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Muito bom dia, eu sou o Ricardo Lopes. São 05h, hora de atualizar toda a informação aqui na Rádio Observador. Começamos pela atualidade internacional. Sem acordo, foi desta maneira que terminou a maratona de negociações deste sábado entre o Irão e os Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão. Estas negociações trilaterais duraram perto de 21 horas. Estava previsto que as conversas durassem toda a noite, e assim foi. Terminaram já perto das 07h, em Islamabad, onde decorrem as negociações. J.D. Vance, presidente dos Estados Unidos da América, que lidera também a delegação norte-americana, anunciou que não se chegou a nenhum acordo para pôr fim de forma permanente à guerra. Em declarações à imprensa, J.D. Vance sublinha que houveram várias discussões substanciais com os iranianos. Classifica isso como uma boa notícia, mas lamenta que os iranianos tenham recusado aceitar os termos propostos pelos Estados Unidos, mesmo que, segundo J.D. Vance, tenham sido termos bastante flexíveis. "Tivemos várias discussões substanciais com os iranianos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que não chegamos a um acordo. Penso que isso é muito mais má notícia para o Irão do que para os Estados Unidos da América. Regressamos assim aos Estados Unidos sem alcançar um acordo. Nós deixamos muito claro quais são as nossas linhas vermelhas, em que aspetos estamos dispostos a ir ao encontro das posições deles e em que aspetos não estamos dispostos a fazê-lo. Tornamos isso tão claro quanto possível e eles optaram por não aceitar os nossos termos." J.D. Vance deu a entender que o principal ponto de bloqueio destas negociações foi a recusa do Irão em abandonar o programa nuclear. O diplomata norte-americano agradeceu ao primeiro-ministro do Paquistão, reitera que quaisquer falhas nas negociações não se deveram aos paquistaneses, que fizeram um trabalho extraordinário. Donald Trump já se tinha mostrado indiferente caso não se estabelecesse um acordo de cessar-fogo nestas negociações em Islamabad. O presidente norte-americano disse não estar preocupado com a possibilidade de não haver um acordo saído das negociações entre as delegações dos Estados Unidos e Irão. Para Trump, uma coisa é evidente: a vitória já é dos Estados Unidos. Ainda sobre o conflito, o Papa Leão XIV critica as demonstrações de força e pede um abrandar das hostilidades nos conflitos em todo o mundo. "Basta de guerra", é o que diz o líder da Igreja Católica num discurso feito na Basília de São Pedro. O Papa Leão XIV critica as demonstrações de força em oração pela paz. Diz que é tempo de acabar com a idolatria ao ego e também ao dinheiro.
"Basta da idolatria do ego e do dinheiro. Basta de demonstrações de força, basta da guerra. A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida. Todos nós beneficiamos com a paz, o indivíduo, todo o povo, a família."
É uma das críticas feitas pelo líder da Igreja Católica, uma das críticas mais duras e diretas até à data às guerras em curso no mundo. Na Europa, destaque para as eleições na Hungria. Hoje, mais de oito milhões de húngaros vão às urnas para eleger o novo primeiro-ministro do país. Viktor Orbán e o líder da oposição, Péter Magyar, aproveitaram o último dia de campanha para apelar ao voto dos jovens. Perante milhares de apoiantes, o líder da oposição pede aos mais jovens que conversem com a família e façam um voto consciente sem cair em propagandas mentirosas. Por outro lado, Viktor Orbán faz uma promessa, garante que não vai arrastar os jovens para as guerras. As sondagens são favoráveis à oposição, liderada por Péter Magyar. A confirmar-se, falamos da derrota de Viktor Orbán, depois de estar 16 anos à frente do poder. E com estas projeções, o clima em Budapeste já era de festa, como nos conta a enviada especial do Observador à Hungria, Madalena Moreira.
Já se sente, pelo menos nas ruas de Budapeste, uma cidade mais progressista que o resto do país, a festa pela possibilidade de Péter Magyar ganhar as eleições. Muitas pessoas aproveitaram o bom tempo para saírem à rua. Não são só os turistas e ouve-se muito falar, "tisza", Péter Magyar e a possibilidade de amanhã ele vencer estas eleições. E muitas destas pessoas, depois da festa de hoje, amanhã haverá uma nova festa, tanto a oficial do partido como uma grande festa techno, depois de ontem ter havido um grande concerto. Portanto, é claramente um ambiente de festa aqui em Budapeste.
Descrição de Madalena Moreira, que descreve o ambiente de festa em Budapeste. A jornalista do Observador está na Hungria para acompanhar estas eleições. Pode acompanhar todas as atualizações relativas às eleições também no site do Observador. Passamos para a atualidade nacional. Morreu Diogo Ramada Curto, diretor da Biblioteca Nacional. Tinha 66 anos. A notícia foi avançada primeiro pelo "Expresso", jornal com quem Ramada Curto colaborou durante longos anos. A Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar confirmou também posteriormente a informação na rede social Facebook. Para além de diretor da Biblioteca Nacional desde 2024, Diogo Ramada Curto era historiador e também professor catedrático no Departamento de Estudos Políticos da Universidade Nova de Lisboa. A ministra da Cultura já reagiu a esta notícia. Margarida Balseiro Lopes manifesta profundo pesar e elogia a dedicação e sentido de serviço público de Ramada Curto como diretor da Biblioteca Nacional. Viramos a página para a política nacional. André Ventura defende que um consenso na lei laboral depende mais do governo do que do Chega. O líder do partido Chega mostra-se disponível para chegar a um consenso em matéria laboral, mas tem algumas condições. André Ventura defende que é preciso vontade do governo e pede ao executivo para que pare de se vitimizar.
Conseguirmos fechar antes de ser submetido ao Parlamento, um acordo que consiga fazer uma revisão da lei laboral, mas que ao mesmo tempo salvaguarde que o trabalho por turnos e o trabalho extraordinário é apropriadamente valorizado, que garanta que os despedimentos não serão a regra e não serão um novo normal em Portugal. Nem os empresários querem isso. Às vezes acho que o governo tem apenas a lógica de se querer vitimizar a todo o custo, de procurar uma iminente crise política. Em tudo temos visto isso. Vimos na nacionalidade, vimos agora no subsídio social de mobilidade, ainda ontem no Parlamento. E eu acho que os portugueses, francamente, o que querem é que o governo trabalhe, o que querem é que as coisas aconteçam e o que querem é que as mudanças ocorram na sua vida.
Declarações de André Ventura aos jornalistas à margem da inauguração da sede do Chega na cidade da Maia, neste registo captado pela RTP. O presidente do Chega contou ainda que o partido e o governo têm reuniões marcadas já para esta próxima semana, com o objetivo de discutir o fim do visto prévio do Tribunal de Contas. Os eleitos do Conselho de Redação da Agência Lusa acusam a autarca de Coimbra de ter um comportamento antidemocrático. Em causa estão acusações da presidente da Câmara Municipal de Coimbra a um jornalista da Lusa numa reunião pública do executivo. Acusou o profissional de estar a fazer política contra si por causa de uma notícia acerca da Casa do Cinema de Coimbra. Em comunicado, os membros do Conselho de Redação da Lusa consideram estas acusações de Ana Abrunhosa extremamente graves e dizem pôr em causa a honestidade do jornalista, o que, por sua vez, pode configurar uma tentativa de intimidação inaceitável à comunicação social. No desporto hoje, na jornada 29 do campeonato, Benfica e Futebol Clube do Porto vão a jogo. Depois do empate com o Casa Pia na última jornada, os encarnados vão receber os madeirenses do Nacional. Na antevisão, José Mourinho antecipa um jogo difícil e destaca a competência dos insulares nos jogos contra os grandes.
Para mim é uma boa equipa e se nos centrarmos nos resultados que eles fizeram com as equipas da parte de cima da tabela, mesmo não tendo feito muitos pontos, penso que ganharam em Braga. Mas tudo contra as equipas de topo, foram todos jogos muito nivelados.
Nesta conferência de imprensa, Mourinho reafirmou também a vontade de estar no Benfica, disse estar em sintonia com o presidente Rui Costa. O Benfica Nacional joga às 18h no Estádio da Luz. Já o Futebol Clube do Porto desce à capital para jogar contra o Estoril. O treinador dos Dragões, Francesco Farioli, não poupa nos elogios ao adversário, garante que para vencer o Estoril, a equipa do Porto tem de entrar com o espírito certo.
Vamos jogar contra uma equipa que, se fizermos uma avaliação global da época, tem sido muito positiva. Jogam um futebol muito ofensivo, são uma equipa que marca muitos golos, têm um dos melhores ataques da liga, vai ser definitivamente um jogo complicado. Da nossa parte, temos de entrar em campo com o espírito certo e na nossa melhor forma.
A bola começa a rolar no Estoril Porto às 20h30. Os Dragões querem manter a distância para o Sporting, que já venceu nesta jornada. Pode acompanhar ambos os jogos com relato e comentário aqui na Rádio Observador. Para fechar, hoje a Junta de Freguesia de Benfica vai entregar a chave de honra à família de António Lobo Antunes. É uma homenagem ao escritor que morreu no passado dia 5 de março, aos 83 anos. A autarquia quer assinalar, deste modo, a ligação do escritor à região. O escritor cresceu e viveu em Benfica, doou mais de 30 mil títulos da biblioteca pessoal, incluindo manuscritos originais e documentos pessoais, para a futura biblioteca de Benfica, intitulada António Lobo Antunes, que tem inauguração prevista ainda para este ano. A cerimónia de hoje realiza-se no auditório da Escola Superior de Educação de Lisboa. Ponto final neste jornal das 05h. Tenham um ótimo dia. A informação está de regresso às 17h30 com a síntese de notícias. Até já.