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O Ricardo Lopes. Ricardo, boa noite, bem-vindo. Começamos este jornal das 18 com atenções viradas para a Praça Dom João I, no Porto. Decorre a esta hora uma assembleia popular marcada pelo movimento Acampada.
Com uma ordem de trabalhos em votação para decidir se os manifestantes prolongam a sua estadia na praça noite fora, com ou sem tendas. E é na Praça Dom João I que está a jornalista Laura Figueiredo, que se junta a nós agora em direto. Boa noite, Laura. As primeiras tendas já começaram a ser montadas, no entanto, não foi ainda comunicada a decisão do movimento, se vão passar a noite na praça.
Boa noite, ainda não. A assembleia já começou há mais de meia hora e com a praça, de facto, repleta de manifestantes. São manifestantes de várias idades, tanto pessoas mais velhas, jovens, até mesmo crianças, mas para já ainda não está tomada uma decisão. Os discursos dos vários manifestantes começaram com esse apelo. Diziam: "Se puderem, tragam a vossa tenda", mas a votação ainda não começou. Vários dos manifestantes têm estado aqui a fazer várias intervenções perante a multidão que aqui está. E de facto, é muita gente. Toda a praça está coberta de pessoas sentadas no chão e mesmo à volta da praça, mesmo em frente ao Rivoli, também do outro lado da rua, na Rua Sá da Bandeira, vemos várias pessoas que estão aqui, estão curiosas para ver também o que é que vai sair desta assembleia popular. Vamos ouvindo nestas várias intervenções, sobretudo críticas ao governo, a Luís Montenegro, mas principalmente a Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto. As pessoas já estiveram aqui várias vezes, toda a praça a gritar mesmo em uníssono, o pedido de demissão do presidente da Câmara. E depois destas intervenções é que vão começar então as votações e são várias. Primeiro é decidir se ficam aqui ou não esta noite e depois também vão decidir sobre se estendem o pedido à Câmara para ficar aqui na praça a partir de dia 20, porque é até esse dia que este movimento tem autorização da Câmara para ficar aqui neste protesto, e depois vão também decidir, em votação, se se juntam à petição que já existe, que pede a demissão de Pedro Duarte. E, por fim, vão ainda votar quais os próximos passos deste movimento. Já tivemos várias intervenções, como dizia, são sobretudo críticas, mas pedem também disponibilidade a Pedro Duarte e a Luís Montenegro para ouvir estes manifestantes, reforçam que são pacíficos, que não são egoístas, isto também numa resposta às palavras do primeiro-ministro, e repetem também que não têm medo de ninguém, nem da polícia, do governo. E de facto, o que mais se ouve é o pedido de demissão de Pedro Duarte. Hoje, aqui com uma pequena novidade, a organização diz que foi hoje criado um protocolo de segurança para não haver, de facto, confusão e para reforçarem que são pacíficos. Mas então vamos continuar aqui a aguardar por esta decisão para saber se vão ou não pernoitar aqui e com as tendas.
A descrição da jornalista Laura Figueiredo, que ao longo desta noite vai ser os nossos olhos na Praça Dom João I, no Porto. Os manifestantes estão neste momento reunidos para votar uma ordem de trabalhos e decidir se vão ou não acampar ao longo da noite.
E na Praça do Rossio, em Lisboa, já arrancou a acampada pelo direito à habitação. Vários manifestantes já começaram a montar tendas, Ricardo, e os membros da organização garantem que o movimento Acampada é apartidário. Ainda assim, pedem o apoio dos partidos de esquerda.
Depois da manifestação convocada pela CGTP, muitas das pessoas que foram em marcha lenta juntaram-se a esta acampada, uma forma de protesto contra os preços da habitação. A Rádio Observador falou na última hora com um dos porta-vozes deste movimento, o João, de 26 anos, que não se quis comprometer se vão ou não passar a noite na rua.
O objetivo é mostrarmos a nossa solidariedade para com a acampada no Porto e com as vítimas da extrema violência policial e demonstrarmo-nos contra as novas leis que vão meter pessoas na rua, as leis de despejos. Mantemos as propostas da Acampada do Porto, são as mesmas exigências e estamos aqui pela mesma luta.
O porta-voz garante que este movimento é apartidário, mas pede, ainda assim, a intervenção da esquerda parlamentar.
Essa luta é completamente apartidária, ou suprapartidária, aliás. Nós esperamos que os partidos da esquerda parlamentar apoiem a causa, porque estamos a viver uma crise habitacional tremenda, mas não fazemos parte de nenhum partido.
As palavras de um dos porta-vozes do movimento Acampada, que não revelam ainda se vão pernoitar a noite no Rossio.
E no final da marcha lenta convocada pela CGTP, o líder da central sindical insistiu nas críticas ao governo e diz, Ricardo, que as medidas do executivo só servem às grandes empresas.
Tiago Oliveira sublinha que é preciso trazer para a rua as manifestações de descontentamento do povo. No final da manifestação da CGTP, o secretário-geral subiu a palco para discursar e depois, aos jornalistas, voltou a apontar ao governo.
Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer para a rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente para o país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar caminho para se decidir relativamente ao futuro, porque está mais do que provado que a política que tem sido seguida, essa nunca encontra respaldo, nem a resposta das dificuldades que os trabalhadores vivem.
As palavras do líder da central sindical, que diz que esta manifestação mostra a verdadeira realidade da vida dos portugueses.
E seguimos nesta edição com olhos postos em França, por protestos. Estima-se que cerca de 800 mil pessoas tenham participado hoje nas marchas e protestos um pouco por todo o país.
Os franceses saíram à rua em força para protestar contra o elevado custo de vida. É um balanço da última hora divulgado por várias organizações que convocaram os protestos. Falamos de 800 mil pessoas. As autoridades deram também conta de quase 400 detidos em todo o país. Em Paris, os manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogéneo e com a detenção de quase 100 pessoas. Um cenário dantesco na capital francesa. São escutadas explosões constantes nas ruas, estão a ser levadas a cabo pilhagens, enquanto a polícia tenta manter a ordem. Em Lyon, um posto de turismo foi também vandalizado e incendiado por manifestantes. Entretanto, o governo francês convocou um gabinete de crise para lidar com a situação.
E mudamos de tema nesta edição. A fechar: mais de 52 mil alunos conseguiram entrar numa instituição de ensino superior através do Concurso Nacional de Acesso.
Os resultados da última fase do concurso só vão ser divulgados depois da meia-noite de hoje, mas na página do Instituto para o Ensino Superior, os dados oficiais já divulgados dão conta desses mais de 52 mil estudantes colocados entre as três fases de acesso ao ensino superior. O número mostra que há um aumento de colocados face ao ano passado. São quase mais 7 mil. Para este ano, as universidades e politécnicos viram 92% das vagas ocupadas no final do concurso. Os cursos das áreas de Humanidades e Serviços de Transportes ocuparam todas as vagas. Em sentido inverso, as áreas que deixaram mais vagas por preencher são Agricultura, Silvicultura, Pescas, onde mais de metade ficam por preencher. Após receberem os resultados, os estudantes colocados na terceira fase terão até terça-feira para tratarem da matrícula.
É o ponto final nesta edição das 8, edição do Ricardo Lopes, que está de regresso às 08h30 com uma síntese de notícias. Contamos contigo, Ricardo. Um abraço. Até já.
Até lá.