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Jornal das 5, com Miguel Viteiro Dias.

Portugal foi eleito para o Conselho de Segurança das Nações Unidas à primeira volta. Integra assim como membro não permanente do Conselho de Segurança entre 2027 e 2028, garantindo também o regresso a um dos principais órgãos da Organização das Nações Unidas. O resultado foi conhecido há pouco na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Portugal integra um dos cinco lugares rotativos deste Conselho e já depois de conhecido o resultado, o primeiro-ministro Luís Montenegro elogiou o trabalho diplomático que o país fez para alcançar este lugar.

Esta vocação universalista de Portugal foi, é nosso entendimento, crucial para o sucesso desta campanha. Portanto, agora cabe-nos a responsabilidade de em 2027 e em 2028 estarmos na mesa do Conselho de Segurança das Nações Unidas e aí podermos contribuir para as decisões que são hoje mais do que nunca reclamadas para assegurar a paz e a segurança internacional.

A primeira reação de Luís Montenegro numa declaração no Palacete de São Bento. Isto depois de Paulo Rangel, que está em Nova York a acompanhar a votação, ter falado já de uma vitória sem precedentes da diplomacia portuguesa.

É a primeira vez que Portugal é eleito à primeira volta. Isto mostra o trabalho que foi feito ao longo destes 13 anos por vários governos, por vários presidentes, mas em especial aquele que foi feito nestes últimos dois anos, que foram decisivos para esta vitória. Julgo que isto diz muito sobre o prestígio de Portugal e sobre a forma como é apreciada a nossa política externa. E por isso queria dizer que temos agora aqui dois anos muito desafiantes, mas que são dois anos em que eu creio que a diplomacia portuguesa, que fez tudo e mais alguma coisa para que esta vitória fosse obtida e pudesse ser obtida à primeira volta, está também de parabéns.

Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, assim que foi conhecido o resultado da votação. Havia a expectativa da eleição de Portugal, mas não logo à primeira volta, como acabou por acontecer. O país integra assim um dos cinco lugares rotativos do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

E o Presidente da República também já emitiu uma nota a dar conta desta conquista.

É a expressão utilizada por António José Seguro, conquista que enaltece o povo português, vinca o chefe de Estado numa missiva publicada no site da Presidência da República, em que António José Seguro diz que a votação é o reconhecimento de Portugal enquanto país credível, de confiança e com respeito na comunidade internacional. O chefe de Estado faz também questão de referir Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa como duas figuras importantes no percurso que culminou nesta eleição. E termina com um desejo de que a presença de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas contribua para um mundo mais pacífico.

E o Conselho de Ministros esteve reunido esta tarde também para avaliar o impacto da greve geral.

O primeiro-ministro volta a frisar que não coloca em causa o direito à greve, mas sublinha também que é preciso conciliar todos os direitos entre os que querem fazer greve e os que querem trabalhar e garante que esta paralisação geral acabou por não ter impacto no dia do país.

Estão a trabalhar nos seus locais de trabalho, a grande maioria, estão a trabalhar à distância aqueles que têm funções conciliáveis com o teletrabalho e, de uma forma geral, o setor privado não teve grande perturbação. É toda a informação que nos é carregada por variadíssimas entidades, confederações empresariais, empresas propriamente ditas, que nos transmitiram os índices de adesão e que são, eu diria, muito reduzidos. Não quero estar a adjetivar, mas são muito reduzidos. E na administração pública, onde, em média, a taxa de adesão andará nos 23%.

Luís Montenegro aos jornalistas no Palacete de São Bento. Uma declaração que terminou há poucos instantes, que esteve a ser acompanhada pela jornalista Marta Nobre, que se junta agora a nós em direto. Marta, Luís Montenegro acaba por desvalorizar esta greve geral.

Precisamente o principal recado deixado pelo primeiro-ministro é que a greve acabou por ter sobretudo consequências para os cidadãos, sem acrescentar novas soluções ao debate que já existia. Neste balanço que faz deste dia de greve, Luís Montenegro aponta os transtornos causados a famílias, desde as escolas encerradas a consultas, cirurgias e deslocações afetadas. Sem pôr em causa o direito à greve, o primeiro-ministro defende que este direito deve ser conciliado com o de quem pretende efetivamente trabalhar e garante que a maioria dos trabalhadores, como disseste, manteve a sua atividade. Luís Montenegro acrescentou também ainda que o governo ouviu aquilo que foi apontado pelas confederações sindicais, mas Miguel Luís Montenegro considera que a greve não alterou as posições já conhecidas, nem trouxe respostas para os problemas em discussão.

A jornalista Marta Nobre a acompanhar esta declaração de Luís Montenegro no Palacete de São Bento, uma reunião de Conselho de Ministros que contou com essa notícia da eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU, mas que teve também como principal propósito avaliar os impactos desta greve geral.

E a esta hora ainda decorre uma manifestação convocada pela CGTP.

Que já está a esta hora a chegar à Assembleia da República, depois de ter arrancado do Rossio, em Lisboa. A acompanhar o desfile está o jornalista Miguel Pina Andrade. Miguel, no início da caminhada até ao Palácio de São Bento, falaram os dirigentes do PCP e do Bloco de Esquerda. Que críticas é que ambos deixaram ao governo?

O alvo das críticas do secretário-geral do Partido Comunista foi a ministra do Trabalho. Isto porque Maria do Rosário Palma Ramalho disse no final da manhã que a esmagadora maioria dos portugueses está a trabalhar. Declarações que, para Paulo Raimundo, merecem um prémio de funcionária do mês.

Há dez meses, é esta parte que anda a ser a funcionária do mês das confederações patronais. E foi com uma linha de argumentação sobre a dimensão da greve, o impacto da greve, de quem vive no seu próprio mundo e lutos com a sua própria propaganda. Isso vai arrebentar nas mãos, porque é compreensível. Não pode ser de outra maneira, é compreensível e aceitável que os trabalhadores não possam aceitar este pacote laboral, porque isto fragiliza mais as suas vidas, aumenta a precariedade, aperta-lhes os salários, desregula ainda mais os horários de trabalho, quer introduzir o instrumento da justa causa. Algum trabalhador pode aceitar uma coisa destas?

A resposta das milhares de pessoas que hoje protestam é não, não ao pacote laboral, não à precariedade. Foram alguns dos gritos de ordem do desfile que durou mais ou menos uma hora e que já chegou à Assembleia da República e em dia de greve geral, soube-se que a discussão do pacote laboral começa dia 18 deste mês. Uma data que, para José Manuel Pureza, o coordenador do Bloco de Esquerda, é uma provocação.

Este é um dia muito importante. É um dia em que se tem que definitivamente atirar o pacote laboral para o caixote do lixo. Mas não deixo de registar também a provocação, porque é uma provocação feita pelo governo, de a mata cavalos marcar a discussão e a votação na generalidade desta proposta de agressão ao mundo de trabalho para daqui a duas semanas. O governo sabe que foi derrotado na sua proposta no âmbito da concertação social pelos sindicatos.

Sindicatos que estiveram em massa nesta concentração em frente da Assembleia da República. A Intersindical CGTP liderou o desfile, a carrinha onde discursou o secretário-geral Tiago Oliveira, já não está em frente à escadaria. Agora veem-se e ouvem-se vários grupos com bandeiras e megafones a entoar palavras de ordem. A greve continua, é o que se ouve. Continua também a mobilização em frente ao Palácio de São Bento. Agora, Miguel, com bastante menos pessoas do que há uma hora.

O relato do jornalista Miguel Pina Andrade a acompanhar este desfile, que já terminou com a chegada ao Palácio de São Bento, esta manifestação convocada pela CGTP em dia de greve geral.

E o secretário-geral da CGTP que vinca a participação significativa, segundo diz, na greve geral.

Tiago Oliveira diz que está a ter uma adesão semelhante à greve do passado mês de dezembro. Não há números globais. O líder da Intersindical fez apenas referência a alguns setores e grandes empresas e referiu também a adesão no setor da saúde.

Hospitalização privada. Impactos significativos nos Lusíadas Amadora e Lisboa, no Hospital CUF em Sintra, no Hospital Luz em Lisboa. Setor do têxtil e calçado. Empresa Mabera, 99% de adesão, Tearfil, 95% de adesão.

Os números que foram acompanhados, claro está, de críticas ao governo.

Nós estamos perante um governo completamente alheado da realidade de quem trabalha, um governo que tem uma agenda, que tem um objetivo e que hoje, com as declarações da ministra, revelou-se, de facto, perante toda a gente perceber qual é o objetivo concreto deste pacote laboral. Não é para responder aos interesses dos trabalhadores, é sim, um pacote laboral construído e apresentado por este governo, mas deverá-se dar com o grande capital, com as associações patronais.

O líder da CGTP, que a esta hora já discursou também em frente à Assembleia da República no final do desfile convocado pela Intersindical.

E a ministra do Trabalho diz, por seu lado, que apesar da paralisação, a reforma laboral vai avançar.

Maria do Rosário Palma Ramalho diz que o pacote laboral vai fazer o seu caminho e vai mesmo ser discutido na Assembleia da República.

O governo respeita integralmente o direito de greve e o exercício da greve, mas o que lhe cabe no final do dia é executar o seu programa. E, portanto, o governo mantém, como é óbvio, a intenção de discutir o projeto da reforma laboral Trabalho 21, que, aliás, já está na Assembleia e, portanto, esse projeto será tratado aí.

Maria do Rosário Palma Ramalho, em conferência de imprensa também esta tarde no ministério, que lidera para um ponto de situação sobre esta paralisação.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 3 de junho.

No plano internacional, Benjamin Netanyahu assume discordâncias táticas com Donald Trump, mas diz que os exércitos dos dois países, Israel e Estados Unidos, estão preparados para retomar os ataques contra o Irão. Numa entrevista na CNBC, Benjamin Netanyahu admitiu que Tel Aviv e Washington estão preparados para retomar a ofensiva militar, diz ainda assim que há algumas discordâncias com o presidente norte-americano, mas destacou a boa relação com Donald Trump, que Netanyahu diz ser o melhor amigo que Israel alguma vez teve. A seleção nacional já se concentrou novamente na Cidade do Futebol, desta feita de forma definitiva. Os jogadores chegaram até às 15h. A esta hora, Nélson Semedo, lateral da equipa, fala aos jornalistas. Vamos ouvir alguns dos destaques às 18h. A equipa nacional treina de seguida, também na Cidade do Futebol. Isto para preparar um amigável que se vai jogar este sábado, dia 6 de junho, no Jamor, frente ao Chile. É o primeiro de dois testes de preparação da seleção nacional a pensar já no Campeonato do Mundo de Futebol, que arranca depois, dia 11 de junho.

Miguel Vítor Dias vai regressar às 17h30. Já daqui a pouco, o Esplendor e a Infâmia.