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Meio-dia. Está no ar o jornal do meio-dia na Rádio Observador, com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, em destaque o Ministério Público, que abriu um inquérito ao caso do dermatologista do Hospital de Santa Maria, que terá recebido mais de €50 mil em apenas um dia de trabalho.
A Procuradoria-Geral da República confirmou na última hora à Agência Lusa a existência de um inquérito. Está em fase de investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. Na passada sexta-feira, a CNN Portugal avançou com essa notícia de que um dermatologista do Hospital de Santa Maria terá recebido cerca de €400 mil em 10 sábados de trabalho adicional em 2024, um deles utilizado para fazer procedimentos cirúrgicos aos próprios pais. Em causa está o sistema integrado de gestão de inscritos para cirurgia, que permite fazer cirurgias fora do horário laboral para reduzir as filas de espera nos hospitais. A Inspeção Geral de Atividades em Saúde também abriu, esta segunda-feira, um inquérito à atividade cirúrgica adicional realizada no Serviço Nacional de Saúde, assim como uma auditoria aos fatos relacionados com a atividade cirúrgica realizada no serviço de dermatologia da Unidade Local de Santa Maria, desde 2021 até ao momento. A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já se pronunciou. Diz que este caso não joga a favor da confiança dos portugueses no SNS, especialmente os que aguardam em lista de espera por cirurgias ou por consultas.
E seguimos com a contagem dos votos dos imigrantes. São os últimos votos por contar das legislativas de 18 de maio. Há ainda quatro lugares de deputado por eleger. A contagem decorre na FIL, em Lisboa.
E até ontem tinham chegado a Lisboa quase 300 mil boletins de voto. É um número residual. No total, há 1,5 milhão de pessoas recenciadas no estrangeiro. Durante esta terça-feira, devem chegar mais votos por correio. Na FIL, em Lisboa, está a repórter Maria João Brás. Está agora conosco em direto. Maria João, como é que está a correr este processo?
Está a correr com normalidade e prova disso é a mesa 134, onde nos encontramos. É uma mesa que está a contar votos no círculo fora da Europa, mais concretamente do Estado Unidos, Washington. Comigo tenho a presidente da mesa, Alda Custódio, que me dizia há pouco que chegaram quatro caixas de votos. Estamos a falar de cerca de mil votos que vão ser hoje contados. Ainda não estão a ser porque o processo tem várias particularidades. Alda, agora, neste momento, os envelopes estão a ser passados por um código de barras que pretende já colocar aqui no sistema os nomes dos eleitores.
Sim, é o caderno eleitoral desmaterializado. Os votos brancos são contabilizados, são inseridos como qualquer votante e no final é que é aberto o envelope branco, para verificar se tem ou não a documentação, vem o envelope verde, depois vê-se quais são os nulos ou não e insere-se o voto na urna depois dos verdes.
Dentro deste envelope branco está a documentação e está o envelope verde. Esta separação é uma forma de manter a privacidade do eleitor garantida, não é?
Exatamente, o voto é secreto, portanto, temos que separar os respectivos envelopes para não sabermos quem é que votou.
Quanto tempo é que este processo vai demorar e esperam receber mais votos hoje?
Pois, não sabemos. Até amanhã, até às 17h30, tudo pode acontecer. Não sabemos. Para já, temos que abrir estas quatro caixas.
É um processo que ainda vai ser longo?
Vai. Um bocadinho.
Por aqui está a correr tudo com a máxima normalidade. Também têm passado por aqui alguns elementos dos partidos para salvaguardar que tudo está a correr como deve ser. Eu pergunto-lhe se tem havido algumas queixas, algum incidente até agora.
Até agora tem corrido tudo muito normal. Temos apoios, temos tudo direitinho.
Portanto, é um depoimento da presidente da mesa 134, Alda Custódio, que está aqui a salvaguardar o processo natural destes votos. Como dizia, neste momento, está aqui num processo preliminar em que estes envelopes brancos estão a ser identificados através de um código de barras nos computadores, depois vão ser abertos. Está lá um envelope verde que vai ser separado. Isto para, como dizia esta presidente da mesa 134, que está aqui a contar os votos de Washington, Estados Unidos, para salvaguardar a privacidade dos eleitores. Aqui na FIL estão mais de mil membros espalhados por todo o pavilhão três, tal como Alda Custódia. Cada mesa tem um presidente, um vice-presidente, escrutinadores e um secretário, portanto, estamos a falar cerca de sete elementos. Estamos a falar também de 150 mesas. Como dizias no início deste jornal, Miguel, ontem já chegaram quase 300 mil votos. A expectativa é de que hoje, em especial agora da parte da hora de almoço, cheguem mais votos pelo correio. Estamos a falar de 1,5 milhão recenciados e, portanto, ainda há um longo dia pela frente.
Contagem dos votos dos dois círculos da imigração vai prolongar-se ainda até amanhã, altura em que a dúvida vai ser desfeita. PS ou Chega, qual deles ocupa o lugar da segunda força política, é o que falta saber. Quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa vai ouvir o PSD, o PS e a Aliança Democrática, os três partidos mais votados, e depois deve indigitar um primeiro-ministro E esta manhã, na Rádio Observador, escutámos o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, fala sobre o futuro do PS. Considera que o próximo líder deve viabilizar o governo da AD em prol da estabilidade política.
Ainda assim, avisa que há linhas vermelhas, linhas que não podem ser ultrapassadas, principalmente quanto à legislação do trabalho. No Explicador desta manhã, Mário Mourão rejeita compactuar com qualquer retrocesso ao nível laboral.
Há linhas vermelhas que nós não podemos ultrapassar, nem a UGT, nem naturalmente o Partido Socialista, e não só o Partido Socialista, mas também o Partido Social-Democrata, que faz parte da UGT. Há linhas vermelhas relativamente à legislação laboral, linhas que podem causar o retrocesso naquilo que fomos conseguindo ao longo dos anos para melhorar a vida das pessoas, quer o trabalho digno, quer a redução do horário de trabalho. Por exemplo, nós há 30 anos que não mexemos no horário de trabalho. A Espanha já evoluiu para as 37 horas e meia.
O secretário-geral da UGT considera também que este não é o tempo de falar em alterações constitucionais, numa altura em que a direita tem uma maioria de dois terços no Parlamento. Mário Mourão pede à classe política que se preocupe com os rendimentos baixos dos portugueses e que promova políticas para aumentar tanto o salário mínimo como o salário médio.
E a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia alerta para os casos de exaustão dos profissionais da PSP da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras.
Em causa estão os constrangimentos nos aeroportos nacionais, constrangimentos que têm levado a filas e atrasos. À Rádio Observador, o dirigente sindical da ASPP, Carlos Oliveira, descreve o cenário que estes profissionais têm enfrentado.
Foi implementado um novo sistema de segurança nos aeroportos, só que esse sistema foi implementado sem falar com a PSP. Polícias estão sem condições de trabalho nessas mesmas boxes. Polícias estão completamente exaustos, porque à sua frente veem milhares de passageiros e não conseguem dar solução. Os polícias muitas das vezes têm que prolongar o seu horário de trabalho para poder dar resposta. E temos polícias que, inclusivamente, perdem o seu direito à sua folga para poder trabalhar. Há falta de efetivos. Nós temos casos de polícias que já desmaiaram na box e já tiveram que ser assistidos pelo INEM.
Carlos Oliveira, dirigente da ASPP, com vários problemas que os agentes da PSP têm enfrentado nos aeroportos. O sindicato apela à resolução destes problemas e pede que essa resolução aconteça ainda antes do período das férias do verão.
12h08, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?
A Rússia acredita que o caminho para melhorar a relação entre Moscovo e Washington é um caminho complexo. É uma posição assumida pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, que diz que o regime de Vladimir Putin está aberto ao diálogo. Em entrevista a um jornal russo, o governante afirma, no entanto, que as conversações com os Estados Unidos da América não podem e não vão acontecer à custa das relações estratégicas de Moscovo com os parceiros dos BRICS e de outros países amigos. Em Portugal, a avaliação bancária na habitação subiu 16,9% em abril, face ao mesmo período do ano passado. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, atingiu, no mês de abril, o valor médio por metro quadrado €1866. Já quando comparado com março deste ano, o valor mediano da avaliação bancária na habitação aumentou €19, o que equivale a uma subida de 1%. Os dados divulgados hoje pelo INE revelam também que a subida homóloga mais expressiva registou-se na Região Autónoma da Madeira, um aumento de 22%. Prosseguem as buscas por duas crianças desaparecidas desde domingo, na praia de Pedrógão, em Leiria. De acordo com o comunicado à Autoridade Marítima Nacional, nas operações por mar estão envolvidos tripulantes da Estação Salvavidas da Nazaré, da Figueira da Foz e o navio da Marinha Portuguesa, Viana do Castelo. As buscas prosseguem. O alerta para o desaparecimento dos dois irmãos foi dado às 17h25 de domingo, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa.
Miguel Cordeiro e o Jornal do Meio-Dia.