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Este é o Jornal das Quatro na Rádio Observador, tem edição do Miguel Videira. Miguel, começamos com a notícia de uma explosão de gás numa empresa de Estarreja, no distrito de Aveiro. Terá provocado até agora cinco feridos graves.

Sim, a explosão ocorreu por volta das 14h, de acordo com o Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da região. A explosão aconteceu na Prozinho, uma empresa de construções metálicas e manutenção mecânica. Três das vítimas foram transportadas para o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, com recurso a um helicóptero. As outras duas estão a receber tratamento no Hospital de Aveiro.

Nas presidenciais, foi decidido o adiamento da votação em duas secções de voto no Conselho de Santarém.

Em Reguengo de Alviela e na Ribeira de Santarém, duas aldeias isoladas devido à subida do nível das águas do rio Tejo. Justifica a autarquia que, tendo em conta que as estradas de acesso estão inundadas e instáveis, não é possível garantir a montagem das mesas, o transporte de materiais e a circulação dos eleitores. Assim, foi decidido adiar a votação nestes locais. De resto, hoje, alguns moradores da aldeia de Reguengo de Alviela foram retirados de casa por precaução.

Também em Leiria há uma freguesia que vai adiar esta votação.

Bidueira de Cima. O pedido partiu da Junta de Freguesia e depois de uma vistoria ao edifício onde deveria ser instalada a assembleia de voto, a Câmara Municipal decidiu adiar a votação por uma semana, também para o próximo dia 15 de fevereiro.

Continuamos por Leiria, porque é nesse distrito onde estão mais clientes ainda sem energia elétrica.

É isso que revela a E-Redes. Ao meio-dia eram quase 50 mil, de um universo de mais de 90 mil clientes sem abastecimento de eletricidade, um número superior ao balanço anterior feito pela empresa responsável pela distribuição de energia elétrica.

E depois da Christine e de Leonardo, aí está uma nova depressão, Marta, prestes a chegar ao continente. Traz chuva, vento forte, agitação marítima e também queda de neve.

De acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o período de chuva mais intenso deve ocorrer entre as 06h deste sábado e 12h de domingo. É motivo de preocupação para o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre.

Vamos ser afetados novamente por uma nova depressão, a depressão Marta, que irá também trazer chuva intensa, nomeadamente na noite de sexta para sábado. E portanto, mais uma vez, estaremos perante um fenômeno meteorológico com previsões de bastante chuva e inclusive de bastante vento, com rajadas que podem chegar aos 100 km/h.

E com estruturas já fragilizadas pelas outras tempestades, o risco de destruição é maior. Há também grande preocupação com a subida dos caudais dos rios. Há um risco de cheias. Há cinco rios com risco elevado: o rio Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado. Ainda assim, fora desta lista, a Proteção Civil afirma que está especialmente atenta a outra bacia hidrográfica.

As nossas principais preocupações, e onde estamos muito focados neste momento, têm a ver com o rio Douro, em virtude das barragens espanholas. O rio Mondego, a cota da barragem da Aguieira subiu significativamente e, portanto, estamos a conseguir fazer uma gestão muito fina daqueles caudais, garantindo que o dique do rio Mondego não tem problemas de maior. Estamos com a APA a acompanhar em permanência também essa situação.

Face às previsões, a Proteção Civil volta a apelar à população que adote comportamentos preventivos. O mesmo apelo foi feito há instantes pela ministra do Ambiente, Graça Carvalho. Aviso para os potenciais impactos da passagem pelo território continental da depressão Marta. Até porque, sublinha a ministra do Ambiente, não vai ser possível fazer uma gestão criteriosa das barragens.

Entre o Leonardo e a Marta, não temos tempo para fazer descargas. Nem tempo, nem condições. Temos muito pouco tempo. Segundo as indicações, a Marta pode chegar já hoje ao fim do dia ou amanhã de manhã. O Leonardo, tivemos aqui um par de horas de intervalo e os terrenos estão muito cheios de água e, portanto, não aguentam.

É uma dificuldade adicional aqui sublinhada pela ministra do Ambiente. Volto a referir, de acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o período de chuva mais intensa, que deve afetar em especial a região Centro e Sul do país. O período de chuva mais intensa deve ocorrer entre as 06h e 12h deste sábado, com o pico às 08h.

Em Alcácer, com a água a recuar, começam os trabalhos de limpeza e a população começa a perceber a dimensão dos estragos.

Casas, comércios, serviços, a baixa de uma cidade arruinada pelo Sado, que subiu a um nível nunca antes visto. O repórter Miguel Cordaro tem estado durante todo o dia na baixa de Alcácer e conta-nos agora o testemunho que chega da Casa Paroquial.

As cheias em Alcácer do Sal, na baixa da cidade, chegaram até à Casa Paroquial e o resto de chão ficou todo inundado no primeiro e segundo andar. As irmãs desta Casa Paroquial tiveram de acolher as que estavam no resto de chão. Tenho comigo uma das irmãs que habita neste resto de chão. Diga-me o seu nome.

Eu sou a irmã Metódia.

Irmã Metódia, vive aqui neste rés-do-chão, teve água pelos ombros.

Sim. Nós vivíamos no primeiro andar. Meu quarto está no primeiro andar, não consegui tirar as coisas. Assim que me expandi, a água já está no quarto. Entrei por cima do peito, a minha roupa toda, a cama, tudo ficou. Só consegui tirar algumas coisas e tem uma irmã que deixou perder o telefone, foi com a água e faltava só dois degraus para subir no segundo andar. Mas é muito triste e lamentável, porque estamos aqui há apenas três anos, viemos de Angola em missão e logo no segundo ano de missão aconteceu isso, ficamos sem palavras, mas Deus é que sabe.

Já conseguiram o quarto?

Não consegui o quarto. Hoje saí de manhã cedo, fui trabalhar na Santa Casa da Misericórdia. Não consegui o quarto, porque ainda tinha água.

Mas o cenário que vemos aqui do lado de fora, de facto, a água subiu bastante, conseguimos ver a marca na parede bem para lá da porta. Ainda temos água em parte deste edifício. Já tem alguma previsão de quando é que pode perceber os estragos que tem no seu quarto?

Sim, assim que chegar em casa vou lá ver como é que está, se consigo tirar algumas coisas para pôr no sol, para ver se conseguimos aproveitar algumas coisas, mas acredito que não, porque o colchão acho que não aproveito, mas não temos como fazer.

Obrigado pela sua descrição. Mais uma das pessoas que sofreu com esta subida do rio Sado e com este cenário de cheia à frente da porta de entrada desta casa paroquial. De uma das portas está um grande pedaço de madeira, o que serviria muito provavelmente para o estrado de uma esplanada. Também muitas canas, muito lixo, muito plástico e os sacos de areia que foram utilizados para tentar evitar que a água entrasse, entrou com muita força, subiu aqui neste rés-do-chão até ao nível dos ombros.

Isso mesmo testemunhou o jornalista do Observador, Miguel Cordeiro, o repórter do Observador que tem estado em Alcácer do Sal a testemunhar os efeitos do mau tempo.

Miguel Vieira também conosco neste jornal das 16h, agora para falar de António José Seguro. Pondera visitar as regiões mais afetadas pelo mau tempo na próxima semana, a título pessoal, mas garante que não vai para fazer campanha.

E justifica: há eleitores que só vão votar no dia 15 de fevereiro. De resto, como já aqui demos conta nesta edição das 16h. Para o candidato, a campanha acaba hoje, o que não invalida que se desloque ao terreno sozinho.

Neste momento, a campanha eleitoral termina às 19h. O que eu farei para a semana não está ainda decidido, mas de toda forma posso dizer que a minha intenção é não fazer campanha nessas zonas que estão abrangidas. Aliás, as pessoas têm informação suficiente. Agora, porventura, farei aquilo que fiz logo do início. Irei discretamente a essas regiões, se isso for útil para ajudar a minorar as dificuldades com que as pessoas passam.

António José Seguro é candidato à presidencial que esteve esta manhã no Porto, cumpre o último dia de campanha antes das eleições de domingo.

E André Ventura acusa António José Seguro de mentir.

Sim, tem em causa os contactos feitos entre os candidatos por causa da proposta de André Ventura para o adiamento do ato eleitoral em Beja. André Ventura diz que já falou ao telefone com Seguro e entre críticas ao adversário, teve, Miguel Viteiro Dias, um lapso de linguagem sobre quem vai vencer as eleições.

Na reta final e no meio da crítica à atitude de António José Seguro sobre o adiamento das eleições, André Ventura teve um deslize sobre o vencedor.

A única coisa que eu o ouvi dizer foi que não tem o meu número de telefone e que nunca falou comigo ao telefone, o que, já agora, também desculpem lá, para além de ser falso, acho que sinceramente só mostra bem. Lamento dizê-lo no último dia de campanha, o tipo de presidente que vamos ter.

E detalha a tal chamada na noite da primeira volta.

O número diz António José Seguro, a foto tem António José Seguro, tal tempo da chamada. Para quê mentir?

O candidato do Chega procurou corrigir no imediato e continua no ataque ao adversário, que considera que tem as prioridades trocadas.

A inutilidade e também o vazio, mas sobretudo a falta de empatia do meu adversário, que perante uma circunstância desta, usou a frase: "O que é essencial é que as eleições se realizem." Ou seja, perante a devastação do país, o que é essencial é eleições.

André Ventura revela ainda que conversou com Marcelo Rebelo de Sousa, mas o presidente considera que não há condições para decretar estado de emergência, embora o candidato compare a atual situação a um conflito armado.

Então se houvesse um estado de guerra, íamos continuar a ter eleições?

E considera que é comparável?

O que eu lhe estou a perguntar é que há momentos em que se pode adiar as eleições. Não sejam vazios.

André Ventura esteve reunido com o presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro, da AD, que garante que existem condições para votar este domingo.

As condições para que o ato eleitoral, e repito, seja efetuado, são totais.

O autarca de Beja, depois do encontro com Ventura, que ainda tem esperança no adiamento das eleições.

Miguel Viteiro Dias a acompanhar a candidatura de André Ventura às presidenciais. André Ventura que está esta tarde em Alcácer do Sal.

Vamos ainda a outras notícias em destaque a esta hora.

Foram adiadas para abril as provas de aferição do quarto, sexto e nono anos. Deviam realizar-se este mês, mas como as tempestades atingiram várias zonas do país, o Ministério da Educação decidiu adiar. Justifica com a situação de calamidade, os danos nas escolas, nas comunicações e na rede elétrica, para além do grande impacto que as intempéries estão a ter na vida dos alunos, das famílias e de toda a comunidade escolar. A plataforma para pedir apoio à reconstrução de habitações, em funcionamento desde quinta-feira, já recebeu 623 candidaturas no montante global de 4,5 milhões de euros. Uma informação avançada à Agência Lusa por um responsável por esta estrutura de missão. De saída, o Tribunal de Relação do Porto reduziu para três anos e quatro meses a pena de prisão aplicada a Fernando Madureira, no âmbito da Operação Pretoriano. A defesa do antigo líder da claque do Porto, os Super Dragões, tinha pedido a absolvição. O tribunal decidiu reduzir a pena em cinco meses. No mesmo processo, Fábio Sousa, que havia sido condenado a dois anos e nove meses de prisão, foi absolvido de todos os crimes.