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O hora é 13h. Está a começar o Jornal da Uma com a edição do Miguel Vidara. Miguel, o presidente da Câmara do Porto lamenta a intervenção policial contra os manifestantes acampados na Praça Dom João I, mas reconhece que este foi o último recurso das autoridades.
O autarca Pedro Duarte deu esta manhã uma conferência de imprensa de urgência para reagir ao que aconteceu esta madrugada. A PSP investiu contra os manifestantes que tinham tendas montadas na Praça Dom João I. Pedro Duarte reconhece que a polícia se viu forçada a atuar com violência depois de os manifestantes não terem respeitado a ordem para a retirada das tendas.
Eu lamento profundamente que a polícia se tenha visto forçada a intervir daquela forma. Acho que não há nenhum português que se reveja naquelas imagens ou que goste daquelas imagens. Mas é o que digo, parece-me absolutamente claro que a polícia se viu forçada a fazê-lo. E eu não tenho dúvidas quanto a isso. Eu não vou, obviamente, discutir aquilo que é a operação policial em si, porque não tenho responsabilidade para isso. Eu confio absolutamente nas nossas autoridades policiais.
O autarca da cidade do Porto disse ontem que havia pessoas que se juntaram à manifestação, que tinham como único propósito provocar desacatos e intenções paralelas ao problema da defesa do acesso à habitação. Hoje, Pedro Duarte diz que foram encontrados objetos suspeitos utilizados pelos manifestantes ou, pelo menos, por alguns dos manifestantes.
A limpeza que foi feita pelos serviços municipais ontem encontrou um conjunto de circunstâncias que tem muito pouco de pacifista, diremos assim, por parte daquilo que foi usado por parte dos manifestantes. E, portanto, percebemos rapidamente que há um pequeno grupo que manifestamente tentou ser de forma provocatória, tentou criar uma confusão.
Pedro Duarte não esclareceu que objetos suspeitos são estes a que se referiu. No comunicado enviado às redações, a PSP também não faz qualquer referência a objetos apreendidos. Entretanto, o movimento que organizou o acampamento de protesto na Praça Dom João I agendou uma nova concentração no mesmo local para às 19h.
E o Livre pediu explicações ao Ministério da Administração Interna sobre a atuação dos agentes da PSP.
É isso que revela nas redes sociais o porta-voz do partido. Jorge Pinto questiona quais foram os fundamentos legais e operacionais que determinaram a intervenção da PSP nesta última madrugada e que ordem dada por que órgão determinou a intervenção policial. É essa a questão dirigida ao governo, ao Ministério da Administração Interna, em particular, que deu entrada na Assembleia da República. O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, também vem expressar solidariedade com os manifestantes. Escreve nas redes sociais a seguinte frase: "A força do bastão, em vez do teto às rendas, não nos intimidam."
E a PSP justifica a carga policial com a resistência à ordem de evacuação.
A polícia foi forçada a carregar sobre os manifestantes. É isso que se lê no comunicado da PSP. Lê-se também que uma coisa é o direito à manifestação, ao protesto, outra bastante distinta é o desrespeito e incumprimento, designadamente, quando é ostensivo da lei. Quando isso sucede, é responsabilidade e dever das autoridades, sejam policiais ou públicas, zelar pelo respeito da lei em benefício da liberdade de todos. Afirma também em conferência de imprensa que a carga policial causou 37 feridos. São números do movimento. Um dos feridos é um agente da Polícia de Segurança Pública.
"Não sejam egoístas" é o pedido feito pelo primeiro-ministro a partidos, associações e movimentos de cidadãos que queiram replicar em Portugal os protestos pelo direito à habitação que têm ocorrido noutros países, como por exemplo, Espanha.
O apelo foi feito esta manhã em Bruxelas.
Espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de fato, respaldo na sociedade portuguesa.
O pedido do primeiro-ministro à entrada para a reunião do Conselho Europeu de dois dias que arrancou esta manhã em Bruxelas.
Um Conselho Europeu com vários temas em cima da mesa, desde logo a resposta dos 27 à subida do preço da energia.
Luís Montenegro considera que a solução para esta crise não passa por compras conjuntas dos 27 Estados membros, compras conjuntas de energia. Sugere que o necessário é encontrar uma posição comum que contribua para desbloquear os constrangimentos à navegação no Estreito de Ormuz, na origem da subida do barril de petróleo.
É uma intervenção diplomática da União Europeia, uma contribuição para que as partes possam aproximar posições e se possa estabelecer não apenas um cessar das hostilidades, mas de condições de navegabilidade, sobretudo no Estreito de Ormuz, que permitam o restabelecimento e a estabilização do funcionamento dos mercados.
Numa altura em que o barril de Brent, que serve de referência para Portugal e boa parte dos países europeus, continua a ser negociado acima da barreira dos $100. Esta manhã estava a ser vendido a $104, ainda assim abaixo do valor de fecho da última sessão.
E Miguel, o presidente-executivo da Lufthansa confirma que é objetivo da companhia aérea alemã adquirir a totalidade do capital da TAP.
Numa conferência de imprensa esta manhã destinada a esclarecer o mercado sobre a operação que vai permitir à Lufthansa, num primeiro momento, ficar com até 49,9% da TAP. Carsten Spohr diz que é a primeira vez que o grupo alemão compra uma companhia aérea lucrativa, uma oportunidade a não perder, salienta o presidente-executivo da empresa, por exemplo, o potencial de crescimento do grupo no mercado sul-americano, em especial no Brasil. E sim, confirma que a Lufthansa quer mesmo ficar com a totalidade do capital social da TAP.
E a concretizar-se, o governo espera, ainda assim, continuar a influenciar o futuro da TAP.
É isso que diz o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, convidado do Explicador desta manhã. Explica que a venda total da TAP pressupõe que o Estado fique com 5% da Lufthansa, participação que deve conferir a Portugal o poder de influenciar.
Esta ideia de manter as 5%, aquilo que foi a sugestão É também uma ideia de alinhamento, porque reparem, muitas vezes falamos daquilo que pode ser o potencial upside deste negócio para a Lufthansa. Tivemos 5% da entidade conjunta, somos também coparticipantes e vamos beneficiar simultaneamente desse upside. Essa é a lógica, é termos uma voz nos temas que nos preocupam: hub, marca, sede, rota chave, diáspora, enfim, já falámos muito disso. E também manter uma parte do upside sobre esta operação.
Ontem o Ministro das Infraestruturas afirmou que o governo procura um consenso para privatizar a totalidade da TAP. O Ministro das Finanças defende que seria um erro histórico não avançar com a venda a 100%.
Oito minutos para lá da 13h, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade esta quinta-feira?
A Justiça alemã condenou os dois homens acusados de planearem atentados contra a vida da personalidade da comunidade judaica na Alemanha. Os dois suspeitos, um de nacionalidade marroquina e outro de nacionalidade afegã, foram condenados a penas de prisão efetiva. O principal suspeito, agora condenado, vai ficar oito anos e meio preso. O cúmplice foi condenado a quatro anos e meio de prisão. Segundo o Tribunal Regional Superior de Hamburgo, os homens teriam planeado ataques junto à comunidade judaica alemã a pedido dos serviços secretos iranianos.
E Miguel, começa hoje o Doc Lisboa.
Festival de cinema dedicado ao documentário que vai ocupar os espaços habituais, o Cinema São Jorge, a Culturgest, Cinemateca e o Cinema Ideal, mas o evento cresceu e os filmes vão também ser exibidos este ano no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Neste ano vão ser apresentados 198 filmes de 51 países.
E quais são os filmes em destaque?
Quem vai ajudar a responder a esta questão é Hélder Beja, diretor do Doc Lisboa.
É sempre difícil destacar alguns filmes de um programa tão longo e diverso, mas eu diria que a competição internacional é um ponto muito forte desta edição do festival. Temos todos os 11 filmes dessa competição em estreia mundial, internacional e europeia. Sinistas muito importantes e filmes para ver praticamente pela primeira vez.
Há a estreia, por exemplo, de 11 filmes portugueses na competição mundial e um filme de homenagem à Casa do Artista. O festival tem alcance internacional, quer aproximar-se cada vez mais de produtoras e realizadores portugueses e por isso mesmo abre hoje portas em língua portuguesa?
Temos a sessão de abertura com o filme "Guerrilha no Asfalto", de Edgar Pêra, marcada para hoje às 21h, no Cinema São Jorge. Acreditamos que vai ser uma noite especial e com casa cheia. É sempre um momento bonito, este ano também com um filme português, um filme que cruza documentário e ficção, que passa muito pela história do próprio cinema português e do cinema do Edgar Pêra. Vemos nesta obra, que hoje abre o Doc Lisboa, são excertos de um filme que não existe e depois também o Edgar, que encontra ali um mecanismo para contar essa história à conversa com o ator Albano Jerónimo.
Hélder Beja, o diretor do Doc Lisboa, à conversa com a jornalista Beatriz Félix para esta sessão de estreia. Há poucos bilhetes para os demais dias, ainda há vários ingressos, informações todas no site oficial do Doc Lisboa.
Doc Lisboa a fechar o Jornal da Uma.