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Esta é a Tarde Política da Rádio Observador, é terça-feira, 18 de agosto. Bem-vinda, Judite França. De que vamos falar nesta hora das 17h?

Vamos falar, Ricardo, e vamos olhar com cuidado para o relatório "Reformar as Pensões em Portugal", que foi apresentado hoje, primeiro com o economista Tiago Bernardino, depois com os deputados do Partido Socialista e da Iniciativa Liberal. Vamos perceber como o excedente da Segurança Social era, afinal, uma ilusão contabilística.

Antes temos o jornal das 17h. Boa tarde, Vasco Maldonado Correia. Quais são as notícias em destaque às 17h?

A final, a Segurança Social tem um déficit de quase 2 mil milhões de euros. Alerta deixado pelo grupo de especialistas escolhido pelo governo para estudar a sustentabilidade do setor. Neste jornal, vamos conhecer algumas das propostas avançadas por esse grupo de trabalho. Fazemos também uma atualização dos incêndios em Portugal continental, num dia em que os dispositivos de combate às chamas foram reforçados face à subida das temperaturas. Subida das temperaturas que está também a criar problemas no Porto, onde surgem várias queixas dos utentes do metro de que a situação é muito difícil de suportar para quem tem de fazer as viagens no metro do Porto. Neste jornal, olhamos também para Alcácer do Sal, que assinou hoje um contrato de cooperação interadministrativo no âmbito dos impactos da tempestade Cristina.

E depois do jornal das 19h, temos novo episódio de "E o Resto é História: As Três Reformas que Tentaram Mudar Portugal", já que muito se fala em reformas estruturais. Um ouvinte lançou este desafio: olhar para a história de Portugal e analisar as reformas que maior impacto tiveram no país e foram escolhidas três. Para saber quais são, é preciso ouvir o episódio de "E o Resto é História", que vai para o ar depois das 19h. Quanto à previsão do estado do tempo para amanhã, as temperaturas descem, vamos ter nuvens, algumas escuras, possibilidade de chuva no litoral Sul e no interior Norte, onde podem ainda ocorrer trovoadas. A descida das temperaturas já se nota na previsão das máximas do IPMA para amanhã. Porto 25, Braga 29, Viseu 30, Aveiro 27, Coimbra 29, Leiria 27, Santarém 33, Lisboa 29, Setúbal 28 e Faro 26. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a Tarde Política da Rádio Observador. Jornal das 17h, com Vasco Maldonado Correia. Afinal, a Segurança Social tem um déficit de quase 2 mil milhões de euros. O aviso é deixado por um grupo de especialistas que foi escolhido pelo governo para estudar a sustentabilidade do setor.

O grupo de trabalho alerta que os excedentes que têm sido anunciados nos últimos anos são enganadores, não têm em conta, por exemplo, os encargos da Caixa Geral de Aposentações. E perante este cenário, o grupo de especialistas apresentou esta tarde uma série de propostas como, por exemplo, a correção do mecanismo de atualização das pensões, também um regime de reforma parcial flexível e ainda a criação de uma garantia integrada para a velhice, que garantiria que o patamar mínimo é superior para quem contribuiu mais para o sistema. Já no que diz respeito aos regimes complementares, foram ainda apresentadas propostas focadas na iniciativa pessoal de cada cidadão, Marta Caramelo Nobre.

São cinco as propostas complementares propostas por este relatório. Vão da infância à velhice e são recomendações focadas, sobretudo, na iniciativa pessoal de cada um. Desde logo, um plano de pensões profissionais de adesão automática.

Veículos de poupança para a reforma, em que os trabalhadores elegíveis são inscritos por defeito aquando da celebração do contrato de trabalho.

A ideia é passar por três fases: a inscrição, por sua vez, a acumulação da poupança, que segundo idealizou o grupo, pode ser gradual e faseada, e sempre com a possibilidade de renúncia. Outra das medidas sugeridas é a criação de uma conta poupança reforma para os mais novos.

Iniciar desde muito cedo a constituição de um património previdencial.

Já para os mais velhos, uma espécie de hipoteca inversa, que consistiria numa cedência do próprio património imobiliário que já detêm.

São permitida a quem quiser, de forma voluntária, ter formas de mobilizar o seu património imobiliário para fins previdenciários.

Há, por outro lado, o esquema chamado de save as you buy, não para incentivar o consumo das famílias, mas sim para aproveitar os gastos quotidianos que já têm.

Não associar a um ato quotidiano de poupança que aquela família já faz, a possibilidade de ele, inadvertidamente, começar a acumular algum pequeno património.

Algumas das medidas que, ainda assim, segundo o economista que liderou o relatório de mais de 600 páginas, não visam a rutura ou a privatização da Segurança Social.

Reportagem da Marta Caramelo Nobre com as propostas para os regimes complementares apresentadas hoje pelo grupo de especialistas, liderado pelo economista Jorge Bravo.

Vamos agora atualizar a informação relativa aos incêndios, num dia em que os dispositivos de combate às chamas foram reforçados face à subida das temperaturas. Vasco Maldonado Correia, há nesta altura três grandes incêndios que causam maiores preocupações. Um deles é em Arouca, no concelho de Arouca, onde há registro de pelo menos cinco bombeiros que ficaram feridos.

O fogo mantém-se com três frentes ativas, lavra em zonas de muito difícil acesso. Está no local cerca de 360 operacionais, apoiados por mais de 100 veículos e ainda três meios aéreos. Embora estejam quatro localidades na linha de fogo, Sérgio Azevedo, comandante dos Bombeiros Voluntários de Arouca, sublinha que, por enquanto, não há necessidade de evacuar aldeias. Diz, no entanto, que dadas as condições do tempo, não tem para já esperança de que os bombeiros consigam dominar o incêndio nas próximas horas.

Tendo em conta as temperaturas que temos, o vento que, conforme estava planeado, verificou que veio Conforme estava previsto e tendo em conta a orografia do terreno e o combustível disponível, vai ser muito difícil conseguirmos dominar o incêndio nas próximas horas.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Arouca, Sérgio Azevedo, aqui aos microfones da RTP. Ele conta também que cinco bombeiros ficaram feridos, todos de forma ligeira. Espera-se que rapidamente regressem ao combate às chamas.

Outro dos incêndios de maior dimensão a esta hora, o fogo de Torre de Moncorvo, que continua a preocupar as autoridades. É neste incêndio que neste momento está concentrado, a esta hora, o maior dispositivo. São quantos operacionais?

São perto de 450 operacionais. Estão também no terreno cerca de 150 veículos, além de quatro meios aéreos. Nesta altura mantêm-se três frentes ativas, uma particularmente difícil para os bombeiros por ser uma zona de difícil acesso. Ainda assim, a expectativa é de que o fogo seja dominado nas próximas horas. Previsão que foi expressa pelo segundo comandante regional de Emergência de Proteção Civil do Norte, Luís Araújo.

Neste momento, temos meios a trabalho. Estamos a progredir, com alguma dificuldade mais na de Vilarinho, que os acessos são muito difíceis, a orografia é complicadíssima e temos todos os combatentes, bombeiros, restantes agentes de proteção civil, a trabalho para que consigamos manter livre de reacendimentos e de reativações fortes e ao fim da noite poder dar o incêndio em resolução, se as condições assim se mantiverem.

Declarações do segundo comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Norte, Luís Araújo, à RTP.

O calor que se sente na área metropolitana do Porto tem condicionado a circulação do metro. A empresa admite que os veículos mais antigos estão a ceder à alta temperatura.

Cenário que tem levado a várias queixas dos utentes nos últimos dias. Ontem a Metro do Porto chegou a suspender algumas viagens. O jornalista Miguel Pinheiro Correia esteve a ouvir os relatos de alguns passageiros.

O barulho indica a chegada do metro à estação de Matosinhos Sul. Os passageiros podem finalmente sair do sol e fugir ao calor abrasador da rua, mas o alívio dura muito pouco.

Às vezes torna-se um bocado complicado, porque os metros vêm cheios em horário de ponta e como as carruagens já são antigas e não tendo ar-condicionado, torna-se bastante sufocante.

Se a falta de ar-condicionado ainda é suportável ao início do dia, nas horas de maior calor, há pouco por onde fugir.

Sim, de manhã ainda se viaja bem porque está fresco o tempo e a gente vai remediando. Agora ao fim da tarde é melhor fugir. Ontem, por exemplo, saí do trabalho, acabei por ir para o transporte porque o metro estava muito demorado.

O problema no ar-condicionado não afeta só a qualidade das viagens e a Metro do Porto já se viu obrigada a suprimir veículos para repará-los. Com menos metros, os passageiros concentram-se nas mesmas carruagens e os problemas, como a temperatura, tendem a aumentar.

Há pessoas que já se sentiram mal no metro, há pessoas que já se sentiram muito mal no metro. Têm que parar o metro para vir o INEM.

Já presenciei pessoas que estiveram quase a desmaiar, não chegaram a esse ponto, mas estiveram quase, porque torna-se tão sufocante. E ao mesmo tempo, já é bastante complicado as pessoas estarem amontoadas umas nas outras, com o calor extremo ainda é mais complicado.

Não sendo novo, o problema tem-se sentido cada vez com mais frequência nas três linhas onde circulam os veículos mais antigos da Metro do Porto.

As carruagens e o metro que anda aqui nesta zona já são muito antigos.

É uma linha em que as carruagens do metro, os próprios metros já são as mais antigas.

Segundo a empresa responsável pelos transportes do metro, a idade destas composições explica parte do problema. É que os Eurotram foram projetados para suportar temperaturas máximas mais baixas do que as registradas hoje. O governo está a acompanhar o problema e já lembrou que estas composições ainda têm cerca de 10 anos de utilidade pela frente. Para garantir que não é uma década marcada por problemas, Metro do Porto e Ministério das Infraestruturas apostam na aquisição de novas unidades e também no recondicionamento dos sistemas de ar-condicionado.

Reportagem do Miguel Pinheiro Correia, que esteve a ouvir as queixas dos utentes do Metro do Porto face ao aumento das temperaturas dentro das carruagens.

Foi suspenso o serviço de interrupção voluntária da gravidez no Hospital Garcia de Orta. A resposta é assegurada agora por uma clínica privada na zona da Grande Lisboa. A Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal garante que não foi possível encontrar alternativas dentro do Serviço Nacional de Saúde.

Em causa a falta de profissionais no Garcia de Orta. À Rádio Observador, a ULS diz que foi a forma encontrada para garantir uma resposta atempada às mulheres que pretendem interromper gravides, mas, na prática, Hugo Fortunato de Oliveira, a solução obriga a travessia do Tejo para ter acesso a uma resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Mais de 3 km e um rio separam o Hospital Garcia de Orta, no Pragal, em Almada, da Praça da Alegria, no centro de Lisboa. É aqui bem perto, na Clínica dos Arcos, que passa a funcionar o serviço de interrupção voluntária de gravidez do Hospital Garcia de Orta. Em resposta à Rádio Observador, a Unidade Local de Saúde Almada-Seixal explica que foi a solução encontrada depois de esgotadas as opções dentro do Serviço Nacional de Saúde. A ULS diz ter pedido a colaboração de outras unidades hospitalares do SNS, tanto na Península de Setúbal como em Lisboa, mas sem sucesso. A unidade garante ainda assim que a solução é temporária e diz contar retomar a resposta interna brevemente, sem nunca dizer quando.

Trabalho do jornalista Hugo Fernado de Oliveira. Nesta altura, médicos e utentes estão a contestar esta decisão.

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal assinou hoje um contrato de cooperação para tentar mitigar os impactos da tempestade Cristina.

E a autarca da região revela que o contrato permite assegurar a habitação temporária de 17 agregados familiares, mais de seis meses depois do comboio de tempestades que assolou especialmente a região Centro do país. Ainda há implicações relativas aos estragos causados. No município de Alcácer do Sal, há ainda famílias a viver em estruturas pré-fabricadas enquanto aguardam o restauro das habitações. O contrato assinado hoje é mais um passo da autarquia para a criação de medidas preventivas. É o que explica à Rádio Observador a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos.

Este contrato interadministrativo vai permitir que a Câmara Municipal adquira os monoblocos onde estão alojadas as famílias que viviam nas casas da Barrosinha, 17 agregados familiares. Para além de ser uma situação que surgiu com a tempestade Cristian, isto vem também permitir que o município fique aqui futuramente com um conjunto de habitações temporárias para alojar quem decide.

É o que diz a autarca de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, garante ainda que a grande maioria dos pedidos de apoio relativos às tempestades no município já foram entregues às famílias.

E há outras notícias a marcar a tarde desta terça-feira, 18 de agosto.

Pelo menos 13 pessoas morreram na sequência das chuvas fortes e inundações que atingiram a região de Chiba, a leste de Tóquio, no Japão. Há ainda uma pessoa desaparecida. Mais de 2500 habitações foram afetadas. A OpenAI anunciou hoje o lançamento global do ChatGPT para adolescentes, uma nova versão que limita automaticamente determinados tipos de conversas e inclui controlos parentais. De acordo com a empresa, o novo modelo foi concebido para reforçar a proteção dos mais jovens. E Ricardo, a vida dupla do espião traidor é o novo podcast Plus do Observador.

Conta a história do agente português do SIS, que foi apanhado a vender segredos da NATO à Rússia e hoje saiu mais um episódio, não é?

E ao longo desses seis episódios, o podcast conta com testemunhos de pessoas que conhecem o SIS por dentro, entre eles ex-diretores das secretas portuguesas. Vamos ouvir um pouquinho.

É quase 13h. Saiu do hotel há cerca de três horas e já percorreu perto de 7 km. O espião levanta o olhar. Parece reconhecer alguém à distância. É ele. De camisola vermelha, calças claras e relógio prateado no pulso esquerdo. Frederico Carvalhão Gil aproxima-se. Aquele homem está ali precisamente para se encontrar com o espião português.

"Perseguição em Roma" é o título do quarto episódio do novo podcast Plus do Observador, que já está disponível.

O ator Ivo Canelas é o narrador desta série, que conta com música original de Bruno Pernadas. A investigação e os guiões são do jornalista Pedro Rainho.