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Efeitos do mau tempo. Começamos pelo primeiro-ministro, que esteve três meses sem responder a uma carta do presidente do Tribunal Constitucional. O governo diz que agora é o Parlamento que pode acatar ou não a exigência de mais dinheiro para o Tribunal Constitucional, Vanessa.
Na conferência de imprensa, depois da reunião do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência foi questionado sobre esses alertas e essas críticas deixadas pelo presidente do Tribunal Constitucional, ouvido hoje no Parlamento. António Leitão Amaro diz que o governo já apresentou uma proposta, que está patente no Orçamento do Estado. Cabe agora ao Parlamento deliberar.
Neste momento, essa bola já não está no governo, já está no Parlamento e nós respeitamos o Parlamento. Sempre temos feito e é um pedido de respeito do equilíbrio das contas públicas, que para os portugueses é tão importante. E, portanto, a única coisa que diria é: a proposta que foi é a que reflete as prioridades definidas pelo governo. É uma proposta ao Parlamento. O Parlamento se pronunciará.
O ministro defende que a proposta apresentada reflete o equilíbrio das necessidades do Tribunal Constitucional com outros setores prioritários, como a saúde e a segurança.
E o ministro da Presidência refere-se à crítica do presidente do Tribunal Constitucional, que lamentou esta tarde no Parlamento a falta de resposta de Luís Montenegro.
Foi José João Abrantes que pediu para ser ouvido pela Assembleia da República para se queixar dessa falta de verbas na proposta do Orçamento do Estado. Lamenta que o governo só tenha respondido aos juízes do Palácio Ratton depois de ser tornado público o desconforto perante as verbas previstas para o próximo ano.
O Tribunal Constitucional, naquela minha carta de 25 de agosto, alertou o primeiro-ministro para o facto de que, caso a proposta de lei do orçamento para 2026, o governo não viesse a considerar os necessários ajustamentos, se veria o tribunal na contingência de recorrer ao Parlamento, à Assembleia da República, no quadro das suas competências em termos orçamentais. Devo dizer que na passada segunda-feira, dia 10, ao princípio da noite, mais concretamente às dezoito horas e treze minutos, três dias após o anúncio desta audição, recebi por e-mail uma carta do primeiro-ministro que, no essencial, não desfez as nossas preocupações.
José João Abrantes, que perante os deputados deixou ainda um aviso, o Tribunal Constitucional é um poder autónomo, retirar fundos prejudica o funcionamento deste órgão de soberania. O pedido que é feito é de um reforço de verbas de um milhão e seiscentos mil euros. Entretanto, PSD e Chega, há pouco, disseram que estão disponíveis para viabilizar na especialidade.
Agora espaço às consequências do mau tempo que tem fustigado todo o país. Em Abrantes, há mais de uma dezena de casas inundadas, vários desalojados que estarão a receber apoio da Proteção Civil, Vanessa.
O presidente deste município, Manuel Valamatos, fala em mais de 60 ocorrências com vários danos.
Temos seguramente mais de uma dezena de habitações que foram inundadas, ou famílias ou pessoas individualmente ficaram com as suas casas inundadas. Muitas delas, ou a grande maioria, foram socorridos e apoiados por familiares, por pessoas amigas, e temos uma família e uma pessoa individualmente numa situação de maior fragilidade. Estamos nós, com os nossos serviços de proteção civil, a apoiar.
Manuel Valamatos, entrevistado pelo jornalista Gonçalo Cordeiro. Caíram várias árvores em Abrantes, estradas submersas e estruturas hidráulicas que colapsaram. Há também registro de danos em escolas, recintos desportivos e culturais. O presidente da Câmara prevê um longo trabalho para normalizar a situação.
E uma das zonas particularmente atingidas pelo mau tempo é Fernão Ferro, no Conselho do Seixal. A Câmara Municipal do Seixal disse aqui, o presidente da Câmara, há cerca de uma hora, na Rádio Observador, que a autarquia está empenhada em fazer trabalhos de recuperação e reconversão do território da freguesia de Fernão Ferro para prevenir eventuais novos problemas.
Foi em Fernão Ferro que um casal de 88 anos perdeu hoje a vida, precisamente por causa do mau tempo. O autarca Paulo Silva espera que esses trabalhos estejam concluídos nos próximos quatro anos, os trabalhos de reconversão. A autarquia do Seixal garante que com a comissão de proprietários, o plano está em curso. Também a casa dos dois idosos que morreram estava nessa zona sinalizada. Garantias deixadas pelo presidente da Câmara do Seixal na última hora aqui na Rádio Observador.
A zona onde situava a casa está em plano de reconversão, portanto está com as obras de conversão a serem feitas pela comissão de administração e num trabalho conjunto entre a Câmara Municipal do Seixal e a Comissão de Proprietários. Vai sendo feita com o tempo, até porque estamos a falar de uma vasta área, são cerca de três mil lotes, prevendo-se que penso que até 2030 estejam concluídas.
A casa ilegal onde vivia este casal de idosos que morreu hoje inundou. Há, de resto, também inundações de norte a sul do país. Cerca de sete mil pessoas sem eletricidade. A linha da Beira Baixa tem estado cortada na zona da Covilhã. Um comboio descarrilou sem provocar feridos, só a tripulação seguia a bordo, e um poste caiu.
De resto, o IPMA mantém todo o país pintado amarelo e o sul laranja. A esta hora, os distritos de Beja e de Faro continuam sob aviso laranja devido à chuva que está prevista. São as consequências da Depressão Cláudia, que também, obviamente, não poupa recintos desportivos.
O Estádio do Estoril Praia inundou, mas a água já foi escoada, não se registaram danos de maior. Há um clube em Palmela que tem muito para lamentar. O Botafogo, clube da localidade de Cabanas, joga na segunda divisão distrital, viu o muro que sustenta uma das laterais do campo desabar. Os destroços continuam espalhados na via pública. O clube é obrigado a fazer contas à vida. O Vasco Maldonado Correia visitou este campo do Botafogo. Muito trabalho, Vasco, agora em direto, muito trabalho pela frente para os dirigentes do clube.
Desde logo, Vanessa, para perceber quando será possível retomar uma certa normalidade no clube, numa altura em que volta a chover em força, no mínimo, aqui nesta região. As fontes de receita do Botafogo vêm das mensalidades dos treinos e também dos bares, e sem campo torna-se difícil fazer dinheiro para sustentar o clube. Eu falei há pouco com o vice-presidente Fernando Felicidade, que além deste cargo tem um outro emprego e esta manhã viu-se obrigado a escolher.
Era 7h15, telefona-me um vizinho aqui do campo a dizer que o muro tinha caído. Vim para cima e quando cheguei aqui deparei-me com esta catástrofe e tive que telefonar para o meu local de trabalho e dizer: "Olha, é um dia de trabalho que eu vou perder em prol do movimento associativo".
Ainda não foi possível fazer contas aos prejuízos, mas uma coisa é certa: o Botafogo vai ter de depender nos próximos tempos também da boa vontade dos clubes vizinhos, uma situação que não é ideal para as contas do clube.
Para já é fazer aquilo para retomar a atividade ao normal, mas ao mesmo tempo, enquanto isto não é possível, vamos começar a fazer contas à vida, porque uma coisa é treinarmos e jogarmos em casa, outra coisa é treinarmos e jogarmos fora, andarmos com a casa às costas.
É o que diz Fernando Felicidade, é vice-presidente do Botafogo, tem estado desde manhã a acompanhar a situação e com parte do terreno que sustentava o relvado, agora desabado por força do vento e da chuva. Sendo que, Vanessa, e assim fecho, no meio desta tragédia, há razões para sorrir. Já houve nas últimas horas vizinhos que se vieram disponibilizar para organizar uma angariação de fundos para ajudar o clube a dar a volta à situação.
A comunidade a dar uma ajuda. Reportagem do Vasco Maldonado Correia em Palmela, a margem sul, foi uma das mais afetadas pelo mau tempo em todo o país.
Viramos a página para o futebol das seleções. Hoje é um dia importante para a seleção portuguesa. Em caso de vitória, Portugal pode carimbar a passagem para o Mundial do próximo ano.
Em Dublin, os comandados de Roberto Martínez defrontam a República da Irlanda, numa partida da quinta e penúltima jornada do grupo F para o apuramento para o Mundial. Em direto do Aviva Stadium está o jornalista Diogo Varela. Diogo, agora em direto, num dia de muito frio em Dublin, promete-se um ambiente quente dentro do estádio. Como é que foi o dia dos adeptos portugueses por aí?
Olá, Vanessa. Olá, Ricardo. Muito boa noite. De facto, tem sido um dia muito agitado aqui pela capital da República da Irlanda, em Dublin. Os termômetros apontam para os 10 °C, mas a sensação térmica será bem inferior a essa mesma, até porque daquilo que pude ver, observar e até eu próprio, como estou vestido com gorro, com luvas e casaco, há a sensação térmica baixa aqui em Dublin, mas não chove. A chuva deu tréguas. Ontem choveu todo o dia, hoje não chove. Em relação a portugueses, são esperados cerca de 3000 portugueses aqui no Estádio Aviva, uma bela comunidade que se desloca em massa até à capital da Irlanda. Estão confiantes, vinham com vários adereços, até algumas bandeiras, inclusive da Madeira, com esse apoio a Cristiano Ronaldo neste jogo que pode ser decisivo para carimbar esse passaporte português. Até porque nesta altura, Vanessa e Ricardo, a Hungria está a vencer a Arménia, o que faz com que Portugal, para se qualificar já hoje, tenha que vencer obrigatoriamente a Irlanda. O empate não chega. Ainda assim, Portugal aqui em Dublin nunca venceu em jogos oficiais. Regista dois empates e uma derrota em três jogos oficiais, ou seja, Portugal vai ter que contrariar essa história. Só daqui a cinco minutos é que as bancadas aqui do Aviva Stadium abrem ao público. Nesta altura, apenas jornalistas estão cá dentro, mas lá fora, nas imediações, há muita festa, sobretudo com portugueses confiantes para o jogo de Portugal esta noite na capital irlandesa, em Dublin.
Reportagem do Diogo Varela. Vai ficar com o relato deste Irlanda-Portugal. O jogo começa quando faltarem 15 minutos para as 8:00 da noite. A emissão especial começa ainda antes aqui na Rádio Observador.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira.
É oficial, a UGT avança mesmo para greve geral dia 11 de dezembro. Junta-se à CGTP. A central sindical diz que não queria ter de chegar tão longe, mas que ficou sem opção. Depois de reuniões tanto com o governo como com os parceiros patronais, a UGT diz que não viu abertura para ver incluídas propostas da estrutura sindical. Há dois dias o governo entregou uma nova proposta considerada insuficiente. O governo aprovou uma verba de 11 milhões de euros para a manutenção da frota do INEM. O anúncio foi feito esta tarde pelo ministro da Presidência, depois do Conselho de Ministros. O objetivo, diz António Leitão Amaro, é combater a inoperacionalidade de parte dos cerca de 600 veículos do Instituto Nacional de Emergência Médica. O ex-presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, vai entregar a indenização de 2.500 € que há de receber de Luís Filipe Menezes a duas instituições de solidariedade social do Conselho. Menezes foi condenado pelo Tribunal de Gaia a indenizar o ex-autarca por difamação, na sequência de uma publicação no Facebook há dois anos sobre uma alegada interferência no licenciamento de um terreno do próprio Luís Filipe Menezes. A defesa já veio admitir que pode recorrer da sentença.
A jornalista Vanessa Cruz regressa às 18h30 para atualizar as notícias.