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Jornal das quatro, com o José Rafael Lopes e começamos pela manifestação contra o aumento do custo de vida. O secretário-geral da CGTP reitera as críticas à política do governo. O líder da Intersindical lidera, neste momento, a manifestação até ao Rossio.

É lá que a terceira manifestação da CGTP vai culminar, essa que está marcada para hoje. A partir das 17h, começa também uma acampada na Praça do Rossio. Tiago Oliveira pede explicações a Luís Montenegro, diz que a política do Executivo só beneficia as grandes empresas. O líder da Intersindical diz que a manifestação de hoje mostra a verdadeira realidade dos portugueses.

Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer para a rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente para o país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar o caminho para se decidir relativamente ao futuro, porque está mais que provado que a política que tem sido seguida, essa não encontra respaldo, nem resposta às dificuldades que os trabalhadores vivem.

Tiago Oliveira, que está neste momento a liderar esta manifestação em Lisboa. É para lá que vamos em direto, ao encontro do Miguel Pina Andrade. Miguel, os principais líderes dos partidos que se juntaram a esta manifestação já falaram, também com muitas críticas a Luís Montenegro e ao governo.

Sim, a começar pelo secretário-geral do PCP, que aguardava pela passagem da manifestação na Rua da Áurea, uma rua que vai ter ao Rossio. Questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, que desvalorizou os protestos contra a crise da habitação, Paulo Raimundo diz que estas declarações não foram surpreendentes.

Não, não fui surpresa nenhuma. O senhor primeiro-ministro tem responsabilidades acrescidas pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas que aqui estão. E, portanto, o primeiro-ministro talvez tenha que refletir melhor cada vez que fala.

O pedido do secretário-geral do PCP, que vê nesta manifestação muita indignação, mas também força para mudar o rumo do país.

E há aqui uma indignação muito forte, mas também há aqui uma grande força para abrir um novo rumo para o país, esse novo rumo que se impõe. E, portanto, é uma grande satisfação, uma grande confiança de que esta força imensa está a lutar por aquilo a que tem direito, pelos direitos de cada um deles e por um país melhor a que todos nós também temos direito. É uma grande demonstração de força, está a ser assim em Lisboa, foi assim no Porto, foi assim em Coimbra, foi assim no Funchal, e é uma força que vai ter que continuar.

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que agora vai cumprimentando as pessoas que passam aqui na Rua da Áurea, durante esta manifestação que partiu do Cais do Sodré, e foi lá que falou a co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, diz que a mobilização de hoje significa apenas uma coisa.

É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto, não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação têm vindo a subir há anos, mas nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas que se juntarmos a habitação, passam para 27% das pessoas em Portugal. Isto é um valor que deveria alarmar todos os políticos.

As preocupações da co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, antes desta manifestação convocada pela CGTP, esta que é uma marcha lenta que conta com algumas milhares de pessoas, posso dizer que o início da manifestação encabeçada por Tiago Oliveira já está a chegar ao Rossio, mas a verdade é que ainda há muita gente que ainda nem sequer chegou à Praça do Comércio. A dimensão desta manifestação é mesmo muito grande, vão sendo entoados cânticos de ordem, como se podem ouvir. Já se ouviu por várias vezes o 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais. Os manifestantes pedem direito à habitação e ainda uma semana de 35 horas. A destacar ainda, José, alguns cartazes que, para além de pedirem uma habitação acessível e um travão no aumento do custo de vida, criticam a atuação de Luís Montenegro. Dizem que as letras de AD, coligação que forma o governo, se traduzem para assassinato diário. E também muitos cartazes aqui a pedir a prisão do primeiro-ministro Luís Montenegro.

A reportagem do Miguel Pina Andrade está a acompanhar esta manifestação em Lisboa, que vai culminar no Rossio.

No Porto, há ainda centenas de pessoas à espera para participar numa assembleia marcada pelo Movimento Acampada.

Muitos deles estão na praça desde o final da marcha da CGTP que aconteceu de manhã. Depois da manifestação, aguardam pelo evento marcado pelo Movimento Acampada, que deve começar por volta das 17h, mas para já, Miguel Pinheiro Correia, a praça continua com muita gente.

Já terminou há algumas horas essa manifestação da CGTP, que reuniu hoje milhares de pessoas nas ruas do Porto, começou na Praça da Batalha e terminou aqui na Praça Dom João I. E apesar da manifestação já ter terminado há algum tempo, continuam centenas de pessoas, já não milhares, mas pelo menos centenas de pessoas aqui na Praça Dom João I. E se durante a parte final dessa manifestação da CGTP ouvimos alguns protestos, algumas declarações de dirigentes sindicais, agora reina o silêncio. Vamos ouvindo algumas músicas a partir de colunas de alguns manifestantes, mas a grande maioria estão sentados na parte da praça em que ainda há sombra e estão a descansar, porque hoje o Movimento Acampada, que se juntou a esta manifestação da CGTP, esse movimento de jovens que tem acampado quase todos os dias na Praça Dom João I, juntou-se à marcha da CGTP e a partir de agora são eles, ou a grande maioria deles, que estão agora na praça, onde terão várias atividades ao longo do dia, a terminar nessa assembleia às 19h. Uma assembleia, como já têm acontecido outras neste mesmo local, por parte do mesmo movimento, onde se decidirá se vão voltar a acampar. Ainda não há uma decisão final nesse sentido e por isso, para já, vão convivendo aqui os manifestantes. Vemos pelo menos quatro tendas montadas e muitos cartazes de protesto, sendo que se a manifestação da CGTP era mais geral, tinha vários temas em destaque, a questão de melhores condições salariais, melhores condições de vida, uma defesa do serviço público e do Serviço Nacional de Saúde, a manifestação destes jovens é centrada na habitação e é isso que lemos também nos cartazes que estão ainda aqui na praça e onde também continuarão estes jovens, pelo menos até essa assembleia.

Miguel Pinheiro Correia no Porto, numa altura em que centenas de pessoas aguardam para participar na assembleia marcada pelo movimento Acampada no Porto.

Ainda sobre a habitação, o líder do PS acusa a AD, o Chega e a Iniciativa Liberal de estarem a contribuir para um rastilho social.

José Luís Carneiro recomendou ao governo que ponha a lei do arrendamento na gaveta. Diz o líder do PS que este diploma não contribui para a paz social.

A nova lei das rendas, apresentada pela AD e com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, transformou-se num rastilho social. E é de um rastilho social que estou a falar e que exige uma atitude da parte do primeiro-ministro. E a atitude é meter na gaveta a lei das rendas, que vem desproteger os mais jovens, que vem desproteger as famílias e que vem lançar na incerteza os mais idosos.

José Luís Carneiro avisa ainda o governo que é melhor desistir desta nova lei do arrendamento, que desceu à especialidade no Parlamento.

A fechar, em França, mais de 200 pessoas foram detidas durante os protestos de hoje contra o aumento do custo de vida.

Os dados foram revelados pelas autoridades francesas. Em Paris, os manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogéneo e cargas policiais. Confrontos que decorrem a esta altura. Resultaram, para já, em mais de 100 detidos na capital francesa. Apenas em Lyon, um ponto de turismo foi vandalizado e incendiado pelos manifestantes, sendo que em Marselha, um grupo de pessoas tentou forçar a entrada na Câmara Municipal, o que obrigou à intervenção da polícia e a essas mais de 200 detenções que aconteceram durante os protestos de hoje em França.