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Esta é a tarde política da Rádio Observador, jornal das 6 com Luís Soares. Começamos com o resultado da Operação Hermès. A Polícia Judiciária deteve 39 pessoas suspeitas de lesar o Estado português em 150 milhões de euros.

Em comunicado, a Polícia Judiciária explica que esta operação envolveu 300 buscas domiciliares e não domiciliares por toda a Europa. Contou com a ajuda de mais de 1100 agentes, desde a Polícia Judiciária, à Autoridade Tributária e Guarda Nacional Republicana. A atividade criminosa centrava-se num esquema de fraude fiscal, denominado de carrossel, que tinha como objetivo utilizar as fragilidades decorrentes do regime de tributação em sede de IVA, através da comercialização de telemóveis e dispositivos eletrónicos. Em causa crimes de associação criminosa, fraude fiscal e também branqueamento. Os detidos, portugueses e estrangeiros, têm idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos. Vão ser agora presentes a tribunal para interrogatório judicial. Para além das detenções, as autoridades também apreenderam bens e ativos no valor de até 310 milhões de euros, desde imóveis e automóveis de luxo, até dinheiro em numerário e também moedas de ouro.

Eu claramente confundi o deus grego com uma marca de luxo conhecida. Obviamente, é a Operação Hermes e não Hermès. O líder do Chega, André Ventura, insiste com o presidente da Assembleia da República que está a proteger Luís Neves, diz Ventura, em causa a data escolhida para o início da Comissão Parlamentar de Inquérito, hoje conhecida.

A conferência de líderes deliberou que as duas novas comissões, uma ao ministro da Administração Interna e outra à questão dos exames nacionais, vão ser instaladas na próxima semana, dia 14 de outubro, mas não deverão ter reuniões até à votação final do orçamento, ou seja, até ao final de novembro. Perante esta decisão, o líder do Chega, André Ventura, acusa José Pedro Aguiar Branco de não querer que Luís Neves seja investigado.

Este é um conflito, porque o presidente da Assembleia da República está a fazer todo o possível e o impossível para que esta investigação não avance ou para que ela perca o seu sentido. Nós já tivemos, em casos de maior urgência, comissões de inquérito a decorrer. Já tivemos três a decorrer ao mesmo tempo. Já tivemos noutros casos em que não. Já houve pedidos de suspensão, já houve pedidos para não suspensão e sempre, que me recordo da parte de todos os presidentes da Assembleia da República, houve tolerância àquilo que era o entendimento ou do grupo que propõe a comissão de inquérito, sendo ela potestativa, ou da maioria, sendo ela uma comissão ordinária.

E por este motivo, André Ventura anunciou também que o Chega vai pedir que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Ministro da Administração Interna comece imediatamente, na data definida e sem qualquer adiamento.

Logo que esta comissão seja constituída, dia 14, vamos propor que ela não suspenda os trabalhos durante o Orçamento do Estado e vamos propor que ela inicie imediatamente os trabalhos que tem que fazer e que é o dever dos deputados levarem a cabo, que é não pararem de trabalhar, independentemente dos momentos do ano em que se encontram.

André Ventura, em declarações aos jornalistas nos Passos Perdidos. André Ventura, que é também o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, apesar de já estar agendada a instalação desta comissão para dia 14, fica marcado também para amanhã um debate de urgência a pedido do Chega, precisamente sobre os trabalhos no Parlamento. O partido de André Ventura queixa-se de uma tentativa de bloqueio ao escrutínio por parte de José Pedro Vieira Branco.

O governo apresentou hoje no Parlamento a quinta descida de impostos em dois anos e meio e aponta para uma sexta, que virá no próximo ano.

Ainda que não explique para já se nessa alteração está prevista uma nova descida das taxas de IRS, o ministro das Finanças esteve no Parlamento a apresentar para já as medidas que o governo já deu conta e que têm que ser votadas no Parlamento. Nesse debate, ouviu críticas à esquerda e à direita e, Vasco Moldavo Correia, o ministro até se envolveu num debate sobre literatura.

O ministro das Finanças veio ao Parlamento apresentar uma nova descida de impostos, um alívio fiscal avaliado em 400 milhões de euros, garante que vale para todos.

Na medida em que o imposto é progressivo, a descida nos primeiros escalões também implica uma redução de imposto para os contribuintes dos escalões mais elevados.

Joaquim Miranda Sarmento lembra que além desta, está a caminho uma nova alteração dos impostos, desta vez de forma automática, mas não se compromete com nova descida das taxas de IRS em relação às medidas apresentadas esta quarta-feira.

É, de facto, a quinta redução de IRS em dois anos e meio. Com o Orçamento, será a sexta redução de IRS, porque o Orçamento também trará a atualização de escalões, da dedução específica, do mínimo de existência.

Para o Chega, as medidas do governo são insuficientes.

Se esta é a maior descida de IRS da história, então eu vou lhe dizer uma coisa: nós estamos muito mal no nosso país.

Pelo Partido Socialista, Marina Gonçalves reivindica a responsabilidade pelos feitos do governo da AD.

Das cinco alterações de IRS que diz que fez, duas, deixe-me dar-lhe uma novidade, vieram do governo do Partido Socialista ou do Partido Socialista, também aqui no Parlamento.

A deputada lamenta que o Executivo não esteja disponível para acolher propostas da oposição.

Por que não quer discutir com estas forças políticas que aqui estão no Parlamento? Por que não quer discutir aquelas que são as medidas concretas para responder aos portugueses?

Num debate em que estiveram em cima da mesa medidas para mitigar o aumento do preço dos combustíveis, Fabian Figueiredo pediu ao ministro que seguisse o exemplo das ilhas.

Os Açores e a Madeira, onde governa o PSD, têm combustível mais barato que o território continental.

E logo se abriu um debate de cariz literário.

Eu não sei se o senhor deputado conhece aquela frase do Hemingway: "Nenhum homem é uma ilha", mas os Açores e a Madeira são mesmo ilhas.

Para solicitar ao senhor presidente que informe a bancada do governo que o poema sobre nenhum homem ser uma ilha é do John Donne, não é do Hemingway, são três séculos de diferença.

Sr. Presidente, apenas para apresentar à Mesa e ao Parlamento as minhas desculpas pelo erro literário. Felizmente, foi o único erro que cometi neste debate.

Boa disposição no Parlamento, na semana em que o governo entrega também a proposta para o Orçamento do Estado do próximo ano. Na reportagem do Vasco Maldonado Correia, a votação desta proposta do governo relativamente à baixa do IRS ainda este ano está marcada para sexta-feira.

E o PCP defende uma estratégia nacional soberana para a inteligência artificial. O PCP alerta que a União Europeia pode estar a contribuir para o enfraquecimento da proteção de dados.

E, por isso, está preocupado com a revisão do Regulamento Geral sobre Proteção de Dados em curso na União Europeia. O dirigente comunista João Ferreira explica que esta revisão promove a utilização comercial dos dados pessoais e, por isso, o PCP pede a atuação do governo a dois níveis.

Por um lado, procurando contrariar no Conselho, nas instituições da União Europeia, estes desenvolvimentos e, por outro lado, independentemente destes desenvolvimentos, tomando as medidas que se imponham no plano nacional para proteger os interesses, os direitos do povo português e os seus legítimos interesses.

João Ferreira, dirigente do PCP, numa conferência de imprensa esta tarde em que criticou a estratégia do governo em relação à inteligência artificial, contesta a intenção do governo de disponibilizar um tutor de inteligência artificial para cada aluno nas escolas.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 7 de outubro.

Fica em prisão preventiva o médico suspeito de violar uma paciente em Albufeira. O homem de 61 anos foi ouvido hoje em tribunal. A medida de coação pode, no entanto, vir a ser alterada para prisão domiciliária. Os factos aconteceram em junho, altura em que o médico já tinha antecedentes criminais por crimes contra a autodeterminação sexual. César Teixeira vai ser o novo presidente da AIMA, Agência para a Integração, Migrações e Asilo. O anúncio foi feito pelo ministro da Presidência. António Leitão Amaro considera que o país entrou numa nova fase do processo migratório e que conta com César Teixeira, que até agora era administrador da agência, passa para a presidência da AIMA. Hoje foi dia de ficarmos a conhecer o Prêmio Nobel da Química. Foi atribuído a Henrik Agmon e a Ken Noursewai por uma descoberta importante para o fabrico de medicamentos. A professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Ana Paula Paiva, explica esta descoberta que pode levar a vários avanços científicos nesta área.

As moléculas que compõem os seres vivos designam-se quirais. Portanto, para estas moléculas essenciais à vida, só existe uma configuração possível, que é essa molécula, e a sua imagem no espelho, não superponível com ela própria, não existe nos seres vivos. E, portanto, esta descoberta do Solai é muito relevante para explicar a origem da vida. Ele demonstrou que é possível produzir ou levar à produção de um composto com uma configuração específica de uma forma espontânea, e isso não tinha conseguido ser feito antes.

Uma descoberta importante aqui explicada por Ana Paula Paiva, professora de Química Orgânica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Amanhã é a vez da Literatura. E o podcast +Observador, a Caça ao Estripador de Lisboa, é agora, Ricardo, um espetáculo de teatro imersivo. É o guião original da jornalista Tânia Pereirinha, que sobe ao palco já a partir do dia 28 de outubro, na Comunidade Hindu de Portugal, em Lisboa.

A Caça ao Estripador de Lisboa, que conta a história da investigação ao assassino em série que há 30 anos aterrorizou o país e desafiou, e de que maneira, a Polícia Judiciária.

É, e esta é uma peça levada à cena todas as quintas, sextas e sábados até ao fim do ano. A estreia então a 28 de outubro e a estreia já está até esgotada. A produção conta com um elenco alargado e também um conjunto de especialistas inédito e raro no contexto português das artes performativas, de acordo com o ator e encenador Simão Bienar.

O Observador tem em destaque um artigo que explica tudo sobre este espetáculo de teatro imersivo, nomeadamente o que é o teatro imersivo. Está tudo explicado, "A Caça ao Estripador de Lisboa", no nosso podcast+, que dá origem agora a uma peça de teatro.