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As notícias com Carlos Pedro.
Boa noite, começamos nos Estados Unidos. Kamala Harris já discursou no primeiro dia da Convenção Nacional do Partido Democrata dos Estados Unidos, um evento que vai precisamente oficializar a candidatura da atual vice-presidente do país à Casa Branca. Kamala entrou ao som da música "Freedom", da cantora Beyoncé, e perante muitos aplausos dos presentes no local, discursou por breves instantes, onde fez um agradecimento a Joe Biden pelo trabalho na liderança dos Estados Unidos. Aproveitou ainda para sublinhar a diversidade dos democratas presentes no United Center e garantiu que esta vai ser uma ótima semana. A intervenção da vice-presidente dos Estados Unidos é, para já, a grande surpresa da noite, uma vez que só era esperado que falasse ao auditório na próxima quinta-feira. Também Hillary Clinton já falou aos presentes no local. A candidata à Casa Branca em 2016 elogiou Kamala e sublinhou que Donald Trump é a primeira pessoa a concorrer à presidência dos Estados Unidos com 34 condenações por crimes graves. O grande prato da noite é mesmo o discurso de Joe Biden, deve acontecer dentro de momentos. Amanhã é a vez de Barack Obama subir ao palco. Ao todo, vão ser quatro dias de convenção democrata em Chicago. Termina esta quinta-feira. E ainda nos Estados Unidos, o antigo congressista republicano George Santos declarou-se culpado das 23 acusações que enfrentava. O antigo congressista começou por negar todas as acusações, mas agora declarou-se mesmo culpado para evitar ir a julgamento. George Santos vai agora ser obrigado a restituir mais de €300 mil e deve ainda enfrentar uma pena de prisão de 20 anos. É o que diz o New York Times. No ano passado, George Santos foi acusado, entre outros crimes, de roubo de dinheiro das campanhas, falsificação de documentos, fraude e roubo de identidade. Um esquema revelado pela imprensa norte-americana que expõe uma série de mentiras sobre a vida e carreira de George Santos. Tornou-se assim o sexto congressista norte-americano na história a ser expulso do cargo. A sentença vai ser conhecida em fevereiro do próximo ano. E voltamos atenções para o Médio Oriente. Em Gaza pode estar perto um cessar-fogo, isto porque Israel aceitou o acordo apresentado pelos Estados Unidos da América. Benjamin Netanyahu disse sim ao acordo fechado em Doha, admite um cessar-fogo na Faixa de Gaza. A notícia foi avançada pelo secretário de Estado norte-americano Antony Blinken. Blinken que apela ao Hamas que também aceite o acordo.
Ele disse-me que Israel aceita o acordo, está agora do lado do Hamas dizer que sim e depois com a ajuda dos mediadores, como os Estados Unidos, têm de se juntar e completar o processo para chegar a entendimento de como vão implementar esse acordo. Mas o importante agora é mesmo o Hamas dizer que sim.
A decisão está agora do lado do Hamas, afirma Antony Blinken, depois de uma reunião de mais de duas horas com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. Na análise, o especialista em relações internacionais, Tiago André Lopes, diz que a dramatização para a aceitação do acordo é uma estratégia que não funciona. Leitura feita aqui na Rádio Observador, Tiago André Lopes fala num processo difícil e sublinha que é nas linhas gerais do acordo que está a possibilidade do Hamas aceitar ou não.
Haverá, de certeza, várias razões pelas quais Netanyahu deu luz verde a um acordo que, e isto eu acho que é importante, nós não sabemos que linhas gerais é que o acordo implica. E é nessas linhas gerais e na sua articulação que pode estar a chave pro Hamas aceitar ou não aceitar. Mas esta ideia de Blinken, de que é a última oportunidade, essa dramatização diplomática em torno da aceitação do acordo, é uma estratégia um tanto quanto gasta, porque Blinken já o fez no passado várias vezes. E a verdade é que aparece sempre uma nova última oportunidade e aparece sempre uma nova janela que se pode explorar e, portanto, eu não acho que a pressão de ser esta a última vez tenha funcionado.
A leitura de Tiago André Lopes sobre o acordo de cessar-fogo em Gaza, que foi aceito por Israel. Na Ucrânia, Zelensky reclama o controle de mais de 1200 km² em Kursk, que são declarações do presidente ucraniano num discurso perante embaixadores da Ucrânia em Kiev. Zelensky reivindicou também o controle de mais de 90 localidades naquela região russa. Na mesma intervenção, o líder ucraniano volta a pedir aos aliados que permitam que a Ucrânia ataque a Rússia com armas de longo alcance. E entretanto, na Bielorrússia, foram mobilizadas tropas e aeronaves para a fronteira ucraniana. Isto um dia depois de o presidente Alexander Lukashenko ter anunciado que iria posicionar quase um terço das Forças Armadas junto ao país vizinho. Além de caças e militares de defesa aérea, as forças bielorrussas também mobilizaram mísseis antiaéreos. É o que adiantou o comandante das Forças de Defesa Aérea do país em declarações na estação de televisão nacional. O presidente Lukashenko realçou ainda que a decisão é uma resposta à mobilização de tropas ucranianas adicionais ao longo da fronteira. Entretanto, a Ucrânia ainda não confirmou a movimentação das tropas bielorrussas. E em Portugal, uma equipa de resgate da Proteção Civil está a tentar localizar um grupo de 12 pessoas que se perderam hoje, durante uma caminhada no Parque Nacional da Peneda-Gerês. A informação foi avançada por uma fonte do Comando Sub-regional do Cávado à Agência Lusa, que dá conta ainda de que se trata de um grupo de seis adultos e seis menores, que estavam a percorrer o trilho da Cascata do Arado ao Poço Azul, perto de Vilar da Veiga. Nas buscas estão envolvidos nove operacionais dos Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro e da equipa de busca e resgate em montanha da GNR. Isto no Parque Nacional da Peneda-Gerês. E em Torres Vedras, já está dominado o incêndio que deflagrou pouco antes das nove da noite, numa zona de pinheiros e eucaliptos em Vale da Serra. A confirmação foi dada à Agência Lusa por uma fonte da Proteção Civil, que dá conta ainda que no local mantêm-se 100 operacionais apoiados por 29 viaturas, que deverão permanecer em vigilância ativa durante esta madrugada. Na Madeira, cerca de 60 pessoas foram retiradas das casas devido a um incêndio ativo na Ribeira Brava e na Ponta do Sol. O anúncio foi feito ao final da tarde pelo secretário regional da Saúde e Proteção Civil, numa conferência de imprensa para apresentar o ponto de situação do fogo. Trata-se da população do Sítio da Forna, na Ribeira Brava, que vai ter que deixar a zona por precaução. O responsável da Proteção Civil, Pedro Ramos, garantiu ainda o apoio às cerca de 60 pessoas.
A informação que nós temos é que são próximo de seis dezenas de pessoas que vão para o pavilhão da Ribeira Brava e que terão, depois, todo o apoio da parte médica, social, psicológica, no que diz respeito ao alojamento, à parte da alimentação, à medicação e todo o acompanhamento que temos feito já em relação aos outros desalojados.
O ponto da situação sobre o incêndio na Madeira, que já queimou mais de 7 mil hectares de floresta e mato nas serras da Ribeira Brava, Câmara de Lobos e Ponta do Sol. Esta segunda-feira estiveram no terreno mais de 150 bombeiros e 40 viaturas. Na política nacional, o Chega vai tentar convencer antigos membros do PSD a juntarem-se ao partido para atacar as eleições autárquicas. O objetivo é permitir que o partido mantenha, pelo menos, os 19 vereadores que conseguiu nas últimas eleições. De acordo com o que apurou o Observador, junto de dirigentes do Chega, a estratégia é procurar descontentes com o partido de Luís Montenegro e dar-lhes um lugar no Chega. A jornalista de política do Observador, Inês André Figueiredo, explica que o partido de André Ventura está a tentar evitar os erros das eleições passadas.
O Chega errou muito nas últimas eleições autárquicas, tinha o objetivo de conseguir candidatos em todas as freguesias e câmaras do país. Essa ambição de ter candidatos em todo lado gerou muitos erros de casting, como o próprio partido acabou por assumir, dezenas de autarcas a abandonarem os cargos, outros a sofrerem perdas de confiança por parte do partido. E tudo isso não é visto como admissível nas próximas eleições autárquicas de 2025. Ora, se o Chega apostou em ir pescar a outros partidos, principalmente no PSD, para eleições legislativas e europeias, a estratégia agora é fazer o mesmo.
A análise da jornalista de política do Observador, Inês André Figueiredo, à Rádio Observador. A pouco mais de um ano das autárquicas, o Chega está especialmente preocupado com a Câmara de Lisboa. Fica por aqui este jornal. A informação volta à antena da Rádio Observador pelas 05h. Até lá, boa noite.