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Três horas. As notícias com Teresa Freire. Boa noite. Começamos pelas manifestações pela habitação. Em Lisboa, a acampada segue firme na segunda noite, sendo que, pouco depois da meia-noite, a PSP falou com alguns dos manifestantes. O superintendente Resende Silva pediu que as tendas fossem retiradas.
A situação não vai ficar para sempre. Apelvo-vos inclusive, se for preciso, para contactar o poder político. Essa situação não se vai poder manter, porque vai conflituar com outras atividades da própria cidade. Nós vamos ter que atuar. Pode não ser hoje, mas peço-vos isso, porque não é interesse de ninguém que haja esse tipo de atuação.
Mas sobre uma possível carga policial, o superintendente Resende Silva tranquiliza.
Não vamos reprimir nada. O que estou a dizer é que não vamos reprimir nada. Isso que fique muito claro. Não se trata de reprimir, trata-se de cumprir a lei, e nós vamos ter de cumprir a lei. Neste momento, não houve repressão. Vocês já estão acampados e não houve repressão nenhuma. Entendam isso, não há vontade nenhuma da nossa parte.
O superintendente da PSP, Resende Silva, durante a conversa com dois dos organizadores da acampada, um deles era António Tonga, que quando questionado se os manifestantes iam cumprir o pedido da polícia, disse que essa era uma decisão para ser tomada em grupo.
Perante este pedido da polícia, eu voltarei para junto dos meus companheiros e tomaremos uma decisão. Hoje tomou-se a decisão de continuar, provavelmente essa decisão manter-se-á. Nesse sentido, há uma responsabilidade da nossa parte, sobretudo uma responsabilidade ainda maior da polícia e do Estado português, de garantirem a segurança destes cidadãos.
Mas há essa possibilidade de retirarem as tendas, tal e qual como a PSP está a pedir?
Isso tudo tem que ver com o que aquelas assembleias, aquelas pessoas decidirem.
António Tonga, na acampada de Lisboa. E apesar desta reunião com a polícia e de ter sido formado um cordão humano à volta das tendas, a acampada no Rossio continua. Miguel Pina Andrade.
A certo ponto, os manifestantes pensaram mesmo que esta seria a última noite de acampada na Praça do Rossio. Depois de uma reunião com a polícia, em que foi pedida a retirada das tendas, os manifestantes reuniram-se e decidiram: as tendas ficam e nós também. Depois desta reunião, formou-se um cordão humano e ouviram-se cânticos contra Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa, e também contra o primeiro-ministro Luís Montenegro. Aliás, é ele quem tem sido o grande foco dos manifestantes. Os cânticos focam quase todos o primeiro-ministro e as casas, os vários imóveis que o governante tem. Ora, o forte contingente policial, que ao longo da tarde e da noite vinha a ser reforçado, acabou por se dispersar e na Praça do Rossio ficaram apenas duas carrinhas da PSP. Os manifestantes, esses, aproveitaram para descansar. Antes da reunião com a polícia, foi transmitida a mensagem de que a partir da 01:00 não se podia fazer barulho e assim permanece a Praça do Rossio. Ouvem-se apenas uns burburinhos, o silêncio é quase absoluto. Apesar dos breves momentos de tensão, a acampada continua. O objetivo é que o governo, a autarquia, responda às reivindicações dos manifestantes. A principal é a reversão da nova lei do arrendamento e medidas que ajudem a combater o aumento do custo de vida e também que ajudem a combater a grande crise de habitação que os manifestantes protestam. A única certeza, neste momento, é que esta noite as centenas de manifestantes e as dezenas de tendas vão continuar no Rossio, sem saberem durante quanto tempo é que esta acampada vai continuar.
Miguel Pena Andrada, a acompanhar a segunda noite da acampada de Lisboa. Situação parecida no Porto, na Praça Dom João I. Apesar dos apelos da polícia, os manifestantes mantêm-se firmes e decidiram não abandonar o local esta noite. Há algumas horas, uma porta-voz dos manifestantes, Maria João Calisto, admitiu até a possibilidade de manter a acampada até ao final do ano. A organização já fez um pré-aviso à autarquia para permanecer na praça até dia 31 de dezembro, caso não se chegue a um entendimento mais cedo.
Nós entregamos o pré-aviso para ficarmos aqui desde o dia 21 de outubro até dia 31 de dezembro de 2026.
E não temem que em mais de dois meses este movimento desmobilize um pouco? Acha que consegue manter tanta gente na praça durante este tempo todo?
O nosso objetivo não é ficar aqui até 31 de dezembro. Era conseguir encontrar soluções e haver aqui um entendimento em que não fosse necessário estar aqui até 31 de dezembro. É muito duro estar aqui, é muito duro dormir aqui.
Maria João Calisto, em declarações à jornalista do Observador, Laura Figueiredo, depois de uma conversa entre os manifestantes e as forças de segurança, os manifestantes decidiram manter-se esta noite na Praça Dom João I. O presidente da Câmara Municipal do Porto diz que mantém o convite aos manifestantes para um encontro na sede da autarquia. Pedro Duarte voltou a recusar deslocar-se à Praça Dom João I. O ex-ministro do PSD diz que espera uma resposta dos manifestantes para um diálogo na Câmara, que tem as portas sempre abertas. O autarca sublinha que o local da manifestação não é o espaço adequado. O Chega propõe um pacote legislativo de emergência para responder aos problemas da habitação. Em reação às manifestações em Lisboa e no Porto, André Ventura reconhece que os portugueses têm razões para estarem frustrados. O líder do Chega anunciou este domingo que o partido vai apresentar um pacote de emergência e já deu a conhecer algumas medidas.
A reavaliação dos benefícios fiscais de quem está em Portugal com muito dinheiro para comprar casas e que tem benefícios fiscais que outros não têm A sua reavaliação é importante para dar justiça à questão social. Não faz sentido que quem seja rico e estrangeiro tenha mais condições para adquirir habitação em Portugal do que quem é português e da classe média. As deduções fiscais em sede de IRS. Não faz sentido nenhum que quem vê o seu crédito à habitação aumentar 20, 30, 40 ou 50% não consiga ter o correspondente fiscal desse aumento.
Declarações de André Ventura, que desafia os restantes partidos políticos com assento parlamentar a chegarem a acordo. Na sede do Chega, André Ventura diz que além das deduções fiscais, este pacote legislativo prevê também uma reavaliação do IMI aos proprietários. José Luís Carneiro diz que André Ventura é candidato ao Prêmio Nobel da Hipocrisia. Em reação ao anúncio do Chega, o secretário-geral do PS considera paradoxal a posição de Ventura por se mostrar preocupado com a habitação, ao mesmo tempo que apoia a nova lei do arrendamento. José Luís Carneiro recomenda ainda ao governo que avance para a suspensão dos Vistos Gold e do estatuto de residentes não habituais.
A reavaliação.
Não é este o som?
Nós tínhamos tomado a decisão, em 2023, de suspender estes dois instrumentos, suspender os Vistos Gold e suspender o estatuto de residentes não habituais. É preciso perguntar ao governo por que é que não tomou a decisão de manter essa determinação do governo do Partido Socialista. Segundo, nós tínhamos avançado com a recuperação e construção de 31 mil novas casas que foram entregues e têm estado a ser entregues por este governo. Agora é preciso lançar uma nova fase de construção de habitação pública, de recuperação de imóveis que são do Estado e que devem ser colocados no mercado.
Declarações do secretário-geral do PS aos jornalistas este domingo no Porto. José Luís Carneiro diz estar solidário com a causa das manifestações pelo direito à habitação, mas pede aos manifestantes que respeitem a ordem pública. No Brasil, já terminou o primeiro debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Foi o primeiro frente a frente entre os dois candidatos à presidência brasileira, uma vez que não existiram debates na primeira volta. Arrancou às 08h15 da hora local, com 15 minutos de atraso, e durou mais de duas horas. O debate foi dividido em três blocos, nos quais foram debatidos diferentes temas. A segunda volta das eleições brasileiras está marcada para dia 25 deste mês. Neste momento, as sondagens apontam um empate técnico entre os dois candidatos. Ponto final neste jornal das 03h00. A informação está de regresso às 03h30.