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Este é o Jornal das Três da Rádio Observador, tem edição do João Gama. Começamos com mais uma medalha de ouro para Portugal. O português Isaac Nader sagrou-se hoje campeão mundial de atletismo nos 1500 metros em Tóquio.
Levou o ouro para casa. Tinha ficado em quarto na segunda série das meias-finais. Não era assim um vencedor ao título mundial. Conseguiu uma marca de três minutos e 34 segundos. O atleta português entrou na última volta no sétimo lugar da corrida, mas conseguiu uma reta final de grande nível para assegurar esta vitória. É a primeira medalha para a comitiva portuguesa nestes mundiais de atletismo que decorrem no Japão. O próprio Isaac Nader já reagiu em declarações há instantes à RTP, mostrou-se emocionado com esta conquista.
Não tenho palavras. Hoje ninguém pode dizer que o Isaac Nader não lutou até ao último metro, ninguém pode dizer que o Isaac Nader olhou para trás. Nos últimos 100 metros, gritei muito que era possível. Quando vi que tinha mais pernas, pelo menos que todos os outros, menos que o atleta que foi segundo, sabia que eu ia ser até ao último metro. Meti a cabeça no fim. Se calhar, foi a primeira vez que meti a cabeça em toda a minha vida, mas era o ouro mundial que estava em jogo. Não tenho palavras. É incrível.
É uma reação emocionada de Isaac Nader. O governo também já reagiu. A ministra Margarida Balseiro Lopes, tem a pasta do desporto, dá os parabéns ao atleta português, fala num resultado fantástico que honra o desporto nacional.
Ainda no desporto, o anúncio de José Mourinho como novo treinador do Benfica é esperado durante as próximas horas.
Numa fase em que o acordo entre os encarnados e o técnico está preso por detalhes, Mourinho pode mesmo orientar o próximo treino da equipa, tendo em conta que o trabalho esta quarta-feira no Seixal ficou limitado a um treino de recuperação para os titulares depois do encontro frente ao Karabag. O Observador apurou que Mourinho aceita assinar contrato apenas até o final da época e pode baixar, e muito, o salário em comparação com o que recebia no Fenerbahçe.
Médicos e administradores hospitalares discordam sobre a criação de uma urgência regional de obstetrícia na Península de Setúbal.
Uma medida anunciada hoje pela ministra da Saúde. O objetivo é ter o Hospital Garcia de Orta a funcionar em permanência e o Hospital de Setúbal a receber os casos referenciados, quer pelo SNS 24, quer pelo INEM. A Associação Portuguesa que representa os administradores hospitalares vê com bons olhos esta medida, uma medida proposta pelos próprios administradores nos últimos meses. Xavier Barreto, presidente da associação, diz que com os recursos limitados do SNS, esta é a solução ideal.
Nós achamos que faz sentido. Aliás, temos defendido ao longo dos últimos meses, porque de facto, com os recursos que temos atualmente, com os médicos que temos na Península de Setúbal, distribuídos por estes três hospitais, a criação de uma urgência regional é aquilo que melhor pode servir as pessoas. O que não faz sentido é aquilo que nós temos tido: escalas incompletas em três hospitais, que depois não permite que nenhum deles continue aberto e que nenhum deles mantenha qualquer tipo de resposta para as grávidas na margem sul. Isso é que não faz sentido absolutamente nenhum.
Declarações de Xavier Barreto, é presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
Opinião diferente tem a Federação Nacional dos Médicos, que vê com preocupação a nova medida do governo.
A presidente do sindicato, Joana Bordalo e Sá, diz que se trata de uma falsa solução, que não vai resolver a ausência de cuidados de proximidade.
Acima de tudo, é uma falsa solução. Basicamente, ao dizerem que vão criar esta urgência regional concentrada no Hospital Garcia de Orta, estão a dizer à população que vão continuar sem cuidados de proximidade, de acesso direto das grávidas ao Hospital do Barreiro e ao Hospital de Setúbal. Sendo que a margem sul são quilómetros e quilómetros de distância e, portanto, as grávidas vão continuar a correr esses quilómetros e a ter os seus bebés nas ambulâncias. Acima de tudo, esta proposta de urgências regionais sem resolver a escassez crônica de médicos, isto é um risco.
Declarações de Joana Bordalo e Sá, que sublinha que o problema não é logístico, mas sim estrutural perante a falta de médicos do SNS.
A esta hora, centenas de imigrantes estão concentrados em frente ao Parlamento. É uma ação de protesto marcada pela Associação Solidariedade Imigrante.
Com palavras de ordem como "documentos para todos", foi o mesmo grupo de imigrantes que organizou um protesto em frente ao Centro de Instalação Temporária no Porto. Uma manifestação que decorre no dia em que são retomados os debates na Assembleia da República sobre as leis da imigração e da nacionalidade. Vamos para lá, em direto neste Jornal das Três, ao encontro do repórter Vasco Maldonado Correia. Vasco, boa tarde, bem-vindo. Há dirigentes partidários a participar nesta manifestação?
João, há delegações do Livre, do PCP e também do Bloco de Esquerda. Já vamos às reações desses partidos, mas dizer apenas, dar nota do que me rodeia. Estão aqui centenas de imigrantes, há muito barulho, como creio que conseguirão ouvir, centenas de pessoas que estão aqui sentadas no chão, está muito calor, têm cartazes em que apelam ao fim da discriminação, garantem que não são criminosos, são só imigrantes que querem trabalhar. Estão a ser feitos também discursos nas mais diversas línguas. Eu tive que me afastar aqui um pouco para ter condições para fazer este direto. Mas como dizia, são imigrantes que fazem uma série de exigências. A comunidade apela uma ação urgente e concreta por parte do governo, do Parlamento, também da AIMA, para, por exemplo, permitir as autorizações de residência automáticas para imigrantes que tenham vivido e contribuído durante cinco anos ou mais, também a proteção das famílias e das crianças nascidas ou criadas em Portugal. Como dizias, os partidos por aqui andam, a líder parlamentar do Livre, há pouco dizia-nos, Isabel Mendes Lopes, que o partido quer mostrar que essas pessoas que aqui estão são aceites no país.
Portugal não é um sítio de ódio, não é um sítio onde as pessoas devem ser afastadas. Não, as pessoas devem ter o direito a viver aqui em Portugal e é este o nosso país, é um país de imigração e de emigração, onde temos a obrigação de acolher e acolher bem e fazer com que as pessoas façam parte da nossa comunidade, todos ganhamos com isso.
Já a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, denunciava aqui há pouco a exploração destes trabalhadores que, garante, contribuem para a Segurança Social e merecem, por isso, também respeito.
Expressamos a nossa solidariedade com os trabalhadores imigrantes. Estamos a falar de trabalhadores que procuram no nosso país uma vida melhor, que trabalham, que vivem cá, que descontam. E, portanto, a resposta que tem que ser assegurada é de integração, de acolhimento, de garantia de condições de trabalho, de garantia de condições de vida, de regularização da sua documentação, porque a situação de ilegalidade e de não estarem numa situação regular é que de fato fragiliza, e muito, estes trabalhadores, deixando-os mais vulneráveis, mais expostos à exploração.
E como também creio que será audível, vai-se ouvindo aqui muito barulho, muitos gritos de ordem, não param de chegar pessoas. Além destes dois partidos que aqui ouvimos, também passou aqui há pouco uma delegação do Bloco de Esquerda, liderada pelo dirigente José Soeiro, que também se quis associar a esta iniciativa, sabendo que para daqui a cerca de 40 minutos está marcado o momento que pode ser mais hostil. André Ventura, o presidente do Chega, vem aqui fazer declarações, momento que aqui estaremos para acompanhar.
A reportagem direto do Vasco Maldonado Correia, com barulho bastante audível desta manifestação à porta da Assembleia da República.
Voltamos agora ao desporto. João Almeida acredita que o segundo lugar na Vuelta deixou boas sensações para o futuro.
Esteve aqui na Rádio Observador, num episódio especial de "E o Campeão É". O ciclista da UAE Team Emirates afirma que a equipa podia ter conseguido mais, afirma que apesar de não ter conquistado o lugar mais alto do pódio, está contente e com o desejo de discutir mais grandes voltas no futuro.
Acho que foi muito bom. A sensação que eu tenho é que não daria para vencer o UAE Team Emirates, então acho que terminamos num belo segundo lugar e com aspirações para o futuro fazer ainda melhor.
O atleta de A dos Francos refere que a equipa podia ter tido uma estratégia distinta em algumas etapas. Ainda assim, João Almeida reforça que nas etapas de montanha é cada um por si.
Talvez um diazinho faltou. Não vou desmentir, porque eu acho que houve ali um dia que podíamos ter feito melhor e não fizemos, mas no geral, nos outros dias todos estivemos excelentes. A equipa apoiou-me bastante. Há muito trabalho que é invisível, que não se vê nas câmaras, que é na parte inicial e quase até ao fim. Depois chega a um certo ponto que é cada um por si e ter um companheiro não faz absolutamente diferença nenhuma. Por exemplo, em subida, não faz qualquer diferença. Portanto, acho que nenhuma equipa é perfeita e nós não estivemos perfeitos, mas demos o nosso melhor e também acabou ainda com os erros.
E diz ainda que gostaria de correr mais uma vez na Volta à Itália.
Destaques de uma entrevista ao ciclista João Almeida. Aconteceu na edição de hoje de "E o Campeão É", está já disponível na íntegra no YouTube do Observador e nas plataformas de podcast. Vamos às notícias de âmbito local.
Começamos no Barreiro, onde os transportes coletivos estão em greve. Esta quarta-feira os constrangimentos começaram às 04h30 da manhã, terminam pelas 02h30 da madrugada de quinta-feira. A estação de passageiros no Porto de Leixões, em Matosinhos, foi classificada como monumento de interesse municipal. O anúncio foi publicado hoje mesmo em Diário da República. O Instituto Politécnico de Leiria está envolvido num projeto que está a avaliar a qualidade do ambiente interior das salas de aula. A docente responsável explica que foram instalados sensores de monitorização. Uma nova residência de estudantes em Santarém é inaugurada esta tarde. A cerimónia vai contar com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e também do autarca de Santarém, João Teixeira Leite. A Câmara Municipal de Aveiro atribui 14,6 milhões de euros para várias obras. Entre estas empreitadas está a requalificação do Museu de Aveiro, Santa Joana. E a Câmara Municipal de Oeiras promove atividades desportivas gratuitas e ao ar livre, a propósito da Semana Europeia da Mobilidade.