Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
As notícias. Jornal das quatro da Rádio Observador. Notícias com edição de Miguel Cordeiro. Em destaque: esperam-se dias complicados na resposta às grávidas da Península de Setúbal. A partir de sábado, esta região vai ficar vários dias sem uma única urgência de ginecologia obstetrícia aberta.
Dados disponíveis no portal dos serviços de urgência do SNS. São três serviços de urgência de ginecologia obstetrícia que vão estar fechados. O Hospital do Barreiro tem esse serviço encerrado já desde esta manhã. A partir desta noite, o serviço encerra no Hospital de Setúbal. A partir de sábado, é o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que encerra este serviço e a partir daí, de sábado, os três serviços ficam encerrados pelo menos até terça-feira, dia 15. Digo pelo menos até aí, porque no portal do SNS só há dados até esse dia, 15 de julho. Acontece que os três hospitais vão também ter estas urgências de ginecologia e obstetrícia encerradas já esta noite. Acontece entre as 20h e as 8h de amanhã.
E os autarcas da Península de Setúbal estão preocupados com esta situação.
Dizem que não há surpresa no que está a acontecer. Reconhecem que é uma situação grave. À Rádio Observador, Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, fala de um problema recorrente.
Preocupação enorme, surpresa nenhuma. E por que eu estou a dizer isto? Porque esta questão dos encerramentos das urgências de obstetrícia é uma questão que se coloca sempre na altura do verão. E eu vou repetir aquilo que há um ano certamente falamos, e já falámos sobre isto. Nós estamos a falar de uma região que está com cada vez mais população e que tem cada vez menos respostas a este nível. E nós sabemos que é preciso dar, eu tenho que repetir até à exaustão esta palavra, previsibilidade no sistema, como é óbvio, mas é muito importante que se tome medidas de fundo.
Frederico Rosa lamenta a situação e pede respostas que possam permitir que este tipo de situação não se repita. Também na Rádio Observador, escutámos a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, mostra-se indignada.
Quero expressar a minha profunda indignação com mais esta situação completamente caótica das urgências. Continuamos sem perceber qual é o plano de verão e, sobretudo, contrariamente ao que acontecia anteriormente, mais uma vez, os municípios não são informados de coisíssima nenhuma.
A presidenta da Câmara Municipal de Almada aponta também para a falta de respostas do Ministério da Saúde.
Nunca tive a honra de ter qualquer contacto nem com o Ministério da Saúde, nem sequer com o diretor executivo. Nada. Nunca nos chamaram para nada.
Preocupação dos autarcas da Península de Setúbal perante o cenário de rutura nas urgências de ginecologia e obstetrícia durante os próximos dias.
E seguimos agora com o tema justiça. Depois do episódio com escutas esta manhã no julgamento da Operação Marquês, José Sócrates assume que não tem qualquer respeito pelo que diz o Ministério Público.
Na parte da manhã, o procurador Rui Rial pediu a reprodução de uma escuta telefônica, escuta em que José Sócrates detalhava uma conversa com Mário Soares e Almeida Santos sobre a vida íntima de António de Oliveira Salazar. Um episódio que o antigo primeiro-ministro classificou como indigno e que até foi lamentado pela própria juíza. Entretanto, foi feita uma pausa de almoço. Está agora conosco em direto o Vasco Malhado Correia. Vasco, depois do regresso dos trabalhos, já durante esta tarde, a partir das 14h30, José Sócrates vai mostrando que não se esquece do que aconteceu durante a manhã, quando foi transmitida essa escuta.
E sim, nos primeiros dois dias, os momentos de tensão no julgamento eram protagonizados entre José Sócrates e a juíza Susana Seca. Agora, o antigo primeiro-ministro tem um novo alvo, o procurador Rui Rial. Na pausa para o almoço, ouvimos aqui José Sócrates dizer que o procurador não tem escrúpulos, pediu até o afastamento do processo. Ora agora, nesta parte da tarde, o ex-governante foi respondendo de maneira irônica a algumas perguntas que Rui Rial lhe foi fazendo. Por exemplo, depois do procurador não ter percebido um dos esclarecimentos que José Sócrates fez, ouvimos aqui o antigo primeiro-ministro dizer que qualquer pessoa de boa fé o teria entendido, qualquer pessoa com uma mente perversa não iria entender. Estes episódios levaram o procurador a queixar-se ao tribunal que não era a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que Sócrates desrespeitava o Ministério Público. Ora Sócrates interrompeu e disse que se foi essa a sensação que ficou no ar, é porque é mesmo verdade, depois da reprodução das escutas que aconteceu esta manhã, não tem mesmo qualquer tipo de respeito pelo que diz o Ministério Público. Depois da insistência da juíza, acabou por concordar parar de fazer apartes, mas o clima de hostilidade é óbvio. De resto, Miguel, nesta parte da tarde têm estado a ser reproduzidas várias outras escutas. Numa delas pudemos ouvir o motorista João Perna referir que deixou Sócrates em casa de Ricardo Salgado e que a noite durou até perto das duas da manhã. Sócrates, que tinha ontem garantido que só lá foi entregar um livro, que ficou apenas por meia hora. Ora, depois desta escuta, o arguido garantiu que, na verdade, tinha ficado em casa de Salgado meia hora e que depois tinha ido para uma outra casa, também no Estoril, onde foi apanhado depois por João Perna. Recusou dizer onde ficava esta casa. Destaque também para uma outra escuta em que José Sócrates fala com a antiga secretária, Maria João, a pedir o número de Ricardo Salgado. A secretária refere a existência de um número do ex-banqueiro que servia apenas para ser contactado pelo primeiro-ministro.
Vasco Malhado Correia, a partir do Campus da Justiça, a acompanhar o julgamento da Operação Marquês.
A Ministra da Justiça promete continuar o diálogo para desatar o nó da greve dos magistrados.
É uma paralisação por causa da distribuição de lugares em vários departamentos e tribunais em simultâneo, já a partir de setembro. O Sindicato de Magistrados do Ministério Público aponta para uma paralisação que ronda os 90%. Não levou à interrupção dos trabalhos da Operação Marquês, porque os procuradores que estão nesse julgamento não aderiram à greve. Isso é desvalorizado pelo sindicato, que aponta para essa paralisação de quase 90%. Mas na reação à greve, a ministra Rita Alarcão Júdice diz que, apesar de não poder estar envolvida nas conversações entre o Procurador-Geral da República e os magistrados, diz que vai continuar a dialogar. Tem como objetivo colocar um ponto final nessa paralisação.
Como Ministra da Justiça, não posso interferir num processo que envolve discussões entre o Procurador-Geral da República, o Conselho Superior do Ministério Público e os sindicatos. O que eu posso fazer, fiz e farei, continuarei a fazer, é poder ajudar o diálogo e trazer algum contributo que possa ajudar a desatar algum nó.
As palavras da Ministra da Justiça esta manhã em Leiria, em resposta a uma das reivindicações do sindicato sobre a necessidade de criar um curso especial para aumentar o número de procuradores. Rita Alarcão Júdice indica que esta medida não ia dar resposta à preocupação do sindicato.
E agora, Miguel, que outras notícias estão a marcar a atualidade?
Insolvente, o Boavista passou a insolvente ontem à tarde. Horas antes, os terrenos do clube foram leiloados. A insolvência foi confirmada ontem pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, desde as 15h desta terça-feira que o Boavista passou a insolvente. Isso até poderia ter travado a perda de terrenos se a sentença tivesse sido proferida antes do fim do leilão, que chegou ao fim durante a manhã. O Boavista vai agora avançar com um plano de recuperação. A direção do clube garante que começa agora uma nova fase de responsabilidade. Para fechar, falamos de um investigador português que criou pulseiras que permitem detetar drogas nas bebidas.
E como é que estas pulseiras funcionam?
Basta colocar uma gota da bebida ou até um pouco da própria saliva na pulseira. Se a bebida estiver contaminada, a pulseira vai apresentar, em segundos, uma cor diferente ao que tinha inicialmente, dependendo, claro, da droga que está a ser utilizada. O sensor pode passar de amarelo-claro a um tom mais avermelhado ou então de laranja para verde.
Isso é fiável, não há margem para erro?
O cientista, o criador, diz que há pouca probabilidade de existirem falsos positivos e confirma que não houve problemas durante os testes com todo o tipo de bebidas e também com todo o tipo de substâncias.
Isso é espetacular. E posso usar a pulseira mais do que uma vez?
Depende. Se o teste for positivo, ou seja, se der positiva uma droga, uma substância na bebida, não, porque a pulseira já não dá para utilizar mais. Agora, se o resultado for negativo, a pulseira pode continuar a ser utilizada durante cerca de cinco dias. O prazo de validade foi, na verdade, desenhado para corresponder aproximadamente à duração dos festivais.
E a pulseira já está disponível em Portugal?
Em Portugal ainda não está disponível. O investigador prevê que chegue a Portugal entre setembro e outubro deste ano. Em Espanha, o produto já circula em festas e festivais. Acontece na região de Valência. Já foram adquiridas mais de 500 mil pulseiras. Pode ser, de fato, uma revolução na vida dos bares e dos festivais. É uma pulseira criada por um investigador português que permite detetar as drogas nas bebidas e que tem essa validade de pelo menos cinco dias se os testes forem dando negativos.
Espetacular. E é made in Portugal.
É feita por um investigador português.
Exatamente. Está bom. E assim fechamos o Jornal das Quatro, edição de Miguel Cordeiro. Já de seguida temos Gabinete de Guerra.