Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Observador e meio-dia. Está a começar o Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador, com edição do Miguel Cordeiro. Miguel, os combustíveis voltam a subir na próxima semana e pode ser um dos maiores aumentos de sempre.

Espera-se uma subida na ordem dos €0,15 por litro no gasóleo e para a gasolina, um aumento entre os €0,10 e os €0,12. Esta estimativa é transmitida pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis à Rádio Observador. A vice-presidente Mafalda Trigo explica que estes valores ainda são provisórios, só ficam fechados hoje à tarde.

Neste momento, as previsões são de um aumento de €0,15 no gasóleo e de €0,10 na gasolina. Estes valores ainda são provisórios. Hoje ao início da tarde já devemos ter preços finais, já com as correções que são esperadas pela parte do governo, portanto, que irá de alguma forma reduzir um bocado esta subida.

A Vice-Presidente da ANAREC, Mafalda Trigo, em declarações à Rádio Observador. Na próxima semana, tanto o litro de gasóleo como o litro de gasolina vão ultrapassar os €2 por litro, já ultrapassaram em vários pontos do país. E isto acontece numa altura em que o barril Brent, referência pra Europa, ultrapassa os $95 perante a escalada do conflito entre os Estados Unidos da América e o Irão. Neste jornal recebemos o especialista em mercados financeiros, Ricardo Marques, especialista na área da energia. Ricardo, bom dia. O que explica esta subida tão drástica nos combustíveis nesta semana?

A subida explica-se não só pela subida do preço do petróleo, que toda a gente tem vindo a acompanhar, mas pela subida da margem de refinação do gasóleo. Ou seja, nesta altura temos o gasóleo no mercado internacional a negociar acima de $80 por barril, acima do Brent, uma subida de mais de $10 face à semana passada.

Olhando para os mercados, e nós sabemos que as avaliações são feitas semana a semana e que a própria subida para a próxima semana ainda não está fechada 100%, o dia de hoje ainda está a contar, mas o que é que nos dizem os mercados para o futuro, para as próximas semanas? Que indicadores nos vão dando quanto a esta tendência? Porque estamos há semanas e semanas, já se perdeu a conta, numa subida constante no preço dos combustíveis.

Sim, pronto, e esta subida não é só em Portugal, não é só na Europa. Ainda ontem o preço do diesel nos Estados Unido atingiu o valor mais alto de sempre. Estamos a falar de uma situação internacional em que mais do que a escassez de petróleo, é a escassez de produto refinado. Sendo que a situação na Rússia, com a grande maioria das refinarias paradas e a terem que importar em vez de exportar produtos, está a influenciar bastante e é uma situação que não terá rápida resolução.

Quando diz não terá rápida resolução, vamos continuar a onda de aumentos ou vamos continuar nestes valores?

Eu penso que podemos continuar nesses valores. Se o petróleo baixar, poderemos ter alguma descida. Mas penso também para novos aumentos seriamos que ver mais refinaria russas atacadas, ou seja, um agravamento da situação que já de si tá complicada. Agora, preços muito mais baixos, tenho dúvidas pros próximos tempos.

O setor da energia é fundamental pra economia. É assim em todos os países e os combustíveis fósseis são parte importante desse setor da energia. Que peso está a ter tudo isso na inflação? As notícias mais recentes apontam para um acelerar da inflação, não só em Portugal, también na União Europeia, acontece em diferentes países, mas esta carga dos combustíveis fósseis é muito pesada também para a economia e para a inflação.

É exatamente. Vimos os valores da inflação da zona euro em agosto e houve uma subida significativa para 3,3% da inflação anual. E se formos ver a inflação anual retirando a energia e alimentação, a inflação até baixou face a julho. Portanto, o problema principal está realmente na energia.

Há países que já discutem esta questão, a possibilidade de racionamento de combustíveis. Dada a dimensão que aqui estamos a ver, a escassez também de produto refinado, como já fazia referência, isso pode ser algo que se comece a discutir a nível europeu, por exemplo, em breve?

Sinceramente, tenho dúvidas que se discuta a nível europeu o racionamento. Agora, esse racionamento já está a acontecer, nomeadamente nalguns paísesjá há bastante tempo, porque uma boa parte da capacidade de rafinação, quer na China, quer na Rússia, quer no Médio Oriente, nesta altura está parada.

Olhando para os mercados financeiros, que peso é que está a ter também esta subida dos combustíveis? Há empresas certamente a cotar mais em bolsa e outras a descer por causa deste aumento dos combustíveis. O que nous pode traçar nesse aspecto?

À partida, as empresas do setor da energia têm beneficiado com esta situação Em termos económicos, o que se olha mais é exatamente para o efeito da inflação e de poder contribuir para a subida das taxas de juro por parte dos bancos centrais. Sendo quase certo que para a semana o BCE vai subir a taxa de referência em 25 pontos base.

É uma reunião importante já na próxima semana. Tem-se antecipado essa subida das taxas de juros. Ricardo, é também algo que devemos esperar já na próxima quinta-feira?

Eu penso que sim. Acho que muito dificilmente não teremos essa subida.

Ricardo Marques, especialista em mercados financeiros, muito obrigado por esta presença no "Jornal do Meio-Dia". Uma análise, também algumas explicações para este aumento de €0,15 no gasóleo em Portugal, cerca de €0,10 para a gasolina, um aumento que se vai registar já na próxima segunda-feira.

E a antiga ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, considera que as polémicas em torno do ministro da Administração Interna podem colocar em causa o regular funcionamento das instituições e admite que seria desejável que Luís Neves saísse do governo pelo próprio pé.

Esteve no explicador da Rádio Observador esta manhã. A Paula Teixeira da Cruz recorda a demissão de Miguel Macedo, que mais tarde foi absolvido, para dizer que não se pode arrastar uma situação de dúvida e considera que é nesse tipo de situação que está nesta altura Luís Neves. Portanto, Paulo Teixeira da Cruz, antiga Ministra da Justiça, refere que seria desejável que fosse Luís Neves a tomar uma decisão.

Seria um passo na direção da resolução. É óbvio que uma atitude do próprio seria o desejável. É evidente que esta situação já gerou consequências que vão além do próprio titular do cargo. Nós já temos ou vamos ter um inquérito, melhor dizendo, depende do aperfeiçoamento do requerimento para o efeito e dos termos em que é feito. Aparentemente, vamos ter uma comissão de inquérito e já temos uma moção de censura. Isto já atingiu um patamar em que as instituições estão em crise.

Na Rádio Observador, também escutámos hoje Adalberto Campos Fernandes, conselheiro próximo do Presidente da República, que já alertou para o irregular funcionamento das instituições. Antigo dirigente do PSD diz que, a prazo, o cenário pode ser mesmo esse. Também o advogado Rogério Alves diz que os indícios criminais atribuídos a Luís Neves nesta investigação colocam em causa o exercício da função de ministro. Paula Teixeira da Cruz e Rogério Alves estiveram esta manhã no Explicador da Rádio Observador.

Meio-dia e nove, Miguel, que outras notícias marcam a atualidade desta sexta-feira?

A Comissão para elaborar o relatório destinado a instruir o processo de criação do município de Fátima já foi publicada. Essa comissão é em Diário da República. Da equipa fazem parte cinco representantes, um de cada entidade: Direcção-Geral das Autarquias Locais, Inspeção-Geral das Finanças, Direção-Geral do Território, Câmara Municipal de Ourém e Junta de Freguesia de Fátima. O projeto lei tem como objetivo a criação do município de Fátima, ou seja, pede desanexação territorial do município de Ourém, no distrito de Santarém. O transporte fluvial de veículos entre Trafaria, Porto Brandão e Belém está interrompido. A Transtejo Soflusa informa que esta paragem deve-se a uma ocorrência sofrida na noite desta quinta-feira. De acordo com a empresa, uma embarcação, aparentemente, sofreu uma avaria numa das máquinas e consequentemente embateu no pontão da estação fluvial da Trafaria. O barco transportava 27 passageiros e duas viaturas nesse momento. Da ocorrência resultaram dois feridos ligeiros, ambos tripulantes da embarcação, e também danos numa das viaturas a ser transportada nessa altura.

Miguel Cordeiro e o Jornal do Meio-Dia.