Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Ricardo, boa noite mais uma vez. Começamos esta edição das nove pelo Porto. Os manifestantes vão mesmo pernoitar na Praça Dom João I. A decisão foi comunicada pela organização depois de uma assembleia popular.
Sim, o movimento Acampada debateu uma ordem de trabalhos para decidir se os manifestantes prolongavam a estadia na praça noite fora, e a decisão foi que sim. A assistir a esta assembleia esteve a jornalista Laura Figueiredo, que se junta agora a nós em direto. Boa noite, mais uma vez, Laura. A decisão está tomada, mas os manifestantes demonstraram preocupação com a eventualidade de se vir a registrar uma carga policial, como assistimos na madrugada de quinta-feira?
Boa noite, Ricardo. Nem por isso. Os manifestantes dizem não ter medo de ninguém, nem da polícia, nem do governo, nem do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte. É mesmo uma mensagem que tem ficado clara ao longo desta tarde e também já deste início de noite. Está então tomada a decisão, os manifestantes vão ficar aqui a pernoitar na Praça Dom João I. Foi uma decisão que, como dizia, saiu da votação feita aqui na Assembleia Popular. Os aplausos ecoaram mesmo por toda a praça. A decisão ficou clara em pouquíssimos segundos. Já no que toca à votação sobre a montagem das tendas, a reação das centenas de pessoas foi um pouco mais contida. Ainda assim, o número de tendas montadas tem aumentado. Eu estou mesmo aqui junto às tendas, nos cantos da praça. Há já, pelo menos, entre uma dúzia e 20 e vejo cada vez mais tendas a serem montadas. Estão neste momento a pôr mais tendas e ainda há pouco alguns dos organizadores deste movimento estavam ao microfone a dar instruções precisamente sobre a montagem das tendas. Dar conta também de que no terceiro ponto da votação, que diz respeito à decisão sobre a extensão da permanência nesta Praça Dom João I depois de 20 de outubro, que é o último dia para o qual o movimento tem a autorização da autarquia, a resposta voltou também a ser rápida, a resposta da multidão foi: aprovado. O movimento vai fazer um novo comunicado para a Câmara para tentar estender a presença do protesto na praça. Antes das votações, houve várias intervenções de manifestantes que falaram aqui perante a praça repleta de pessoas e nestes discursos ouviram-se, sobretudo, apelos à demissão do presidente da Câmara, Pedro Duarte, mas também várias críticas a Luís Montenegro e ao governo. Os manifestantes também tentaram deixar claro que são pacíficos, que não são egoístas, isto numa resposta às declarações do primeiro-ministro. Por aqui, acabou há momentos a tal assembleia popular. Agora voltou a música, mas as pessoas estavam todas sentadas para a assembleia e agora começam, de facto, a levantar-se, mas continua aqui muita gente e avizinha-se uma longa noite aqui na Praça Dom João I, com a montagem de tendas a aumentar cada vez mais.
A descrição da jornalista Laura Figueiredo, que ao longo da noite nos vai dar conta do que vai acontecendo na Praça Dom João I, no Porto. Para já, os manifestantes decidiram passar a noite na rua e dizem não temer uma nova carga policial.
E na Praça do Rossio, em Lisboa, já arrancou a acampada pelo direito à habitação. Também já terminou uma assembleia popular. No entanto, Ricardo, não foi ainda comunicada nenhuma decisão.
Sim, Vicente, é essa a informação que temos. Ainda é incerto se os manifestantes vão pernoitar na Praça do Rossio. No entanto, fonte do movimento confirma ao Observador que só tem autorização para estar na praça até à meia-noite e meia. É precisamente no Rossio que está o jornalista Miguel Pina-Andrade. Junta-se agora também a este jornal. Boa noite, mais uma vez, Miguel. Terminou a assembleia popular, mas continua por perceber se os manifestantes vão permanecer no Rossio e como pretendem agir ao longo da noite.
Boa noite, Ricardo. Sim, por agora mantém-se a versão da organização. O objetivo não é pernoitar no Rossio. No entanto, os manifestantes que aqui permanecem têm uma visão diferente. Dizem que vão ficar aqui enquanto der, isto porque é a vontade do povo que se impõe. Como disseste, entretanto, a assembleia popular terminou. Entre os vários temas tratados, falou-se, naturalmente, na crise da habitação. Durante uma hora e meia, ouviram-se gritos de ordem e muitas críticas a Luís Montenegro, até mesmo pedidos de demissão do primeiro-ministro. Já no final, cantou-se a Grândola Vila Morena e anunciaram-se as exigências do movimento desta acampada, entre elas a reversão da lei do arrendamento. Exigiram também o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional. Este movimento pede também que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos e ainda o aumento de habitação pública. Pedem também a Luís Montenegro e ao governo o início de uma iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais. Foram estas as exigências, entre outras, votadas a favor, por unanimidade, por esta assembleia popular que se reuniu aqui no Rossio, que disse ainda que quem ficar na praça não vai ficar sozinho. Dizem que têm advogados, água e comida e, por isso, que ninguém tem que se preocupar. Dar conta ainda, Ricardo, que há um forte dispositivo policial na Praça do Rossio. Está aqui mais de uma dezena de carrinhas de intervenção rápida, um contingente que foi sendo reforçado ao longo da tarde e ao longo da noite. Apesar deste aumento de forças policiais, a manifestação tem corrido de forma muito pacífica e, como é bastante audível, os manifestantes vão se fazendo ouvir com gritos de protesto, aqui precisamente a pedirem que seja ouvido este protesto em relação à crise na habitação.
Muita gente e muita polícia. A reportagem do jornalista Miguel Pina-Andrade, diretamente do Rossio, a dar conta disso mesmo e a dar conta também de alguma discórdia entre a organização do movimento e os manifestantes. Há quem seja a favor de passar a noite na rua, mas há membros da organização que avisam: só têm autorização para estar até à meia-noite e meia.
E esta tarde, no final da marcha lenta convocada pela CGTP, o líder da central sindical insistiu nas críticas ao governo. Diz que as medidas do executivo só servem às grandes empresas.
E diz também, Vicente, que é preciso trazer estas manifestações para a rua para demonstrar o descontentamento do povo. No final da manifestação da CGTP, o secretário-geral subiu ao palco para discursar e depois, aos jornalistas, voltou a apontar ao governo.
Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer para a rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente para o país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar o caminho para se decidir relativamente ao futuro, porque está mais do que provado que a política que tem sido seguida, essa não encontra respaldo, nem resposta às dificuldades que os trabalhadores vivem.
As palavras do líder da central sindical, que diz que esta manifestação mostra a verdadeira realidade da vida dos portugueses.
Manifestação da CGTP que já mereceu comentários e reações políticas. As críticas ao governo foram repetidas pelos líderes dos partidos que se juntaram à iniciativa da central sindical.
Um deles, Paulo Raimundo, que foi questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, que desvalorizou estes protestos contra a crise da habitação. O líder comunista diz que a ele não o surpreende.
Não, não me surpreende nenhuma. O senhor primeiro-ministro tem responsabilidades acrescidas pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas que aqui estão. E, portanto, o primeiro-ministro talvez tenha que refletir melhor cada vez que fala.
O secretário-geral comunista, Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas durante a marcha lenta do Cais do Sodré até ao Rossio. Antes falou também a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, diz que a mobilização no dia de hoje demonstra a verdadeira revolta dos portugueses.
É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto, não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação têm vindo a subir há anos, mas nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas que se juntarmos à habitação, passam para 27% das pessoas em Portugal. Isto é um valor que deveria alarmar todos os políticos.
Isabel Mendes Lopes, do Livre, que defende a adoção de medidas para a habitação que promovam o arrefecimento dos mercados. Já o coordenador do Bloco de Esquerda lembra as palavras do primeiro-ministro. José Manuel Pureza diz que os manifestantes não são egoístas, estão é a lutar pelos direitos.
Estamos aqui onde temos que estar. Estamos com tanta gente que vem para a rua. Já hoje de manhã veio em Coimbra, no Porto. Vai acontecer um pouco por todo o país, grandes manifestações, grandes mobilizações, gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros. Gente que sabe que a vida com o preço da habitação como está, é um exercício de aflição. E por isso estamos aqui justamente para nos juntarmos às vozes de indignação e às vozes de proposta por uma vida melhor.
Palavras do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, esta tarde na manifestação da CGTP.
E esta tarde marcada também por protestos em França, onde se estima que cerca de 800 mil pessoas, Ricardo, tenham participado nas marchas e protestos por todo o país.
Como é apanágio, os franceses saíram à rua em força para protestar contra o elevado custo de vida. É um balanço da última hora divulgado por várias organizações que convocaram os protestos, 800 mil pessoas. As autoridades deram conta de quase 200 detidos em todo o país. Em Paris, por exemplo, os manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo e com a detenção de quase 100 pessoas. Um cenário dantesco na capital francesa. São escutadas explosões constantes nas ruas. Estão a ser levadas a cabo pilhagens enquanto a polícia tenta manter a ordem. Também noutras cidades está instalado o caos. Em Lyon, um posto de turismo foi vandalizado e incendiado pelos manifestantes, sendo que em Marselha, um grupo de pessoas tentou forçar a entrada na Câmara Municipal, o que obrigou à intervenção da polícia. Emmanuel Macron já prometeu mão pesada para quem provoca desacatos.
Damos de tema nesta edição das 9. Tempo ainda para falar dos mais de 52 mil alunos que conseguiram entrar numa instituição de ensino superior, Ricardo, através do concurso nacional de acesso.
Os resultados da última fase do concurso, Vicente, só são divulgados depois da meia-noite de hoje, mas na página do Instituto para o Ensino Superior, os dados oficiais já divulgados dão conta desses mais de 52 mil estudantes colocados entre as três fases do acesso ao ensino superior. O número mostra que há um aumento de colocados face ao ano passado. Para este ano, as universidades e politécnicos viram 92% das vagas ocupadas no final do curso. Agora, após receberem os resultados, os estudantes colocados na terceira fase terão até terça-feira para se matricularem.
E no desporto, é muita pedalada. O presidente da República e o primeiro-ministro felicitam hoje o ciclista Iúri Leitão pelo título de campeão do mundo de ômnium.
Muita pedalada em Xangai, Vicente. Quer António José Seguro, quer Luís Montenegro falam numa extraordinária conquista para o desporto português, declarações feitas nas redes sociais. Iúri Leitão sagrou-se campeão do mundo. É o primeiro português bicampeão nesta modalidade, repetiu o feito que alcançou em 2023. Na Rádio Observador, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, considera que estas medalhas, porque são duas, são resultado do investimento na modalidade.
Nós temos a sorte de termos um velódromo e é a partir daí que hoje temos campeões olímpicos, campeões do mundo e medalhas que realmente nesta vertente estamos bastante à frente daquilo que é o nosso ciclismo profissional de estrada, VTT, porque são as duas vertentes mais competitivas e neste momento nós na pista estamos ao nível daqueles que são os melhores do mundo e isto deixa-nos satisfeito, mas não deixar um agradecimento ao nosso governo por uma aposta, por uma requalificação que neste momento, por este atual governo está a ser feita.
As palavras de Cândido Barbosa na reação ao título mundial alcançado por Iúri Leitão nos Mundiais de Ciclismo de pista.
12 minutos para lá das nove da noite. Tempo ainda nesta edição de atualizar a informação de âmbito local que está a marcar este sábado, dia 17 de outubro, Ricardo.
Começamos na margem sul do rio Tejo, no Barreiro. A Avenida Afonso Henriques vai estar cortada ao trânsito a partir de segunda-feira. O corte acontece devido a trabalhos de repavimentação da estrada. Segundo a Câmara Municipal, a intervenção vai prolongar-se até ao dia 24. Passamos para Lisboa. Damien Rice vai voltar a Portugal no dia 26 de março do próximo ano para um concerto no Coliseu dos Recreios. O anúncio foi feito ontem. O espetáculo insere-se numa digressão de aniversário por 25 países. O músico vai voltar a Portugal quase uma década depois. Nas Caldas da Rainha, decorre hoje e amanhã o Festival Jardins Abertos. Este é um evento dedicado à natureza e à valorização dos espaços verdes da cidade. O festival ocorre no Parque Dom Carlos I e na Mata Rainha Dona Leonor. Inclui visitas guiadas, oficinas e atividades de jardinagem. É uma iniciativa que tem entrada gratuita. Em Leiria, para quem gosta de correr, acontece amanhã a Meia Maratona de Leiria. A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal, inclui provas de 21 e 10 quilômetros, uma caminhada de 5 quilômetros e ainda uma corrida para crianças. As inscrições variam entre os cinco e os 16 euros, consoante a prova. Passamos para a Vila do Conde. Realiza-se amanhã o espetáculo de circo da rua Fora da Caixa. A atuação integra o Encontro Internacional de Palhaço, uma iniciativa que reúne artistas e companhias dedicadas à arte do palhaço e ao humor. O evento tem entrada gratuita e decorre no Jardim da Alameda, às 16h30. E terminamos Vicente, em Arouca. A cidade vai receber o Festival da Castanha entre os dias 23 e 25 deste mês. A iniciativa pretende valorizar os produtores locais e promover os sabores e as tradições da região. O programa inclui magustos, provas gastronômicas, concertos e uma feira de produtos regionais e artesanato. Não sei se gostas de castanha, Vicente.
Quentes e boas.
A entrada é gratuita.
É 23 e 25 deste mês, em Arouca. Notícia de fecho desta edição das nove, com o Ricardo Lopes, que está de regresso às 09h30 em formato síntese com a informação atualizada. Um abraço, Ricardo. Até já.
Até já.