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Às notícias. Miguel, começamos com o ministro da Administração Interna. Acaba de pronunciar-se sobre essa carga policial desta madrugada na cidade do Porto.

Foi à margem da cerimónia de posse do novo secretário-geral da Administração Interna e depois de vários pedidos de esclarecimento por parte dos partidos com assento parlamentar. Palavras do ministro escutadas pelo jornalista Vasco Maldonado Correia. Está agora aqui conosco em direto. Vasco, o que disse Luís Neves?

O governo respeita e muito esses dois direitos, o direito à habitação e o direito à manifestação, mas há outros valores que têm de ser tidos em conta, como, por exemplo, a lei e ordem.

Há lei e ordem que têm que ser cumpridas. E essa lei e ordem têm que ver com a restauração da paz pública, da ordem pública. Quando as ordens são legais, quando as ordens são legítimas, elas devem ser executadas. E devem ser executadas de acordo com a necessidade de repor essa mesma ordem, com essa necessidade, com essa adequação. E eis que foi feito. Lestimamos, como sempre, qualquer incidente, qualquer ferido que possa ocorrer no âmbito de uma atuação desta natureza. Por isso, estamos a olhar para este assunto com toda a preocupação, sendo certo que a ação da Polícia de Segurança Pública é uma ação estribada na lei e, por isso, legítima.

Luís Neves aqui a defender a legitimidade dessa ação de polícia no Porto na última madrugada. Foi mesmo apenas para isso que o ministro marcou esta conferência de imprensa. Aliás, esta declaração aos jornalistas, não houve direito a perguntas aqui no Ministério da Administração Interna, fê-lo apenas marcar esse ponto de que a polícia estava a agir com legitimidade e que os manifestantes tinham mesmo de sair dali. Foi a declaração de Luís Neves que, como dizia, não respondeu a perguntas e logo depois de dar essas declarações que acabamos de ouvir, abandonou o espaço onde estava a fazer essas declarações.

Uma declaração escutada por ti, Vasco Maldonado Correia, peço que continues conosco e voltaremos ao Ministério da Administração Interna para dar conta dos contornos da cerimónia de posse do novo secretário-geral do MAI. Mas continuamos a falar sobre este tema da carga policial desta madrugada na cidade invicta.

Sim, porque há agora uma reação do PS. De resto, esta declaração de Luís Neves é feita depois de vários pedidos de explicação, de vários partidos, em particular das bancadas mais à esquerda, o PS foi o último.

E o pedido surgiu pela voz de José Luís Carneiro, o secretário-geral.

Aquilo que eu procurarei saber e apurar é se a intervenção foi feita com a proporcionalidade, porque as informações que recebi é de que teria havido uma intervenção desproporcional nos meios e no uso dos meios em relação àqueles jovens. E é muito importante, quem procura garantir a ordem pública e salvaguardar o Estado de direito, procure fazê-lo no quadro do respeito pelas liberdades e direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de manifestação. Com certeza que o ministro da Administração Interna deve ser o primeiro a explicar os termos em que a intervenção ocorreu.

O pedido de esclarecimento é também feito por Livre e PCP, através de perguntas que deram entrada hoje no Parlamento. A líder parlamentar comunista Paula Santos quer que Luís Neves esclareça quem é responsável pela intervenção policial e que articulação existiu entre a PSP e a Polícia Municipal do Porto. Já Jorge Pinto, do Livre, questiona quais foram os fundamentos legais e operacionais que determinaram a intervenção da PSP e que ordem dada por que órgão determinou a intervenção policial.

O Bloco de Esquerda sugere que esta carga durante a madrugada teve dedo da autarquia.

É isso que diz ao Observador o coordenador do partido, José Manuel Pureza, fala de uma articulação entre Câmara e polícia.

Era muito importante que na política portuguesa houvesse a coragem de ter bom senso, de nos empenharmos na resolução do problema do direito à habitação, em vez de, como agora aconteceu com a articulação entre a Câmara Municipal do Porto, presidida por Pedro Duarte, e a polícia de intervenção, que a única resposta que tem é o bastão. E eu creio que isso é muito demonstrativo do tipo de abordagem que estas autoridades querem ter e que não dão nenhuma resposta à questão de fundo.

O problema da habitação. As críticas a Pedro Duarte são secundadas pelo deputado do PS, José Carlos Barbosa, que nas redes sociais apelida o presidente da Câmara Municipal do Porto de xerife. O Observador contactou o gabinete do autarca da cidade invicta para saber se de facto a Câmara pediu ou não a intervenção do PS, como sugere José Manuel Pureza. Aguardamos resposta.

E Miguel, a presidente da Iniciativa Liberal acusa o PCP e o Bloco de instigarem a escalada de manifestações no Porto.

Acusa os dois partidos de uma tentativa de aproveitamento político.

Tivemos agora, recentemente, e ainda agora, Catarina Martins, que era suposto estar aqui em Bruxelas, a ir para o Porto exatamente com esse objetivo, de através de uma instigação a que a situação escale, até aproveitando exemplos de outros países onde isso tem acontecido, de alguma forma tentar fazer aqui um aproveitamento político e tentar ter alguma relevância que infelizmente ou felizmente não teve via votos.

Acusação feita pela presidente da Iniciativa Liberal.

Entretanto, o diretor nacional da PSP também se pronunciou sobre este caso. Considera que a carga da polícia sobre os manifestantes foi proporcional.

Pedro Moura, que tomou posse como diretor nacional da PSP esta semana, explica que a manifestação só podia decorrer até à meia-noite e meia. Garante que a PSP tentou, ao longo de mais de duas horas, falar com os manifestantes para que retirassem as tendas e os restantes pertences da Praça Dom João I e sendo que as ordens não foram acatadas, houve uma intervenção proporcional. É esta a expressão usada por Pedro Moura.

A manifestação estava autorizada até à meia-noite e trinta

Após dessa hora, não é permitido fazer manifestações e naquele local não é permitido ter as tendas. Foram feitos contactos com as pessoas que estavam naquele local para retirarem as tendas. Perante o não cumprimento dessa ordem de retirada das tendas, foi decidido fazer uma intervenção policial devidamente proporcional.

Foi o que disse Pedro Moura, o novo diretor nacional da PSP, num registo captado pela RTP Notícias. Sublinha que os manifestantes têm o legítimo direito à manifestação, mas só até à meia-noite e meia em espaços públicos.

Declarações feitas à margem da cerimónia de tomada de posse do novo secretário-geral da Administração Interna.

Que motiva novo contacto com o repórter do Observador, Vasco Maldonado Correia, que permanece no Ministério da Administração Interna. Uma cerimónia de posse, Vasco, marcada pelas críticas do ministro da Administração Interna, Luís Neves, ao antecessor do novo secretário-geral.

Críticas indiretas, ainda antes dessa declaração que há pouco ouvimos sobre a carga policial no Porto. O ministro aqui esteve presente na tomada de posse do novo secretário-geral do Ministério da Administração Interna, o major-general Nuno Parreira da Silva, mas foi difícil ignorar o elefante na sala, digamos assim, Ricardo Carrilho, o secretário-geral, que foi esta semana exonerado. E se às vezes, Miguel, na política vemos os principais protagonistas a ignorar ou a tentar fintar os temas mais sensíveis, aqui foi diferente. O discurso de Luís Neves foi no sentido inverso, foram 15 minutos, claro, sem dizer o nome de Ricardo Carrilho, mas com todas as mensagens do ministro a parecerem ter o antigo secretário-geral como destinatário. Para dar um exemplo, só ao nono minuto do discurso é que Luís Neves se dirigiu diretamente ao novo secretário-geral, o major-general Nuno Parreira da Silva, e mesmo aí usou o perfil do novo secretário-geral para o comparar com Ricardo Carrilho, dizendo que Parreira da Silva, que toma hoje posse, age sempre tendo em vista os princípios da legalidade e não qualquer agenda narcísica, e estou a citar, ou qualquer outra agenda pessoal. Diz também que quem assume estas funções de secretário-geral do Ministério da Administração Interna deve apresentar soluções. Disse mesmo: "Um problema, uma solução, e não só um problema". E diz que ser secretário-geral implica também saber ouvir e saber que quem está na secretaria-geral apoia a tutela, não a dirige. Nunca disse, como aqui referia, o nome de Ricardo Carrilho, mas é uma cerimónia marcada por esse elefante na sala, o secretário-geral exonerado por Luís Neves.

Vasco Maldonado Correia, jornalista do Observador, que acompanhou esta cerimónia de posse do novo secretário-geral da Administração Interna, Nuno Parreira da Silva.

Vamos à bola. Depois da Champions, a Liga Europa, hoje há jogo no Estádio da Luz, mas também em Leiria. Será o primeiro jogo do Torriense em Portugal numa competição europeia.

E joga em casa emprestada, o Estádio Doutor Magalhães Pessoa, em Leiria. É lá que o Torriense vai realizar os jogos em casa nesta Liga Europa, depois do feito alcançado na época passada com a vitória na Taça de Portugal frente ao Sporting. A equipa de Torres Vedras venceu na primeira jornada o Lillestrøm, da Noruega, e recebe hoje um histórico inglês, o Sunderland, que, como despilhamos na última hora, traz uma grande falange de apoio a Portugal. Regressamos a Leiria, é lá que permanece o repórter do Observador, Martim Madeira. Martim, encontraste um adepto muito especial do Torriense.

Muito especial mesmo, Miguel. No meio de tantos adeptos do Sunderland, encontramos este adepto que não é, de facto, um adepto qualquer. É pura e simplesmente o melhor marcador da história do clube, o senhor Vítor Mendes, de 85 anos. Era médio centro, jogou no emblema de Torres Vedras, marcou 66 gols, era conhecido por ter um pontapé canhão e chegou mesmo a partilhar os relvados com o considerado Rei de Portugal, Eusébio. A cerca de duas horas do jogo, a lenda Vítor Mendes mostra-se orgulhoso pelo Torriense estar a chegar onde nunca pensou que conseguiria chegar.

É uma grande felicidade para mim. Gostei muito de saber que o Torriense tinha ficado qualificado. Uma alegria muito grande.

É algo histórica, profundamente histórica. Alguma vez pensou ver o Torriense nesta fase?

Não. Eu, quando vim para o Torriense, para você fazer uma ideia, o treinador do Torriense, da equipa sénior, era só um. E eu fazia tudo. Treinava os guarda-redes, fazia isto, fazia aquilo, fazia massagens, fazia tudo, fazia de chofer. Hoje, a situação é diferente. Para que você veja a diferença. Quando eu comecei, com 15, 16 anos, e o que vejo hoje, com 85.

Uma diferença, de facto, absurda de um treinador para agora, no Torriense, existem cerca de 60, espalhados por todas as camadas jovens, também femininos e masculinos. Já sobre o jogo em concreto, sabe que o Sunderland é um histórico inglês, e Vítor Mendes acredita que o Torriense vai, de facto, sair derrotado.

Olha, muito sinceramente, eu penso 2 x 0, 3 x 0 a favor do Sunderland. Mas tudo pode acontecer. Eu não acredito. Eu tenho que ser honesto. Já contra os outros, na primeira jornada, eu disse o mesmo. Temos que ser honestos, eu não posso estar a mentir. O meu subconsciente diz-me que vamos perder.

A ver vamos como é que corre este jogo entre Torriense e Sunderland, aqui no Estádio Doutor Magalhães Pessoa, em Leiria. O início está marcado para às 17h45.

Aqui fica o pessimismo de Vítor Mendes, o melhor marcador da história do Torriense, encontrado entre os adeptos da equipa de Torres Vedras pelo jornalista do Observador, Martim Madeira, que nos vai trazer todas as informações deste Torriense-Sunderland. Jogo a contar para a Liga Europa.