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Está a começar o Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador, com a edição do Miguel Vidara. Miguel, mais otimista, o Banco de Portugal prevê um crescimento da economia portuguesa de 2,3% este ano, mais 0,5 pontos percentuais face à estimativa de junho.
Em linha com as projeções do governo inscritas no orçamento do Estado em execução, apesar de o próprio governo já ter admitido que o crescimento do PIB pode ficar ligeiramente abaixo desta estimativa, na casa dos 2,2% ou 2,1%. A revisão em alta do Banco de Portugal é justificada, por exemplo, por um desempenho mais positivo das exportações, das medidas orçamentais e pelo contributo dos fundos do plano de recuperação e resiliência. Em relação ao próximo ano, o regulador do setor bancário também está mais otimista, antecipa um crescimento da economia de 1,8%, mais 0,2 pontos percentuais em relação àquilo que previa em junho.
Mais crescimento econômico, a mesma taxa de inflação.
O Banco de Portugal continua a apontar para uma subida generalizada de preços de 3,1% este ano, 2,4% no próximo e 2% em 2028. Números detalhados numa conferência de imprensa do governador Álvaro Santos Pereira, que ainda decorre a esta hora. O governador do Banco de Portugal já disse, por exemplo, durante esta conferência de imprensa, que é possível que Portugal termine este ano e também o próximo com um ligeiro excedente orçamental.
E no dia em que é divulgado este boletim econômico do Banco de Portugal, o antigo governador, Mário Centeno, vem acusar o governo de ter acabado com a almofada orçamental deixada pelo executivo de António Costa.
Num artigo de opinião no jornal público, Mário Centeno sublinha que o excedente de 1,2% do PIB deixado pelo então governo socialista foi dissipado em três anos. Fala num desgoverno da AD, compara o atual executivo liderado por Luís Montenegro ao governo de José Sócrates. Escreve que, tal como em 2009, as taxas de juros estão a subir e, à semelhança do que então aconteceu, também este governo decidiu aumentar várias carreiras da administração pública.
E o primeiro-ministro garante que não foram firmados mais acordos com o Chega, para lá do entendimento em torno da nova lei das rendas.
Esclarecimento de Luís Montenegro, depois do porta-voz do PS, André Moz Caldas, ter afirmado ontem à noite, no final da reunião do Secretariado Nacional do Partido Socialista, que os portugueses e também o PS merecem saber se existem mais acordos com o partido liderado por André Ventura. O chefe do governo acusa o PS de querer assustar o país e assegura que não, não existem outros acordos.
Parece que querem agora assustar o país. Não, o governo estabeleceu por escrito, é verdade, os princípios de entendimento pra haver a viabilização de uma iniciativa legislativa. Muitas vezes fazemo-lo de forma verbal, como o Partido Socialista bem sabe. Outras vezes fazemo-lo acertando três ou quatro pontos que, do ponto de vista das partes, devem ser salvaguardados. Querer criar um caso, quantos mais acordos há, nem há mais, nem há menos. Há um governo que governa.
Declarações do primeiro-ministro em Split, na Croácia, momentos antes do arranque da Cimeira dos países do Sul da Europa. Luís Montenegro diz também que espera um Partido Socialista disponível para reformar o país, à semelhança do apelo feito por António José Seguro, o presidente da República, durante a cerimônia oficial do 5 de Outubro.
E nestas declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro assinalou também os três anos dos ataques do Hamas a Israel, que fizeram perto de 1200 mortos.
Luís Montenegro lamenta e sugere que é preciso refletir sobre a capacidade da comunidade internacional de promover uma solução de paz duradoura para a região do Médio Oriente.
A União Europeia tem sido muito insistente e persistente também na sua intervenção, no sentido de conduzir toda essa situação para uma resolução rápida, diplomática. Agora, são três anos que merecem uma reflexão também profunda de todos nós sobre o detonador desta crise, que foi o ataque perpetrado pelo Hamas e que nós condenamos veementemente, mas ao mesmo tempo reconhecer que, do ponto de vista global, a comunidade internacional tem sido incapaz de acelerar a estabilização da região.
Conclusão de Luís Montenegro neste dia em que se assinalam os três anos desse ataque, que fez pelo menos 1200 mortos.
E o presidente do Conselho Europeu fala numa data inesquecível. António Costa diz que nada justifica o terror vivido naquele dia.
Acrescenta o presidente do Conselho Europeu que a única solução viável para uma paz duradoura é a solução de dois Estados. Reforça que a União Europeia vai sempre defender o direito de Israel existir em paz e segurança. Foi também análise esta manhã aqui na antena do Observador, o historiador Bruno Cardoso Reis considera que a solução para o enclave de Gaza pode passar por uma dupla administração, apesar da população palestiniana viver hoje sob controle do Hamas.
A população palestiniana, tudo indica que continua a estar sujeita a este regime também de terror, de controle violento por parte do Hamas, embora haja este esforço no sentido de criar uma administração civil tecnocrática e o próprio Hamas tenha dito que estaria disposto a desarmar-se. Portanto, quando muito, haverá uma espécie de dupla administração, uma administração civil mais tecnocrática, que para já tem conseguido fazer pouco, e depois, na prática, muitos sinais de que o Hamas continua, de facto, a conseguir controlar pelo menos uma parte da população palestiniana.
O futuro de Gaza foi também análise no gabinete de guerra desta manhã da Rádio Observador, contou com a análise do historiador Bruno Cardoso Reis.
Em França, o Ministério da Educação afirma que a mobilização dos estudantes está em forte declínio.
Sim, é isso mesmo que dá conta o ministro com a pasta da Educação Esta manhã, ainda assim, vários estudantes bloquearam a entrada de uma universidade em Paris, a capital. O ministério garante que nove em cada 10 escolas de ensino secundário estão a funcionar normalmente, de portas abertas. Foi isso que revelou o ministro da Educação. Há menos estabelecimentos de ensino encerrados e há cada vez mais alunos a regressar à escola.
Apesar do declínio apontado pelo governo francês, há novas manifestações já marcadas e até na rua.
Sim, vários sindicatos convocaram uma greve e manifestações para amanhã, de apoio ao movimento estudantil. A secretária-geral do principal sindicato de professores em França diz que estão reunidas, que este protesto vai reunir cinco organizações. Protestos que já receberam a atenção do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que na rede social X afirma que as vozes dos estudantes são preciosas, devem ser ouvidas. E depois de um dia de confrontos violentos entre manifestantes e polícia, hoje, Miguel Viterbo Dias, em direto aqui de Estrasburgo, tudo bem mais calmo.
Até ver, um dia perfeitamente normal em Estrasburgo, depois das manifestações de ontem junto às zonas das escolas e das universidades. Hoje, a percorrer estas ruas, um dia normal nesta cidade, tendo em conta que as mobilizações estão também a ser feitas só para o dia de amanhã. Ontem, ao final da tarde, quando as manifestações desmobilizaram, eram dezenas de carrinhas da Polícia Nacional Francesa a deixar aqui este local. Hoje, essa presença policial é praticamente inexistente. Vimos um par de polícias a fazer o percurso normal pelas ruas, mas sem nada a apontar. E também não há sinais dos protestos de ontem, que acabaram até por gerar confrontos com a polícia. Ontem também, ao final do dia, ainda era algo intenso o cheiro a fumo e a queimado. Hoje já não há vestígios desse dia agitado na cidade de ontem. Ainda assim, há alguma expectativa também por parte das autoridades naquilo que é dado a conhecer por parte da imprensa francesa, tendo em conta que podem surgir protestos inorgânicos, mas do ponto de vista mais formal, a mobilização está a ser feita novamente para o dia de amanhã.
O relato do jornalista do Observador, Miguel Viterbo Dias, que está por estes dias em Estrasburgo e aqui a dar-nos conta de uma manhã bem mais calma depois dos violentos confrontos que ocorreram ontem em Estrasburgo e noutras cidades francesas.
E já são conhecidos os vencedores do Prêmio Nobel da Química deste ano. O prêmio vai para o francês Henri Kagan e o japonês Kenzo Tsui.
Os dois são responsáveis pela resolução de um mistério com mais de um século, uma descoberta que ajuda os químicos a fabricar moléculas que existem em duas versões, espelho uma da outra. Henri Kagan, cientista francês, é o responsável pela descoberta de uma nova forma de manipular as reações químicas. É isso que explica o Comitê do Nobel. Já o nipónico Kenzo Tsui é o responsável pelo desenvolvimento da primeira reação química em que apenas se formou uma das possíveis imagens espelho de uma molécula. O Comitê Nobel destaca o caráter revolucionário desta descoberta, importante para o fabrico de medicamentos, aromatizantes e perfumes. Amanhã é atribuído o Nobel da Literatura e há dois portugueses na corrida: Gonçalo M. Tavares, com a obra "O Fim dos Estados Unidos da América", e Lídia Jorge, autora de "A Costa dos Murmúrios".
É o ponto final do Jornal do Meio-Dia.