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Jornal das 7, com Miguel Cordeiro.

Depois da ação policial desta manhã, estão agendadas para esta hora novas concentrações no Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto, para além de outras cidades por esse país fora. São protestos devido à crise no setor da habitação. Os manifestantes prometeram voltar e é isso que acontece a esta hora nas duas principais cidades portuguesas. Vamos perceber o que se está a passar nesses dois pontos. Começamos em Lisboa, na Praça do Rossio, onde esta manhã 55 pessoas foram detidas. Hugo Fortunato de Oliveira, em direto: qual é a dimensão dessa concentração no Rossio a esta hora?

Muito boa tarde, Miguel. Diria que, por esta altura, este é um protesto ainda a começar. A dimensão não se compara às dos outros dias, mas é um protesto que está ainda a começar. Estamos a falar de algumas centenas de pessoas. Vêem-se já alguns cartazes, algumas pessoas aproveitam estes últimos instantes para acabar de fazer esses cartazes. Num desses cartazes, e é uma frase que se repete muito por aqui, ouve-se que "egoísta é o Luís" e também se lê isso nesse mesmo cartaz. Há momentos, acabou uma roda de dança e de música. Para esta altura, está agendada uma assembleia popular, que deverá durar até às 19h45, para acabar pouco antes das 8 da noite, mas claramente, já temos aqui um ligeiro atraso. A esta altura, há muitas palavras de ordem, já é um protesto barulhento por esta altura. No centro do recinto, temos um palco, que esta noite vai receber várias atuações. Estamos a falar de nomes como Ana Moura, mas também o Team dos Chutos e Pontapés, para além de Samuel, o Lia Expresso, o Atlântico e Neni, são nomes que se juntam hoje a esta concentração, a esta manifestação, depois desta manhã as tendas terem sido completamente removidas aqui do recinto. Eu posso dizer, Miguel, que por esta altura não se vê uma única tenda por aqui.

Hugo Fortunato de Oliveira, em direto da Praça do Rossio. No Porto, na Praça Dom João I, está a Laura Figueiredo, em direto. Laura, já há manifestantes na praça, mas também já há muita polícia.

Sim, Miguel, boa tarde. De um momento para outro, o cenário mudou por completo aqui na Praça Dom João I. Há cerca de meia hora estavam poucas dezenas de pessoas, mas começou por chegar, depois, um carro da PSP que estacionou mesmo dentro da praça, algo também diferente do habitual, porque os carros da polícia costumam estacionar na parte superior da praça e não mesmo no interior. Começou por chegar, então, esse carro, pouco depois chegaram muitos manifestantes, várias dezenas, estão agora concentrados no meio da praça. Entretanto, chegaram três carrinhas de intervenção, mais um carro da PSP, estacionaram na Rua Sá da Bandeira e, já depois disso, duas carrinhas da PSP estacionaram mesmo aqui no interior da praça, onde estão vários elementos das autoridades. Para as 18h30 estava previsto um concerto dos Clã, mas até agora ainda não começou, apesar de os artistas já aqui estarem, já estiveram em testes de som, mas o concerto ainda não começou. Para as 9 da noite estão também previstas outras atuações, como Capicua. Quanto à polícia, mantém-se numa das extremidades, apenas a observar. Fora da praça estão alguns dos elementos do corpo de intervenção em prontidão, mas, para já, só mesmo a observar. O ambiente entre os manifestantes parece, ainda assim, de alguma descontração. É, pelo menos, isso que nos têm transmitido alguns dos membros do movimento com quem fui falando. Para hoje está também prevista a habitual assembleia popular. Vamos aguardar para ver se chega a acontecer ou se a polícia vai intervir antes disso. Por enquanto, continuam mesmo a chegar cada vez mais pessoas, estão já algumas centenas. Entoam-se gritos de ordem, como "fascismo nunca mais". Foram também já colocadas novamente algumas das tarjas que têm estado aqui habitualmente. Ontem foram retiradas, mas hoje estão a ser novamente colocadas. Quanto a tendas, não há nenhuma e também pelo que fui percebendo ao longo da tarde, não é intenção dos manifestantes voltar a colocá-las hoje, depois do que aconteceu ontem, mas vamos aguardar para ver o que acontece nas próximas horas.

O protesto já a acontecer no Porto e em Lisboa, foi assim prometido pelos manifestantes, já está a acontecer. Vamos acompanhar o que se passa, tanto no Rossio como na Praça Dom João I, ao longo desta noite informativa da Rádio Observador, para lá de acompanharmos também, e já vamos falar disso, em direto, o relato do Futebol Clube do Porto PSV na Liga dos Campeões.

E o ex-diretor nacional adjunto da PSP admite que a polícia vai ter de tomar medidas difíceis hoje, isto se os manifestantes insistirem em novos acampamentos. Há, pelo menos, nesta altura, uma tenda no Rossio, mas é só uma.

O superintendente Carlos Bastos Leitão considera que vários grupos de manifestantes podem querer responder aos acontecimentos desta manhã, que levaram a várias tensões. No caso da Praça do Rossio, em Lisboa, levou também essa ação da polícia ao fim dos acampamentos, tanto no Porto como em Lisboa. Esta tarde, aqui na Rádio Observador, o antigo responsável da PSP revela que as autoridades têm que tomar decisões difíceis para impedir a permanência de um acampamento para lá da meia-noite e meia.

Hoje, de certeza absoluta, vão ter que ser tomadas decisões eventualmente difíceis, porque há, neste momento, uma convocatória quase de toda a esquerda e sistema esquerda portuguesa para comparecer tanto no Porto como em Lisboa. As pessoas vão, de certeza absoluta, comparecer no local e depois quando chegar à 00h30, vamos ver o que acontece. Mas presumo que se não houver um bocadinho de bom senso, vão ter que ser tomadas medidas difíceis outra vez

Carlos Bastos Leitão, ex-diretor nacional adjunto da PSP, esteve esta tarde na Rádio Observador.

E entretanto já está a começar o concerto dos Clã no Porto, na Praça Dom João I. E esta tarde, Luís Neves garantia, em declarações aos jornalistas, que os acampamentos acabaram.

Pediu aos manifestantes para não se deixar infiltrar por extremistas. Referiu que a atuação da PSP nas manifestações no Porto e em Lisboa conseguiu repor a ordem pública e prometeu um combate à violência e esse extremismo.

Todas as valências do Estado, da prevenção, da ordem pública e da investigação criminal serão acionadas sempre que se verifique a desregulação da lei. E sobretudo, deixar esta nota muito tranquila, muito firme, que é que ninguém ouse tentar aqui trazer o caos ou trazer a violência. Quaisquer comportamentos extremistas e extremistas do ponto de vista criminoso, serão naturalmente reprimidos.

Luís Neves esta tarde em Lisboa.

O Ministro da Habitação e Infraestruturas, entretanto, admite a revisão da Lei das Rendas e quer chamar o PS para essa revisão.

Sim, o governo diz que quer consensos com todos, incluindo o Partido Socialista, garantia de Miguel Pinto Luz.

Eu lanço aqui um apelo a todos os partidos. Deixemos de encontrar mais divisões onde elas não existem. Deixemos de encontrar divisões estéreis. Vamos encontrar soluções. Vamos dar as mãos e encontrar soluções para o problema. Aquilo que o governo tem vindo a fazer nos dois últimos anos é acelerar a construção da habitação pública, construir mais focos, ajudar os mais jovens, ajudar os mais necessitados. Nós, em sede da Assembleia da República, temos encontrado esses consensos, ora à esquerda, ora à direita, no tema A, no tema B. E portanto, sempre com humildade, estamos disponíveis para fazer todo o debate.

Miguel Pinto Luz, depois da cerimónia de entrega de 72 habitações em Coimbra.

O CDS espera que André Ventura não recue na Lei das Rendas devido à pressão das manifestações.

Quem diz isso é Paulo Núncio, líder parlamentar, que faz um apelo à responsabilidade ao líder do Chega.

O Chega aprovou na generalidade a nova lei do arrendamento e os argumentos que apresentou foram argumentos corretos no sentido de sustentar uma lei que vem dar mais confiança ao mercado do arrendamento. E eu só espero que os arruaceiros e os acampados não amedrontem o deputado André Ventura e não o façam mudar de opinião. Seria um muito mau sinal que André Ventura se deixasse-

Acha que ele está a ceder à rua?

Seria muito mau sinal que André Ventura agora se atemorizasse com a rua, se atemorizasse com os arruaceiros, que se atemorizasse com os ativistas de extrema-esquerda e que mudasse o sentido de voto. Espero que não seja esse o resultado final.

Mas Paulo Núncio abre a porta a mudanças na lei do arrendamento na fase de especialidade.

E Miguel, o Partido Socialista não demorou muito a responder.

Neste caso, a André Ventura, que esta tarde desafiou o PS para um entendimento em sede de orçamento para resolver os problemas da habitação. Vamos primeiro escutar André Ventura, que lançou esse desafio, já a tirar o PSD da equação.

O PSD está a governar a ver se chega aos 2% das intenções de voto. Está a fazer tudo para que daqui a uns dias desapareça do panorama político, como já aconteceu noutras paragens europeias. Bom, então restam dois partidos que têm que tomar soluções. Esses partidos são o Partido Socialista e o Chega. O Chega quer dar soluções à vida das pessoas, quer garantir que isso acontece. Está o Partido Socialista disposto a isto ou não? Eu sei que também há a Iniciativa Liberal, o LIVRE, o PCP, o JPP, mas isso não contará francamente para nada na matemática orçamental. Na matemática orçamental contarão os votos destes dois partidos, do Chega e do Partido Socialista.

E é isto uma coligação negativa? André Ventura diz que não e propõe que Chega e PS aprovem as propostas um do outro na discussão orçamental.

Não vale a pena andarmos a trocar palavras via os senhores, que estão a fazer o vosso trabalho, em vez de resolvermos o problema. E resolver o problema é: estas são as nossas medidas, o que é que aqui não concordam? Quais são as vossas? Para nós dizermos onde é que não concordamos. E talvez se possa chegar a alguma coisa e as pessoas verem que o Parlamento serve para alguma coisa.

Ora, o Partido Socialista, como dizias, Ricardo, não demorou a responder a André Ventura.

E o que é que disse?

Foi Luís Testa, neste caso, que falou, que quis de imediato desvalorizar essa iniciativa do Chega.

Nós precisamos de conhecer sempre com muito detalhe as propostas do Chega para nos pronunciarmos sobre elas. É porque elas podem de manhã ser uma coisa, à tarde outra e no dia seguinte coisa nenhuma.

Resposta curta do Partido Socialista.

E há outras notícias a marcar esta tarde.

Daqui a 50 minutos, o Futebol Clube do Porto regressa aos desafios para a Liga dos Campeões. Jogo com o PSV, dos Países Baixos. A equipa de Francesco Farelli ainda não somou pontos nesta prova, depois de duas derrotas frente ao Manchester City e frente ao Betis. A equipa dos Países Baixos tem apenas um ponto em dois jogos. Vamos em direto para o Estádio do Dragão. Está por lá o repórter Pedro Fernandes, vai estar no relato deste encontro. Boa noite, Pedro. Quais são as escolhas do treinador do Futebol Clube do Porto para este duelo na Liga dos Campeões?

Boa noite, Miguel. O Porto, como disseste bem, entra em campo para a terceira ronda desta Liga dos Campeões com um objetivo claro: conquistar os primeiros pontos na prova depois de um início muito complicado. Os Dragões sabem que este encontro pode ser determinante para manter viva a ambição de seguir em frente na maior competição europeia. Por isso mesmo, e a pensar que só o resultado interessa, a vitória, o técnico Francesco Farioli opera cinco alterações em relação àquela derrota no La Cartuja, perante o Betis de Sevilha, com as entradas de Bernarec, Alberto Costa, Zaidu, Samu e Pietro Jesierski. Do outro lado, Peter Bosz faz duas alterações. O PSV Eindhoven, que vem também de uma derrota caseira perante o Den Haag. Vamos então aos 11. Porto com Diogo Costa na baliza, depois Alberto Costa, Jakub Kiwior, Jan Bernarec e Zaidu. No meio-campo, Paulo Rosário, Vítor Ferreira do Douto e Gabri Veiga. Na frente do ataque, Pepe à esquerda, Pietro Jesierski e Samu. Quanto à formação do PSV Eindhoven, com Matej Kovar na baliza. Depois Sergino Dest, Gakpo, Gertruida e Philippe Costic. Meio-campo com Malos Júnior, Cody Gakpo e Bardijac Tarevic, Ivan Perisic, Guus Til e também Mainan na frente do ataque desta formação que viajou dos Países Baixos. Quanto à equipe de arbitragem, é na sua totalidade alemã, será chefiada por Daniel Siebert, que terá como assistentes Jan Seidel e Rafael Foltyn. No VAR estará Robert Schröder e no assistente ao VAR, Thorben Sörens. A partida que se iniciará dentro de sensivelmente 45 minutos, já com o estádio a começar a encher-se, mas também com muitos adeptos do PSV Eindhoven aqui presentes no Estádio do Dragão.

Pedro Fernandes vai estar no relato com o Vítor Tomé. Futebol Clube do Porto, PSV, relato na Rádio Observador, emissão especial depois das 19h30. Falamos de Zelensky, que quer uma reunião com os líderes norte-americano e russo para colocar um ponto final na guerra. Fala mais uma vez disso. Um porta-voz do Kremlin tinha anunciado uma reunião trilateral entre Rússia, China e Estados Unidos da América no próximo mês para resolver este conflito. Mas agora, depois de negociações em Oslo com líderes da Noruega, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, Zelensky diz que qualquer conversa sobre a Ucrânia tem de contar com uma representação ucraniana à mesa. Para fechar, Ricardo, vamos falar de uma sonda japonesa que está a caminho de Marte. Tem uma missão inédita: recolher amostras de uma das luas deste planeta.

Das luas. Não estamos habituados a ouvir falar das luas de Marte.

Sim, até porque elas fogem um pouco à regra na formação.

São umas luas um bocadinho esquisitas.

Exatamente.

Vão mesmo às luas?

Vão mesmo às luas. A missão é japonesa, chama-se MMX, tem como destino Phobos, uma das luas de Marte. A sonda deve chegar à região marciana dentro de cerca de um ano e depois estudar essa lua, recolher 10 gramas de material dessa lua para depois trazer de regresso à Terra.

Phobos, que é o que dá depois origem à expressão fobia. Phobos acompanhava o pai, Ares, Marte. Desculpa, são lições de mitologia em andamento.

Neste caso, os japoneses não têm medo algum de ir a esta lua. Querem perceber como se formaram estas luas de Marte, que têm essa formação um pouco estranha. Querem conhecer um pouco mais sobre as origens do sistema solar. As amostras, depois, podem também dar pistas sobre os materiais que contribuíram para a formação dos planetas no nosso sistema solar.

Grandes perguntas.

Há aqui o objetivo de perceber ao certo, afinal, como é que se formaram estas luas.

De onde é que elas vieram.

Exatamente. E está previsto o regresso desta sonda apenas para 2031.

E antes do futebol, ainda vamos ter Gabinete de Guerra.