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Jornal da Uma, edição com Miguel Videira. Miguel, foi adiado o julgamento do agente da PSP suspeito da morte de Odair Moniz.

A primeira sessão de julgamento estava marcada para 13h30, para daqui a meia hora, mas foi adiada para quarta-feira da próxima semana, dia 22. Na origem deste adiamento, está um problema de saúde de um dos advogados. O agente da PSP está acusado de homicídio. Segundo o Ministério Público, disparou por duas vezes na direção de Odair Moniz a curta distância. O caso, que motivou violentos protestos, aconteceu em outubro do ano passado.

Sem a presença de Luís Montenegro, a Comissão Permanente do PSD esteve reunida esta manhã para analisar os resultados das eleições autárquicas.

E já há conclusões transmitidas pela vice-presidente do PSD, Leonor Beleza. Rumamos de imediato até ao Hotel Sana, em Lisboa, onde está o jornalista do Observador, Miguel Viteiro Dias. Miguel, ficou, por exemplo, definida alguma linha de orientação para eventuais acordos com o CHEGA nas autarquias onde o PSD não tem maioria absoluta?

Não há nenhuma indicação-chapéu, por parte da direção do partido, sobre eventuais acordos pós-eleitorais, ou seja, sobre a distribuição de pelouros, de responsabilidades executivas por vereadores de outros partidos. O que Leonor Beleza disse, a vice-presidente do PSD que apresentou as conclusões desta reunião, foi que cada autarca terá autonomia para decidir como é que quer a governabilidade da sua Câmara Municipal.

Há uma prática que sempre existiu e que não vai ser alterada agora, dos eleitos, consoante as circunstâncias e aquilo que está em causa, encontrarem maneira de governarem de uma maneira efetiva as autarquias. Naturalmente, sabemos muito bem que, em muitos casos, é preciso estabelecer regras de proximidade e de acordos, mas isso é uma coisa que será resolvida em cada uma das autarquias, de acordo com as suas realidades.

Caso a caso, com autonomia, é o que diz o PSD aos autarcas, ao contrário, por exemplo, do PS, que tem uma indicação geral para não existirem acordos com o partido Chega. Ainda que Leonor Beleza tenha destacado o papel dos vários candidatos nos 308 municípios do país, existiu também uma leitura nacional, não fosse o resultado positivo. Claro que o PSD vê também nesta vitória autárquica méritos do Governo.

Esses resultados positivos se verificaram em áreas do país onde isso era menos comum no passado, também contribui para a nossa convicção de que, para além de efeitos ou de elementos de caráter local que contribuíram para os bons resultados, há uma leitura nacional de que aquilo que está a ser feito em nome dos portugueses pelo Governo é visto como positivo, traduzindo um projeto que é um projeto de caráter nacional e que abrange todo o território.

E por isso essa leitura nacional da direção do partido, de que vitórias em territórios onde o PSD não conseguia grandes resultados locais são mérito também do executivo liderado por Luís Montenegro. Como referiste, o presidente do PSD não marcou presença. Para este encontro da cúpula do partido, foi convidado o coordenador nacional autárquico, Pedro Alves, para apresentar esse balanço. Já sobre algumas derrotas eleitorais, por exemplo, Viseu, a Leonor Beleza diz que foi feita e está a ser feita uma reflexão interna, que há muito para aprender, mas não apontou quais as conclusões do partido para, por exemplo, essa derrota. Já sobre a reconquista da Associação Nacional de Municípios, que o PSD consegue ao garantir 138 presidências de Câmara, não avançou também nenhum nome para ocupar esse lugar de presidente da Associação de Municípios, sabendo-se que Pedro Santana Lopes, por exemplo, já disse estar a ponderar uma eventual candidatura, mas para já, ainda sem nenhuma indicação da direção nacional do PSD.

Miguel Viteiro Dias, com o desfecho desta reunião da Comissão Permanente do PSD, que serviu para analisar os resultados das autárquicas do próximo domingo. Uma leitura nacional, o bom desempenho do Governo, sublinhou a Leonor Beleza, contribuiu para o desfecho das eleições, que atribuiu ao PSD mais Câmaras e vitória nos concelhos mais populosos do país.

Também o Partido Comunista e o Partido Socialista vão analisar hoje os resultados das eleições de domingo.

Assim é. Primeiro o PCP. Há uma conferência de imprensa do secretário-geral, Paulo Raimundo, agendada para 18h. Às 21h, é a vez da Comissão Política Nacional do PS juntar-se para dissecar os resultados autárquicos que ditaram a perda de perto de duas dezenas de Câmaras, embora o Partido Socialista possa reclamar a conquista de algumas capitais de distrito, o caso de Viseu, Coimbra, Bragança, Évora e Faro.

Antecipar o debate mais logo, o presidente da Câmara de Loures considera que o PS tem de mudar de rumo e lançou farpas aos críticos, nomeadamente António Costa e Alexandre Leitão.

Que criticaram abertamente o autarca de Loures, reeleito com a maioria absoluta, pela proposta de despacho de inquilinos de habitações municipais que sejam condenados. Foi também criticado por companheiros do partido pela forma como conduziu o processo de demolição de barracas no bairro do Talude. Ora, Ricardo Leão foi convidado à comissão de inquérito desta manhã da Rádio Observador e sublinhou que o PS tem de reorientar a bússola.

Eu acho que, felizmente, o PS já está a começar a perceber que tem que mudar esse discurso. Tem que olhar para a classe média, tem que olhar para os jovens que trabalham, que têm dificuldades e que cumprem com as suas obrigações. Quando se fala de justiça social, é para todos, não é só para alguns. O PS tem que mudar. Acho que tem que mudar, obrigatoriamente, tem que mudar, porque se não mudar, eu não quero que o PS, ao fim de cada ato eleitoral, diga que respira ainda. Isso é muito poucochinho. E esta palavra poucochinho usa bem.

Palavra usada por António Costa para se referir ao resultado de António José Seguro nas europeias de 2014, anteceder a ascensão do atual presidente ao Conselho Europeu, à liderança do PS. António Costa, que como disse, foi um dos críticos do autarca de Loures, e não foi o único.

Há muita gente do partido que está comigo Não tenho a menor dúvida disso. Tive os autarcas comigo, tive a presidente da Assembleia Municipal comigo, tive o presidente da ANAPS comigo, tive a direção política da minha federação toda comigo.

Ricardo Leão, citamos outros nomes de pessoas que não estiveram consigo.

Isabel Moreno, Alexandra Leitão.

Então, António Costa assinou uma carta com outros camaradas do PS em que também era crítico.

O António Costa que se entretenha lá na Europa, que não faz qualquer falta nenhuma.

As críticas de Ricardo Leão que se estenderam também a Alexandra Leitão, a candidata do PS em Lisboa, derrotada nas eleições autárquicas de domingo.

Marques Mendes apresentou esta manhã o novo trunfo na corrida às presidenciais do próximo ano.

O candidato a Belém revela quem vai ser o mandatário nacional da candidatura presidencial.

O mandatário nacional da minha candidatura será o Dr. Rui Moreira, aquele que é ainda o presidente da Câmara Municipal do Porto. É fácil de explicar esta minha escolha. O Dr. Rui Moreira é uma personalidade independente, sem partido. Desta maneira, vai contribuir decisivamente para que a minha candidatura seja ainda mais alargada, mais abrangente e mais agregadora, ou seja, uma candidatura capaz de representar e unir todos os portugueses.

Rui Moreira, que ecoou a possibilidade de ser candidato a Belém, é agora apresentado como mandatário nacional da candidatura presidencial de Luís Marques Mendes.

O Procurador-Geral da República nega qualquer divergência com os procuradores do DCIAP, responsáveis pela averiguação preventiva ao caso Spin off Viva.

É isso que garante Amadeu Guerra, mas também o diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Rui Cardoso. Em causa, a notícia que dava conta da intenção dos procuradores responsáveis pela investigação à empresa familiar de Luís Montenegro, de avançarem com a abertura de um inquérito. O Procurador-Geral da República veio logo a seguir negar em comunicado essa intenção. Esta manhã, à margem de uma conferência organizada pela Polícia Judiciária, Amadeu Guerra afastou qualquer divergência com os procuradores que têm em mãos a investigação ao caso Spin off Viva.

Não há qualquer difendo entre nós e estamos determinados em acabar essa averiguação preventiva. É isso que temos fazer, mas não há qualquer difendo entre mim e os magistrados do DCIAP.

É isso que diz Amadeu Guerra. O diretor do DCIAP também se pronunciou. Rui Cardoso diz que está a ser analisada a documentação entretanto recebida e confirma a relação saudável entre o procurador e o Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Outras notícias, também em destaque a esta hora.

Milhares de pessoas marcham pelas ruas de Bruxelas num protesto contra a reforma da Segurança Social. Já se registaram confrontos entre os manifestantes e a polícia, obrigada a recorrer a canhões de água. Em causa a reforma da Segurança Social, que prevê, por exemplo, a diminuição do prazo de atribuição do subsídio de desemprego para dois anos. O governo belga quer também avançar com cortes orçamentais que vão ser detalhados ainda esta semana. O protesto foi convocado pelos três principais sindicatos belgas, está a provocar constrangimentos nos transportes, há voos cancelados nos principais aeroportos do país. Também as ligações ferroviárias estão a ser afetadas. Em França, os partidos da oposição criticam severamente o orçamento do Estado para o próximo ano. Foi desvendado hoje pelo governo de Sébastien Lecornu. O documento está a esta hora a ser apresentado em Conselho de Ministros. O primeiro-ministro estima uma descida de despesas e um aumento de receita, especialmente através de impostos cobrados aos mais ricos, com contribuições a alcançar os 6,5 mil milhões de euros. O governo espanhol está disponível para enviar tropas para a Faixa de Gaza. É uma garantia hoje deixada pelo primeiro-ministro espanhol, em entrevista à rádio espanhola, Cadena SER. O acordo de cessar-fogo assinado entre Israel e o Hamas prevê a criação de uma força multinacional que vai instalar no enclave. Pedro Sánchez assegura que se esta ideia for por diante, então Espanha vai dizer "presente".