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E começa agora o Jornal das 4 da tarde, edição do jornalista Miguel Videira. Miguel, começamos este Jornal das 4 com algumas reações partidárias ao desfecho da privatização da TAP.
A companhia aérea alemã Lufthansa foi a escolhida pelo governo para ficar com até 49,9% do capital social da TAP. O PS, pela voz do dirigente Filipe Santos Costa, puxa para o Partido Socialista os louros do negócio.
Foi o culminar de um processo iniciado pelo Partido Socialista e, portanto, o Partido Socialista, neste momento, está confortável com esta privatização parcial e esta foi a política do programa, que isto é um programa do Partido Socialista que foi agora executado, que chegou a este termo. E, aliás, o próprio governo, ao elogiar os termos em que conseguiu esta privatização parcial, valida a posição do Partido Socialista.
Foi, de facto, o PS que deu início, em 2023, à privatização parcial da TAP, ainda que esse processo tenha sido interrompido depois do então presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter considerado que a proposta de alienação não salvaguardava o interesse público. Foi já o governo da AD que deu início, em 2025, a um novo processo de privatização, que culmina agora na escolha da Lufthansa.
E entre os partidos mais à esquerda, Miguel, o Livre pede esclarecimentos.
Jorge Pinto, um dos porta-vozes do partido, quer perceber de forma clara quais as intenções da companhia aérea alemã.
Parece haver um gato escondido com o rabo de fora, porque há muitas coisas ainda por esclarecer. Há muitas incertezas, até relacionadas com o que será o futuro da pista de Tancos e, portanto, nós queremos perceber todos estes detalhes e estaremos muito vigilantes em relação àquilo que o governo fará para o futuro da TAP e certamente em relação àquilo que a Lufthansa, agora com uma parte do capital, quererá fazer com a TAP, porque a TAP é um dos ativos mais importantes do nosso país.
Jorge Pinto, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República. No mesmo palco, o deputado do Bloco de Esquerda, Fabián Figueiredo, acusou a direita de ter um histórico de arrependimentos em torno de várias privatizações.
A história das privatizações é a história da direita tropeçar nas suas próprias convicções. A direita privatizou a REN e agora está a recomprar a REN. A direita privatizou boa parte das participações portuguesas na banca e agora quer entrar no capital do Millenium bcp. A direita, no passado, Miguel Pinto Luz, vendeu a TAP, fazendo com que ela fosse comprada com o seu próprio capital, está a reprivatizar a TAP. Isso é uma má notícia para o país.
As críticas de Fabián Figueiredo, deputado único do Bloco de Esquerda. Já o PSD elogia a recuperação do dinheiro investido na companhia aérea, pelo menos parte, diz que é um primeiro passo para recuperar os 3 mil milhões de euros que o Estado injetou na companhia aérea portuguesa. O deputado e vice-presidente do partido, Alexandre Poço, acrescenta ainda que com a venda da percentagem da TAP, a companhia está mais protegida de pressões políticas.
Acabou o tempo em que a TAP era um brinquedo político nas mãos de governos e de ministros. Por outro lado, a decisão de privatização da TAP anunciada hoje merece também uma especial saudação por parte do PSD, porque ela permite começar a recuperar o investimento que os portugueses, os contribuintes portugueses, fizeram na TAP nos últimos anos, um investimento que ascende a mais de 3.200 milhões de euros.
O deputado do PSD, Alexandre Poço, o anúncio do governo mereceu também o elogio. Outra coisa não seria de esperar do líder parlamentar do CDS e parceiro de coligação do PSD na AD, Paulo Núncio.
E já vamos escutar também as reações de alguns sindicatos representativos dos trabalhadores da TAP, mas antes ficamos a conhecer mais detalhes da decisão hoje anunciada pelo governo.
Entre dois concorrentes à privatização, Lufthansa e Air France-KLM, o governo optou, Vasco Maldonado Correia, pela proposta financeiramente mais favorável. Está encontrado o vencedor. O governo olhou para as duas propostas em cima da mesa e deliberou.
Aviadas as propostas, a decisão do governo recai sobre o grupo Lufthansa, cuja proposta financeira é 16% superior à proposta concorrente e com menor grau de incerteza.
O Estado vende até 49,9% da TAP e aceita a oferta do grupo alemão de mais de 1200 milhões de euros. Está já preparado para dar um novo passo o processo de venda total até 2028.
A oferta da Lufthansa para uma segunda fase inclui uma verba de mais 488 milhões de euros e uma permuta de ações que pode vir a posicionar o Estado português como o segundo maior acionista desta companhia, que é a maior companhia aérea europeia, e por via disso, a colher os respectivos dividendos ano após ano.
A avançar a segunda fase da privatização, o governo aponta recuperar o dinheiro injetado na TAP até 2040. A proposta da Lufthansa valoriza a companhia aérea portuguesa em mais de 2500 milhões de euros.
Um valor muito, eu diria mesmo muitíssimo, acima das avaliações independentes perspetivadas há alguns anos ou mesmo há alguns meses.
Com a venda ao quarto maior grupo mundial a nível de receitas, fica cumprido um dos principais objetivos do governo.
A TAP só seria sustentável e viável se tivesse capacidade para crescer, se fosse mais competitiva e se ganhasse mais escala. Ou seja, se fosse integrada num grande grupo de aviação.
E a proposta inclui também várias outras operações.
Em particular, gostaria de destacar os 500 milhões de euros que significam a criação de uma nova escola de pilotos em Tancos
Um centro de inovação em Aveiro, um centro de serviços corporativos.
Esclarecimentos do primeiro-ministro em São Bento. O processo de privatização da TAP só deve ficar concluído em 2028.
Vasco Maldonado Correia, que acompanhou este anúncio da decisão do governo. O processo vai ainda ter que passar pelo crivo da Autoridade da Concorrência da União Europeia. A editora de economia do Observador, Alexandra Machado, não espera entraves.
Esta venda só ficará concluída depois de passar por uma série de trâmites, nomeadamente, da aprovação por parte dos reguladores.
Então ainda há possibilidade de um volte-face neste negócio?
A ver, há sempre. Não me atrevo a tomar aqui a posição de qualquer regulador.
Mas pela discussão inicial é pouco provável.
Eu diria que é pouco provável. A Lufthansa foi autorizada a comprar a ITA na Itália, a Swiss na Suíça, ditas companhias de bandeira, e foi autorizada a comprar. Não vejo que haja questões concorrenciais.
É essa a expectativa da editora de economia do Observador, Alexandra Machado, a propósito da análise que ainda terá de ser feita pela Autoridade da Concorrência da União Europeia.
E vamos agora escutar a reação dos sindicatos. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo e Aviação Civil espera que a TAP não saia a perder.
O presidente da organização sindical, Ricardo Pena Róias, adianta que mais importante do que perceber se o governo fez um bom negócio ao escolher a Lufthansa, é preciso saber se alguns pilares que para o sindicato são fundamentais vão ser mantidos.
O que eu espero, acima de tudo, é que o governo tenha tido a cautela e tenha calculado não só os interesses da empresa, os interesses do país e, sobretudo, salvaguardar os postos de trabalho, manutenção do hub, manutenção da importância do aeroporto do Porto. São estes os pontos que eu acho que são mais importantes do que a escolha de quem adquirir. É saber quem nos adquiriu vai manter a posição da TAP, que é uma companhia legacy, dentro deste grupo. Porque contratar a TAP e a TAP ficar abaixo daquilo que ela é hoje em dia, então será um mau negócio.
Ricardo Pena Róias, o presidente do sindicato, que representa, por exemplo, os tripulantes. O Observador falou também com Frederico Saraiva de Almeida, é vice-presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil. Diz que a escolha da Lufthansa é uma vitória para todos.
Nós vemos o processo de privatização como uma vitória para todos. Portanto, uma vitória do país, da empresa e dos trabalhadores.
O dirigente sindical diz ainda que a escolha da Lufthansa representa um passo importante para tornar a TAP mais sustentável e lucrativa.
Numa empresa como esta, deve prevalecer sempre a decisão comercial sobre as decisões de caráter político. Portanto, acho que é um passo que estamos a dar, um passo bem grande para que isso venha a ser conseguido no futuro e tenhamos uma empresa mais sustentável, uma empresa mais lucrativa.
É essa a expectativa do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil. Diz que esta escolha da Lufthansa para entrar no capital social da TAP representa uma vitória para todos.
E viramos agora as atenções para o desporto. O Benfica joga amanhã frente ao Celtic para a Liga Europa. Marco Silva garante que Anatoli Trubin vai ser titular.
O guarda-redes ucraniano dos encarnados regressa às escolhas iniciais, depois de ter sido titular na primeira ronda da Liga Europa. O Benfica iniciou esta caminhada europeia com triunfo em Milão sobre o AC Milan de Rúben Amorim. Por isso, o técnico encarnado Marco Silva diz que a equipa deve dar continuidade a este bom arranque, mas avisa que o Celtic quer responder ao mau começo nesta competição.
Uma equipa que em termos de competições europeias não começou tão bem este ano, que a nível de campeonato tem estado, se assim posso dizer, ao seu nível internamente, mas a nível de competições europeias não tão forte, e querem retificar, querem ter uma reação e a nós compete-nos estar ao nosso melhor nível, estar a um nível que nos permita ganhar o jogo, podendo aliar isso a uma boa exibição, ainda melhor para nós, acima de tudo, olhar para aquilo que foi o nosso último jogo.
O desejo de Marco Silva, que perspetivou o encontro de amanhã frente ao Celtic, jogo a contar para a Liga Europa. A partida tem apito inicial para as 20h, arbitragem a cargo do montenegrino Nikola Dabanović. E hoje é a vez do Porto entrar em campo. Liga dos Campeões, segunda jornada da fase liga. Os azuis e brancos defrontam o Betis de Sevilha, em Sevilha, depois da derrota no primeiro jogo frente ao Manchester City.
São agora 16h11, que outras notícias marcam a atualidade, Miguel?
O PS quer ouvir Miguel Pinto Luz sobre a alteração à lei que vai reduzir o prazo para impugnar, junto das Câmaras Municipais, projetos urbanísticos. A informação é hoje avançada pelo jornal Sábado. Dá conta que esta alteração, promovida já por este governo, vem beneficiar de forma direta Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, que, enquanto vice-presidente da Câmara de Cascais, esteve envolvido no processo de licenciamento de um projeto hoteleiro, o Hilton, em Cascais, projeto que tem merecido algumas críticas e sujeito à impugnação. Ora, o prazo para impugnação era de 10 anos. Com a alteração em vigor, este prazo passou para três anos. Segundo o Sábado, é uma alteração feita à medida para beneficiar o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que já hoje, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados da privatização da TAP, disse que está totalmente disponível para ir ao Parlamento prestar esclarecimentos. Já tomou posse a nova comissão parlamentar de inquérito à gestão de Luís Neves, enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária entre 2018 e 2026. Já se sabia que, apesar da cerimônia de posse, as audições só deveriam começar no final do processo de Orçamento do Estado, da discussão e da votação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Ora, André Ventura anunciou hoje que vai pedir aguirão para que tal não venha a acontecer, que o processo legislativo possa acontecer em simultâneo com a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves. Também é notícia a esta hora, e é com esta notícia que saímos deste jornal das 16h. O presidente da República desejou hoje melhoras ao Papa Leão XIV. Espera uma recuperação sólida para que esteja em condições de visitar Portugal para o ano. O líder da Igreja Católica foi ontem sujeito a uma intervenção cirúrgica para retirar um nódulo pulmonar. A operação correu bem, o Papa está a recuperar.
E é assim que fechamos o jornal das 16h, edição do jornalista Miguel Videira.