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Duas horas. Boa noite, eu sou o Martim Madeira e é tempo de atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos pelas presidenciais. André Ventura volta a insistir na ideia de mudar a Constituição. Desta vez, o candidato quer acabar com a duplicação das subvenções vitalícias de antigos detentores de cargos públicos. O candidato apoiado pelo Chega fez alusão a uma notícia publicada no Correio da Manhã sobre políticos que acumulam duas pensões vitalícias, como é o caso de Armando Vara, e deixa um desafio a António José Seguro.
Nós hoje soubemos, através de um dos jornais, que as subvenções vitalícias continuam a ser pagas aos políticos e aos antigos titulares de cargos públicos, mas que há uns que não recebem uma, recebem duas. Ora, eu quis fazer uma revisão constitucional e o presidente é o guardião da Constituição e o meu opositor acusou-me de querer mudar a Constituição. Pois eu queria lançar aqui o apelo e a pergunta ao António José Seguro: ele concorda que se continuem a receber subvenções vitalícias, pessoas que exerceram cargos públicos há não sei quantos anos. Algumas delas estão presas, como é o caso de Armando Vara, e recebe não uma, mas duas subvenções vitalícias. Ou seja, faz sentido que isto aconteça no sistema político hoje ou faz sentido mudarmos a Constituição para isso? É uma pergunta que eu gostava mesmo que o António José Seguro respondesse.
André Ventura a deixar aqui esta pergunta a António José Seguro, o socialista que este domingo confessou estar preocupado com uma eventual desmobilização de votos na sua candidatura, em virtude dos resultados das sondagens, que Seguro lembra que as sondagens não elegem presidentes e apela a uma votação maciça na sua candidatura. O candidato apoiado pelo Chega diz ainda que parece que está sozinho nesta segunda volta e também acusa novamente António José Seguro de fugir do confronto político. André Ventura considera que Seguro está com medo porque não tem nada para dizer, por isso deixa um aviso ao adversário na corrida a Belém. Diz que isto é uma campanha e não um desfile.
Parece hoje é que eu estou em confronto só comigo próprio, porque eu falo durante a manhã ou durante a tarde, faço perguntas, deixo questões, o outro candidato não quer saber. O outro candidato só diz assim: "Temos que lutar contra o fascismo, temos que lutar contra o racismo, contra aqueles que semeiam divisão". Eu sinto-me um bocado numa campanha eu comigo próprio, porque tem medo, porque não tem nada para dizer e porque sabe que qualquer confronto agora será mostrar ao país aquilo que é, uma pessoa sem ideias nenhumas, uma pessoa que está na mão do sistema de interesse nacional, sobretudo do sistema de interesse bipartidário, PS, PSD, uma pessoa que não tem nada a acrescentar.
As declarações de André Ventura este domingo, numa arruada nas Caldas da Rainha, terra onde vive António José Seguro. O candidato apoiado pelo Chega teve tempo ainda para um trocadilho. Diz que com Seguro o país será seguramente a mesma coisa. Paulo Portas anuncia que vai votar em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. Revelação feita pelo antigo líder do CDS-PP no habitual espaço de comentário semanal na TVI. Portas diz que votaria em qualquer um dos candidatos moderados que não passaram da primeira volta e, por isso, confessa que a escolha é fácil.
Eu votarei no candidato moderado, como votaria em qualquer moderado que não foi aprovado na primeira volta, se tivesse passado. Ou seja, eu sei muito bem, desde o início, em quem nunca votaria para presidente da República. Qual é a missão essencial do chefe de Estado? É unir o país. Ora, não me parece, de todo, que o outro candidato, aquele senhor que grita muito, fosse para a presidência da República unir o que quer que fosse, porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outros, dividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas. Isso é o contrário da função presidencial.
Paulo Portas recorda ainda os tempos do governo de Pedro Passos Coelho para deixar elogios a António José Seguro.
António José Seguro foi uma pessoa decente, um político decente, num momento muito difícil para Portugal, que foi o da intervenção da Troika, quando nós fomos à falência. Eu acho que sem a ajuda dele, nós não teríamos conseguido fazer o acordo social com a UGT na concertação social, nem a reforma laboral que criou imensos empregos e também a baixa do IRC. Ele foi desalojado de líder do Partido Socialista pelo doutor António Costa. Eu não acho isso um título de fraqueza. Acho isso até um título de nobreza.
Uma eleição entre o mais centrista dos nomes à esquerda e um candidato que está à direita da direita, colado ao extremismo. É esta a leitura de Paulo Portas sobre esta segunda volta das eleições presidenciais. Passamos então à depressão Ingrid. Foi elevado para vermelho o aviso para os grupos ocidental e central dos Açores por causa da agitação marítima. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera já tinha colocado os grupos ocidentais da Flores, do Corvo e Central, da Terceira, Graciosa, Pico, São Jorge e Faial, do arquipélago açoriano, sob aviso laranja na segunda-feira, devido às previsões de vento e de agitação marítima. Ora agora, no novo comunicado, o instituto coloca o grupo ocidental sob aviso vermelho, o mais grave de uma escala de três, entre as 20h locais de segunda-feira e as 18h de terça-feira, devido à agitação marítima, com ondas de até 10 m de altura e altura máxima até 19 m. Já para o grupo central do arquipélago açoriano, foi também emitido um aviso vermelho referente à agitação marítima entre as 3h e as 20h de terça-feira. Para as ilhas de São Miguel e Santa Maria, o IPMA tinha emitido um aviso amarelo devido ao vento e à agitação marítima. Neste novo comunicado, o IPMA eleva para laranja os avisos emitidos para estas duas ilhas. No continente, a Agência Portuguesa do Ambiente alerta para o risco de cheias durante a próxima semana a norte do Mondego e na bacia do Tejo, particularmente na segunda e terça-feira, quando as previsões apontam para períodos de muita chuva, com fortes picos de precipitação, sobretudo à hora do almoço. No internacional, a marcar a atualidade está a libertação da primeira luso-venezuelana. Carla da Silva estava detida na Venezuela há cinco anos e ia cumprir uma pena de prisão de 21 anos. A informação foi confirmada ao Observador pelo Ministério Português dos Negócios Estrangeiros. A lusodescendente estava acusada dos crimes de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação criminosa e financiamento de terrorismo. Foi condenada em maio de 2024 por um tribunal de Caracas, juntamente com outras 28 pessoas, por alegadamente conspirarem contra Nicolás Maduro. O ministério liderado por Paulo Rangel confirma estar em contacto com a família de Carla da Silva. Esta é uma libertação que acontece no mesmo dia em que 80 presos políticos na Venezuela foram libertados. Nos Estados Unidos, Donald Trump diz que o governo norte-americano está a investigar a morte do cidadão norte-americano Alex Preti. A mais recente vítima, de 37 anos, morreu em Minneapolis, baleado enquanto protestava contra a ação dos polícias de imigração. Segundo o Wall Street Journal, Trump recusou-se a dizer se o agente federal que matou Alex Preti agiu de forma adequada e revela também que os agentes de imigração deixariam a área de Minnesota a qualquer momento. Na entrevista de cinco minutos ao jornal norte-americano, Donald Trump criticou a vítima por ter uma arma durante o protesto e diz que não gosta que estes tiroteios aconteçam. Um grupo de republicanos já expressou preocupação com as ações dos agentes de imigração no estado do Minnesota. Depois de ter sido confirmada a morte deste cidadão norte-americano baleado pelos agentes do ICE, a administração Trump avançou inicialmente que o homem estava na posse de uma arma, mas as imagens não mostram qualquer arma visível. Por isso, este grupo de republicanos pede também uma investigação à morte deste homem de 37 anos. Durante esta tarde de domingo, milhares de pessoas voltaram a juntar-se em Minneapolis para protestar contra as ações do ICE no estado do Minnesota. Também vários nomes da política norte-americana têm exigido o fim destas ações da polícia de imigração. Foi caso, por exemplo, do antigo presidente norte-americano Barack Obama. No desporto, o Benfica venceu este domingo, na Luz, o Estrela da Amadora por 4x0. O jogo ficou marcado pelas estreias dos jovens de 17 anos Daniel Banjaki e Anísio Cabral, os dois que construíram o último gol das Águias. Banjaki cruzou para a cabeça de Anísio, que assinou o primeiro gol com a camisola principal do Benfica. No final da partida, Banjaki revelou a conversa que teve com Anísio Cabral antes do início do jogo.
Antes do jogo, quando eu ia entrar, ele disse: "Na área pra cruzar logo a bola", e foi o que eu fiz. Acabou por marcar.
Ao lado de Banjaki estava Anísio Cabral, que se mostrou radiante com o gol marcado.
É um sentimento inesquecível. Nem nos meus sonhos acreditava que no primeiro toque ia marcar o gol. Estou muito feliz pela assistência do Banjaki, que ainda tornou o gol mais importante. Acho que temos que continuar a trabalhar, que este é o início de uma coisa muito grande.
Um gol que aconteceu aos 84 minutos, no dia em que Eusébio celebraria 84 anos de idade. Também satisfeito estava, naturalmente, José Mourinho, que não conseguiu encontrar muitos adjetivos para descrever os momentos, quer o gol de Anísio, quer a exibição de Daniel Banjaki.
Estou, de facto, muito contente com o episódio de um modo particular, porque é a estreia do Anísio em absoluto. O Banjaki faz um jogo extraordinário. O Anísio melhor não se podia pedir a um atacante. É fantástico.
José Mourinho sobre dois dos destaques deste encontro, que teve também gols de Sidney Cabral, que marcou à ex-equipa o Estrela da Amadora, e o líder do campeonato em gols, Pavlídis, que bisou nesta partida. O Benfica segue na terceira posição e joga no domingo contra o Tondela, fora de portas para o campeonato, mas antes disso, luta pela vida na Liga dos Campeões contra o Real Madrid, na quarta-feira. É o fim deste jornal das duas da manhã. A informação regressa à Rádio Observador com a síntese das 2h30. Até já.