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De Observador. Jornal das duas, edição do jornalista Miguel Videira. Miguel, está agendada para esta hora a conferência de imprensa de José Mourinho de antevisão do derby de amanhã, que vai opor o Benfica ao Sporting.

É o jogo que abre a jornada 13 do Campeonato da Primeira Liga. Rui Borges, técnico dos Leões, já perspetivou o encontro, atribui um ligeiro favoritismo ao Benfica pelo fato de jogar em casa, antecipa também um jogo diferente da partida da Supertaça, que o Benfica venceu por 1 x 0. E depois de Rui Borges, é a vez de José Mourinho fazer a antevisão do derby. Voamos até ao Seixal, onde já está a postos o repórter João Lourenço. João, já começou essa conferência de imprensa?

Já começou esta conferência de imprensa de antevisão desse derby entre Benfica e Sporting. José Mourinho já fala aos jornalistas.

Tal como o Ferrari, é único, mas é também um pouco sensível.

Uma pergunta para José Mourinho, agora.

Eu agora gui um BMW que o Benfica me deu. Devo fazer publicidade à BMW e não à Ferrari. Fazendo jus à minha fama e proveito de ser forreta, o Ferrari não comprei, ofereceram, porque eu nunca o compraria. Brincadeira à parte, ganhámos os últimos três jogos, sim. O primeiro dos quais, como sabe, contra uma equipa de uma divisão inferior. Acho que fizemos um jogo bem conseguido no Ajax, de acordo com os nossos objetivos para esse jogo, de acordo com as nossas características, de acordo com as nossas limitações. E no último jogo contra o Nacional, tenho a certeza que se em vez de sermos nós, se tivesse sido outra equipa portuguesa a fazer o jogo que nós fizemos, a amassar como nós amassamos, a criar como nós criamos, tenho a certeza que teriam tido direito a comentários absolutamente fantásticos, falando de domínio avassalador, falando de muita qualidade de jogo, falando de um super recorde de toques na bola dentro da área adversária, número recorde de remates. Portanto, acho que fizemos o jogo muito bem conseguido com uma equipa que nos criou, obviamente, dificuldades, por ter sido uma equipa que defendeu tanto e bem quanto eles o fizeram. Três vitórias de seguida é positivo, é bom, mas não me faz, nem a mim, nem a nenhum de nós, perder o controle, perder a tranquilidade, perder inclusive a humildade, que começa a ser uma característica na nossa equipa. É uma equipa que trabalha como equipa, que festeja como equipa, que sofre como equipa, e isso acho que é um passo importante.

SIC. Mais uma questão para José Mourinho.

José Mourinho, boa tarde. Nuno Luz, da SIC. Estava a rever coisas antigas e olhei para as datas. Fez ontem 25 anos do primeiro derby do José Mourinho, que festejou de uma maneira, e fica na memória, efusivamente no campo. De lá para cá, já jogou talvez centenas de derbys em vários países, mas um derby é sempre um derby. Conte como é que se vive estes dias e a preparação destes jogos?

Normal. Não vou dormir pior hoje do que em uma noite que anteceda um não derby. Não fui mais detalhista no trabalho por ser um derby ou um não derby. Aquilo que tivemos esta semana foi a possibilidade de ter mais tempo de trabalho, porque normalmente jogamos e temos jogo passado dois dias, passado três dias. Neste caso, depois do jogo na Madeira, tivemos mais tempo para trabalhar. De resto, com maior tranquilidade. Tu tens razão, já joguei uma infinidade de derbys em todos os países, mas não creio que isso seja nem positivo, nem negativo. Não é negativo, porque não me retira a vontade de jogar um novo derby, não é negativo porque me retira alguma da emoção que tu precisas também para jogar estes jogos. E positivo no sentido de déjà vu, e ser muito difícil que aconteça alguma coisa que nunca te aconteceu na carreira, mas normal.

A Bola. Próxima questão para José Mourinho, agora falou sobre a preparação do Benfica.

José Mourinho, boa tarde. Nuno Reis para a Bola e a Bola TV. O Benfica joga o derby em casa com o Sporting. Em teoria, jogar no Estádio da Luz é uma vantagem, mas o Benfica já perdeu seis pontos contra adversários teoricamente inferiores na liga, jogando na sua casa. O que eu pergunto é se considera haver uma dívida para pagar ao público da Luz e se há um problema para resolver, de fato, quando o Benfica joga em sua casa.

Há sempre dívida. Há sempre dívida, principalmente quando às vezes possa parecer que a atitude da equipe não é condizente com o amor de milhões de benfiquistas. Nesse sentido, sim. No sentido de perder jogo, de perder ponto, de não jogar o jogo que os adeptos possam estar à espera, não penso que seja uma questão de dívida. A responsabilidade que os jogadores têm, fundamentalmente, é de honrarem a sua profissão, primeiro que tudo, e depois honrarem o benfiquismo. E isso significa uma atitude intocável em qualquer jogo. Às vezes, eu, como treinador, e os adeptos como adeptos, podemos ter alguma percepção errada e podemos pensar: "Esta atitude não foi a melhor", mas às vezes há condicionantes com que façam parecer que a atitude não foi a melhor. O grupo é bom, é um grupo de gente boa, é um grupo que não cria um único problema na gestão do mesmo, no dia a dia. É um grupo amigo. É um grupo bom. E nesse sentido, eu acho que eles não têm dívida absolutamente nenhuma. Eles dão o que podem dar e, obviamente, com o crescimento da equipe e com o crescimento até de algumas individualidades, vão numa direção onde obviamente se criará mais empatia com os adeptos e menos, entre aspas, a dívida de que você falou. Mas não consigo olhar nesse sentido.

RTP. Mais uma questão para José Mourinho.

Boa tarde, José Mourinho, João Miguel Nunes da RTP. Pergunto-lhe se está preocupado com a possibilidade dos árbitros virem a fazer greve e se acha que há alguma razão naquilo que os árbitros têm dito. Obrigado.

Se os árbitros fizerem greve, eu estou convencido que há muito árbitro na Europa que gostaria de vir apitar o campeonato português. Acho que é uma coisa, hoje em dia, que acontece muito. Nos países europeus não tanto, mas algumas vezes ainda sim. Mas hoje em dia os árbitros são profissionais e acho que, não direi todos, porque alguns seguramente apitam em campeonatos com outra dimensão, mas estou absolutamente convencido que os melhores árbitros de muitos países europeus teriam o maior prazer em vir apitar em Portugal. Portanto, se acontecer alguma vez que os árbitros, que a sua associação, tenham essa decisão, não penso que seria um grande problema, porque acho que o campeonato continuaria e a liga encontraria facilmente soluções.

TSF. Agora a questão sobre o possível greve.

Boa tarde. Rita da Silva, para a TSF. Que tipo de Sporting espera amanhã na Luz? Um Sporting, à semelhança daquilo que costumamos ver de Rui Borges, a entrar com a iniciativa e a querer pegar no jogo ou, por outro lado, um Sporting que esteja um bocadinho mais na expectativa a tentar dar essa iniciativa ao Benfica? E como é que isso pode influenciar as suas escolhas para o onze?

Eu não faço ideia. O Sporting jogará como Rui Borges. A sua equipa durante esta semana. Não faço a mínima ideia. Obviamente que você falou, pode jogar assim, pode jogar assado. Obviamente que nós também nos prepararemos para pode jogar assim, pode jogar assado. Obviamente que o mais importante para nós é como nós queremos jogar, o mais importante é aquilo que nós preparamos para nós próprios, para a nossa identidade enquanto equipa, mas como fazemos com todas as equipas, estudamos o mais que podemos. Fica sempre aberta a porta da imprevisibilidade, que é a porta que o treinador adversário e os jogadores adversários podem meter no jogo. Mas honestamente, nós esta semana preparamos mais relativamente a nós próprios do que propriamente pensando no nosso adversário, que como sabemos, é um adversário fortíssimo.

Record. Análise de José Mourinho à equipa do Sporting.

Recentemente falou que existiam alguns jogadores que não tinham noção do que era representar o Benfica. Tem a certeza que eles têm consciência do que é jogar um derby em Portugal?

Claro, os jogadores também vão crescendo com as suas experiências. Eu quando disse que às vezes há jogadores que chegam a um clube e depois saem do clube e ainda não perceberam muito bem onde é que estiveram, refiro-me muito mais a um determinado perfil de jogador, porque há jogadores que pelo seu próprio perfil vivem um bocadinho isolados dos contextos, não sentem muito bem a responsabilidade, não sentem muito bem a dimensão. Historicamente, não sabem também o significado de determinado tipo de jogos. Refiro-me um bocadinho mais ao perfil de jogador do que propriamente o jogador que acabou de chegar e não percebe. Há jogadores que acabam de chegar e percebem imediatamente onde é que estão e percebem imediatamente a responsabilidade. Mesmo os recém-chegados já jogaram este ano contra o Contra o Sporting, mesmo os recém-chegados, acho que percebem perfeitamente o perfil de campeonato que existe em Portugal e as equipas que tradicionalmente jogam para os lugares de cima. Portanto, nesse aspecto, não penso que seja um problema, honestamente.

TVI/CNN.

Olá, boa tarde. Henrique Mateus da TVI, da CNN. Pergunto-lhe se, na preparação do jogo, o que foi identificado no Sporting que possa exigir ao Benfica uma resposta tática específica?

Não te quero responder à pergunta. A pergunta é boa, mas a resposta eu acho que não é boa pra eu te dar, porque seria exatamente o mesmo que te dizer: "Henrique, vem ver a semana, vem ver os treinos e já percebes o que nós fizemos, as coisas que nos preocupam e as coisas que podemos tentar explorar." Não gosto de dizer debilidade, porque uma equipa da dimensão do Sporting não há a debilidade, poderá simplesmente haver algumas coisas que fazem parte do modelo de jogo deles, do perfil deles, que nós podemos tentar explorar, mas basicamente é um pouquinho por aí.

CMTV.

Mais uma questão para .

Boa tarde, José Mourinho. Gustavo Lourenço pra CMTV. Há pouco, Rui Borges expressou a admiração que tem por José Mourinho e depois do último jogo do Sporting, disse também que, quando estava a iniciar a carreira, José Mourinho foi uma referência para o treinador do Sporting. Sendo José Mourinho o treinador experiente que é, o que acha que amanhã pode ensinar a Rui Borges e se tivesse que dar um conselho ao treinador do Sporting, qual seria?

Acho que não tenho nada a ensinar. Agradeço as palavras do Rui, mas já sei que vocês vão me adjetivar com falta de humildade, mas acho que é normal que os treinadores desta geração seguinte à minha, é normal que tenham admiração por alguém que fez o que fez e abriu porta a que se pensasse o treinador de determinada maneira. Obviamente que agradeço as palavras do Rui, porque poderia não ter dito e disse. Portanto, tenho que agradecer. Acho que ele não tem nada a aprender comigo no dérbi. Ele é um treinador com experiência, é um treinador com capacidade, é um treinador campeão nacional, que sabe muito bem o que quer para a sua equipa, que teve, quanto a mim, um mérito muito grande, que foi a transformação do Sporting do Rúben Amorim para o seu Sporting. Foi objetivo, foi corajoso, sabia perfeitamente o que queria, passou ao lado de muitas críticas e está a fazer um trabalho extraordinário. Portanto, tenho o maior respeito por ele e da mesma maneira, como ele disse, e bem, respeita-me a mim, respeita todos os outros. Obviamente, que eu faço as palavras dele as minhas, respeito a ele, respeito a qualquer treinador que em Portugal joguemos contra.

Jogo, pra fecharmos.

A última questão de José Mourinho nesta conferência de imprensa. Agora a deixar elogios a Rui Borges.

Boa tarde, Nuno Vieira Rodrigues, o Jogo. Richard Hughes está de volta, depois de castigo. O que eu lhe vou perguntar é se está preparado pra utilizar um 11 inicial com cinco médios ou se vai manter um jogador mais corredor na equipa inicial, por exemplo, Rodrigo Rigo, ou se vai apostar em Scheldrup ou em Prestianni.

A pergunta é boa, mas eu não vou responder à pergunta. Eu não vi, mas o Gonçalo passou umas declarações do Rui na conferência de imprensa. O Rui não diz se joga o Morita, se joga o Simões. Não diz se o Yahnidis vai recuperar ou não vai recuperar. Não diz se o Debast joga, se o Debast não joga, não diz nada. A única coisa que eu posso dizer relativamente àquilo que o Rui disse, é que o Rui disse que ainda tem que conversar com o almofada, com o travesseiro. E eu não tenho que conversar, porque já está tudo conversado. Sei quem vai jogar. Treinamos hoje em relação exatamente a quem vai jogar amanhã. Os jogadores sabem quem vai jogar. Eu sei quem vai jogar. Não há dúvidas absolutamente nenhumas, mas não lhe vou responder à sua pergunta.

Obrigado, bom trabalho.

Fica tudo dito desta conferência de imprensa de José Mourinho. Também a não querer desvendar essas opções para o jogo de amanhã frente ao Sporting às oito e um quarto da noite. Também José Mourinho a dizer que a equipa do Benfica não tem essa dívida para com os adeptos relativamente a jogos em casa e espera também esse duelo forte frente à equipa que neste momento está em segundo lugar, ou seja, um lugar imediatamente acima do Benfica. Tudo dito aqui do Benfica Campos. Amanhã, oito e um quarto, pra seguir aqui em direto na Rádio Observador.

João Lourenço, repórter do Observador, a acompanhar no Seixal esta conferência de imprensa de antevisão do dérbi de amanhã por José Mourinho, treinador dos encarnados. Regressaremos, João, na edição das 15h para escutar os sons que marcam esta conferência de imprensa.

E como já aqui referimos, Miguel, Rui Borges também já fez a antevisão do dérbi.

E atribui um ligeiro favoritismo ao Benfica pelo fato de jogar em casa. O técnico dos Leões sublinhou também que o dérbi de amanhã nada tem que ver com o jogo da Supertaça no início da época que o Benfica venceu por 1 x 0.

É diferente. O jogo já está quatro meses à frente, treinador diferente do outro lado, pede coisas diferentes. Nossa equipe está mais adulta, mais crescida naquilo que é sua ideia de jogo, um pouco diferente nesse sentido, apesar de eu achar que fizemos um bom jogo na Supertaça, mesmo perdendo esse jogo. Mas estamos melhores enquanto equipe. É sermos capazes de o demonstrar amanhã em campo.

Rui Borges considera também que aconteça o que acontecer amanhã, o campeonato vai continuar.

Estivemos a oito pontos ano passado, época passada, à frente e perdemos os pontos. O futebol é muito momento, muda tudo muito rápido. Por isso, derivado aquilo que falta para jogar, e falta muito, falta mais que uma volta para ser disputada, em nada, na minha cabeça, muito honestamente, este resultado ou este jogo, dita ou desfez daquilo que será o final do campeonato.

É isso que defende Rui Borges, treinador dos Leões, que também fez ao início de tarde a antevisão do grande dérbi que marca o arranque da jornada 13 do Campeonato da Primeira Liga, Benfica-Sporting.

E ainda sobre desporto, o selecionador nacional sub-17 que conquistou o título mundial, diz que está confortável no futebol de formação, mas não fecha a porta ao futebol profissional.

O técnico que levou Portugal à conquista do mundial de sub-17 foi o convidado da edição especial de "E o Campeão é". Admite que está feliz no comando da seleção nacional de sub-17, mas que a ambição de dar o salto existe e está bem viva, de resto.

Estou plenamente confortável também nestas funções de selecionador nacional. Mas sou ambicioso e estou aberto a tudo que me possa surgir, como sempre estive. Não foi uma escolha eu optar pelo futebol de formação ou pelo futebol sênior. As coisas quando surgiram, eu fui aproveitando as oportunidades que fui tendo. Eu nunca tive empresário e, por isso, o que vier, eu estarei atento para depois poder tomar uma decisão, independentemente que seja seleção ou clube.

O futuro a Deus pertence. O selecionador nacional de sub-17, Mino Macedo, afirma que a conquista do mundial é um momento para a história, pois claro, sublinha que a equipe portuguesa conseguiu crescer ao longo do torneio. Diz também qual foi o momento em que soube que Portugal, sim, podia vencer o mundial.

No grito que nós damos antes da entrada em campo contra a Bélgica, eu senti essa energia que a equipe estava de volta e a partir daí, sim, fiquei com uma garantia de que nós podíamos lutar por este campeonato do mundo. E a forma como jogaram, a disciplina que tiveram, nos momentos de adversidade, como se uniram enquanto equipe, quando perdíamos a bola, como é que reagíamos todos para recuperar. E acho que a risca eu considerei também muito importante na cabeça deles, porque voltou a dar-lhes o clique que era o essencial.

E que terminou com essa conquista inédita do Campeonato do Mundo de sub-17 no Catar. Na final, Portugal derrotou a Áustria por 1 x 0.

E fica por aqui o Jornal das Duas, edição de Miguel Videira.