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Seis horas. Bom dia, está com a Rádio Observador. Eu sou a Maria João Braz. O Partido Socialista não quer António José Seguro como candidato ao Belém, ao que o Observador apurou, o PS está a pressionar António Vitorino para se candidatar às eleições presidenciais. Uma fonte do partido avançou ao Observador que tem havido vários almoços, jantares e telefonemas com vista a pressionar o presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo a avançar. Mais, na última semana, Vitorino esteve em Bruxelas com António Costa e, segundo confirmou o Observador, as presidenciais terão sido um dos temas abordados. Embora pareça estar tudo a alinhar-se na direção de António Vitorino, o próprio, em entrevista à SIC, não confirmou, mas também não rejeitou uma possível candidatura.
Disse que anunciava em janeiro se avançava para a Presidência da República. Hoje é dia 28, já nos pode dizer se vai ou não avançar?
Eu não falei em janeiro, eu falei no ano e ainda faltam 11 meses. Lembre-se bem do que eu lhe disse.
Mas falou em janeiro que seria o seu mês. O Partido Socialista anuncia dia 8 de fevereiro, isso já sabemos, portanto, não teremos de esperar.
Terá de perguntar ao Partido Socialista isso.
Tanto o secretário-geral como o presidente do PS já disseram que será valorizada a experiência internacional do candidato do Partido Socialista e não foi António José Seguro, que foi deputado e comissário europeu, presidente do Instituto Jacques Delors e o diretor da Organização Internacional para as Migrações, certo?
É muito persuasiva, mas olhe que hoje não é a véspera do dia em que lhe vou responder.
Tenho muita pena.
Mas o Antônio Vitorino não negou nada do que acabas de dizer.
Não confirma nem desmente.
Exatamente.
Está tudo ainda em aberto, mas há a expectativa de que António Vitorino possa anunciar a candidatura a 7 de fevereiro, uma data simbólica, já que foi neste dia que Jorge Sampaio apresentou a candidatura em 1995. Relembro que no dia 8 de fevereiro, o PS convocou a Comissão Nacional para discutir o tema Eleições Presidenciais. O ministro da Coesão Territorial aplaude a decisão de Hernani Dias demitir-se. Manuel Castro Almeida tem agora em mãos a tarefa de encontrar um substituto para ocupar o cargo de Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território. Em causa estão as suspeitas que ligam Hernani Dias à criação de empresas familiares ligadas ao ramo imobiliário, isto enquanto o governo e o próprio gabinete do Secretário de Estado preparavam a Lei dos Solos. Ora, estas empresas iriam alegadamente tirar partido desta lei. Na carta de demissão a que a Lusa teve acesso, Hernani Dias diz que sai por respeito pela estabilidade do governo, garante que o faz de consciência tranquila. Revela também que vai suspender o mandato como deputado para ser ouvido no Parlamento, um pedido feito pelos grupos parlamentares. O Observador sabe que Hernani Dias não foi constituído arguido, no entanto, já está a ser investigado pela Procuradoria Europeia por suspeitas de ter recebido contrapartidas enquanto era presidente da Câmara de Bragança. E do lado dos partidos, Joana Mortágua persiste no argumento de que a Lei dos Solos vai promover situações de corrupção e aponta o caso de Hernani Dias como prova disso mesmo.
Na verdade, a lei, ao permitir essa valorização tão grande dos terrenos sem uma devida fiscalização técnica, vai criar e permite a criação deste tipo de suspeitas em todos os órgãos autárquicos, em todos os pontos do país. Esta lei é frágil do ponto de vista das garantias que dá do combate à corrupção.
Já o deputado do PCP, Alfredo Maia, fala num caso que vem confirmar as suspeitas que recaíam sobre Hernani Dias. Também os comunistas consideram que a Lei dos Solos não deveria ser implementada.
Comprova que não é com uma demissão que se resolve o problema de fundo. E o problema de fundo é mesmo a alteração ao regime da chamada Lei dos Solos. Alteração essa que já devia ter sido feita na passada sexta-feira, se o PSD, o CDS e, em particular, o PS, que viabilizou a manutenção deste diploma, tivessem votado, tal como, nomeadamente, o PCP propôs, que é a imediata cessação da vigência deste malfadado decreto de lei.
Da parte do LIVRE, Paulo Muacho afirma que se trata de uma demissão esperada e garante que esta era a única solução viável. Também já há comentários por parte da Iniciativa Liberal. O deputado Mário Amorim Lopes considera incompreensível que Hernani Dias se tenha colocado nesta situação. E hoje é dia do Conselho de Estado reunir-se com a novidade de que se junta ao encontro Mário Draghi. O antigo primeiro-ministro italiano e ex-presidente do Banco Central Europeu foi convidado por Marcelo Rebelo de Sousa. O objetivo será Draghi falar perante os conselheiros de Estado sobre as conclusões do relatório apresentado em setembro a propósito do futuro da competitividade da União Europeia. Todo o território nacional, à exceção de Santarém, Portalegre e Évora, estão sob aviso amarelo ou laranja para agitação marítima e o vento. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê que o país volte a ser atingido por uma nova tempestade já esta quarta-feira. O vento vai aumentar de intensidade com rajadas que podem atingir os 100 km/h no litoral oeste e nas terras altas. É esperada ainda neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela. Entretanto, a zona costeira já está sob aviso vermelho para agitação marítima, com ondas que podem chegar aos oito metros. Segundo as previsões do IPMA, a chuva vai atingir primeiro as regiões Norte e Centro do país. Nos últimos sete anos, mais de metade dos novos imigrantes que chegaram a Portugal fizeram-no através da manifestação de interesses. Os dados são do Ministério da Presidência. São números que deitam por terra a ideia defendida pelo PS e pelo Bloco de Esquerda de que a manifestação de interesses não foi a principal porta de entrada dos imigrantes no país. O relatório apresentado pelo Executivo de Luís Montenegro vai mais longe e avança que estes números não incluem os processos pendentes na AIMA. São cerca de 400 mil e a quase totalidade deste número pediu a manifestação de interesses. Na atualidade internacional, Donald Trump quer cortar na administração pública e, por isso, foi enviado um e-mail a quase dois milhões de funcionários dando a opção de se despedirem. De acordo com o New York Times, no e-mail explica-se que vão ser extintos postos de trabalho e que um número considerável de funcionários vai ser dispensado. Este e-mail estabelece ainda novas regras, a começar pelo trabalho remoto, que vai deixar de existir. Explica-se ainda que alguns postos de trabalho vão mudar de localização e que todos os funcionários vão ser sujeitos a um novo código de conduta, que tem como objetivo garantir que os trabalhadores são leais e de confiança. Os trabalhadores que aceitem despedir-se vão continuar a ser pagos até setembro. Além desta medida, a imprensa norte-americana está ainda a noticiar que um juiz federal suspendeu a ordem presidencial de bloquear bilhões de dólares em benefícios de apoios do Estado, uma decisão que está a deixar milhares de norte-americanos com receio de perderem acesso a serviços de saúde ou de educação, por exemplo. No Médio Oriente, Israel vai avançar com a proibição à atuação da Agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos, uma decisão apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em causa estão suspeitas de funcionários desta agência integrarem o Hamas e estarem envolvidos no atentado de 7 de outubro. Há três meses, o Parlamento israelita passou duas leis que limitam a atuação desta agência nos territórios israelitas. A decisão vai entrar em vigor nas próximas 48 horas. Quem o afirma é o embaixador de Israel da ONU, que o disse no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ainda não é claro quais são as consequências destas duas leis para esta agência da Faixa de Gaza, que atua no enclave palestiniano e também na Cisjordânia. No entanto, o chefe da organização, Philippe Lazzarini, reitera que a agência é a principal organização a prestar apoio humanitário nos territórios palestinianos e que sem este apoio a situação será desastrosa. Passamos para o desporto. Todos os jogos da oitava e última jornada da fase de liga realizam-se esta quarta-feira às 20h. É um dia decisivo na Liga dos Campeões. Se o Sporting e o Benfica conseguirem pelo menos um empate nos jogos desta quarta-feira, passam para a fase de playoff de acesso aos oitavos de final. O Sporting joga em Lisboa contra o Bolonha, o Benfica defronta o Juventus em Itália. Os jogos do Benfica e do Sporting começam às 20h desta quarta-feira e vão ter relato aqui em direto na Rádio Observador. Ainda no desporto, a seleção portuguesa de andebol joga esta quarta-feira pela primeira vez nos quartos de final do Mundial. Nunca Portugal tinha chegado tão longe no Mundial de Andebol. A seleção nacional até agora contabiliza cinco vitórias e um empate. O selecionador nacional diz que é um objetivo para todos atingir as meias-finais. O jornalista Miguel Cordeiro conversou com Ricardo Andorinho. O jogador participou em dois Mundiais de Andebol e três Europeus. À Rádio Observador, fala num orgulho imenso na equipa e confessa que Portugal tem condições para vencer a Alemanha.
Portugal está a fazer uma campanha espetacular e nós, que também tivemos um contacto muito direto com estas participações, temos um orgulho enorme de ver a equipa a reagir jogo a jogo, a ser confrontada com algumas das melhores seleções do mundo e a conseguir ganhar todos os jogos, à exceção do empate, que nos dá uma grande vontade de vencer também a Alemanha. Isto vai ser um jogo muito duro, mas se nós conseguirmos implementar a dinâmica de jogo que temos conseguido implementar frente às outras seleções, eu tenho a certeza que Portugal vai ter muitas possibilidades de ganhar.
Ricardo Andorinho, numa entrevista conduzida por Miguel Cordeiro. Portugal joga esta quarta-feira frente à Alemanha nos quartos de final do Mundial de Andebol. O jogo começa às 19h30. O Noticiário das 18h fica por aqui. Regressamos às 18h30 com o habitual síntese de notícias. Até já.