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Ricardo Lopes. Ricardo, boa noite. Mais uma vez começamos esta edição com o presidente da Câmara do Porto, que recusa ir até à manifestação na Praça Dom João I. No entanto, Pedro Duarte diz que convidou os manifestantes para uma reunião na Câmara.
Sim, e uma das palavras de ordem mais ouvidas na Praça Dom João I é o pedido de demissão de Pedro Duarte. Já escutamos também vários manifestantes que apelam a Pedro Duarte para que compareça na manifestação, que dê a cara. O autarca não coloca esse cenário em cima da mesa, mas diz que está disponível para dialogar.
Nós já convidamos os manifestantes para, se quisessem ir à Câmara reunir, estávamos abertos a isso. Já o fizemos há dois dias.
Parcas palavras do presidente da Câmara Municipal do Porto. Falou à TSF à margem do 50º aniversário da Associação de Moradores na zona do Campo Alegre. Já sobre o vídeo da RTP, que mostra os manifestantes a retirar as tendas antes da intervenção policial na madrugada de quinta-feira e a insistir que o protesto era pacífico, Pedro Duarte recusou comentar, dizendo apenas que nem viu as imagens.
E o ministro da Habitação garante que o governo vê estes protestos com enorme preocupação e assume que se a população se manifesta, manifesta-se, Ricardo, com razão.
Miguel Pinto Luz diz que o Executivo está ciente dos problemas da habitação, no entanto, ressalva que não é por causa deste governo que há atrasos na implementação das medidas necessárias.
Olhe, com enorme preocupação. Acho que a população quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muito muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. Este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado de que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
A visão de Miguel Pinto Luz, em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e do Jornal de Negócios, o ministro aproveitou também para pedir tempo para as medidas apresentadas pelo governo.
Estas medidas precisam de tempo.
Ou seja, daqui a um ano, provavelmente...
Não se constroem casas. O pacote fiscal foi apoiado agora. Agora é que nós queremos ver o mercado a responder e a fazer mais casas.
O mercado há de responder, é a crença do ministro da Habitação, em entrevista à Antena Um.
E à esquerda, o PCP diz que o governo, além de não estar a resolver o problema na habitação, está a acentuá-lo com as medidas que apresenta.
O líder comunista critica a nova lei do arrendamento apresentada pelo Executivo. Paulo Raimundo considera que só vai agravar o problema no mercado da habitação e acusa o primeiro-ministro de ser egoísta.
Nós achamos que o governo, com as opções que está a tomar, também com o Chega e Iniciativa Liberal, não só não está a resolver, como está a acentuar um problema. E não vale a pena o senhor primeiro-ministro vir falar de egoístas, porque egoísta é o senhor primeiro-ministro quando se junta aos egoístas que querem as casas todos para eles, querem os rendimentos todos para eles, querem a concentração da riqueza toda para eles.
Acusação de Paulo Raimundo, em entrevista esta noite à RTP Notícias.
E esta tarde, no final da marcha lenta convocada pela CGTP, o líder da Central Sindical insistiu nas críticas ao governo, Ricardo, e diz que as medidas do Executivo só servem para as grandes empresas.
E sublinha que é preciso trazer cada vez mais para as ruas as manifestações de descontentamento do povo. O líder da Central Sindical, Tiago Oliveira, diz que esta manifestação mostra a verdadeira realidade da vida dos portugueses.
Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer para a rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente para o país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar o caminho para se decidir relativamente ao futuro, porque está mais do que provado que a política que tem sido seguida, essa não encontra resvalo, nem resposta às dificuldades que os trabalhadores vivem.
As palavras de Tiago Oliveira, que liderou a manifestação organizada pela CGTP.
Vemos agora algumas reações políticas a esta manifestação da CGTP. As críticas ao governo foram repetidas pelos líderes dos partidos que se juntaram à iniciativa da Central Sindical.
Como é o caso da porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes diz que a mobilização no dia de hoje demonstra a revolta dos portugueses.
É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto, não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação que têm vindo a subir há anos, mas nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas se juntarmos a habitação, passam para 27% das pessoas em Portugal. Isto é um valor que deveria alarmar todos os políticos.
Isabel Mendes Lopes, do Livre, que defende a adoção de medidas para a habitação que promovam o arrefecimento dos mercados. Já o coordenador do Bloco de Esquerda lembra as palavras do primeiro-ministro. José Manuel Pureza diz que os manifestantes não são egoístas, estão é a lutar pelos seus direitos.
Estamos aqui onde temos que estar. Estamos com tanta gente que vem para a rua. Já hoje de manhã veio em Coimbra, no Porto, vai acontecer um pouco por todo o país, grandes manifestações, grandes mobilizações, gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros. Gente que sabe que a vida com o preço da habitação como está é um exercício de aflição. E por isso estamos aqui justamente para nos juntarmos às vozes de indignação e às vozes de proposta por uma vida melhor.
As palavras do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, esta tarde na manifestação da CGTP.
À direita, houve reação da Iniciativa Liberal, que acusa o Partido Socialista de ser um dos principais responsáveis pelos problemas na habitação, Ricardo.
Acusação feita pela líder do partido, Mariana Leitão diz que o PS não pode descartar o papel que teve neste problema quando era governo.
Aquilo a que assistimos nos últimos anos de políticas do Partido Socialista foi basicamente enfiarem casas na gaveta. Foi exatamente isto que foi feito em oito anos de políticas socialistas.
As palavras de Mariana Leitão durante a visita aos bombeiros de Castelo Branco, a líder da Iniciativa Liberal sugere ainda ao PS para refletir sobre este tema.
E em França, um sábado também marcado por protestos. Emmanuel Macron promete levar à justiça os responsáveis pelos atos de violência durante as manifestações deste sábado.
Uma promessa feita numa publicação na rede social X. O presidente francês garante que não há lugar para a violência e que os responsáveis pelos ataques a edifícios públicos e estabelecimentos comerciais terão de ser processados e punidos. Também o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reagiu na mesma rede social, acusa grupos da extrema-esquerda de organizarem atos violentos e garante que o governo não se vai deixar intimidar. O primeiro-ministro francês sublinha que as manifestações pacíficas têm lugar em democracia, mas nega que haja esse mesmo espaço para incêndios, pilhagens e ataques.
Estima-se que um pouco por toda a França, Ricardo, nestes protestos tenham saído à rua perto de 800 mil pessoas.
Para participar, Vicente, marchas e protestos contra o elevado custo de vida. Como é apanágio, os franceses saíram em força à rua para protestar, cerca de 800 mil pessoas. Um balanço divulgado por várias organizações que convocaram os protestos. As autoridades dão conta de quase 200 detidos em todo o país. Em Paris, os manifestantes entraram em grandes confrontos com as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo e com a detenção de quase 100 pessoas. Um cenário difícil na capital francesa. São escutadas explosões constantes nas ruas. Estão também a ser levado a cabo pilhagens enquanto a polícia tenta manter a ordem. Só dar nota também em confrontos em outras duas cidades. Em Lyon, um posto de turismo foi vandalizado e em Marselha, um grupo de pessoas tentou forçar a entrada na Câmara Municipal.
Damos de tema nesta edição das 11, mais de 52 mil alunos conseguiram entrar numa instituição de ensino superior, através, Ricardo, do Concurso Nacional de Acesso.
Os resultados desta última fase do concurso só são divulgados depois da meia-noite de hoje, mas na página do Instituto para o Ensino Superior, os dados oficiais já divulgados dão conta desses mais de 52 mil estudantes colocados entre as três fases de acesso ao ensino superior. Os números mostram que há um aumento de colocados face ao ano passado, são quase mais 7 mil. Para este ano, as universidades e politécnicos viram 92% das vagas ocupadas. Após receberem os resultados, os estudantes colocados na terceira fase terão até terça-feira para se matricularem.
E hoje, este sábado, foi a dia de Taça de Portugal e já estão encontrados, Ricardo, os primeiros tombos gigantes da prova da rainha. É o caso da Sanjoanense, da quarta divisão, que eliminou o Nacional da Madeira.
Como acontece todos os anos, Vicente, a Taça de Portugal está a fazer vítimas entre as equipas dos escalões profissionais. A maior surpresa deste sábado chega precisamente de São João da Madeira. A Sanjoanense, do quarto escalão do futebol português, eliminou os madeirenses do Nacional da Primeira Liga, com uma vitória por um bola a zero. O Moreirense também está fora da Taça, depois de perder por uma bola a zero frente ao AVS da Segunda Liga. Também o Atlético e o Vienense, ambos da Liga 3, conseguiram surpreender equipas da Segunda Liga. O Atlético venceu o Vizela, enquanto o Vienense afastou o Leixões. Já o Vitória de Guimarães, em sentido inverso, confirmou o favoritismo frente ao Lamelas, que atua na divisão distrital de Viseu. Mas ainda assim, Vicente, os vimeranenses tiveram de suar, venceram apenas pela margem mínima. Também o Estrela da Amadora passou por dificuldades, mas segue em frente. O Rio Ave, Portimonense, Farense e União de Leiria também garantiram a passagem à próxima eliminatória.
Uma prova que elimina a noção de divisão, Taça de Portugal está de regresso em breve. Para já, nesta minha jornal das 11, aqui na Rádio Observador, tempo ainda para atualizar a informação de âmbito local, que está a marcar este sábado, dia 17 de outubro.
Vamos começar no Barreiro. A Avenida Afonso Henriques vai estar cortada ao trânsito a partir de segunda-feira. O corte acontece devido a trabalhos de repavimentação da estrada. Segundo a Câmara Municipal, a intervenção vai prolongar-se até dia 24. Em Lisboa, Damien Rice vai voltar a Portugal no dia 26 de março do próximo ano para um concerto no Coliseu dos Recreios. O anúncio foi feito ontem, o espetáculo insere-se numa digressão de aniversário por 25 países. O músico vai voltar a Portugal quase 10 anos depois. Nas Caldas da Rainha, decorre hoje e amanhã o Festival Jardins Abertos. Este é um evento dedicado à natureza e à valorização dos espaços verdes da cidade. O festival ocorre no Parque Dom Carlos I e também na Mata Rainha Dona Leonor. Inclui visitas guiadas, oficinas e atividades de jardinagem. É uma iniciativa que tem entrada gratuita. Em Leiria, para quem gosta de correr, acontece amanhã a Meia Maratona de Leiria. A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal, inclui provas de 21 e 10 quilômetros, uma caminhada de 5 quilômetros e ainda uma corrida para crianças. As inscrições variam entre os € 5 e os € 16, consoante a prova. Em Velo do Conde, realiza-se amanhã o espetáculo de circo de rua Fora da Caixa. A atuação integra o Encontro Internacional de Palhaço, uma iniciativa que reúne artistas e companhias dedicados à arte do palhaço e ao humor. O evento tem entrada gratuita, decorre no Jardim da Alameda, às 16h30. Terminamos em Arouca. A cidade vai receber o Festival da Castanha entre os dias 23 e 25 deste mês. A iniciativa pretende valorizar os produtores locais e também promover os sabores da região. O programa inclui magustos, provas gastronômicas, concertos e uma feira de produtos regionais e artesanatos. É assim, Vicente, chega o final do verão e aparecem as castanhas.
É, chamada quentes e boas, que é sempre uma coisa muito agradável de dizer e também é um cheiro que é muito interessante começar a captar no ar. A verdade é que marca de alguma forma uma mudança de estação. Para mim, só muda a estação quando começa o cheiro a castanhas, não é quando os meteorologistas querem. Ponto final nesta edição das 11 da noite, com o Ricardo Lopes, que está de regresso às 23h30 com a informação deste sábado, atualizada aqui na Rádio Observador. Um abraço, Ricardo.
Um abraço.