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Observador. Jornal das seis, com o José Rafael Lopes e começamos com a manifestação no Rossio, promovida pela CGTP. Milhares de pessoas estão ainda na praça e já começaram a montar tendas.
É uma forma de protesto contra os preços da habitação. A manifestação partiu do Cais do Sodré rumo ao Rossio, onde já chegaram. Está marcada uma acampada nessa mesma praça. Vamos em direto até ao local, até ao Rossio. Miguel Pina Andrade, há já tendas a serem montadas. O objetivo será acampar e passar a noite no Rossio.
É isso que vamos tentar agora perceber, José, com Adriana Lima, é professora e porta-voz da acampada aqui de Lisboa. Adriana, o objetivo é pernoitar aqui na Praça do Rossio. Têm medo de alguma repressão por parte da polícia, tal como aconteceu no Porto?
Em primeiro lugar, boa tarde a toda a gente. Segundo lugar, quero só manifestar toda a nossa solidariedade para com o que aconteceu na acampada do Porto. É completamente injustificável, é completamente incompreensível, como é que um protesto tão pacífico e por uma luta tão digna que é a luta pela habitação, tenha tido uma resposta por parte do governo como aconteceu no Porto. Relativamente à sua pergunta do medo, eu acho que ninguém deve ter medo para lutar pelos direitos do povo. Ninguém deve ter medo de sair à rua e reclamar pelo que é nosso por direito.
Vão passar aqui a noite? Será aquilo que os manifestantes quiserem fazer, há alguma indicação se vão ou não passar aqui a noite?
Aquilo que nós estamos a fazer aqui neste momento é uma luta, que como pode ver, é a luta mais importante do nosso país e é uma luta pela habitação. A nossa ideia é estarmos aqui nesta praça a lutar pelo nosso direito à habitação e a lutar contra os fins dos despejos, a lutar contra a lei do arrendamento, a lutar pela capitalização de um direito nosso, que é a habitação, a lutar também para que haja rendas, de facto, acessíveis. Isso é que é o importante, é o porquê de estarmos aqui.
A manifestação da CGTP veio aqui ter ao Rossio, partiu do Cais do Sodré, era contra o aumento do custo de vida. Foi importante ter aqui a maior central sindical do país a vir ter ao sítio onde vocês também estão a protestar?
Para mim é bastante significativo ter havido essa marcha anteriormente e culminar no início da nossa, porque a luta dos trabalhadores, a luta de classes, é a base de todas as lutas. Nenhuma luta está isolada, as lutas todas estão em conjunto umas com as outras. Portanto, para mim é bastante significativo, porque lutar pelo povo, lutar pela classe, lutar pela justiça de classes, faz todo o sentido que comece e acabe também aqui, na questão da habitação.
As palavras de Adriana Lima, uma das porta-vozes da acampada de Lisboa, que já está a ser montada em frente ao monumento de Dom Pedro V, aqui na Praça do Rossio, em direção ao Teatro Nacional Dona Maria II. É um movimento, José, muito organizado, há meia dúzia de pessoas que vão dando ordens através de um megafone para montar as tendas em semicírculo. Alegam motivos de segurança, que será mais fácil assim. À volta das tendas continua muita gente que também participou na manifestação da CGTP e que entretanto foi chegando. Trazem muita água, comida e principalmente tendas. Já são várias as dezenas que estão aqui montadas e não recebemos uma resposta concreta sobre se vão ou não pernoitar aqui os manifestantes. A verdade é que já ouvi muitos a dizer que essa é a ideia. Os manifestantes continuam a montar as tendas. O ambiente, como se pode perceber, é de muita confusão. Foram, entretanto, colocados cartazes no monumento de Dom Pedro V, com muitas referências à violência policial, mas principalmente contra este aumento do custo de vida. A expectativa é de que esta acampada continue pela noite dentro.
A reportagem do Miguel Pina Andrade a dar conta dessas movimentações dos manifestantes no Rossio.
O líder da CGTP insiste nas críticas ao governo, diz que as medidas do executivo só servem a grandes empresas.
Tiago Oliveira liderou a manifestação contra o aumento do custo de vida convocada pela CGTP. Aos jornalistas, voltou a apontar ao governo. O líder da Central Intersindical diz que esta manifestação ajuda a mostrar a verdadeira realidade dos portugueses.
Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer para a rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente para o país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar caminho para se decidir relativamente ao futuro, porque está mais do que provado que a política que tem sido seguida, essa nunca encontra respaldo, nem a resposta para as dificuldades que os trabalhadores vivem.
Tiago Oliveira, que liderou a manifestação da CGTP, que está neste momento no Rossio.
As críticas ao governo têm sido repetidas pelos líderes dos partidos que se juntaram à manifestação da CGTP.
Uma marcha lenta que partiu do Cais do Sodré, que já chegou ao Rossio, local onde está planeada essa acampada. Durante a manifestação, o líder do PCP, Paulo Raimundo, foi questionado sobre as palavras do primeiro-ministro, que terá desvalorizado os protestos contra a crise na habitação, palavras que, diz Paulo Raimundo, não o deixaram surpreendido.
Não, não fico surpreso nenhum. O senhor primeiro-ministro tem responsabilidades acrescidas pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas que aqui estão. E, portanto, o primeiro-ministro talvez tenha que refletir melhor cada vez que fala.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas durante a marcha lenta até ao Rossio. Pelo LIVRE, falou Isabel Mendes Lopes, que diz que a mobilização no dia de hoje significa uma coisa simples.
É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto. Não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação que têm vindo a subir há anos, mas que nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas que se juntarmos a habitação, passam para 27% das pessoas em Portugal. Portanto, este é um valor que deveria alarmar todos os políticos.
Pelo Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza diz que os manifestantes não são egoístas, que estão sim na rua a lutar por melhores condições de vida.
Estamos aqui onde temos que estar. Estamos com tanta gente que vem para a rua. Já hoje de manhã veio em Coimbra, no Porto, vai acontecer um pouco por todo o país, grandes manifestações, grandes mobilizações, gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar por seus direitos e pelos direitos dos outros. Gente que sabe que a vida com o preço da habitação como está, é um exercício de aflição. E por isso estamos aqui justamente para nos juntarmos às vozes de indignação e às vozes de proposta por uma vida melhor.
José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, a dar conta dessa luta dos portugueses por melhores condições de vida.
No Porto, há ainda centenas de pessoas à espera para participar numa assembleia marcada pelo Movimento A Campada.
Muitos deles na praça portuense desde o final da marcha da CGTP, que aconteceu de manhã. Há efetivamente tendas já montadas na Praça Dom João I, mas Miguel Pinheiro Correia, a dúvida passa por saber se vão efetivamente tentar pernoitar por aí.
E essa decisão, José Rafael, só será conhecida depois das 19h, porque às 19h, como dizias, há uma assembleia popular que reunirá centenas de pessoas. A praça está muito composta por esta altura. Estiveram aqui milhares de pessoas no fim da marcha da CGTP. A praça esvaziou um bocadinho, mas agora voltou a encher. São já largas centenas de pessoas que estarão aqui, muitas delas participarão nessa assembleia para decidir precisamente se vão ou não voltar a acampar. Lembrando que na última noite ou nas últimas noites não dormiram aqui. E parece haver essa intenção por parte de muitos manifestantes, mas a confirmação, como nos deram conta há pouco alguns dos organizadores do movimento, só será decidida nessa assembleia popular. Ora, como davas também conta, já há algumas tendas montadas, são seis tendas, que foram montadas não no local onde costumam estar para os manifestantes passarem a noite, mas foram montadas ao longo de toda a praça, sendo que uma delas já estava montada antes de chegar aqui. É uma tenda que tem várias mensagens inscritas, uma dela a dizer: "Nem tenda, nem renda". E essa tenda foi trazida pelos manifestantes que participam neste movimento, A Campada, durante a marcha da CGTP. E quando chegaram a esta praça, a Praça Dom João I, foram recebidos com grandes aplausos por parte de muitos dos manifestantes que estavam nessa marcha da CGTP. A tenda ficou por aqui, continua aqui. Entretanto, acrescentaram-se outras tendas, algumas montadas já diretamente na praça, com essa promessa de que há muitos manifestantes prontos para dormirem aqui. E como indica também uma grande tarja, são muitas tarjas que estão aqui na Praça Dom João I, e há uma grande que não estava nos últimos dias, que diz com letras enormes: "A rua não tem medo da retaliação". É uma das tarjas que aparece aqui nesta praça e dá essa ideia e esse desafio de que estes manifestantes querem voltar a dormir aqui na praça e estão, claro, prontos para isso.
A reportagem do Miguel Pinheiro Correia a partir do Porto.
E Mariana Leitão acusa o Partido Socialista de ser um dos principais responsáveis pelos problemas na habitação.
A líder da Iniciativa Liberal diz que o PS não pode descartar o papel que teve neste problema quando era governo. Como tal, diz Mariana Leitão, que os socialistas devem meter a mão na consciência sobre o tema da habitação.
O Partido Socialista, que é um dos responsáveis, para não dizer o principal responsável pela desaceleração que houve no mercado nos anos em que esteve no governo, pelas más políticas que seguiu, devia pôr a mão na consciência.
Mariana Leitão durante a visita aos bombeiros de Castelo Branco, onde denunciou os atrasos na atribuição dos apoios prometidos pelo governo às corporações de bombeiros.
E mais de 52 mil alunos conseguiram entrar numa instituição de ensino superior através do concurso nacional de acesso.
Os resultados da última fase do concurso são divulgados depois da meia-noite de hoje, na página do Instituto para o Ensino Superior, mas os dados oficiais divulgados já hoje dão conta desses mais de 52 mil estudantes colocados entre as três fases de acesso ao ensino superior. Os números mostram que há um aumento de colocados face ao ano passado. São quase mais 7 mil para este ano. As universidades e politécnicos viram 92% das vagas ocupadas no final do concurso de acesso ao ensino superior.
José Rafael Lopes com o Jornal das Seis.