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De muito calor. Começa o Jornal das Quatro, edição do jornalista Luís Soares. Começamos por André Ventura, Luís, que promete usar todos os poderes potestativos para que sejam entregues todas as comunicações à Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gémeas.

Reação do líder do Chega, depois do presidente da Assembleia da República ter pedido um parecer à Procuradoria-Geral da República sobre a legalidade do pedido do Chega para que os deputados tenham acesso às mensagens de Marcelo Rebelo de Sousa sobre esse tema. Além disso, o PSD pediu a suspensão de todos os pedidos de acesso a registros ou cópias de comunicações por parte de pessoas singulares. Numa conferência de imprensa no Parlamento, André Ventura acusa a Guerra Branco e o PSD de estarem a tentar boicotar o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito e assegura que não vai deixar passar a questão em claro.

Estou convencido que estamos perante uma tentativa articulada do boicote deste trabalho e nós não deixaremos passar isso em claro. Nós vamos usar todos os poderes que tivermos potestativos nesta matéria e que vamos analisar e vamos insistir para que todos, porque em Portugal ninguém está acima da lei, do presidente da República até ao mais baixo funcionário do Estado, entreguem todas as comunicações que tenham, sejam elas e-mails, sejam elas WhatsApps, sobre este caso.

Garantia do líder do Chega, André Ventura. Entretanto, o plenário da Assembleia da República aprovou a suspensão dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gémeas entre 26 de julho e 9 de setembro.

Em destaque também a esta hora o plano de reestruturação da Santa Casa da Misericórdia, que é apresentado esta tarde ao governo. Mas, Luís, a ministra do Trabalho e da Segurança Social diz que o documento não é para divulgação pública.

A revelação foi feita pelo novo provedor, Paulo Alexandre de Sousa, ao lado de Maria do Rosário Palma Ramalho, à margem de uma visita à Unidade de Atendimento à Pessoa em Situação de Sem-Abrigo da Santa Casa de Lisboa. Apesar do anúncio, nem o provedor nem a governante quiseram dar mais detalhes sobre o documento. A ministra diz mesmo que o plano de reestruturação é para ser executado e não para ser divulgado.

Nós tínhamos combinado, o senhor provedor e eu, um prazo para a apresentação deste plano de reestruturação, que foi escrupulosamente cumprido pelo senhor provedor. Como disse, vamos agora a seguir reunir internamente sobre essa matéria. Era um plano de reestruturação que não existia na anterior mesa, o que muito nos espantou, mas gostamos de olhar para o futuro e, portanto, fico contente que as coisas tenham mudado, mas evidentemente, isto é um projeto interno, não é para divulgação.

Declarações de Maria do Rosário Palma Ramalho esta tarde, depois de uma visita à Unidade de Atendimento à Pessoa em Situação de Sem-Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O plano de reestruturação é apresentado esta tarde ao Executivo. Já tinha sido pedido pelo governo em abril à anterior provedora, Ana Jorge.

Destaque agora para a atualidade internacional. Depois de reeleita presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen destaca a votação superior a 2019 e vai voltar a pedir aos países para indicarem um homem e uma mulher para comissários.

Declarações feitas numa conferência de imprensa, lado a lado com a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola. A von der Leyen fala no momento especial, diz estar orgulhosa de ter o apoio da maioria do Parlamento Europeu. Sublinha que a melhoria do resultado é um reconhecimento do trabalho feito no último mandato.

Este é um momento muito emocionante e especial para mim. Eu quero agradecer a confiança e o apoio da maioria do Parlamento Europeu. 401 votos a favor da minha eleição. Da última vez, tive oito votos acima da maioria. Agora, desta vez, tive 41, um resultado muito melhor. Demonstra a confiança do Parlamento e é um reconhecimento do trabalho feito no último mandato.

Sobre os próximos cinco anos, Ursula von der Leyen já fez saber que vai escrever uma carta aos países para que indiquem o nome de um homem e de uma mulher para candidatos à Comissão. Depois vai entrevistar os candidatos a partir de meados de agosto e optar por aqueles que estejam mais bem preparados para o compromisso europeu. Questionada também sobre as eleições norte-americanas, garante à presidente da Comissão que quer uma Europa forte, independentemente das eleições noutras partes do mundo. Nesta conferência de imprensa conjunta, Roberta Metsola, a presidente também reeleita do Parlamento Europeu, fala numa merecida reeleição de Ursula von der Leyen e diz que o voto é claro a favor dos membros do Parlamento Europeu. É uma prova da forte liderança e também que é a melhor decisão para a Europa.

Quem já felicitou Ursula von der Leyen pela reeleição como presidente da Comissão Europeia foi também o ministro dos Negócios Estrangeiros português.

Paulo Rangel garante que o governo vai continuar a privilegiar a excelente cooperação com esta instituição-chave da União Europeia. Na rede social X, Paulo Rangel deseja votos de sucesso a von der Leyen. Também reagiu António Costa, o futuro presidente do Conselho Europeu, sublinha que a reeleição aconteceu com base numa maioria muito abrangente. Na rede social X também escreve que esta é uma boa notícia para a Europa e para os europeus, sublinhando António Costa que será um gosto trabalhar em equipa pela Europa.

Já os eurodeputados portugueses dividem-se na reação a esta reeleição. A AD deixa elogios ao PS.

Por ter cumprido o acordo alcançado entre as várias famílias políticas para os cargos de topo. Sebastião Bugalho, eurodeputado da AD, admite que estava tranquilo quanto à reeleição, fala num caminho construtivo das famílias europeias, já que mais de metade dos eurodeputados votaram a favor desta candidatura.

Eu acho que o resultado é muito positivo e sobretudo acho que prova que é uma vitória da moderação, do bom senso e que é possível que as famílias europeias cumpram a sua palavra. E aí, nesse sentido, também tenho que cumprimentar o Partido Socialista Europeu e o Partido Socialista Português. Houve um acordo que foi feito entre as três maiores famílias e esse acordo foi claramente cumprido. É o que esta votação mostra. Isso quer dizer que esta Europa está pronta para enfrentar os desafios do futuro com essa capacidade de consenso e diálogo. Eu acho que isso é muito positivo.

Reação de Sebastião Bugalho da AD. Também a eurodeputada do PS, Marta Temido, se mostrou satisfeita com a votação, tendo em conta também as aproximações da presidente da Comissão Europeia ao programa dos socialistas.

Penso que é um dia bom para aqueles que acreditam num projeto europeu que é progressista, que avança, que responda aos problemas da habitação. É um tema muito importante e que, como sabem os portugueses todos, é um tema pelo qual nos batemos em campanha, que dissemos que tinha que ter respostas concretas e hoje a senhora von der Leyen foi mais longe do que aquilo que é a sua família política e mostrou que é possível fazer consensos com aproximações. Estamos satisfeitos.

A satisfação de Marta Temido. Já a Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, garante que vai haver escrutínio do mandato de von der Leyen.

Num universo de 712 ou 707 votantes, acho que não é substancialmente diferente. Acho é que Dada a inexistência de força política em França, por motivo das recentes eleições, e na Alemanha por via da pouca apetência do Olaf Scholz por fazer grandes reformas a nível europeu, terá de partir das instituições europeias o drive para esta próxima legislatura. Isto, em princípio, dá muito mais responsabilidade às instituições europeias de tomarem essa iniciativa, mas tem que funcionar em coordenação e não pode estar à espera que o Parlamento Europeu não exerça a sua função escrutinadora.

A reação de João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal. À esquerda e também no Chega, a reação é diferente. Tanger Correia diz que a reeleição de Ursula von der Leyen era esperada, mas não é nada de positivo. A declaração também feita por Tanger Correia em Estrasburgo.

O resultado era esperado, em primeiro lugar. Em segundo lugar, consideramos mal que a von der Leyen tenha sido reeleita, devido não só aos últimos anos que ela teve à frente da Comissão, como também à decisão ontem do tribunal. Não é que a tenha culpado, mas pelo menos transformou as suposições em realidades, ou seja, falta transparência e, eventualmente, atos de corrupção.

O Chega discorda da reeleição de von der Leyen. Também eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda, Catarina Martins fala numa aliança que trai os portugueses que votaram por uma alternativa.

Nós temos vindo a denunciar o que foi o acordo de largas famílias políticas, que contraria até o que várias dessas famílias políticas prometeram nas eleições. Nós tivemos agora Ursula von der Leyen a ser eleita com votos de socialistas ou de verdes que prometeram combater as políticas que von der Leyen teve enquanto presidente da Comissão Europeia. Esta é uma aliança que eu acho que trai o voto de quem apostou em alternativa. É uma aliança que vai dos socialistas e dos verdes aos liberais, à direita, aos conservadores. Ursula von der Leyen não teve, seguramente, o voto da esquerda.

Posição de Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, partilhada, de certa forma, também pelo eurodeputado do PCP, João Oliveira, que diz que faltam soluções para os problemas.

Porque manifestamente o discurso que ouvimos hoje é um discurso que, mesmo quando aflora algumas dessas questões, não aponta nenhuma solução para as contradições. Fala-se de habitação, mas não se fala de levantamento das restrições ao investimento público, fala-se de acesso à saúde, à educação, à segurança social, não se fala do pacto de estabilidade, das regras da governação económica, que, na prática, constituem um garrote e um estrangulamento à possibilidade de garantir os direitos sociais. E, portanto, é na afirmação do caminho concreto que é preciso percorrer para garantir todos esses direitos e essa resposta aos problemas dos povos, tendo verdadeiramente se afirmar a alternativa a este caminho. E há uma alternativa que só se pode encontrar à esquerda, não se pode encontrar em mais lado nenhum.

A reação dos eurodeputados portugueses em Estrasburgo, divididos quanto à reeleição de Ursula von der Leyen para um novo mandato à frente da Comissão Europeia.

A presidente do Banco Central Europeu também já felicitou von der Leyen. Foi na conferência de imprensa em que explicou que as taxas de juro na Europa vão manter-se inalteradas.

Ficam nos 3,75%, informação avançada pelo BCE. Depois, em conferência de imprensa, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, falou em resultados estáveis para explicar a decisão de manter as taxas de juro sem alterações. Diz também que a inflação deve manter-se acima do previsto ao longo do próximo ano.

O Conselho do BCE decidiu manter as três principais taxas de juro sem alterações. As informações que nos chegam suportam a nossa decisão sobre os efeitos a longo prazo. Sobre a inflação, alguns indicadores foram irregulares em maio, devido a vários fatores, mas regularizaram em junho. A maioria mostrou estabilidade com base nas informações que temos. Ainda assim, e em linha com as nossas expectativas, as políticas monetárias continuam a restringir as condições financeiras. Ainda há pressão sobre preços domésticos que estão elevados. Como tal, a inflação deve manter-se acima dos nossos objetivos até o próximo ano.

Christine Lagarde a explicar o que motiva a manutenção das taxas de juro na Europa. A presidente do Banco Central Europeu deixa em aberto um cenário de um corte nas taxas de juro a partir de setembro.

Há outras notícias em destaque a esta hora. Luís, chegou agora a altura de olharmos para elas, quando são 16h10.

A Autoeuropa diz que o recurso ao lay-off é para ajudar a gerir paragens de produção cerca de 60 dias, devido à modernização da fábrica de Palmela. É a justificação apresentada pela administração da empresa hoje no Parlamento, numa audição na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, isto no âmbito de um requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PCP sobre as consequências que o lay-off pode ter junto dos trabalhadores da Volkswagen Autoeuropa e dos trabalhadores das empresas fornecedoras. Nos Estados Unidos, os pedidos de subsídio de desemprego subiram para 243 mil, um aumento de mais de 20 mil nesta última semana. É também o valor mais alto desde agosto de 2023. São dados divulgados hoje pelo Departamento do Trabalho norte-americano. A Rússia admite lançar mísseis nucleares para a Ucrânia, diz, caso os Estados Unidos da América coloquem armas de longo alcance na Alemanha em 2026. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo diz mesmo que não descarta nenhuma opção e que pode implicar o fim definitivo dos acordos sobre o controle de armamento na região, uma informação avançada pela agência russa Interfax. E os cientistas querem descobrir mais sobre o comportamento das cascavéis e por isso instalaram uma webcam numa toca com estes animais no norte do Colorado, nos Estados Unidos da América.

É uma espécie de Big Brother das cobras, é isso?

É mais ou menos isso. No entanto, uma toca com quase duas mil cascavéis pode não ser para muitas pessoas o melhor lugar para um binge-watching, ou para watching, aliás, para se ver de forma compulsiva. Mas para quem for amante de cobras ou cientista, esta webcam está a funcionar 24 horas por dia, pode ajudar a compreender melhor estes répteis. Aliás, as pessoas que assistem on-line até estão a dar dicas aos cientistas e a alertar para eventos que eventualmente eles possam ter perdido.

Mas ainda não estão a decidir qual das cobras é que deve sair a cada fim de semana.

Acho que não. A câmara está instalada desde maio, mas agora pode vir a ficar mais interessante, já que em agosto, mês que vem, está previsto que nasçam mais cascavéis e também é quando as cobras voltam de áreas vizinhas para começarem a preparar o inverno. É ao contrário, em vez de saírem da casa, entram na casa.

Entram na casa. Bom, vou tentar procurar essa transmissão. Acho que ainda não está em nenhum canal por cabo, mas o Big Brother das cobras no final do jornal das 16h, edição do Luís Soares. Até já, Luís. 16h13.