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Bem faz. Jornal da Uma, na Rádio Observador, com edição do João Gama. João António Costa e outros antigos ministros do governo de António Guterres acusam Carlos Moedas de ter dito falsidades sobre Jorge Coelho.

Isto depois da entrevista à SIC, o presidente da Câmara de Lisboa ter sido confrontado com o exemplo de Jorge Coelho, que se demitiu depois da queda da Ponte de Entre-os-Rios, no Rio Douro. 59 pessoas morreram em 2001. Carlos Moedas recusou qualquer comparação e disse que o gabinete de Jorge Coelho tinha recebido informações que apontavam para a fragilidade da ponte ainda antes do acidente. Agora, numa nota enviada à Agência Luz, antigos colegas de governo de Jorge Coelho, como António Costa, partilham a sua indignação com as declarações de Carlos Moedas. Acusam o presidente da Câmara de Lisboa de partilhar falsidades sobre a queda da Ponte de Entre-os-Rios, além do atual presidente do Conselho Europeu. Assinam esta nota Augusto Santos Silva, Eduardo Ferro Rodrigues e Luís Capoulas Santos.

Ainda assim, o PS não vai votar a favor da moção de censura a Carlos Moedas e assim a moção tem o chumbo garantido.

A informação que foi avançada pelo jornal Público e confirmada pelo Observador, a líder da bancada socialista na Assembleia Municipal revela que o sentido de voto do PS será, à partida, a abstenção, até porque os socialistas querem, neste momento, apurar os factos e restabelecer a confiança dos lisboetas nos equipamentos municipais. Assim, Carla Madeira explica ao Observador que não tem dados para viabilizar nem uma moção de censura, nem uma moção de confiança e assim a moção, a que vai ser anunciada pelo deputado municipal do CHEGA, Bruno Mascarenhas, candidato à Câmara Municipal às 15h, tem o chumbo garantido.

Uma moção de censura anunciada pelo CHEGA depois do acidente do elevador da Glória. O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa acusa a oposição de oportunismo e diz que é ele, e não Carlos Moedas, quem deve responder politicamente pelo acidente.

Que aconteceu na semana passada, provocou 16 mortes, 22 feridos. Filipe Anacoreta Correia foi convidado do Explicador desta manhã, recorda que é ele quem tem o pelouro da mobilidade e por isso não compreende os ataques que estão a ser feitos pela oposição a Carlos Moedas, críticas que Anacoreta Correia define como oportunismo eleitoral.

Nós temos que saber quem são os responsáveis. E se é para falar de política a propósito deste assunto, inevitavelmente tem que se falar de mim. O que eu acho estranho, e desculpe antes de responder à sua pergunta, é que durante dias longos, intermináveis, se falou tanto e única e exclusivamente de Carlos Moedas. E no meu entender, isso demonstra uma coisa muito simples: não se esteve a falar de responsabilidade política, esteve-se a falar de oportunismo eleitoral, mas não há dúvida nenhuma que haver um responsável do ponto de vista político, eu não podia deixar de assumir essa responsabilidade.

Declarações de Filipe Anacoreta Correia, foi o convidado do Explicador desta manhã, indica ainda que o elevador da Glória só vai voltar a funcionar quando for resolvido o sistema de redundância e não se compromete com uma data de abertura para os restantes elevadores na cidade de Lisboa.

E as pessoas voltaram hoje a poder circular na Calçada da Glória, mas o ambiente continua pesado no coração de Lisboa.

Seis dias depois do descarrilamento do elevador na capital, os restantes ascensores históricos de Lisboa estão parados. O jornalista António José Soares foi ouvir o testemunho de quem costumava usar os funiculares de Lisboa e que hoje tem medo que o acidente da semana passada volte a repetir-se.

Na Calçada da Glória, moradores e turistas passam devagar. O ambiente ainda é pesado naquela zona de Lisboa marcada pela tragédia. Nos outros elevadores, como o do Lavra e da Bica, as pessoas seguem a rotina e tiram fotos junto aos ascensores parados. Mas quem dependia destes meios de transporte sente um misto de falta com algum receio.

Faz muita falta, até para os velhotes que vêm aqui subir esta rua e tudo, faz muita falta mesmo.

Quando o elevador regressar, vai voltar a usá-lo?

Capaz, sim, não sei.

O que é que acha que será necessário fazer para as pessoas recuperarem a confiança nos elevadores?

Ter mais segurança nos elevadores, ver se as cordas estão como deve ser ou não.

Quando o elevador voltar, está a pensar em usar de novo o elevador da Bica?

Não acho.

O que é que seria necessário haver da parte, por exemplo, da Carris, para que se sentisse confortável?

Mudar o sistema, porque aqui estava muito avariado durante o ano, que já não dava muita confiança.

Receios de uma Lisboa que está diferente com os ascensores parados, a rotina muda para muitos. O regresso dos históricos funiculares será feito um dia, mas sempre com a recordação do descarrilamento do elevador da Glória.

A reportagem é do jornalista António José Soares, teve esta manhã nos ascensores históricos de Lisboa, que continuam fora de serviço e por tempo indeterminado.

E João, está interrompida para almoço a sessão do julgamento de José Sócrates. Durante a manhã, o antigo primeiro-ministro recusou todas as acusações de corrupção no caso de Vale do Lobo.

E falou aos jornalistas na pausa desta sessão. Vamos, por isso, ao encontro do jornalista João Costa Campos, que está no Campus da Justiça. João, boa tarde, bem-vindo. Além de recusar todas estas acusações, José Sócrates também se demarcou de Armando Vara.

Sim, João, esta pausa para almoço foi antecipada por problemas técnicos, como dizias, num dos televisores da sala de audiências, e foi pretexto para José Sócrates vir cá fora, no fundo, falar aos jornalistas e dizer aquilo que já tinha lá dentro dito à juíza Susana Seca, mas um pouco mais exaltado. O antigo primeiro-ministro garante que, ao contrário das acusações feitas pelo ministro das Finanças, Campos e Cunha, José Sócrates nunca quis interferir na administração da Caixa Geral de Depósitos.

Agora, quanto ao que disse Campos e Cunha, o Campos e Cunha, o que diz lá numa card, diz é que havia pressões do governo para mudar a administração da Caixa. Isso é mentira Isso é falso. E de tal forma é falso que o próprio Campos e Cunha, quando chegou ao governo, a primeira coisa que me disse foi que ia mudar a administração da Caixa, mas que queria fazê-lo com a mudança também do governance, do modelo de governação da Caixa, e depois acabou por nem fazer uma coisa, nem fazer outra.

A amizade com Armando Vara foi também naturalmente um dos pontos mais discutidos nesta primeira parte da sessão de hoje. A amizade entre Sócrates e Armando Vara, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, está no centro das suspeitas de corrupção no financiamento ao empreendimento do Vale do Lobo por parte da Caixa. Ora, José Sócrates diz que para o Ministério Público parece que qualquer amizade de José Sócrates é sempre alvo e suspeita de alguma coisa.

Agora, quanto ao que disse Campos e Cunha, o que ele diz lá no McCarty é que havia pessoas...

José Sócrates diz, aliás, que parece que o Ministério Público tem suspeitas de qualquer tipo de relação que José Sócrates estabeleça com amigos.

Carlos Santos Silva fez um negócio com Rui Pedro Soares. Carlos Santos Silva e Rui Pedro Soares são amigos de Sócrates. Logo, Sócrates está por detrás. Portanto, isto é a mesma coisa. Houve um financiamento a Vale do Lobo. Armando Vara está comprometido com isso. Armando Vara é amigo de Sócrates, logo Sócrates está por trás. Não, é falso e isso não se faz. Esta acusação não é uma acusação, isto é pura maledicência.

Maledicência, é desta forma que José Sócrates olha para as acusações do Ministério Público, diz que parece que o Ministério Público consegue levantar suspeitas em torno de qualquer relação pessoal estabelecida pelo antigo primeiro-ministro. A sessão está agora interrompida por problemas técnicos. A hora de almoço passa a ser 13h15, já começou há instantes. A sessão deve ser agora retomada por volta das 14h.

A reportagem direta do João Costa Campos está no campus da Justiça, a acompanhar esta que é a nona sessão do julgamento de José Sócrates.

E o PS insiste nas críticas à legislação laboral. José Luís Carneiro pede um sobressalto cívico para travar o que acredita ser um retrocesso civilizacional. Hoje está difícil.

É assim que define José Luís Carneiro as alterações que o governo quer fazer à lei laboral. Amanhã há uma reunião da concertação social e hoje o secretário-geral do PS esteve reunido com a UGT, que ontem ameaçou avançar com uma greve geral para combater as medidas propostas pelo executivo. José Luís Carneiro quer que as mudanças sejam congeladas e pede um sobressalto cívico à população.

O governo deve ponderar muito bem e o primeiro-ministro, se não tem consciência daquilo que está a ser proposto, deve refletir muito bem sobre aquilo que está a ser proposto, porque aquilo que está a ser proposto constitui um grave e prejudicial retrocesso civilizacional que é merecedor, do meu ponto de vista, de um sobressalto cívico e da mobilização de todas as cidadãs e de todos os cidadãos deste país, se querem, de facto, um país de progresso, que não ande para trás em matérias fundamentais. Nada justifica esta opção.

José Luís Carneiro admite pedir uma audiência ao presidente da República.

Nove minutos para lá de 13h, João, que outras notícias estão em destaque?

Centenas de manifestantes nepaleses incendiaram o Parlamento na capital do país em resposta à admissão do primeiro-ministro, depois de vários dias de manifestações que intensificaram depois de o governo ter bloqueado 26 plataformas de redes sociais como o Facebook. Em França, o primeiro-ministro está a esta hora no Palácio do Eliseu a apresentar a demissão ao presidente Emmanuel Macron. É a primeira vez na história da Quinta República Francesa que um executivo cai em consequência de um chumbo de uma moção de confiança.

João Gama com o Jornal da Uma.