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José Rafael Lopes. José, boa noite, bem-vindo de volta. Começamos esta edição com o presidente da República, que recusa estar adormecido e diz querer pressionar os partidos a entenderem-se no que às medidas para a habitação diz respeito.
António José Seguro aponta duas dimensões: quer medidas urgentes e quer medidas duradouras. É o que sabe "O Observador". António José Seguro defende que a habitação tem sido uma das bandeiras desde que tomou posse em março e garante que tem chamado a atenção para esse problema. Ainda assim, o presidente da República chamou os partidos para audiências individuais na próxima quinta-feira e convocou um Conselho de Estado sobre a coesão social quatro dias depois. O chefe de Estado vai pressionar os partidos para chegarem a um consenso na nova lei das rendas na especialidade, que começa a ser negociada depois da votação do Orçamento de Estado. Este é um problema que António José Seguro reconhece, mas sobre o qual tem falado pouco, sobretudo sobre as acampadas em Lisboa e no Porto. O presidente da República não fala sobre as manifestações há uma semana. Aconteceu a última vez depois da carga policial que aconteceu no Porto, na Avenida Dom João I, onde ficaram feridos quase 40 manifestantes.
E José, a acampada do Porto negou os contactos classificados pelo presidente da Câmara do Porto como muito cordiais.
O movimento diz que tem em mãos apenas o convite formal inicial, garantia de Sérgio Bastos, que faz parte do grupo de imprensa da acampada no Porto. Questionado sobre quem poderá estar a fazer contactos com a Câmara do Porto à margem, Sérgio Bastos admitiu que pode ser um outro grupo ou qualquer coletivo. Ainda assim, acusa o autarca Pedro Duarte de tentar provocar uma rutura no protesto. O movimento continua a ver a Assembleia Popular como um instrumento democrático, não para suplantar qualquer outra instituição democrática, mas para reforçar o poder de negociação e de pressão. O presidente da Câmara do Porto disse hoje estar numa fase bastante avançada de contactos cordiais com o Movimento pela Habitação, que está desde dia 10 de outubro em protesto na cidade. Pedro Duarte disse que o movimento ainda não lhe sugeriu uma data para essa reunião, mas que tem estado a trocar comunicações para que a mesma aconteça. A acampada do Porto afirma apenas ter recebido oficialmente o convite da Câmara do Porto na segunda-feira.
Ainda pela atualidade nacional e também a marcar esta sexta-feira, José, o Chega, que quer ouvir mais de 50 pessoas na Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária, entre elas o antigo primeiro-ministro António Costa.
A lista foi divulgada hoje pelo partido. Além de António Costa, o Chega quer ouvir o antigo chefe de gabinete, Vítor Escária, a atual ministra da Justiça, Rita Alarcão Judice, e as antecessoras Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro. O Chega quer também ouvir o anterior diretor nacional, atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, mas também o atual diretor nacional Carlos Cabreiro e o antigo diretor Almeida Rodrigues. Na lista estão ainda os nomes do juiz Carlos Alexandre, o ex-secretário-geral do ministro da Administração Interna, Ricardo Carrilho, e a adjunta do ministro da Administração Interna, Valentina Marcelino. Estão também listadas a chefe de gabinete de Luís Neves, as jornalistas Sandra Felgueiras e Felícia Cabrita e os sindicatos ligados à PJ. Em termos de lista ainda, o Livre quer escutar 25 pessoas, com Luís Neves à cabeça, bem como o líder do Chega, André Ventura. Também o PCP tornou pública a lista de nomes que quer chamar à Comissão Parlamentar de Inquérito, mas é composta apenas por quatro nomes.
E em Lisboa, a esta hora, cerca de 300 pessoas estão juntas numa vigília em Marvila contra o despejo de uma mulher de uma habitação camarária. O movimento pede, José, o fim dos despejos sem alternativa.
A acampada de hoje mudou-se do Rossio para Chelas, mais concretamente para o bairro do Condado, devido ao despejo de uma viúva com dois filhos de uma habitação camarária. A porta-voz do movimento, Teresa Mamede, diz que os despejos sem alternativa e por cessação de contrato têm de acabar.
Uma das reivindicações da acampada de Lisboa é o fim de todos os despejos sem alternativa. E os despejos não são só os despejos municipais, os despejos municipais não são só os despejos judiciais, são também as não renovações de contrato, que são, neste momento, também uma grande forma de despejos invisíveis.
A porta-voz Teresa Mamede desafia ainda o primeiro-ministro e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa a marcarem presença na manifestação que está marcada para amanhã, se realmente quiserem dialogar e resolver a questão da habitação.
E no Brasil, hoje é dia do último debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, a dois dias da segunda volta das eleições presidenciais.
Debate marcado para mais logo, vai ser já madrugada em Lisboa. Os dois candidatos têm passado as últimas horas em preparativos para esse frente a frente, numa altura em que as sondagens mostram que os dois candidatos estão separados por um ponto percentual, sendo que há sondagens que dizem que é até menos. O enviado especial d'"O Observador" ao Brasil, José Carlos Duarte, vai acompanhar este debate, no qual os dois candidatos devem adotar uma estratégia diferente.
Os dois candidatos vão apostar num tom mais institucional, menos de confronto neste debate. Houve um debate no passado domingo na emissora Band e os dois candidatos mostraram uma atitude de confronto. Houve uma troca de ideias bastante dura, insultos, foi um debate bastante duro. E a estratégia das campanhas, desta vez, vai ser diferente. Estão a apostar mais numa mensagem mais institucional, menos de confronto e tentar debater assuntos que os dois candidatos sabem que vai constranger o rival. Portanto, esta vai ser a estratégia seguida. Além disso, esta sexta-feira, os dois candidatos não têm qualquer agenda, estão totalmente focados na preparação do debate e que será definitivamente decisivo para o resultado de domingo.
José Carlos Duarte, enviado especial d'"O Observador" ao Brasil para acompanhar as eleições presidenciais. Segunda volta, este debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro está marcado para depois da 1h da madrugada, hora de Lisboa.
Lula da Silva, atual .
Lula da Silva, atual presidente do Brasil.
Presidente do Brasil e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, concorrem para o mais alto cargo do país.
Numas eleições que mostram um país dividido. As sondagens apontam para um empate técnico entre os dois candidatos. Na Rádio Observador, o escritor e correspondente da Folha de São Paulo em Portugal, João Gabriel de Lima, diz que Flávio Bolsonaro está a caminho de ter mais votos do que o pai nas eleições de 2022, e que o cenário é muito parecido ao das últimas eleições, mas desta vez a pender para a direita. João Gabriel de Lima destaca que a maioria dos restantes candidatos na primeira volta estavam mais alinhados à direita e que isso pode favorecer o candidato do Partido Liberal.
A vantagem de Flávio tem a ver com o seguinte: os três outros candidatos com alguma expressão na primeira volta, eram candidatos mais à direita. O voto brasileiro não é tão ideológico, mas a maior parte dos eleitores desses candidatos penderam a Flávio Bolsonaro na segunda volta, e isso ficou muito claro nas primeiras sondagens, logo após a primeira volta.
No que diz respeito à esquerda, João Gabriel de Lima fala na dificuldade do Partido dos Trabalhadores em nomear um sucessor do Lula da Silva e sublinha a fraca taxa de aprovação do governo do atual presidente.
Eu acho que o que acabou acontecendo, no caso da esquerda, Lula, usando uma metáfora portuguesa, é como o eucalipto. Ele é um quadro tão grande da esquerda brasileira que não conseguiu formar um sucessor para ele. Este governo de Lula teve coisas boas e coisas ruins, mas a verdade é que ele é um governo com uma taxa de aprovação muito baixa. É uma taxa de aprovação abaixo de 50%. Em condições normais de temperatura e pressão, talvez fosse melhor o PT ter um outro quadro concorrendo, mas as sondagens davam que não havia nenhum outro quadro do PT.
João Gabriel de Lima diz, no entanto, que o PT tem procurado responder à derrota na primeira volta e salienta a aposta nas redes sociais nesta campanha, algo pouco comum na esquerda brasileira.
Ponto final nesta edição das 10 com o jornalista José Rafael Lopes, que está de regresso às 10h30 com uma síntese de notícias para atualizar a informação que está a marcar esta noite de sexta-feira. Um abraço, Zé.
Até já!