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Para a uma hora. Este é o Jornal da Uma, com edição do Miguel Cordeiro. Miguel, começamos com essa notícia da última hora: o antigo presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, foi condenado a pagar uma multa de €10 mil pelo beijo não consentido à jogadora Jenni Hermoso nas celebrações da conquista do Mundial de Futebol Feminino em 2023.

Uma notícia divulgada nos últimos minutos. A condenação foi anunciada pelo Tribunal Superior de Justiça espanhol, com Luis Rubiales a ficar também proibido de se aproximar de Hermoso num raio de 200m e de comunicar com a atleta por um ano. Luis Rubiales foi absolvido pela Justiça espanhola dos crimes de agressão sexual e coação, crimes pelos quais o Ministério Público pedia uma pena de dois anos e seis meses para o antigo dirigente.

E em Portugal, o processo da morte de Odair Muniz vai seguir diretamente para o julgamento.

A defesa do arguido, neste caso o arguido, o PSP acusado de balear mortalmente o cidadão cabo-verdiano. A defesa não requereu a instrução, uma fase que é facultativa. O julgamento deve decorrer no Tribunal de Sintra. O Ministério Público acusa o agente da PSP de crime de homicídio. Odair Muniz foi atingido por dois tiros no bairro da Cova da Moura, no Conselho da Amadora. A Rádio Observador escutou um advogado especialista em Direito Penal, que explica que a defesa do agente da PSP acusado de balear mortalmente Odair Muniz poderá prescindir da fase de instrução, uma vez que a legítima defesa em excesso só pode ser considerada pelo tribunal já na fase de julgamento. Carlos Melo Alves diz que a legítima defesa pode levar o tribunal a decidir por uma pena atenuada ou até pena suspensa. O processo relativo à morte de Odair Muniz vai seguir diretamente para julgamento e este especialista em Direito Penal explica que esta decisão, por parte da defesa do agente da PSP, pode ser estratégica.

Quando foi chamado pelo Ministério Público para prestar declarações, entendeu, no exercício de um direito, optar pelo silêncio. E para haver legítima defesa, é indispensável que o arguido apresente uma versão dizendo: "Eu agi assim porque estava me a defender". Tem que haver aqui, o que chamamos nós juristas, um ânimo de defesa. Ele tem que demonstrar que tinha uma intenção de se defender. E para isso tem que, em audiência de julgamento, prestar declarações.

Declarações de Carlos Melo Alves, advogado especialista em Direito Penal. Perante essa situação, do caso seguir diretamente para julgamento, o processo da morte de Odair Muniz.

E Portugal tem o pior resultado entre os países da OCDE em relação à saúde mental.

Estudo divulgado esta manhã envolveu mais de 12 mil pessoas e 91 centros de saúde em Portugal. O valor final aponta que 67% dos utentes avaliaram-se positivamente a nível de saúde mental, mas esse resultado é o pior dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

E esse estudo da OCDE também revela, Miguel, que mais de 50% das pessoas em Portugal confiam no sistema de saúde, mas os rendimentos ainda influenciam o acesso aos cuidados.

É uma das conclusões deste estudo da OCDE, que foi divulgado esta manhã. Há vários indicadores positivos. Por exemplo, 54% das pessoas em Portugal dizem que confiam no sistema de saúde e o subdiretor geral da Direção-Geral de Saúde, André Peralta Santos, diz à Rádio Observador que é preciso aumentar esta percentagem.

Nós temos necessariamente de querer aumentar esta percentagem de pessoas que confiam no sistema de saúde, porque se não houver confiança, as pessoas não se vacinam, não aderem às alterações nos seus estilos de vida, não cumprem a medicação que lhe é prescrita e, no fundo, estamos a prestar cuidados que depois não são feitos pelas pessoas. Mas o mais importante é nós, daqui a alguns anos, voltarmos a perguntar às pessoas se confiam ou não e perceber, em Portugal, se esta confiança está a aumentar ou está a diminuir.

Há outros fatores também a ter atenção neste estudo, entre eles a influência do rendimento no acesso aos cuidados de saúde. Sessenta e quatro por cento dos utentes com rendimentos mais elevados confiam no sistema e apenas 48% das pessoas com valores mais baixos expressam essa confiança. André Peralta Santos, da Direção-Geral de Saúde, admite que é necessário dar mais atenção às camadas mais vulneráveis.

E a Rússia diz que é inaceitável o possível envio de tropas da NATO para a Ucrânia.

A Aliança Militar quer enviar os exércitos dos países aliados para a Ucrânia com o objetivo de assegurar um cumprimento de um possível cessar-fogo, portanto, enviar tropas depois de alcançado esse cessar-fogo. O porta-voz do Kremlin afirma que essa ideia não vai funcionar, uma vez que teria impacto direto na própria segurança da Rússia. Citado pela agência TASS, Dmitry Peskov critica também a Ucrânia por ser, na sua opinião, um país com propensão para desperdiçar os fundos que são enviados pelo Ocidente.

E o antigo porta-voz do PS, Vitalino Canas, e o ex-deputado do PSD, Duarte Pacheco, consideram que a discussão sobre o envio de tropas europeias para a Ucrânia não faz sentido.

O tema esteve em debate esta manhã, depois de alguns países já terem anunciado a intenção de enviar tropas europeias para a Ucrânia, ao abrigo de um eventual cessar-fogo. Vitalino Canas, antigo porta-voz do PS, lembra que a situação na Ucrânia continua incerta e alerta para os perigos de reações descoordenadas de países europeus.

Aquilo que está a suceder é haver aqui um conjunto de reações um pouco descoordenadas, um pouco desarticuladas, e às vezes sem se perceber bem qual é que vai ser o contexto em que elas podem verificar-se, designadamente esta ideia de enviar tropas para a Ucrânia, já manifestada por vários países, designadamente o Reino Unido e a França.

Mas em que contexto? Se ainda agora começaram negociações de paz, se não se sabe quais vão ser os parceiros chamados a essas negociações. Portanto, o contexto em que isso pode verificar-se está longe de estar esclarecido.

Posição de Vitalino Canas esta manhã na Rádio Observador. Já pelo PSD, Duarte Pacheco considera que é impossível esse envio de tropas. Diz mesmo que seria importante, antes de tudo, perceber que papel é que iriam desempenhar essas tropas, mas, na verdade, Duarte Pacheco refere que os russos nunca iriam aceitar esse cenário. Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, já veio afastar a hipótese de Portugal enviar tropas para a Ucrânia. O ministro fala numa questão extemporânea.

E o presidente de Israel pede perdão por não ter conseguido proteger os reféns mortos em Gaza, que foram entregues esta manhã pelo Hamas.

Corpos de quatro pessoas que morreram durante o cativeiro. Duas crianças, a mãe e também um idoso com mais de 80 anos. Numa publicação na rede social X, Isaac Herzog, presidente de Israel, fala em dor e agonia, pede perdão em nome do Estado de Israel. Estes cadáveres foram entregues à Cruz Vermelha pelo Hamas, foram transportados para território israelita. Vai ser verificada formalmente a identidade destas pessoas. Também na rede social X, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu tinha dito ontem que se trata de um dia muito difícil para Israel. O Hamas acusa Netanyahu de ser o responsável pela morte destas pessoas. No próximo sábado, deve acontecer a libertação de mais seis pessoas, neste caso, com vida, uma ação que faz parte do acordo de cessar-fogo alcançado entre as duas partes.

Uma hora e sete minutos, Miguel, que outras notícias estão a marcar esta quinta-feira?

António Costa e Ursula von der Leyen vão a Kiev no dia em que se assinalam três anos da invasão russa para apoiar Zelensky. O anúncio é feito pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa publicação na rede social X. O objetivo da visita é reafirmar o apoio da União Europeia à Ucrânia, mas António Costa vai mais longe. Diz mesmo que a visita serve para dar apoio ao presidente ucraniano democraticamente eleito, neste que parece ser um recado para Donald Trump, o presidente norte-americano, que tem colocado em causa a legitimidade do presidente Zelensky, que pede eleições na Ucrânia antes de o acordo de paz a assinar com Moscovo. O Papa Francisco continua com quadro clínico complexo, mas passou mais uma noite tranquila. Acordou e tomou o pequeno-almoço estando estável. É a mais recente informação divulgada pelo Vaticano sobre o estado de saúde do Papa. O líder da Igreja Católica continua internado no hospital com uma pneumonia.

É o ponto final no Jornal da Uma, que teve edição do Miguel Cordeiro.