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Rádio Observador. Começa agora o Jornal das 8, edição do jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, começamos com uma sondagem que põe a AD atrás do PS e do Chega e que aponta que quase dois terços dos portugueses querem a saída de Luís Neves do governo.
É o que diz uma sondagem semanal da TVI CNN Portugal. 65% dos inquiridos consideram que o ministro não tem condições para continuar. De acordo com este estudo, é o Partido Socialista que lidera as intenções de voto com 27,9%. Logo atrás, mas bastante perto, aparece o Chega, com 27,1% das intenções de voto. A AD aparece apenas em terceiro, com 25,7%. A margem de erro desta sondagem é de aproximadamente 3,5%, o que quer dizer que as três maiores forças políticas seguem em empate técnico. De acordo com este estudo, o governo de Luís Montenegro tem, neste momento, uma baixa taxa de aprovação. Apenas 35% avaliam positivamente o trabalho do Executivo. O mesmo número dos inquiridos dão nota positiva ao trabalho do primeiro-ministro.
Ainda na política, o líder parlamentar do PSD diz que a moção de censura ao governo apenas serve para alimentar o ego de André Ventura.
O líder parlamentar do PSD falou no final da reunião da bancada social-democrata. Hugo Soares foi curto em palavras para criticar a iniciativa do Chega. Hugo Soares diz que a moção de censura caiu de Marte sem motivo e serve apenas para alimentar o ego de André Ventura.
Esta moção de censura é tão estranha como a quantidade de entrevistas que o deputado André Ventura deu nas últimas semanas, mas é precisamente para isso que ela serve. Vejam bem, na semana passada, eu creio que o deputado André Ventura deve ter dado três, quatro entrevistas. Hoje dará mais uma, amanhã provavelmente dará outra. E nós andamos a alimentar o ego do deputado André Ventura, em vez de nos focarmos naquilo que verdadeiramente interessa.
Hugo Soares, no final da reunião da bancada do PSD, que durou sensivelmente uma hora, sobre a audição de Luís Neves. Amanhã, o líder parlamentar social-democrata espera que o foco esteja no trabalho à frente do Ministério da Administração Interna e não noutros temas.
Esta moção de censura é tão estranha-
Não é este o som que queremos ouvir. Agora sim, Hugo Soares sobre o caso Luís Neves.
Espero que possa falar sobre o aeroporto de Lisboa e aquilo que se fez no aeroporto de Lisboa, que acabou com o caos no aeroporto de Lisboa, aquilo que está a fazer no combate aos incêndios, cujos resultados estão hoje à vista. É isso que eu espero que seja a audição do ministro da Administração Interna, porque, no mais, todas as explicações ele já deu. Temos é um problema todos. Uns querem ouvir, outros não querem.
Declarações de Hugo Soares a criticar a postura da oposição numa reunião em que o líder parlamentar diz também que não foram abordadas as prioridades para o próximo ano parlamentar, isto como o Orçamento do Estado ou a revisão constitucional.
A ministra do Ambiente garante que o governo não está a lucrar com o aumento do preço dos combustíveis.
Maria da Graça Carvalho convocou uma conferência de imprensa para o final desta tarde e respondeu diretamente às acusações de José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, que tem dito várias vezes que o governo está a pôr dinheiro no bolso com o aumento do preço dos combustíveis. Diz a ministra do Ambiente que o governo está a ser proativo para combater a evolução do preço da energia. Diz também que o líder socialista está a basear-se nos números errados. José Luís Carneiro esteve hoje em Espanha para mostrar a diferença no preço dos combustíveis e ilustrar também a diferença na maneira como os governos dos dois países estão a abordar este caso. Mas a ministra do Ambiente avisa que o país vizinho vive num contexto diferente.
O preço dos combustíveis em Portugal está em linha com os preços dos combustíveis no resto da Europa e o aumento de preços que sofremos está até ligeiramente abaixo da média dos países da União Europeia. Espanha, invariavelmente citada como termo de comparação, é uma exceção a nível europeu. A diferença de preços que temos com Espanha é a mesma que Espanha tem com França.
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente, numa conferência de imprensa há instantes e que ainda decorre. A governante anunciou ainda o reforço dos poderes da ERSE, a entidade reguladora para o setor energético, nomeadamente os poderes sancionatórios em toda a cadeia do sistema petrolífero nacional, inclusive também na refinação.
São agora 08h05, Vasco, que outras notícias marcam a atualidade?
O presidente da República manifesta profunda consternação pela morte de Nuno Cardoso, antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. Torna a assegurar e afirma que a marca do autarca na cidade vai perdurar muito além do seu tempo, numa nota publicada no site oficial da Presidência da República e na internet. Seguro referiu que Nuno Cardoso foi um homem inteiramente dedicado à causa pública, mesmo na profissão que desempenhava. Numa altura em que o presidente da Câmara do Porto decretou também dois dias de luto municipal na terça e na quarta-feira, ou seja, nos próximos dois dias, pela morte de Nuno Cardoso. A chefe de diplomacia da União Europeia já reagiu à vitória da AFD no estado da Saxônia-Anhalt, em conferência de imprensa em Vilnius, no âmbito de uma visita à Lituânia. Kaja Kallas diz que está preocupada com o crescimento no bloco comunitário de partidos que são cegos às ameaças da Rússia. A alta representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança da União Europeia defendeu que é preciso respeitar estes resultados, mas observou que as ameaças da Rússia estão a aproximar-se da Europa. Deu o exemplo do incidente com drones no aeroporto de Leipzig, em agosto, que a Alemanha atribui à Rússia. A fechar, só existe uma moção de censura viabilizada na história do Portugal democrático. No que toca a moções de confiança, só foram rejeitadas duas, a última no ano passado, que levou à queda do primeiro governo de Luís Montenegro. A primeira foi logo no arranque da democracia, no governo liderado por Mário Soares. Na altura, o primeiro-ministro teve de enfrentar uma madrugada inteira de discussão. O segundo de dois dias de debate começou às 10h30 da manhã e terminou por volta das 6h30 da manhã seguinte.
E sem uma pausa para dormir, suponho. Como é que os trabalhos foram feitos durante toda a noite?
Ainda assim, com vários intervalos para almoçar, para jantar e também um último intervalo perto das 5h da manhã, antes da votação, que durou uma hora para as negociações finais. O governo de Mário Soares acabou por ser rejeitado com os votos do PSD, CDS, PCP e UDP. Ainda antes de saber que ia enfrentar 19 horas no último dia de debate e 12 horas no primeiro, Soares confessou isto na abertura.
Se o governo cair, dir-vos-ei: não caio com alegria, mesmo que isso seja o retirar de um pesadíssimo fardo sobre os ombros, mas também não cairei nem com azedume, nem com ressentimento.
Mário Soares na moção de confiança que foi apresentada em 1977.
Ainda que amanhã a maratona seja muito inferior a esta, o Observador vai estar em emissão especial a partir das 9h para acompanhar a audição de Luís Neves a partir das 10h e, à tarde, o debate de moção de censura ao governo de Luís Montenegro. E é assim, Vasco Maldonado Correia, que terminamos o Jornal das 8. Não estás de regresso às 08h30, está sim a Laura Figueiredo. Bom descanso e até amanhã.
Obrigado e bom trabalho.