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As notícias com João Lourenço.
Muito boa noite, Miguel Pinto Luz já está em Coimbra, concretamente na autoestrada nº1, no local onde a ponte que estava por cima do rio Mondego acabou por desabater devido à arrebentação do dique que se deu esta tarde. Vamos acompanhar agora as declarações do ministro das Infraestruturas.
Boa noite, é isso que vamos tentar então perceber.
Declarações à boleia da RTP Notícias.
Miguel Pinto Luz e pedia-lhe um ponto de situação, como é que está tudo no momento e se há aqui riscos acrescidos.
Riscos acrescidos para os utentes desta grande infraestrutura nacional que é a autoestrada nº1, não. E não por uma razão muito simples, porque nós há cerca de 12 dias que o LNEC tem vindo a monitorizar este dique e sabíamos os riscos que este dique corria. E nós no dia de hoje, quando ocorreu a fissura no dique, a decisão tanto da Proteção Civil, como nossa, como da Brisa, foi por unanimidade, com a Câmara Municipal de Coimbra também, a senhora presidente aqui presente também, foi de encerrar a autoestrada. E, portanto, a segurança dos portugueses em primeiro lugar. Absolutamente intransigente essa nossa posição. O que é que estamos a falar? Estamos a falar de uma rutura do dique que aconteceu exatamente onde tinha sido a monitorização nos últimos 12 dias e, portanto, em cima do viaduto. O viaduto não corre qualquer risco. Ao contrário do que diz a comunicação social hoje, o viaduto não corre risco. O que aconteceu foi que a rutura no dique provocou um fluxo de água absolutamente anormal que está a corroer uma parte daquilo que são os inertes que estão a servir de suporte já depois do viaduto. Que viaduto é que estamos a falar? Estamos a falar de um viaduto com duzentos e cinquenta metros, um viaduto que faz parte de um conjunto de três viadutos que teve intervenções nos últimos anos, nomeadamente a intervenção neste viaduto foi iniciada em setembro de 23, concluída em setembro de 24 e teve a última inspeção em setembro de 25, portanto há três, quatro meses atrás. Um viaduto que, como vocês podem constatar pelo próprio asfalto, é um viaduto que teve intervenção muito recente. E, portanto, são condições absolutamente excepcionais que agora nos obrigam e nos mobilizam para soluções absolutamente excepcionais. Quais são? Desde já, a Brisa mobilizou todos os meios e nós próprios, tanto pelo LNEC, como a senhora presidente da Câmara Municipal de Coimbra, para acudir a esta situação. Temos hoje 15 caminhões com enrocamento para reforçar a quebra que surgiu. Amanhã de manhã mais caminhões vêm reforçar com enrocamento. E por que enrocamento? É a única coisa que nós podemos fazer enquanto as águas não descerem. Enquanto as águas estiverem com a força que eu depois pedia aos senhores jornalistas, em segurança, que possam fazer ali uma filmagem pra perceberem a velocidade e a violência das águas aqui ao lado deste viaduto. Enquanto as águas não descerem, não se pode fazer a intervenção de fundo. Quando tivermos a oportunidade de fazer a intervenção de fundo, eu quero dizer aqui aos portugueses, e depois de ter falado também com a Brisa e com todos os intervenientes, que estamos a falar pelo menos de semanas. Isto tem que ser dito sem rodeios e não estamos a falar de resolver amanhã, nem depois. Já estamos a resolver hoje aquilo que é a emergência, mas serão seguramente semanas para conseguirmos que esta infraestrutura volte a estar ao serviço dos portugueses. O compromisso do governo é absoluto comprometimento com esta solução. Estamos com todos os meios mobilizados e não sairemos daqui enquanto não conseguirmos, com todas as equipas, colocar outra vez a A1 em funcionamento.
Aqui ficam esta parte das declarações de Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, a prometer essa intervenção de emergência já a partir de hoje e também amanhã, através da técnica de enrocamento, e a referir também que a operação de fundo vai levar semanas e só vai ser possível quando as águas do rio Mondego descerem o caudal. Também a Brisa já sugere algumas alternativas à interrupção da A1, através da autoestrada nº8, autoestrada nº17, A25 ou também o IC2. De recordar que o presidente da Brisa, António Pires de Lima, também está no local, ao lado de Ana Abrunhosa, autarca de Coimbra, os três governantes aqui a darem conta desta ocorrência da ponte sobre o rio Mondego da autoestrada A1, que colapsou perto das onze da noite. É o que conta a Proteção Civil à Rádio Observador, que diz mesmo que esta autoestrada e que este troço tinha sido cortado assim que foi recebida a informação de que o dique em Casais tinha cedido.
Foi contactada a Brisa, para que cortasse de imediato a A1, uma vez que a pressão do rio Mondego se estava a fazer sentir em toda a ponte. E, portanto, quer nos pilares, quer também em tudo aquilo que envolvia a ponte. Sendo uma situação de risco, foi essa a decisão que tomámos e em boa hora que a tomámos, porque efetivamente veio a se concretizar, houve este colapso, não é na ponte, é no encontro da ponte com o maciço.
A A1 que foi interrompida entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, já a autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, disse já esta noite que o abatimento do viaduto só veio confirmar o receio das autoridades.
Isto acaba por ser algo que temíamos e, portanto, quando nos apercebemos do rebentamento do dique E o dique rebentou mesmo por debaixo da ponte. Imediatamente, a Proteção Civil pediu para se interromper o trânsito. Aliás, nós víamos com muita surpresa carros parados naquele tabuleiro a tirar fotografia e estávamos extremamente preocupados. Aquilo é um viaduto e que depois tem um encontro com a terra. E portanto, o que acontece é que a água foi escavando a terra e houve uma parte do tabuleiro que ficou sem sustentação e que ruiu.
As explicações da autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, neste episódio, onde a ponte da A1, que passava sobre o rio Mondego, abateu perto das 23h. Neste momento, a circulação nesta autoestrada está cortada entre o nó de Coimbra Sul e Coimbra Norte. Antes deste incidente, Coimbra avançou com uma nova zona de evacuação entre São João do Campo e São Martinho de Ave Árvore, em São João do Campo, como nos conta o autarca Walter Santos, diz que o processo de retirada das populações já terminou, mas relata alguma resistência das populações.
São 29 habitações. Temos uma média entre três e quatro pessoas por família, sensivelmente. E então 90% destes familiares, que correspondem a estas habitações, entendeu ficar.
E qual foi o argumento que deram às autoridades?
Como têm um primeiro andar, sentem-se um pouco confortáveis.
Explicações de Walter Santos, a indicar ainda que o lado direito do rio tem mais terreno agrícola para a água se espalhar, ou seja, mostra algum otimismo, neste caso, quanto à zona onde o dique rebentou.
Para mim não foi surpresa. Aliás, para ser sincero, até fiquei um pouco mais tranquilo em ser para a margem direita do que para a margem esquerda, porque acho que eu, na minha ignorância, não sou técnico, creio que me sinto mais confortável que as águas tenham vindo para o lado direito, que temos uma grande área de terras agrícolas onde as águas se podem espalhar.
E há menos população que na margem esquerda.
É, não tenho dúvidas.
No balanço da Proteção Civil, em que esteve presente o governo, a autarquia e presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa lembra que é preciso garantir os meios de prevenção, apoio e resposta ao mau tempo.
Vale a pena olhar para os dias próximos com a mesma confiança, com a mesma tranquilidade, com a mesma serenidade, com a mesma maturidade cívica dos portugueses ao longo destas semanas. É muito tempo, é muito desgastante. Mas até agora viu-se que é vencível. E vencer significa lidar com a natureza, encontrando todos os meios para dar resposta. Apoios, prevenções e comportamento das pessoas. Nunca desanimar.
O presidente alertou também para um agravamento da situação na bacia do Sado e do Tejo, que o Estado não pode esquecer ninguém. Vamos mesmo olhar para o rio Sado, onde baixo de Alcácer do Sal voltou a inundar e que nas últimas horas, onde se deu o pico da maré. A Proteção Civil prevê, no entanto, que o caudal do rio Sado diminua nas próximas horas. É o que explica Tiago Bugio, comandante da Proteção Civil do Alentejo litoral.
Tingindo o pico da maré agora à meia-noite, teremos uma diminuição deste galgamento do rio Sado. Prevemos que o caudal do rio diminua, devido também à gestão das barragens que se têm efetuado. Neste momento, temos sete barragens a descarregar para o rio Sado e que vamos tentar minimizar os danos, diminuindo o caudal do rio Sado.
Neste caso, o Tiago Bugio aconselha que a população se mantenha em alerta, ora o volume das barragens aumentou e houve uma inundação junto à margem do rio Sado, é o que explica o comandante da Proteção Civil do Alentejo litoral. Tudo isto nesta edição das 03:00. Regresso dentro de 20 minutos para a cinta informativa.