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Jornal do Meio-Dia. Está a começar o Jornal do Meio-Dia, com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, Paulo Rangel afasta um cenário de remodelações no governo, mas avisa que se acontecerem mudanças, vão ter de ser amplamente respeitadas.

Com a continuidade de Luís Neves no governo como tema, Paulo Rangel apela à tranquilidade. O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que as polêmicas estão, nesta altura, esclarecidas e lembra também que Luís Montenegro tem acesso a informações que outros elementos do governo não têm e, por isso, avisa que qualquer decisão do primeiro-ministro deve ser respeitada.

Ninguém tem o acesso à informação e a visão que tem o primeiro-ministro. E depois também não tem, porventura, os carismas que o próprio tem e que justificam a razão de ser líder de um partido político e do partido político majoritário, e com isso primeiro-ministro. Neste momento, todas as coisas estão esclarecidas, estão a seguir o curso normal e nada mais há a dizer sobre isso. Se um dia o primeiro-ministro quiser fazer uma remodelação, que às tantas afeta outras pastas e não essa, isso só está no seu juízo e tem que ser amplamente respeitado. Portanto, vivamos os tempos normais com normalidade e sem sobressalto.

Perante o coro de críticas, o ministro dos Negócios Estrangeiros ataca a oposição, recorda os trabalhos de José Luís Carneiro e de Eduardo Cabrita na administração interna, para dizer que os socialistas têm telhados de vidro.

No caso do Partido Socialista e do seu líder, José Luís Carneiro, ele não foi capaz, como ministro da Administração Interna, de percepcionar a questão das migrações, que é uma questão fundamental. Falhou aí e colaborou ativamente com o desmantelamento do SEF, cujo preço, o preço dessa decisão dos governos socialistas, corporizada por Cabrita, que vem falar e a quem se dá hoje um crédito que não sei que fundamento tem. Quer dizer, como é que hoje pode ser uma das vozes credíveis a falar sobre os assuntos da defesa e da administração interna, uma pessoa cuja prestação nessa pasta foi verdadeiramente negativa?

Declarações de Paulo Rangel esta manhã na Rádio Observador, em defesa de Luís Neves e de Luís Montenegro.

E nesta entrevista ao Observador, o ministro dos Negócios Estrangeiros também falou sobre a situação em Ceuta.

E recusou deixar críticas à forma como o governo de Pedro Sánchez geriu a crise migratória no enclave espanhol, deixando os elogios à forma como as autoridades de Madrid e de Marrocos se mostraram sempre disponíveis para esclarecer a situação em Ceuta.

Nós estivemos em contactos sistemáticos com Espanha desde o primeiro momento, aí com uma colaboração do meu homólogo espanhol extremamente exemplar. Foi exemplar, foi extremamente positiva. Damos uma visão em tempo real de como as coisas estavam a evoluir, mas também com Marrocos. Eu falei com o meu homólogo marroquino mais de uma vez durante essa manhã, em alguns casos por mensagem, porque não era preciso sequer um telefonema para determinado tipo de dados e, ao mesmo tempo, depois disso, também trocamos já várias impressões.

Nesta entrevista, o ministro falou ainda sobre a ligação à Rússia, disse que Portugal não olha para a Rússia como um inimigo, apesar das ações do governo de Putin. Rangel sublinha que nesta altura é importante Moscovo e Kiev sentarem-se à mesa das negociações.

E o Chega não vai retirar o projeto de lei sobre a identidade de gênero, mesmo depois do apelo das Nações Unidas.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos enviou uma carta ao presidente da Assembleia da República. Em causa, projetos de lei do PSD, Chega e CDS que se encontram em discussão na especialidade, que foram aprovados em março e que preveem a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e de gênero no registro civil. De acordo com o jornal Público, Volker Türk considera que os projetos de lei como este podem ter impacto negativo no exercício de vários direitos humanos consagrados em tratados retificados por Portugal. O alto comissário pede, por isso, aos deputados que retirem estes projetos ou que os revejam para assegurar a conformidade com as normas e padrões internacionais de direitos humanos. André Ventura responde, diz que o partido não vai retirar o projeto de lei. Na rede social X, o líder do Chega defende que o diploma apresentado pelo partido é absolutamente razoável por considerar inaceitável e injustificável que seja permitido a uma criança mudar de sexo. Em causa estão esses projetos de lei do PSD, CDS e Chega, que foram aprovados em março.

E o Bloco de Esquerda desafia o PSD a retirar o projeto de lei sobre identidade de gênero.

Em reação também a essa carta do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Fabien Figueiredo pede que o PSD ponha a mão na consciência e que abandone a agenda da extrema-direita.

O PSD tem que pôr a mão na consciência e decidir se quer arrastar Portugal para o vexame internacional e passar a fazer parte dos países que recuam em matéria de direitos humanos. Por isso, o PSD deve pôr a mão na consciência, abandonar a agenda do Chega, que tem copiado, e legislar com base na ciência, em vez de ir atrás

Das guerras culturais de extrema-direita.

Posição do Bloco de Esquerda depois dessa carta da ONU enviada a José Pedro Aguiar Branco.

E o deputado Miguel Costa Matos garante que o movimento que acaba de formar, o Instituto Progresso, não é um projeto de esquerda, nem pretende criar divisões internas no PS.

Fala de um projeto extrapartidário para pensar o país a médio e longo prazo, e não para discutir as propostas do dia a dia. Costa Matos diz que isso compete aos partidos. Declarações esta manhã aqui na Rádio Observador. Apesar deste ser um projeto dominado por socialistas e elementos dos gabinetes dos governos de António Costa, o movimento tem como subscritores à direita Duarte Pacheco e Adão e Silva, do PSD, e até o próprio presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais. Costa Matos utiliza esses trunfos para explicar que não se trata de um projeto afeto apenas a um espectro político.

Sentimos a necessidade de criar um espaço extrapartidos, que não é da esquerda, que vai desde o centro-direita até à esquerda, de todas as pessoas que partilham dos valores da democracia, do Estado social, de um Estado que ao invés de sair da frente, tem que ser ágil, inteligente e dar a mão à sociedade para poder ajudar ao desenvolvimento do país. Nós achamos que é preciso arranjar novas respostas. Não nos podemos limitar apenas a defender as coisas que foram feitas ao longo destes 50 anos.

Deputado do PS explica também que a primeira conferência deste Instituto Progresso vai ser sobre a inteligência artificial e o futuro da economia.

Desporto agora no Jornal do Meio-Dia, com uma notícia de última hora. Já é oficial: Palhinha vai reforçar o plantel do Benfica.

Acaba de ser comunicado pela SAD encarnada, comunicado enviado à CMVM. O Sport Lisboa e Benfica informa que chegou a acordo com o Bayern Munique para a aquisição, na totalidade, dos direitos do jogador João Palhinha, por um montante de € 14 milhões, ao qual pode acrescentar um valor máximo de € 5 milhões, pago em função de objetivos já pré-definidos. A Benfica SAD celebra este contrato com João Palhinha até 30 de junho de 2030, com uma cláusula de rescisão no valor de € 50 milhões. Este é o comunicado do Benfica nas redes sociais. A equipe encarnada também já partilhou uma imagem de João Palhinha equipado com a camisola encarnada. Confirma-se assim mais um reforço para a equipe treinada por Marco Silva e depois de semanas de negociações e de impasse, João Palhinha regressa a Portugal, agora para representar o Sport Lisboa e a Benfica. Confirma-se o negócio por € 14 milhões, mais cinco por objetivos.

Meio-dia e nove, seguimos com um caso que está a gerar muitas dúvidas. O diretor da CIA terá feito uma visita a Moscovo.

Uma visita relâmpago, inesperada, à capital russa no dia de ontem. A viagem não foi confirmada oficialmente, mas vários jornais norte-americanos e russos têm revelado detalhes sobre esta visita, que está em volta em secretismo. Conosco em estúdio está o jornalista do Observador, Martim Madeira. Martim, que detalhes sabemos sobre esta viagem do diretor da CIA a Moscovo?

O Washington Post explica que a primeira indicação de que John Ratcliffe terá ido a Moscovo verificou-se na plataforma de aviação FlightRadar na tarde de domingo. Um avião de transporte militar partiu da base aérea de Andrews, em Washington, com destino a Riga, a capital da Letónia, onde ficou durante cerca de 24 horas. Depois, na terça-feira de manhã, o mesmo avião partiu para Moscovo com o diretor da CIA a bordo, onde aterrou por volta das 9h locais. Horas depois desse avião parte de Moscovo, aterra em Riga, onde já estava um segundo avião dos Estados Unidos, de transporte de altas figuras do Estado norte-americano, e terá sido nesse segundo avião que John Ratcliffe, diretor da CIA, regressa a Washington. Para além destas informações dos aviões, vários canais de Telegram russos publicaram vídeos de vários carros com matrículas diplomáticas nas ruas de Moscovo e, ao mesmo tempo, o portal norte-americano Axios noticiou que os Estados Unidos fizeram um pedido à Ucrânia para suspender os ataques no território russo. Isto porque tinham um corpo diplomático de alto nível na capital da Federação Russa. Os Estados Unidos não comentaram estas alegações. No entanto, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, foi questionado pelo Washington Post e revelou que houve uma visita para estabelecer contactos entre serviços de segurança.

A última visita oficial à capital russa tinha sido em 2021. O Wall Street Journal escreve que uma das razões para Ratcliffe estar em Moscovo é porque os Estados Unidos da América descobriram informações de que a Rússia tem planos para testar a NATO com ataques a países aliados nos próximos anos. Há ainda detalhes por apurar sobre esta visita, que terá acontecido durante o dia de ontem.

E que fecha o Jornal do Meio-Dia.