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Jornal das seis, na Rádio Observador, com Miguel Cordeiro, ex-diretor nacional adjunto da PSP. Admite que a polícia vai ter de tomar medidas difíceis hoje, caso os manifestantes insistam em montar novo acampamento em Lisboa e no Porto.

O superintendente Carlos Bastos Leitão considera que vários grupos de manifestantes vão querer responder ao que aconteceu ao início desta manhã, que resultou, no caso de Lisboa, em várias detenções e no fim dos acampamentos, tanto em Lisboa como no Porto. Em entrevista no Explicador desta tarde, na última hora, aqui na Rádio Observador, o antigo responsável na PSP revela que as autoridades vão ter de tomar decisões difíceis para impedir a permanência do acampamento após a meia-noite e meia.

Hoje, de certeza absoluta vão ter que ser tomadas decisões eventualmente difíceis, porque há, neste momento, uma convocatória quase de toda a extrema esquerda portuguesa para comparecer tanto no Porto como em Lisboa. As pessoas vão, de certeza absoluta, comparecer no local e depois quando chegar meia-noite e meia, vamos ver o que é que acontece. Mas presumo que se não houver um bocadinho de bom senso, vão ter que ser tomadas medidas difíceis outra vez.

E Carlos Bastos Leitão compara os acontecimentos desta manhã com a carga policial que aconteceu na cidade do Porto na semana passada. Diz que houve coisas que não correram tão bem na ação policial da passada quinta-feira.

Os polícias que estão a fazer as alas para quebrar essa cadeia humana, depois têm que continuar a fazer aquilo, porque senão as pessoas começam a dispersar-se cada uma para seu lado e torna-se incontrolável. Tinha que haver uma outra equipe para fazer a detenção das pessoas que estivessem a fazer a resistência, coisa que se passou desta vez. Portanto, eu penso que houve ali talvez-

Pouca ponderação.

O subestimar de uma reação que podia surgir da outra parte.

Explicações do ex-diretor nacional adjunto da PSP, em entrevista à Rádio Observador esta tarde. Depois da intervenção policial desta manhã, no Porto e em Lisboa, para esta tarde há novos protestos já agendados. Acontecem nos mesmos locais, Praça Dom João I no Porto, Praça do Rossio em Lisboa, concentrações agendadas para às 19h. Quanto aos 55 detidos desta manhã, no Rossio, já foram todos libertados, vão ser presentes a tribunal amanhã.

E Luís Neves diz que os acampamentos acabaram.

O ministro fez questão de referir esta tarde que a atuação da PSP nas manifestações no Porto e em Lisboa conseguiram repor a ordem pública. Deixou o aviso aos manifestantes, pede que não se deixe infiltrar por extremistas e reforça o ministro que a lei é para ser cumprida.

Todas as valências do Estado, da prevenção, da ordem pública e da investigação criminal serão acionadas sempre que se verifique a desregulação da lei. E sobretudo, deixar esta nota muito tranquila, muito firme, que é que ninguém ouse tentar aqui trazer o caos ou trazer a violência. Quaisquer comportamentos extremistas e extremistas do ponto de vista criminoso, serão naturalmente reprimidos.

Luís Neves, esta tarde, na Fiel.

O ministro da Habitação e Infraestruturas admite, entretanto, rever a lei. Há uma proposta nesse sentido, mas admite que pode haver abertura do PS para negociar, é isso?

Sim, a Lei das Rendas, neste caso, essa lei que tinha um entendimento entre os partidos que suportam o governo e o Chega, com André Ventura nos últimos dias a afastar-se desse entendimento. Agora, o ministro da Habitação diz que é possível rever esta Lei das Rendas com o Partido Socialista. Mas, na verdade, faz um apelo a todos os partidos. Miguel Pinto Luz falou em Coimbra, deixa claro que está disponível para discutir.

Eu lanço aqui um apelo a todos os partidos. Deixemos de encontrar mais divisões onde elas não existem. Deixemos de encontrar divisões estéreis. Vamos encontrar soluções. Vamos dar as mãos e encontrar soluções para o problema. Aquilo que o governo tem vindo a fazer nos dois últimos anos é acelerar a construção da habitação pública, construir mais focos, ajudar os mais jovens, ajudar os mais necessitados. Nós, em sede da Assembleia da República, temos encontrado esses consensos, ora à esquerda, ora à direita, no tema A, no tema B. E, portanto, sempre com humildade, estamos disponíveis para fazer todo o debate.

Miguel Pinto Luz quer dar as mãos para encontrar uma solução para a Lei das Rendas. Falou esta tarde em Coimbra.

O CDS espera que André Ventura não recue na Lei das Rendas devido à pressão das ruas.

Paulo Núncio fez um apelo esta tarde aqui na Rádio Observador, um apelo à responsabilidade ao líder do Chega. Em entrevista no programa Sofá do Parlamento, Paulo Núncio diz que espera que André Ventura não repita o que fez com a Lei Laboral e mantenha a disponibilidade para viabilizar as alterações à Lei das Rendas até à votação final.

O Chega aprovou, na generalidade, a nova lei do arrendamento e os argumentos que apresentou foram argumentos corretos no sentido de sustentar uma lei que vem dar mais confiança ao mercado do arrendamento. E eu só espero que os arruaceiros e os acampados não amedrontem o deputado André Ventura e não o façam mudar de opinião. Seria um muito mau sinal que André Ventura se deixasse-

Acha que ele está a ceder à rua?

Seria muito mau sinal que André Ventura agora se atemorizasse com a rua, se atemorizasse com os arruaceiros, que se atemorizasse com os ativistas de extrema-esquerda e que mudasse o sentido de voto. Espero que não seja esse o resultado final.

Paulo Núncio abre a porta a mudanças na fase de especialidade. A lei do arrendamento vai ser ainda discutida na Comissão Parlamentar de Habitação. Já sobre a entrevista de Pedro Passos Coelho, em que comparou o CDS ao Chega e apelou a uma coligação com André Ventura, Paulo Núncio defende o não é não de Luís Montenegro.

Se não tivesse existido o não é não, o atual primeiro-ministro chamar-se-ia Pedro Nuno Santos

A AD ganhou precisamente porque Luís Montenegro definiu que o não é não.

Há uma leitura política errada da parte de Passos Coelho.

É a leitura dele, eu posso não concordar com ela. Entendamos, o não é não significa que a coligação que existia entre o PSD e o CDS era a coligação que iria governar o país, mas não significa, como não significou na prática, que os dois partidos não entrassem em negociações e não chegassem a acordos com o Chega.

Paulo Anúncio, entrevista no programa Sofá do Parlamento, aqui na Rádio Observador.

E o Chega distribui culpas pelo PS e PSD na crise, na habitação e sobre o aumento do custo de vida.

André Ventura falou na última hora no Parlamento, acusou os socialistas de hipocrisia e critica o PSD por ignorar o problema do custo de vida no Orçamento do Estado.

Ver os socialistas à procura de beneficiar desta crise é o maior exercício de hipocrisia dos últimos anos. Mas também o governo de Luís Montenegro, que preocupado em passar uma qualquer imagem de dureza cavaquista do exercício do poder, perdeu toda a ligação com os cidadãos, toda a empatia com os seus problemas e não consegue compreender que não vale de nada ter um orçamento e um orçamento sério, se esse orçamento não responder ao principal problema das pessoas neste momento, o aumento do custo de vida.

André Ventura, há minutos, na Assembleia da República.

E o PCP recusa o convite da presidente da Iniciativa Liberal para uma reunião entre partidos. O objetivo destas reuniões sugeridas pela Iniciativa Liberal era tentar encontrar soluções para o problema da habitação, mas o Partido Comunista recusou o convite para o chá.

Sim, diz o PCP que não acredita na boa-fé dos liberais. Foi o que disse Paula Santos.

É de um enorme descaramento e cinismo por parte da Iniciativa Liberal, porque a verdade é que este partido, ao longo de todo este tempo e na sua intervenção, tem se comportado como os porta-vozes dos fundos, como os porta-vozes da banca, dos interesses dos grandes proprietários, ou seja, em que a sua intervenção e aquilo que defende é exatamente no sentido de promover a especulação imobiliária.

Resposta do PCP à Iniciativa Liberal.

O Livre vai recorrer para o plenário da Assembleia da República depois de nova decisão do presidente da Assembleia da República, que hoje voltou a recusar a marcação de um debate de urgência sobre o tema da habitação.

Aguiar Branco diz que a data que o Livre defende, o dia de amanhã, continua a não respeitar as regras sobre o intervalo necessário entre debates de urgência, mas o porta-voz do Livre, Jorge Pinto, garante que ainda não vai deitar a toalha ao chão. O tema vai ser levado aos deputados amanhã. Se for aprovado, o Livre quer que o debate de urgência aconteça logo a seguir.

E há outras notícias a marcar a tarde desta terça-feira, 20 de outubro.

A ONU condena todos os atos de violência registrados em manifestações na Europa e expressa preocupação com o possível uso excessivo da força contra os manifestantes. Em comunicado, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos alerta que os protestos que estão a acontecer em vários países europeus, incluindo Portugal, levantam preocupações em matéria de direitos humanos. Volker Türk apela a todas as partes para que reduzam a tensão e evitem novos episódios de violência. Desporto, Rui Borges não quer que se desvalorize o LASK Linz. O Sporting joga amanhã com o campeão austríaco. Seis pontos em dois jogos é o que tem o Sporting. Rui Borges quer aproveitar o jogo de amanhã em casa, em Alvalade, frente ao campeão austríaco, para ficar perto do apuramento para a próxima fase. Mas questionado sobre se o Sporting é ou não uma equipa mais forte que o LASK Linz, Rui Borges diz que na Liga dos Campeões a teoria pode sempre trazer dissabores e relembra que os austríacos, para estar nesta fase, tiveram de vencer o Celtic, adversário do Benfica na Liga Europa, na semana passada.

É uma equipa que tirou o Celtic, que é uma grande equipa e que por norma está há muitos anos na Liga dos Campeões, para fora da Liga dos Campeões, com 5 x 1 em sua casa. Isso demonstra bem esse poder ofensivo que eu falo e a qualidade do LASK. Por isso, resta-nos ser humildes e termos a capacidade de respeitar naquilo que o adversário é bom e menos bom.

Jogo amanhã, às 8 p.m., há relato na Rádio Observador. Hoje há relato do Futebol Clube do Porto frente ao PSV, também às 8 p.m. Para fechar, Ricardo, inteligência artificial em benefício de tratamentos de saúde. E se uma simples selfie pudesse ajudar os médicos a perceber melhor o estado de saúde de um doente com câncer?

Para ajudar no diagnóstico, é isso?

Para tentar perceber se há possibilidade ou não de uma luta de sucesso contra o câncer. Basicamente é isso que investigadores nos Estados Unidos desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que analisa uma fotografia, uma selfie, para estimar a idade biológica do paciente e prever as probabilidades de sobrevivência ao câncer.

Uau, mas isso só com uma fotografia do rosto?

Exatamente. O sistema foi treinado com mais de 40 milhões de fotografias e identificou características faciais associadas ao risco de mortalidade. Os resultados do estudo sugerem que as estimativas da idade biológica das pessoas estão relacionadas com a saúde física, o que pode refletir a capacidade de sobreviver a determinados tratamentos.

E já está disponível?

Ainda não está a ser utilizado pelos médicos, ainda está numa fase de testes, ainda são precisos mais estudos. A ideia é servir como ajuda a tomar decisões sobre os tratamentos, não vai nunca substituir a avaliação clínica.

O Miguel Cordeiro vai regressar às 18h30.