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Começa o Jornal das 3 da Rádio Observador. A edição é do jornalista Luís Soares e depois de reeleita presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen destaca a votação superior a 2019. Vai voltar a pedir aos países para indicarem um homem e uma mulher para comissários.
Declarações feitas numa conferência de imprensa, lado a lado com a presidente do Parlamento Europeu, também recém-reeleita, Roberta Metsola. Ursula von der Leyen fala num momento especial, após ter sido novamente eleita para mais cinco anos à frente da Comissão Europeia. Nessa conferência de imprensa, diz estar orgulhosa de ter o apoio da maioria do Parlamento Europeu. Sublinha que a melhoria do resultado é um reconhecimento do trabalho feito no último mandato.
Este é um momento muito emocionante e especial para mim. Eu quero agradecer a confiança e o apoio da maioria do Parlamento Europeu. 401 votos a favor da minha eleição. Da última vez, tive oito votos acima da maioria. Desta vez, tive 41, um resultado muito melhor. Demonstra a confiança do Parlamento e é um reconhecimento do trabalho feito no último mandato.
Ursula von der Leyen foi também questionada sobre as eleições norte-americanas. Garante que quer uma Europa forte, independentemente das eleições noutras partes do mundo. Sobre os próximos cinco anos, a Ursula von der Leyen explicou que vai escrever uma carta aos países para que indiquem o nome de um homem e de uma mulher como candidatos a comissários. Depois vai entrevistá-los a partir de meados de agosto, optando pelos que considerar que estão mais bem preparados para partilhar o compromisso europeu. Nesta conferência de imprensa conjunta, Roberta Metsola também reagiu. A presidente do Parlamento Europeu fala numa merecida reeleição de Ursula von der Leyen. Metsola sublinha também o voto claro a favor dos membros do Parlamento Europeu, que é uma prova da forte liderança e também da melhor decisão para a Europa.
E Luís Soares, o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, felicitou Ursula von der Leyen pela reeleição como presidente da Comissão Europeia.
Paulo Rangel garante que o governo português vai continuar a privilegiar a excelente cooperação com esta instituição-chave da União Europeia. Na rede social X, Paulo Rangel deseja votos de sucesso à Ursula von der Leyen. Também António Costa reagiu. O futuro presidente do Conselho Europeu sublinha que a reeleição acontece com base numa maioria muito abrangente. Também na rede social X, escreve que esta é uma boa notícia para a Europa e para os europeus, dizendo António Costa que será um gosto trabalhar em equipa pela Europa. Os eurodeputados portugueses também se dividem na reação a esta reeleição. A AD deixa mesmo elogios ao PS por ter cumprido o acordo alcançado entre as várias famílias políticas para os cargos de topo. O eurodeputado Sebastião Bugalho admite que estava tranquilo quanto à reeleição, fala num caminho construtivo das famílias europeias, já que mais de 50% dos eurodeputados votaram a favor desta candidatura.
Eu acho que o resultado é muito positivo e, sobretudo, acho que prova que é uma vitória da moderação, do bom senso e que é possível que as famílias europeias cumpram a sua palavra. E aí, nesse sentido, também tenho que cumprimentar o Partido Socialista Europeu e o Partido Socialista Português. Houve um acordo que foi feito, houve um acordo que foi feito entre as três maiores famílias e esse acordo foi claramente cumprido. É o que esta votação mostra. Isso quer dizer que esta Europa está pronta para enfrentar os desafios do futuro com essa capacidade de consenso e de diálogo. Eu acho que isso é muito positivo.
Sebastião Bugalho da AD, também eurodeputada do PS, Marta Temido se mostrou satisfeita com a votação, tendo em conta as aproximações da presidente da Comissão Europeia ao programa dos socialistas.
Penso que é um dia bom para aqueles que acreditam num projeto europeu, que é progressista, que avança, que responda aos problemas da habitação. É um tema muito importante e que, como sabem os portugueses todos, é um tema pelo qual nos batemos em campanha, que dissemos que tinha que ter respostas concretas e hoje a senhora von der Leyen foi mais longe do que aquilo que é a sua família política e mostrou que é possível fazer consensos com aproximações. Estamos satisfeitos.
A satisfação de Marta Temido, do PS. Do lado da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo garante que vai haver escrutínio do mandato de von der Leyen.
Portugal tem muito a ganhar com uma Europa que seja mais forte e mais rica do que é hoje, mas também para a Iniciativa Liberal, porque eu sinto responsabilidade por este projeto e acho que as eleições, quaisquer eleições, mas estas em particular, de nível nacional, com repercussões na política europeia, é uma excelente oportunidade para fazer avançar o projeto liberal. Eu sinto responsabilidade por isso. Portanto, não creio que as circunstâncias da minha saída afetem nem a motivação que eu sinto, certamente, nem a forma como ela é vista pelos eleitores da Iniciativa Liberal.
Do lado do Chega, o eurodeputado André Correia diz que a reeleição de Ursula von der Leyen era esperada e diz até que é algo mau.
O resultado era esperado, em primeiro lugar. Em segundo lugar, consideramos mal que a von der Leyen tenha sido reeleita, devido não só aos últimos anos que ela esteve à frente da Comissão, como também à decisão ontem do tribunal. Não é que a tenha culpado, mas pelo menos transformou as suposições em realidades, ou seja, falta transparência e, eventualmente, atos de corrupção.
A reação do Chega. À esquerda, a eurodeputada do Bloco, Catarina Martins, fala numa aliança que trai os portugueses que votaram por uma alternativa.
Nós temos vindo a denunciar o que foi o acordo de largas famílias políticas, que contraria até o que várias dessas famílias políticas prometeram nas eleições. Nós tivemos agora Ursula von der Leyen a ser eleita com votos de socialistas ou de verdes que prometeram combater as políticas que von der Leyen teve enquanto presidente da Comissão Europeia. Esta é uma aliança que eu acho que trai o voto de quem apostou em alternativa. É uma aliança que vai dos socialistas e dos verdes aos liberais, à direita, aos conservadores. Ursula von der Leyen não teve seguramente o voto da esquerda.
A acusação de Catarina Martins também à esquerda. João Oliveira, eurodeputado do PCP, acredita que a única alternativa à esquerda é o PCP e diz que faltam soluções para os problemas.
Porque manifestamente o discurso que ouvimos hoje é um discurso que, mesmo quando aflora algumas dessas questões, não aponta nenhuma solução para as contradições. Fala-se de habitação, mas não se fala de levantamento das restrições ao investimento público, fala-se de acesso à saúde, à educação, à Segurança Social, não se fala do pacto de estabilidade, das regras da governação económica, que na prática constituem um garrote e um estrangulamento à possibilidade de garantir os direitos sociais. E, portanto, é na afirmação do caminho concreto que é preciso percorrer para garantir todos esses direitos e essa resposta aos problemas dos povos, tendo verdadeiramente se afirmar a alternativa a este caminho. E há uma alternativa que só se pode encontrar à esquerda, não se pode encontrar em mais lado nenhum.
A reação dos vários eurodeputados portugueses em Estrasburgo, uma reação bastante dividida em relação à reeleição da presidente da Comissão Europeia.
Para o coordenador da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Portucalense, Tiago André Lopes, a reeleição de von der Leyen era esperada, mas diz que não sai reforçada.
Tiago André Lopes explica que apesar de ter tido mais votos do que há cinco anos, a vitória da presidente da Comissão é frágil.
Von der Leyen é eleita por apenas 54% do Parlamento. Tem mais direitos de votos do que há cinco anos, é verdade, mas é eleita apenas pelos três grupos com os quais fez acordo, o que nos dá já aqui uma perspectiva de que ela vai ter muita dificuldade a chegar aos outros grupos e para votações mais sensíveis, onde seja preciso, por exemplo, 60% dos votos, parece-me que está já desenhada aqui uma geometria que lhe vai dificultar muito a vida, porque nem os partidos mais à esquerda, nem os partidos mais à direita olharam para von der Leyen e lhe deram um voto confiante.
Análise de Tiago André Lopes, ele que é coordenador da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Portucalense, esta tarde na Rádio Observatório.
A presidente do Banco Central Europeu também já felicitou von der Leyen. Foi na conferência de imprensa em que explicou que as taxas de juro na Europa vão manter-se inalteradas.
Ficam nos 3,75%, informação confirmada pelo BCE. Na conferência de imprensa, Christine Lagarde fala em resultados estáveis para explicar a decisão de manter as taxas de juro sem alterações, diz que a inflação deve manter-se ainda acima do previsto ao longo do próximo ano.
O Conselho do BCE decidiu manter as três principais taxas de juro sem alterações. As informações que nos chegam suportam a nossa decisão sobre os efeitos a longo prazo. Sobre a inflação, alguns indicadores foram irregulares em maio, devido a vários fatores, mas regularizaram em junho. A maioria mostrou estabilidade com base nas informações que temos. Ainda assim, e em linha com as nossas expectativas, as políticas monetárias continuam a restringir as condições financeiras. Ainda há pressão sobre preços domésticos que estão elevados. Como tal, a inflação deve manter-se acima dos nossos objetivos até o próximo ano.
As justificações de Christine Lagarde para manter as taxas de juro inalteradas na Europa, a presidente do BCE deixa em aberto o cenário de um corte nas taxas de juro para setembro.
Também desta quinta-feira, a notícia de que as provas de aferição do ensino básico vão mudar. O novo modelo de avaliação foi apresentado esta manhã pelo governo.
E passam a chamar-se provas de monitorização de aprendizagem. Passam a ser feitas no quarto e sexto anos, mas há também mudanças nos exames do nono ano. O exame de Português passa a ser realizado pelos alunos em suporte digital. O de Matemática vai ser realizado em regime híbrido, digital e papel. As provas do ensino básico passam a ser cotadas de 0 a 100, em vez dos valores anteriores de 1 a 100. No ensino secundário, mantém-se o formato em papel. As diferenças para o anterior é que o exame de Português volta a ser obrigatório no ensino secundário. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, diz que esta nova metodologia das provas vai beneficiar os alunos, sublinhando que é preciso corrigir falhas no anterior sistema de avaliação.
O governo português atribui uma grande relevância à avaliação externa. A avaliação externa é fundamental para podermos monitorizar, acompanhar a qualidade e a evolução das aprendizagens, que é essencial para podermos identificar onde estão as falhas do nosso sistema educativo, por um lado, e por outro lado, para podermos definir estratégias para corrigirmos essas falhas e podermos melhorar o nosso sistema educativo.
Fernando Alexandre sublinha também outra das novidades deste novo sistema de avaliação externa, a comparabilidade entre anos letivos. O objetivo é, explica o ministro, avaliar a evolução dos alunos ao longo dos anos escolares. Quanto ao calendário escolar do próximo ano letivo, o ministro diz que as aulas começam a 12 de setembro e que o calendário já está para publicação em Diário da República há mais de uma semana. Sublinha também que este é o calendário que foi decidido em consulta pública.
Três horas, 11 minutos. Como é hábito, no final do Jornal das três temos espaço para informação de âmbito local e começamos agora por Vila Nova de Famalicão.
Onde o acesso da A3 para a A7, no sentido norte-sul, vai estar cortado hoje durante a noite. Vai ser a partir das nove da noite e até às sete da manhã, anúncio da concessionária Brisa, que está a realizar obras no local. A zona do Barreiro Velho vai ser requalificada, uma obra no valor de 27 milhões de euros. A Câmara do Barreiro já aprovou a abertura do concurso público para a requalificação urbana desta zona. A obra deverá arrancar ainda este ano e ficar concluída no ano que vem. Em Leiria, o município de Ourém vai passar a ter um sistema de videovigilância nas ruas. A autarquia vai investir cerca de 100 mil € para instalar mais de 10 câmaras de captação de imagem em vários pontos da cidade para dar apoio à PSP. O município da Zambuja vai atribuir mais de 17 mil kits escolares para o próximo ano letivo. Este apoio é destinado a todas as crianças do pré-escolar e primeiro ciclo da rede pública e privada. A autarquia também irá entregar de forma gratuita livros de fichas que complementam os manuais escolares para todos os alunos do primeiro ciclo. Oeiras apresenta um plano de ação para neutralidade carbónica. Este documento, onde está definido o caminho do conselho para responder às alterações climáticas para ser neutro em carbono até 2050, já está disponível para consulta pública até fim de agosto. Até lá, a população pode dar ideias e sugestões para a versão final do plano. Em Espinho, no domingo, acontece o Festival Internacional de Folclore, que vai contar com a participação de seis conjuntos internacionais do Uruguai, México, Macedónia, Eslováquia, Polónia e também Senegal. O festival está a ser promovido pela Fundação Inatel e a partir das oito da noite de domingo vai acontecer um desfile junto da Praia da Baía, pelas ruas da cidade de Espinho. No final do desfile, haverá ainda um espetáculo já depois das 21h30.
Ponto final no Jornal das Três, edição do Luís Soares.