos de ontem em França, mais de 800 pessoas só em Paris, onde fica marcado por violência nas cidades de Paris, Lyon e também em Marselha. A imprensa canadiana diz que sete pessoas morreram depois de um incêndio que aconteceu numa base militar no Canadá. Não há ainda confirmação oficial de número de vítimas mortais, nem de feridos. Não se sabe ainda o que aconteceu. O primeiro-ministro canadiano diz apenas que o incêndio teve origem num incidente grave, sem adiantar mais detalhes. Ainda atenção para quem circula esta manhã com o IC19, sentido Lisboa-Sintra, o trânsito está condicionado junto à entrada de Queluz, até à 13h, por causa de um exercício da Proteção Civil.

E é o ponto final no Jornal das 11, edição do jornalista Luís Soares. Está de regresso às 11h30. Luís, até já.

Até já.

E já a seguir temos português suave.