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Boa noite, eu sou a Teresa Freire. São três da manhã, é hora de atualizar a informação. O Presidente da República promulgou o decreto do governo que prolonga por 12 meses a moratória de créditos a empresas, famílias e instituições sociais afetadas pelas tempestades do inverno. Numa nota publicada no site oficial da presidência, António José Seguro diz que tem presente a importância deste diploma para a estabilização da tesouraria dos beneficiários e a retoma gradual da atividade econômica. O chefe de Estado promete especial atenção à regulamentação, tendo em conta as questões que se podem levantar quanto à uniformidade da aplicação do diploma pelas instituições de crédito e a articulação com outros instrumentos de apoio à reconstrução. A Ministra do Trabalho admite que o governo saia derrotado, caso a proposta laboral for chumbada no Parlamento. Em entrevista à CNN esta noite, Maria do Rosário Palma Ramalho sublinha que um governo sem maioria absoluta continua a ter a responsabilidade de promover as reformas. Se a proposta laboral não tiver luz verde, diz a ministra que a Assembleia da República assumirá as responsabilidades.
Se isto não passar no Parlamento, será uma derrota do governo. Repare, este projeto não é da ministra, este projeto é do governo, foi aprovado formalmente em Conselho de Ministros como anteprojeto, depois foi discutido durante nove meses com os parceiros sociais, agora foi aprovado formalmente como proposta de lei e naturalmente que o governo gostaria que passasse, porque ele é muito importante para os trabalhadores. Se não passar, eu julgo que a Assembleia da República também assumirá as suas responsabilidades, terá que o fazer.
A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho, que deixou ainda um recado ao Partido Socialista.
Eu julgo que todos os partidos, sobretudo os partidos do arco da governação com sentido institucional, deverão, com certeza, olhar para o texto que lhes vai chegar, que é este que lhes vai chegar, não é o que existia anteriormente, é diferente do primeiro, e com o mesmo sentido de responsabilidade, olhar para as soluções para resolvermos essas questões.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, em entrevista à CNN Portugal. O PS já avisou que vai votar contra a proposta laboral se mantiver as traves-mestras quando chegar ao Parlamento. É o que adianta à Lusa, fonte da direção socialista. O secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, esteve esta quinta à tarde reunido com o primeiro-ministro e depois do encontro, a posição do PS ficou clara e com o PS a colocar-se de fora, o governo vai apostar no recuo de André Ventura para conseguir luz verde à reforma laboral. O Observador sabe que o executivo liderado por Luís Montenegro está profundamente convencido que as linhas vermelhas do líder do Chega, no que respeita à redução da idade da reforma, são ultrapassáveis. Ora, a proposta apresentada esta quinta-feira pelo governo serve precisamente esse propósito, dá margem suficiente ao executivo para acomodar as cedências que necessariamente terá de fazer ao Chega e garantir que André Ventura consegue reclamar vitórias em algumas áreas. E depois de a proposta laboral ter sido aprovada em Conselho de Ministros, o secretário-geral adjunto da UGT diz que a Central Sindical vai agora reunir com os vários partidos no Parlamento.
Nós somos sempre pela negociação. A negociação não implica que haja acordo. Aliás, este processo em sede de concertação social foi profícuo nisso. É que houve muitas aproximações e muitas vezes confundiram-se aproximações com consenso. E, portanto, achamos que participar na discussão devem todos, todos os partidos da Assembleia da República devem participar na discussão. Nós iremos solicitar reuniões a todos para ajudá-los e darmos as nossas propostas e apresentar os nossos pontos de vistas. Se o quiserem acolher, ficaremos muito satisfeitos. Se não o quiserem acolher, enfim, compete aos partidos agora fazer essa discussão final.
Sérgio Monte, o secretário-geral adjunto da UGT. E do lado da CGTP, o secretário-geral Tiago Oliveira deixa desde já um aviso: vai censurar todos os partidos que viabilizem a proposta da reforma laboral.
Aquilo que irá acontecer na Assembleia da República irá ter, da parte da CGTP, a condenação de todos aqueles que, de facto, falharem perante os trabalhadores, falharem perante o mundo do trabalho e que aceitarem uma discussão em torno de favorecer, mais uma vez, os mesmos de sempre.
A posição de Tiago Oliveira, o secretário-geral da CGTP, que considerou negativo o facto de a proposta manter muito do que era o projeto inicial. Quase 40% dos profissionais portugueses que participaram no último relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis, disseram ser vítimas de assédio laboral. O documento a que a Lusa teve acesso revela que das respostas de 5500 profissionais de diversos setores de atividade, mais de 38% diz ser vítima de assédio laboral. A coordenadora do estudo, Tânia Gaspar, explica, no entanto, que o assédio não é o único resultado preocupante do relatório.
Vimos que esta questão do burnout, do assédio, da solidão, não é inócua, porque depois quando nós vamos comparar os que têm e os que não têm, os que têm, estão mesmo mal em tudo. Nós vimos isso no relatório. Ter presentismo, ter absentismo, ter doença crônica, ter solidão, tudo isto são fatores cumulativos de risco, porque depois o fato é que isto vai se refletir nos maiores riscos psicossociais do trabalho, pior relação com a organização, pior relação com a liderança. Depois não sabemos bem o que é o ovo e a galinha, mas o fato é que depois torna-se aqui uma dinâmica negativa, e que vai obviamente agravar as situações.
A psicóloga diz que o estudo também prova que o desafio das organizações já não é apenas reconhecer a importância do bem-estar, mas sim introduzi-lo em decisões, práticas e condições reais que devolvam segurança e confiança aos profissionais. Tânia Gaspar alerta ainda para a falta de saúde mental nos vários graus de hierarquização dos locais de trabalho.
Temos os CEOs que só veem aquela perspectiva de querer as coisas, pedem à liderança, a liderança manda para cima da sua equipa e depois é confusão. E aí, então, devia de haver um maior filtro da liderança no sentido de dizer assim: "Olha, eu tenho esta equipa, que tem estes projetos em mão, que tem este trabalho e, portanto, isto nós conseguimos, isto nós não conseguimos, isto precisamos de mais ajuda". E outra coisa que a liderança devia ter era tempo, porque efetivamente para liderar é preciso estar com as pessoas, conhecer as pessoas, acompanhar as pessoas, conseguir ter capacidade de gerir o trabalho e dividir o trabalho.
Tânia Gaspar, a coordenadora deste estudo, que revela ainda que quanto à saúde mental, quase 40% dos trabalhadores dizem sentir solidão e mais de 85% dos trabalhadores têm pelo menos um sintoma de burnout e 41% têm os quatro sintomas: exaustão física, exaustão emocional, irritabilidade e tristeza. Notícia de fecho deste jornal. Informação está de regresso às 15h30.