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Este é o Jornal das 6, na Rádio Observador, com o jornalista Miguel Videira. Miguel, começamos com o mais recente balanço sobre vítimas mortais no terremoto da Colômbia desta tarde. Este é um dos temas em destaque neste Jornal das 6. Mas antes podemos ainda ir ao diagnóstico feito pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro sobre os dados da economia portuguesa. E Luís Montenegro diz que Portugal está a viver um bom momento.

É uma opinião sustentada pelo chefe de governo, por exemplo, precisamente nisso que dizias, nos indicadores económicos. Opinião expressa pelo chefe de governo esta manhã, em Fafe. O mote para o Explicador da Tarde Política teve há pouco como convidados representantes de PS, Chega e CDS. Começamos pelo líder parlamentar dos centristas, Paulo Núncio, parceiro de coligação do PSD na AD. Defende que sim, o país está melhor, a vida dos portugueses está mais facilitada e sustenta-se nos indicadores económicos e no crescimento de salários dos trabalhadores.

Que Portugal está melhor e os portugueses também estão melhor. E que a economia portuguesa está a atravessar um bom momento, isso parece-me ser uma evidência que é comprovada por dados oficiais e estatísticos. E os últimos dados são absolutamente categóricos a esse propósito. Os salários, que importa muito às famílias portuguesas, estão a crescer. Cresceram 14% nos últimos dois anos e continuam com crescimento forte em 2026.

Não é um diagnóstico partilhado pelos partidos da oposição, os representantes dos partidos da oposição convidados deste Explicador, Filipe Melo, do Chega, diz que os indicadores económicos nada significam e que os casos no Executivo de Luís Montenegro influenciam de forma negativa a imagem de Portugal.

O país não vive só de indicadores económicos, mas se quiser começar por aí, também podemos começar por aí. Mas o país, acima de tudo, e este governo, acima de tudo, é escândalo atrás de escândalo. E isso prejudica também a imagem do país, a confiança dos portugueses no governo e isso tudo, naturalmente, vai afetar. Mais, preço dos combustíveis. É insustentável para qualquer português ir a uma bomba de gasolina hoje em dia. É insustentável.

Filipe Melo e a avaliação da situação de Portugal pelo lado do PS. Utiliza os números do crescimento económico, em especial a procura externa, como um indicador do fraco desempenho da economia portuguesa. É o que diz Miguel Costa Matos, deputado socialista.

Primeiro, os números da economia não são melhores. Não são melhores porque os números do crescimento económico estão mais baixos do que estavam no período de governação do Partido Socialista. Em segundo lugar, porque esse crescimento é menos a expressar nas exportações. Nós estamos a ver que a procura externa líquida, isto é, as exportações subtraídas das importações, contribuíram negativamente para o crescimento económico. E na verdade, em mais de metade dos nossos mercados de exportações, nós perdemos cota de mercado.

O reparo feito pelo deputado socialista Miguel Costa Matos, diferentes diagnósticos, tendo como ponto partida a afirmação feita esta manhã pelo primeiro-ministro em Fafe. Luís Montenegro diz que Portugal está a viver um bom momento.

E há outro tema que está a marcar esta segunda-feira e a marcar também os últimos dias. Luís Neves diz-se tranquilo e até desejoso de conhecer as conclusões da auditoria à Polícia Judiciária e da avaliação a atos de gestão do então diretor nacional da Polícia Judiciária, hoje o ministro da Administração Interna.

Procedimentos determinados e anunciados pela colega de governo, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, na sequência dos casos que vieram a público e que suscitam dúvidas sobre a atuação de Luís Neves. Ora, o ministro da Administração Interna nada teme.

Fizemos um trabalho extraordinário, que foi receber as pessoas do SEF, que tinham sido maltratadas e que foram instaladas e acolhidas. Tivemos obras em tudo que é edifício da Polícia Judiciária e por isso estou absolutamente tranquilo e até desejoso que essa auditoria seja feita e seja conhecida. Fizemos um trabalho extraordinário.

Voltávamos aqui a ouvir esta declaração de Luís Neves, o ministro da Administração Interna, aqui defendendo o legado na Polícia Judiciária e a dizer também que está desejoso de conhecer as conclusões das auditorias à Polícia Judiciária e à gestão do ministro, na altura diretor nacional da Polícia Judiciária. Confrontado com a pergunta que se tem ouvido com insistência nos últimos dias sobre se Luís Neves tem ou não condições para continuar no governo, a resposta do ministro.

O que eu quero dizer é que estou muito enobrecido de exercer estas funções, tal qual fiz há mais de 30 anos enquanto servidor público. Dar tudo ao país, dar tudo à população, dar tudo às pessoas. É esse o meu trabalho, é esse o meu compromisso. Estou entusiasmado e é isso que vai acontecer.

Luís Neves, ministro da Administração Interna, não tem no horizonte um cenário de saída do Executivo.

Ainda sobre este tema das auditorias, a Ministra da Justiça recusa a ideia de que estamos na presença de um ministro a ordenar uma investigação a outro ministro.

"Este é um procedimento normal", diz Rita Alarcão Júdice, que recusa qualquer personalização.

Não está em causa a investigação de um ministro por outro ministro. Não está em causa a averiguação político-pessoal de uma determinada pessoa. A minha preocupação é defender as instituições, defender a Polícia Judiciária, que é uma entidade essencial do funcionamento do Estado. É essencial que a confiança que os portugueses têm, e continuam a ter, na Polícia Judiciária, seja mantida e inatacável. Mas admite que ficou fragilizada. E por isso, é muito importante que essas entidades sejam auditadas e sejam verificadas, como aliás, é natural que assim seja.

A Ministra da Justiça não se compromete com qualquer prazo para o fim destas auditorias. Uma declaração à margem de uma cerimônia ao final da manhã, na Polícia Judiciária, em Lisboa.

O Primeiro-Ministro pronunciou-se hoje pela primeira vez sobre esta questão das auditorias. Luís Montenegro sublinha que é preciso tirar tudo a limpo, em nome da credibilidade da Polícia Judiciária.

O chefe do governo sugere que a iniciativa deve ser encarada com normalidade.

Eu espero que todos entendam que é precisamente tirando a limpo tudo aquilo que são situações que têm vindo a público, que nós podemos credibilizar as instituições e a vida do país. Honestamente, eu creio que estamos numa altura da nossa vida, enquanto comunidade, em que devemos ver as coisas com um espírito um pouco mais consensual. Eu creio que o que seria estranho era que não houvesse fiscalização, que não houvesse auditorias cujo objetivo é clarificar.

Luís Montenegro, Primeiro-Ministro, esta manhã em face sublinhar a ideia de que as auditorias determinadas pela Ministra da Administração Interna devem ser encaradas com normalidade. O importante é garantir a credibilidade das instituições, neste caso, da Polícia Judiciária.

O Ministro da Defesa vai processar André Ventura, o deputado Pedro Frazão, também do Chega, e ainda o jornal 24 horas. E por quê, Miguel?

Por causa de uma notícia divulgada por este jornal na passada sexta-feira, que suscita dúvidas sobre o negócio da aquisição de três fragatas a uma empresa italiana. A notícia dá conta que uma empresa portuguesa foi excluída da operação, avaliada em cerca de 4000 milhões de euros. Tanto André Ventura como Pedro Frazão criticaram o negócio e suscitaram dúvidas sobre a legalidade do mesmo. Agora, em comunicado, o Ministério da Defesa acusa os dois responsáveis de ultrapassarem todos os limites, de mentirem e deturparem fatos. André Ventura e Pedro Frazão são ainda acusados de ferir o bom nome e honra do ministério e também do partido de que é presidente o ministro da Defesa, o CDS.

E há uma notícia que está também a marcar esta segunda-feira: um terremoto na Colômbia de 7,4. O número de vítimas tem estado a ser atualizado praticamente ao minuto. O que nos dizem as mais recentes informações, Miguel?

Os últimos dados apontam para 47 mortos, sendo que as autoridades colombianas antecipam que este número pode aumentar, tendo em conta que há várias pessoas debaixo dos escombros em diversas cidades colombianas. Este terremoto de 7,4, como referias, teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, cerca de 300 km da capital Bogotá, com indicação do colapso de vários edifícios em diferentes cidades da Colômbia. Este terremoto foi também sentido no Equador.

Dada a violência do abalo, o número de vítimas deverá ser atualizado nas próximas horas. Do lado oposto a esta notícia, temos algo para celebrar. É uma notícia fresquinha, que acaba de chegar. Diogo Ribeiro bateu o recorde nacional dos 50 metros mariposa.

Sim, a distância percorrida em 22 segundos e 68 centésimos. Marca obtida durante a meia-final desta disciplina nos Campeonatos da Europa de Pista Coberta, que decorrem em Paris. Diogo Ribeiro, que já esteve aqui conosco na antena do Observador, já detinha a melhor marca nacional para esta disciplina dos 50 metros mariposa.

E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira, 10 de agosto.

Ainda o desporto, a Volta a Portugal em bicicleta terminou a quinta etapa, o dinamarquês da Team Emirates, Julius Johansen, foi o mais rápido no contrarrelógio que ligou Anadia a Águeda, percorreu os 17 km da tirada em 21 minutos e 13 segundos. Na classificação geral, o francês Alexis Guerrin mantém a liderança da prova, mas agora apenas com uma vantagem de 1 minuto e 6 segundos para o segundo classificado, Artem Nys. O melhor português é Tiago Antunes, está a 1 minuto e 51 segundos do líder. No fecho deste jornal das 18h, o filme português mais visto do ano. "Playback", a película sobre a vida e obra de Carlos Paião, somou 11.190 espectadores entre o dia de estreia, quinta-feira e domingo. São dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual.

Bem bom. Ainda não vi, mas está na minha lista para ver "Playback", o filme sobre a vida e obra de Carlos Paião. E ficamos um bocadinho com esta canção que nos conquistou a todos até o final do jornal das 18h.