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Está a começar o Jornal do Meio-Dia com a edição do Miguel Vilar. Miguel, o primeiro passo está dado, entrou em vigor o cessar-fogo acordado entre Israel e o Hamas.

Eram 10h00 em Lisboa, meio-dia na Faixa de Gaza. Está aqui conosco em estúdio Martim Madeira. Martim, as armas calaram-se, de facto?

Ao que tudo indica, Miguel, as tropas israelitas já se retiraram pra linha amarela estabelecida no acordo, abandonando assim as cidades da Faixa de Gaza. No entanto, o Al Jazeera reporta que antes do acordo de cessar-fogo, houve uma grande atividade de drones, caças e até navios de guerra israelitas desde as primeiras horas desta manhã. Indica também que houve uma série de ataques registrados pela manhã em locais onde as pessoas se reuniam para voltar para casa. Contudo, para além destas informações, não há mais indícios de qualquer conflito e já existem famílias palestinianas a regressar à cidade de Gaza, a partir da parte ocidental da área residencial, em direção às zonas principais de onde tinham sido deslocadas à força. Israel permanece, por agora, no estreito de Netzarim, onde o exército israelita operava durante a guerra e onde várias famílias aguardam neste momento para entrar e passar para a zona norte da Faixa. As Forças Armadas israelitas estão a retirar os últimos tanques do estreito. Por outro lado, Israel revela que vai permitir a entrada de 600 caminhões de ajuda humanitária em Gaza, todos os dias. Caminhões com alimentos, equipamento médico, material para abrigos, combustível e gás de cozinha vão entrar diariamente na região através das Nações Unidas e de outras organizações internacionais. O governo israelita informa também que os residentes de Gaza vão poder sair para o Egito através da passagem de Rafah, com o mesmo mecanismo utilizado no acordo de janeiro de 2025. A circulação está sujeita à aprovação israelita e sob a supervisão e inspeção da missão da União Europeia.

Estão dados os primeiros passos no âmbito do acordo de cessar-fogo alcançado por Israel e pelo Hamas. Para amanhã, é essa a previsão, devem ser libertados os reféns ainda na posse do movimento islâmico.

E a coincidir com o início do cessar-fogo no Médio Oriente, era anunciado em Oslo, na Noruega, o Prêmio Nobel da Paz. A distinguida é Maria Corina Machado.

A líder da oposição na Venezuela é considerada pelos membros do júri um extraordinário exemplo de coragem civil na América Latina.

"O Prêmio Nobel da Paz de 2025 vai para uma corajosa e comprometida defensora da paz, para uma mulher que mantém acesa a chama da democracia no meio de uma crescente escuridão. O Comitê Nobel norueguês decidiu conceder o Prêmio Nobel da Paz de 2025 a Maria Corina Machado. Ela recebe o Prêmio Nobel pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e pela luta para tentar alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia."

O porta-voz do Comitê Nobel da Paz, a distinção que é este ano atribuída a Maria Corina Machado. Vamos agora com a ajuda do João Costa Campos, ficar a conhecer um pouco melhor a líder da oposição na Venezuela ao regime de Nicolás Maduro.

"É uma certeza: a Venezuela vai ser livre". Foi o que disse Maria Corina Machado aos venezuelanos no dia da última eleição presidencial. Tem 58 anos, é de Caracas e vem de uma família conservadora e católica. Engenheira industrial de formação, além de professora. Corina Machado entrou formalmente na política venezuelana no ano 2000. Foi uma das fundadoras da organização Sumate, pela participação e transparência eleitoral na Venezuela, e desde lá, que alerta para as ameaças ao Estado de Direito. Já em 2009, pedia uma frente democrática unida contra as ameaças autoritárias vindas de Caracas. Com Nicolás Maduro no poder, foi obrigada a trabalhar muitas vezes na clandestinidade. E em janeiro deste ano, numa manifestação contra o presidente venezuelano, foi detida pelas forças do governo. Desde que foi libertada, poucas horas depois, nunca mais foi vista em público. Acaba de ser anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Corina Machado, trazida aqui à antena do Observador pela jornalista João Costa Campos, que recorda aqui alguns dos marcos do percurso da líder da oposição venezuelana agraciada com o Prêmio Nobel da Paz.

12:04, mergulhamos agora na campanha eleitoral autárquica. Os diferentes candidatos esgrimem os derradeiros argumentos neste que é o último dia da campanha.

Em Lisboa, por exemplo, apesar de confiante num bom resultado, Carlos Moedas modera as expectativas de Luís Montenegro. O presidente do PSD pediu uma maioria absoluta na capital, mas o candidato à Câmara continua a fugir a essa expressão. Esta manhã, numa ação de campanha em que esteve acompanhado pelo liberal João Cotrim Figueiredo, Carlos Moedas pediu apenas mais votos.

Eu peço aos lisboetas mais um voto pra ser presidente da Câmara, mas há uma coisa que os lisboetas têm que saber: obviamente, que eu tive condições de governabilidade muito difíceis e, portanto, quantos mais votos, melhor. Mas aquilo que pede Carlos Moedas, fico muito agradecido a você, ao primeiro-ministro e àqueles que acreditam que isso pode acontecer, mas pra mim é muito importante que os lisboetas saibam, aquilo que eu peço é mais um voto, é ganhar estas eleições.

Carlos Moedas, no arranque deste último dia de campanha, teve ao lado o candidato presidencial João Cotrim Figueiredo, antigo presidente da Iniciativa Liberal, partido que integra a coligação liderada por Moedas, sendo que Carlos Moedas apoia Luís Marques Mendes na corrida a Belém. Nada que impedisse a piscadela de olho de Cotrim Figueiredo.

Esses favores não se trocam, portanto, o Carlos tomará a sua decisão na solidão e anonimato da cabine de voto. Nunca mais saberá exatamente, só o próprio, em quem Carlos Moedas irá votar, mas percebe que por uma questão de lealdade política, não o possa fazer publicamente.

João Cotrim Figueiredo, candidato a presidencial ao lado do social-democrata Carlos Moedas.

E de Lisboa para Sintra, não passará. Pedro Passos Coelho esteve na mira de Ana Mendes Godinho e José Luís Carneiro.

O secretário-geral do PS e a candidata socialista à Câmara de Sintra criticam o aparecimento do ex-primeiro-ministro na campanha eleitoral. Uma memória de governação que o Conselho de Sintra não quer recuperar, é o que dizem José Luís Carneiro e também a candidata Ana Mendes Godinho. José Luís Carneiro acusa Pedro Passos Coelho de ter memória curta.

O mais fácil teria sido fazer aquilo que fizeram outros na troica, que agora aparecem já com desfaçatez, como se nos tivéssemos esquecido do que foi lançar uns contra os outros, velhos contra os novos, lançar os ricos contra os pobres, lançarem as pessoas na desesperança, em todo o contexto europeu e também no contexto nacional. Nós não nos esquecemos.

Também a candidata a Sintra nestas autárquicas, Ana Mendes Godinho, aproveitou para deixar um recado a Pedro Passos Coelho.

Não regressem. Aqui não passarão. Sintra não vai ser o palco de ensaio do regresso ou do sonho do Pedro Passos Coelho de se juntar à extrema-direita. Não é aqui que isso vai acontecer. O sonho aqui não se vai concretizar.

Ana Mendes Godinho, que reúne uma vasta comitiva socialista esta manhã em Queluz para o último dia de campanha eleitoral.

Avançamos para outro município da área metropolitana de Lisboa, Loures. Pelo Chega, Bruno Nunes é o candidato à Câmara Municipal e vai mostrando confiança numa vitória no dia 12.

Esta manhã, o Chega juntou alguns apoiantes e seguiu num minibus numa viagem por todas as freguesias do conselho. Antes de subir para o autocarro panorâmico, Bruno Nunes assumiu que tem a certeza que o Chega vai fazer até melhor do que já fez André Ventura neste conselho. As pessoas sabem que o PS é aquele único partido que pode combater esse extremismo e com ideias que muitas das vezes, e eu tenho sido muito ativo nessa matéria, porque, de facto, há situações onde eu tenho tirado esse espaço ao próprio Chega, porque tenho defendido que há direitos e deveres iguais para todos. Todos nós temos direitos, mas também temos deveres e obrigações. Isso tem sido tolerância zero no que respeita a essa matéria. Eu, acima de tudo, acho que a população de Loures é sábia. Rosas, bandeiras e música com banda filarmónica na rua de fecho de campanha de Ricardo Leão em Loures.

12h09, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?

O Conselho Superior do Ministério Público abriu um processo de averiguação ao inquérito de que foi alvo o juiz Ivo Rosa. O agora magistrado do Tribunal da Relação foi investigado durante três anos, de 2021 a 2024, no âmbito de uma denúncia anónima que apontava para a prática do crime de corrupção. De acordo com a notícia avançada pela CNN, os procuradores tiveram acesso a faturação, localização do telemóvel e contas bancárias do juiz. O inquérito acabou por ser arquivado. O presidente da República tinha pedido há uns dias uma reflexão interna dos agentes de justiça face às dúvidas suscitadas por este caso. O Conselho Superior do Ministério Público abriu agora uma averiguação.