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Jornal das 5, com a jornalista Vanessa Cruz. O primeiro-ministro chegou há pouco a Alcácer do Sal. As cheias voltaram.

Tem estado a conversar com os autarcas e a passear pelo centro de Alcácer do Sal. Vamos escutar Luís Montenegro, que está agora a fazer essas declarações.

Enfim, não ter consequências piores do ponto de vista daquilo que é o efeito de uma cheia, que em determinadas alturas não se consegue controlar.

Ainda não tinha vindo aqui a Alcácer, quando olhou ali pra Avenida dos Aviadores, que imagem é que teve? As televisões têm feito jus à situação que se vive aqui?

As televisões têm sido um veículo, como aliás todos os restantes órgãos de comunicação social, que nos têm feito chegar quer a informação, quer a visualização da situação. No meu caso concreto, naturalmente, tenho os membros do Governo, têm sido vários que têm vindo aqui ao terreno. Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, também já cá esteve por mais do que uma vez e foi mantendo o contacto comigo, que aliás tem sido também permanente. Nós fomo-nos revezando relativamente às regiões e aos municípios que íamos visitando, precisamente para podermos estar no máximo de comunidades possível, porque onde ele esteve numas determinadas semanas, eu não estive e vice-versa. Foi o que aconteceu, mas a senhora presidente sabe que o Governo tem estado sempre disponível e sempre próximo.

Aqui alguma dificuldade na comunicação com Alcácer do Sal, sendo que Luís Montenegro anunciou, no início desta visita, um aumento da linha de crédito à tesouraria de €500 para €1000 milhões. De resto, uma decisão tomada na reunião do Conselho de Ministros de hoje. Luís Montenegro esteve ontem em Coimbra, hoje em Lisboa para o Conselho de Ministros e seguiu ao início da tarde para Alcácer do Sal. Fica também essa nota do aumento da linha de crédito de €500 para €1000 milhões. A Proteção Civil do Alentejo litoral avisou já que o nível da água do rio Sado pode voltar a subir nas próximas horas.

E há outras preocupações a esta hora. Por exemplo, o dique do rio Arunca, em Soure, está a ser reforçado, está a apresentar algumas fissuras.

Sim, estamos a falar do dique da margem direita do rio Arunca, na localidade de Vila Nova de Anços, concelho de Soure. Esta situação já levou à retirada de quatro famílias que vivem na zona ribeirinha. Mais um contratempo, Ricardo, a juntar ao canal de rega que rebentou ao início da tarde, também em Soure, entre a Formoselha e Granja do Oleiro. Não há populações em risco, apesar de mais este contratempo. O presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, explica que a água está a escoar para uma zona de campos agrícolas.

O que se passou foi exatamente no canal, citando o meu colega de Montemor-o-Velho, que está neste momento a drenar as águas para o campo e, portanto, foi isso exatamente que se passou. O rebentamento é entre Formoselha e Granja do Oleiro, no canal, e foi para o lado direito, para os campos.

Uma zona de campos agrícolas sem habitações por perto. A autarquia está preocupada com o aumento do nível da água na freguesia de Vila Nova de Anços. Vai começar esta tarde a evacuar algumas habitações por precaução.

Ontem um dique rebentou em Ponte de Casais, hoje foi o canal de rega em Soure. Como é que está, nessa altura, Vanessa Cruz, o caudal do Mondego?

Abaixo do limite crítico dos 2000 metros cúbicos por segundo, que tinha sido atingido ontem à tarde, disso mesmo tínhamos dado conta. Agora está pouco acima dos 1900, sendo que às primeiras horas da manhã o nível do rio tinha baixado, mas agora tem estado a aumentar ligeiramente. Pode ser aqui um efeito das descargas das barragens. Ontem, em Montemor-o-Velho, também no distrito de Coimbra, a água subiu meio metro em quatro horas. É o que está a dar conta a Agência Lusa.

As descargas das barragens, em particular a da Barragem da Aguieira, estão a preocupar autarcas e as populações que vivem junto ao Mondego.

A barragem está a 99% da capacidade de armazenamento, significa que vai mesmo ter de fazer descargas com o previsível aumento do caudal do Mondego. Vamos escutar a reportagem do Luís Soares.

É tanta água que é descarregada pela barragem que até faz tremer o chão da estrada que passa por cima. Esse limite, que está muito perto da capacidade, é perceptível. É possível perceber do outro lado da barragem o nível da água já a descer, fica a marca nas paredes. Por outro lado, é possível observar também o espetáculo de descarga num volume perfeitamente incrível. Tão incrível que há muita gente que vai passando por aqui, para o carro, tira o telemóvel para registar aquilo que se passa. É o caso de Vital, veio de Tondela e há 10, 15 anos que não via a barragem assim.

É, por curiosidade, já tinha visto há uns anos atrás e tive curiosidade de cá vir ver.

Há quantos anos é que não via a barragem assim?

Se calhar há uns 10, 15 anos, talvez, por aí. Não tenho agora certeza, mas por aí.

Estava a dizer que já trabalhou numa barragem. Qual é que é a sua perspectiva em relação àquilo que está a ver, àquilo que tem sido estes dias no Mondego? Qual é a sua perspectiva?

A perspectiva é que isto vá acalmar, pelo menos pela meteorologia que eles dão, porque o problema do Mondego não é só a chuva que cai lá, o problema do Mondego é a montante, portanto, é esta bacia toda que apanha a água.

Vital tem uma perspectiva positiva, mas Delfim está preocupado, vem de Carregal do Sal e também já não via tanta água há muito tempo.

Depois de estar feita e quando ela encheu, as pessoas vinham ver esta quantidade de água a sair da barragem, a descarregar.

Isto há muitos anos, portanto.

Há muitos anos, exatamente.

E hoje quis vir aqui fazer um registo do que se está a passar?

De novo, ver como é que está e é preocupante tanta água que vai ali para o Vale do Mondego, que vai se acumular com a que já lá está. É muito preocupante esta situação.

A preocupação de Delfim, uma das muitas pessoas que vieram à barragem da Aguieira para ver as descargas.

O relato do jornalista do Observador, Luís Soares, que esteve junto à barragem da Aguieira.

E a Brisa admite que não há previsão para a conclusão das obras na Autoestrada do Norte, na A1, no troço que ontem desabou. O piso da autoestrada cedeu depois do arrebentamento de parte do dique do rio Mondego, na zona de Ponte de Casais.

As obras de reparação estão em curso, mas sem prazo concreto para se poder voltar a circular neste troço da A1. É o que reconhece a Brisa. Também o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que esteve no local de madrugada, avisou que vai demorar várias semanas até a via estar reparada. Foi entre os nós de Coimbra Sul e Coimbra Norte que a estrada abateu ontem, ao final da tarde. Entretanto, em Lisboa, houve uma derrocada na A5, na autoestrada que liga Lisboa a Cascais, ao quilômetro um, no mesmo local onde ontem, também mais ou menos esta hora, tinha havido outra derrocada. A PSP e a GNR estão no local. A circulação só se faz pela via mais à esquerda nesta zona da A5. Entretanto, do último minuto, a Brisa informa que o acesso da Ponte 25 de Abril à A5, no sentido de Lisboa-Cascais, está mesmo cortado. O acesso do viaduto Eduardo Pacheco até à Cruz das Oliveiras está, esse sim, condicionado, só numa via que se pode circular. Portanto, neste final de tarde, hora de ponta, há aqui constrangimentos na A5 e também no acesso da Ponte 25 de Abril à A5.

E entretanto, temos um número sobre os prejuízos no setor agrícola por causa do mau tempo.

Trezentos milhões de euros. O Ministério da Agricultura contabiliza, até agora, mais de 4200 declarações dos agricultores a dar conta destes danos. Os apoios anunciados pelo governo para o setor podem chegar aos 10 mil euros.

E há outras notícias a marcar esta tarde.

O debate quinzenal com o primeiro-ministro vai ser outra vez adiado por causa do mau tempo, a pedido do governo. Era para ter sido ontem à tarde, foi depois adiado para amanhã de manhã, mas agora haverá uma nova data em cima da mesa. A proposta do governo é na próxima semana, dia 19, às 15h. O primeiro-ministro húngaro faz um apelo: "Procurem a paz, não enviem dinheiro à Ucrânia". São as palavras de Viktor Orbán. Diz que a vitória da Europa passa por acabar com o apoio financeiro a Kiev. Declarações à margem do encontro de líderes europeus na Bélgica. O secretário-geral da NATO garante que está a haver uma verdadeira mudança de mentalidade dentro da Aliança Atlântica. Diz Mark Rutte que os países membros têm de estar unidos e que os Estados Unidos têm de estar ancorados com a NATO. E agora uma história feliz no meio da aflição do mau tempo. Dona Maria Helena celebrou ontem 103 anos, 103 anos, depois de ter sido retirada com outros idosos de um lar em Coimbra. A festa foi feita no Pavilhão Mário Mexia, onde foi acolhida e contou com convidados especiais.

Onde estiveram o primeiro-ministro e o presidente da República.

Exatamente, Ricardo. Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa foram os convidados especiais, tal como a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa. Cantaram todos os parabéns, bateram palmas, houve bolo para todos. No final da visita, o presidente da República contou como os idosos, sobretudo idosas, que encontrou, estão a passar esta fase e como há cada vez mais pessoas a viver para lá dos 100 anos.

Só lhe digo que nunca vi tantas centenárias. Uma fez 103 anos, há várias que um 101, outro 99, várias vão fazer 100 anos. Uma vai fazer 100 anos dentro de seis dias. Acompanham perfeitamente o que se passa e estando preocupadas, mas no fundo, sentindo um grande alívio.

Alívio por estarem num lugar em segurança depois das cheias do Rio Mondego, que obrigaram a evacuar vários lares. Maria Helena, agora com 103 anos, acabou por ter, no meio destes tempos conturbados que vivemos, um aniversário especial.

E ficam também os nossos parabéns, 103 anos à Maria Helena. Ficam os nossos parabéns, juntamo-nos a esta festa. Também é sempre bom ter uma história que nos devolve a esperança.