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Jornal das cinco com Vasco Maldonado Correia. Começamos com os protestos em França. O governo de Emmanuel Macron diz que há mais de 250 mil manifestantes nas ruas em todo o país.
Incluindo 56 mil só na capital, Paris. O anúncio foi feito esta tarde pelo Ministério do Interior francês. O número fica abaixo do que é avançado pelas organizações estudantis e de ensino médio por trás destas manifestações, que falam em cerca de 100 mil protestantes em Paris e 450 mil em todo o território francês. Nesta altura, já foram detidas mais de seis mil pessoas pela polícia. Há, no mínimo, 300 feridos nas últimas horas e, neste preciso momento, têm surgido relatos e imagens de novos confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes, que são descritos pelas autoridades de Paris como hostis. Os agentes têm respondido com bastonadas e com gás lacrimogêneo. Este dia está previsto como o último dia de protestos dos estudantes do ensino secundário, que exigem melhores condições de ensino. Entretanto, nos últimos minutos, o jornal Le Monde avançou que Emmanuel Macron chamou o governo para uma reunião de emergência no Palácio do Eliseu esta noite.
E Vasco, conversámos com o Hermano Sánchez Ruivo, é português, é luso-francês, antigo vereador na Câmara Municipal de Paris, que diz que esta situação nas ruas poderá ter consequências nas presidenciais do próximo ano em França.
E com dois candidatos a beneficiar desse caos que se vive nas ruas, Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon.
São os extremos que vão beneficiar. E para uma parte da população, ver novamente manifestações, estragos, a polícia mobilizada ou a bater ou a ser batida, traz um sentimento de falta de conforto que beneficia muito claramente mais a extrema-direita do que a extrema-esquerda, embora ela também faça dessa luta uma forma de pôr em dificuldade qualquer governo e de ficar associada a uma luta que ela defende ser importante e com alguma justeza.
Hermano Sánchez Ruivo, que considera que há justificação para estes protestos e atribui a responsabilidade dos distúrbios que se têm registrado nas ruas a grupos de agitadores.
Claramente, pessoas que não são estudantes, que não são alunos do liceu, que nem são pessoas ligadas aos movimentos, por exemplo, dos professores, que participam para partir, para realmente monopolizar essa presença de muitas pessoas e a mobilização da polícia para claramente chegar ao confronto. Estamos na fase dois de qualquer manifestação, que infelizmente acontece aqui em Paris e noutras cidades. Estamos agora na fase em que uns vão para casa e os outros continuam para partir.
Hermano Sánchez Ruivo, o antigo vereador na Câmara de Paris, aqui ouvido esta tarde pela Rádio Observador.
E o presidente dos Estados Unidos também já veio dar a sua opinião sobre os protestos em França e encontra culpas na imigração.
Foi o que escreveu na última hora na rede Truth Social para Donald Trump, não é a situação nas escolas que leva os manifestantes às ruas, é, isso sim, o islamismo. O chefe de Estado norte-americano fala num cenário de guerra vivido nas ruas de Paris, causado pelos cidadãos islâmicos, que, diz Donald Trump, estão a tomar conta de um país que outrora foi grandioso.
E onde há também protestos é em Estrasburgo. É lá que está hoje o primeiro-ministro português. Esta manhã discursou na sessão do Parlamento Europeu, precisamente na cidade francesa de Estrasburgo.
E exigiu a Bruxelas mais empenho da defesa da coesão e no apoio à habitação. Apesar das críticas ao discurso, os eurodeputados portugueses apontam o mesmo rumo quanto ao próximo quadro de fundos comunitários. Há críticas ao retrato traçado pelo primeiro-ministro em Estrasburgo, mas todos reconhecem a necessidade de conseguir negociar da melhor forma possível o quadro de fundos comunitários, que vai estar em vigor até o ano de 2034. Na reação ao discurso de Luís Montenegro no Parlamento Europeu, os partidos deixaram críticas à Comissão e aos países que não querem contribuir para a coesão. Com Miguel Viterbo Dias, sinais de convergência.
Francisco Assis, do PS, diz que este é um momento de convergência para alcançar bons resultados.
A Europa entrará em crise no dia em que o centro-esquerda e o centro-direita deixarem de falar um com o outro e se deixarem dominar por posições extremistas, que hoje é um dia de convergência.
E até mesmo o Chega admite que todos os portugueses envolvidos na negociação estão a remar para o mesmo lado.
Estamos todos a tentar, cada um da sua maneira. Da minha maneira, das comissões a que pertenço, tentar desviar no bom sentido algumas verbas para que possam, de fato, minorar.
António Tanger Correia, depois do discurso de Luís Montenegro, em que deixou críticas, a AD preferiu ver o copo meio cheio e Sebastião Bugalho diz que há um sentimento transversal entre os eleitos portugueses.
Por trás da capa do combate ideológico entre partidos políticos, que faz parte da democracia, está a noção transversal entre os 21 deputados portugueses, creio, na negociação dura que está a ocorrer, que as prioridades deste governo salvaguardam os portugueses como um todo.
Já João Cotrim Figueiredo, da IL, foi a voz da exigência de Passos Coelho.
Querer conciliar aquilo que o primeiro-ministro chama bem a atenção ao que é necessário fazer na Europa, a criação de riqueza, a inovação, o investimento em defesa, a preparação para a revolução tecnológica, tudo isso é necessário. E depois, na frase seguinte, diz: "Sem prejudicar as políticas de coesão". É uma aritmética um bocadinho difícil de quadrar, convenhamos.
Com a esquerda a criticar a postura do primeiro-ministro.
Indiciou a possibilidade do governo português vir a aceitar um quadro financeiro plurianual que, para além de agudizar assimetrias de desenvolvimento que já existem dentro da União Europeia, e particularmente em prejuízo a países como Portugal, não dão perspectiva de solução.
João Oliveira, do PCP, com Catarina Martins, do Bloco, a criticar também a proposta da Comissão.
Eu, que estou em desacordo com o primeiro-ministro em tantas coisas, acho que é absolutamente necessário sermos claros
O orçamento da União Europeia, como a Comissão Europeia o apresentou, é inaceitável.
A reação dos eurodeputados portugueses numa fase de intensa negociação do próximo quadro de fundos comunitários.
Reportagem do Miguel Vitor Mendes, em Estrasburgo, com as reações dos eurodeputados portugueses ao discurso de Luís Montenegro esta manhã.
Na atualidade nacional, apesar da já anunciada viabilização da proposta do governo para o orçamento do Estado, o Partido Socialista está a preparar-se para algumas batalhas em sede de especialidade.
Internamente, a decisão de José Luís Carneiro de deixar passar o orçamento sem conhecer a proposta do Executivo é vista com naturalidade, mas surgem avisos para o desafio que segue, a especialidade. Vários socialistas ouvidos pelo Observador referem que se o partido quer continuar comprometido com o equilíbrio das contas públicas, não se pode autoexcluir do debate nessa fase. Por outro lado, estas figuras do partido avisam também que é preciso bater o pé para evitar passar uma imagem de muleta do governo. Ou seja, para o PS, a abstenção na generalidade pode resolver o problema maior, assegurar que o orçamento não cai e evitar assim uma crise política, mas não impede que o partido entre em conflitos sobre medidas concretas.
Esta é a notícia que faz manchete no site do Observador, assinada pela jornalista Rita Tavares. A Ordem dos Advogados espera que o diploma que prevê a suspensão dos prazos dos processos judiciais tenha aprovação alargada no Parlamento.
Suspensão que deve ser aplicada em casos de indisponibilidade dos advogados com gravidez, doença grave ou luto, proposta é do PSD. Em entrevista à Rádio Observador, o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, considera que o diploma deve ser aprovado por várias forças partidárias, porque se trata de uma questão de respeito pelos advogados.
Espero, até pelas conversas que temos tido, que todos os partidos compreendam que aqui não é uma questão de cor partidária que está em cima da mesa, mas é uma questão de reparar injustiças ao longo dos anos e de, daqui para frente, conseguirmos que todos estejam em pé de igualdade no sistema judicial, porque se for um juiz ou se for um procurador com estas circunstâncias, pura e simplesmente deixa de trabalhar.
Diz João Massano, bastonário da Ordem dos Advogados, que acredita que a aprovação deste diploma entrega mais poderes aos clientes para a escolha de representação judicial.
O Vasco Maldonado Correia vai regressar às 17h30.