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As notícias com o João Lourenço.

Muito boa noite. Uma intervenção de várias semanas e apenas quando o caudal do rio descer. É assim que o ministro das Infraestruturas descreve a resolução para reparar o troço da autoestrada A1 que desabou depois do rompimento do Dique dos Casais, em Coimbra. Em visita à cidade conimbricense, já durante esta madrugada, Miguel Pinto Luz indica que a violência das águas não permite operações de fundo.

Enquanto as águas não descerem, não se pode fazer a intervenção de fundo. Quando tivermos a oportunidade de fazer a intervenção de fundo, eu quero dizer aqui aos portugueses, e depois de ter falado também com a Brisa e com todos os intervenientes, que estamos a falar pelo menos de semanas. Isto tem que ser dito sem rodeios e não estamos a falar de resolver amanhã, nem depois. Já estamos a resolver hoje aquilo que é a emergência, mas serão seguramente semanas para conseguirmos que esta infraestrutura volte a estar ao serviço dos portugueses.

O ministro das Infraestruturas afasta algum tipo de problemas na manutenção da via e realça que o troço foi alvo de obras recentemente.

De que viaduto é que estamos a falar? Estamos a falar de um viaduto com 250 metros, que faz parte de um conjunto de três viadutos que teve intervenções nos últimos anos, nomeadamente a intervenção neste viaduto que foi iniciada em setembro de 23, concluída em setembro de 24 e teve a última inspeção em setembro de 25, portanto, há três, quatro meses. Um viaduto que, como podem constatar pelo próprio asfalto, é um viaduto que teve intervenção muito recente e, portanto, são condições absolutamente excepcionais que agora nos obrigam e nos mobilizam para soluções absolutamente excepcionais.

Ao lado de Miguel Pinto Luz, estava o presidente do Conselho Executivo da Brisa, António Pires de Lima. O responsável da concessionária indica que o recurso a enrocamento, blocos de rocha compactados, é a única solução para prevenir que o problema aumente.

Esse é o objetivo do enrocamento que iniciaremos amanhã, que, aliás, ativamos logo que se deu este incidente sério, mas não tem o efeito de reparar, obviamente, este fosso grande que se abriu na autoestrada. Portanto, visa é que a zona não aumente.

Também no local está Ana Abrunhosa, autarca da cidade de Coimbra. A responsável elogia a rápida ação dos responsáveis governativos em cortar esta autoestrada.

Os últimos eventos que aconteceram foram sempre muito mais abaixo, ou seja, mais a montante. Este é o primeiro quebra de dique que acontece. Infelizmente, foi debaixo da autoestrada, mas imediatamente, nós estávamos na proteção civil, fizemos logo o contato com o senhor ministro, que foi imediato, com a Brisa, e imediatamente as orientações de todos foi para fechar a A1 de forma preventiva.

Miguel Pinto Luz ainda referiu aos jornalistas que já há caminhões a caminho de Coimbra para proceder a essas obras de enrocamento. Já a concessionária da autoestrada, a Brisa, já sugeriu aos automobilistas a utilização de alternativas à interrupção deste troço no sentido norte-sul, para utilizarem os corredores da A8, A17, A25 ou o IC2. E durante esta madrugada, algumas zonas de Coimbra já foram alvos de novas evacuações, como é o caso das aldeias de São Martinho de Árvore e São João do Campo. Nesta última freguesia já terminou todo o processo e ainda assim, o presidente da junta, Valter Santos, indica que algumas pessoas não quiseram abandonar as casas.

São 29 habitações. Temos uma média entre três e quatro pessoas por família, sensivelmente. Noventa por cento desses familiares, correspondentes a estas habitações, entendeu ficar.

E qual foi o argumento que deram às autoridades?

Como têm o primeiro andar, sentem-se um pouco confortáveis.

Valter Santos mostra algum otimismo dentro da freguesia. Diz que o lado direito do rio tem mais terreno agrícola para a água se espalhar.

Para mim não foi surpresa. Aliás, para ser sincero, até fiquei um pouco mais tranquilo em ser para a margem direita do que para a margem esquerda, porque acho que eu, na minha ignorância, não sou técnico, creio que me sinto mais confortável que as águas tenham vindo para o lado direito, porque temos uma grande área de terras agrícolas onde as águas se podem espalhar.

E há menos população que na margem esquerda.

É, não tenho dúvidas.

Aqui o relato de Valter Santos, presidente de São João do Campo, uma freguesia que foi esta noite evacuada devido à ameaça de mais cheias na zona do rio Mondego. Durante esta quarta-feira, governo, autarquia e presidente da República estiveram em um balanço em Coimbra. Marcelo Rebelo de Sousa lembra que é preciso garantir os meios de prevenção, apoio e resposta ao mau tempo. O chefe de Estado admite o desgaste de várias semanas atípicas.

Vale a pena olhar para os dias próximos

Com a mesma confiança, com a mesma tranquilidade, com a mesma serenidade, com a mesma maturidade cívica dos portugueses ao longo destas semanas. É muito tempo, é muito desgastante. Mas até agora se viu que é vencível. E vencer significa lidar com a natureza, encontrando todos os meios para dar resposta. Apoi, prevenções e comportamento das pessoas. Nunca desanimar.

O presidente alertou também para um agravamento da situação na bacia do Sado e do Tejo, e diz que o Estado não pode esquecer ninguém. E nesta conferência de imprensa, o primeiro-ministro alertou para a possibilidade de ocorrer uma nova ruptura no dique do Mondego, sendo que a estrutura cedeu, como já foi referido, na margem direita, junto à Ponte de Casais. Luís Montenegro alerta assim para uma situação que pode agravar-se.

Não quero deixar de alertar para a possibilidade de outras rupturas poderem vir a acontecer nas próximas horas. Sabíamos que estávamos no limite, no limiar da capacidade de escoamento do caudal do rio Mondego e que, portanto, esta situação podia efetivamente ocorrer.

O primeiro-ministro pede que as pessoas sigam as recomendações das autoridades. Alerta também que o alívio da chuva previsto para esta quinta-feira não significa relaxar nas medidas de segurança. E na baixa de Alcácer do Sal, voltaram as inundações e durante a madrugada atingiu-se o pico da maré. A Proteção Civil prevê, no entanto, que o caudal do rio Sado diminua já durante esta madrugada. É o que explica Tiago Bugio, comandante da Proteção Civil do Alentejo litoral.

Tingindo o pico da maré agora à meia-noite, teremos uma diminuição deste galgamento do rio Sado. Prevemos que o caudal do rio diminua, devido também à gestão das barragens que se têm efetuado. Neste momento temos sete barragens a descarregar para o rio Sado e que vamos tentar minimizar os danos, diminuindo o caudal do rio Sado.

O volume das barragens aumentou e houve uma inundação junto à margem do rio, é o que explica o comandante da Proteção Civil do Alentejo litoral, em declarações à CNN Portugal. Tiago Bugio aconselha ainda que a população se mantenha em alerta. E Pedro Passos Coelho critica o papel do Estado no que toca à economia. Considera que é um entrave no desenvolvimento e alerta ainda para o que diz ser uma perspectiva miserável a partir de 2027. À margem de uma apresentação da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o antigo primeiro-ministro afirma, no entanto, que não se trata de um problema específico de um partido.

O Estado hoje ainda é um óbice muito grande ao crescimento da economia. E cada vez, me parece, a sua qualidade tem vindo a cair de forma mais gravosa. Já houve vários partidos pelo governo, portanto, isso não é uma questão partidária, é uma questão que nos devia fazer refletir com seriedade. Fala-se muito da reforma do Estado, mas faz-se pouco por isso.

O antigo primeiro-ministro lamentou que, a longo prazo, o crescimento econômico português continue a não passar do 1% ao ano. E esta quinta-feira, os líderes da União Europeia reúnem-se num retiro na Bélgica para discutir como aumentar a competitividade comunitária face aos concorrentes dos Estados Unidos e da China. O primeiro-ministro Luís Montenegro cancelou a participação no retiro devido à situação de calamidade em Portugal, que vai ser representado, na ocasião, pelo homólogo grego, Kyriakos Mitsotakis, que é da mesma família política e também da mesma região, ou seja, da Europa do Sul. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, vai promover debates entre os restantes 26 líderes europeus sobre como reforçar o mercado único e reduzir as dependências econômicas. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai defender uma União Europeia simplificada e a duas velocidades quanto à integração financeira. Tudo dito neste noticiário das 04h. Informação na Rádio Observador, regressa às 05h.